Conversa Da Treta


E para piorar o conteúdo, agora passou a falar sempre com aquele ar de seminarista engonhado e amnésico (será que ele se esquece quando fez de rufia que não aceitava sugestões de ninguém?) que não sei se mete dó, se mete outra coisa.

O primeiro-ministro, que se escusou a comentar o discurso do secretário-geral do PS, António Costa, no congresso socialista do fim-de-semana passado, quis “apenas reafirmar a importância que para o país tem que gente adulta, gente crescida, gente preparada, gente que tem responsabilidades políticas possa olhar para o futuro sem ser com a perspectiva de contar espingardas, que seja com a perspectiva de chegar a respostas que os portugueses entendem como sendo respostas para os seus problemas”.

“Quando as soluções políticas parecem ter outra solidez, as pessoas sentem-se mais à vontade para comprometer a sua palavra, para poder chegar a um entendimento sem que isso pareça uma derrota para ninguém. Essas condições estão reunidas e só não haverá um espírito de compromisso se ele não for desejado”, enfatizou.

Gente crescida, gente preparada?

Mas que raio de intervenções públicas são estas, vindas de quem a cada oportunidade diz coisas do mais bacoco e infantil que se pode arranjar?

Exemplos:

“Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida.”

11-05-2012

“O Governo não está a preparar um aumento de impostos. Não estamos a pôr porcaria na ventoinha e a assustar os portugueses.”

Debate do Estado da Nação, 11-07-2012

“Todas as dificuldades porque passámos não terão servido para nada. Servirão para alguma coisa (…) quando não nos comportarmos como baratas tontas e soubermos bem para onde vamos.”

25-07-2012

“Amigos. Fiz um dos discursos mais ingratos que um primeiro-ministro pode fazer – informar os portugueses, que têm enfrentado com tanta coragem e responsabilidade este período tão difícil da nossa história, que os sacrifícios ainda não terminaram.”

Facebook, 09-09-02012

“O ano que agora está a terminar foi talvez o ano mais difícil de que tenho memória desde 1974, mas foi também o ano em que mais semeámos para futuro.”

21-12-2012

“[O programa de rescisões na Função Pública] deverá ser encarado como uma oportunidade e não como uma ameaça para trabalhadores e serviços.”

18-03-2013

Fonte: Jornal de Negócios.

polish-a-turd

Porque a sensatez parece estar distribuída de forma muito desigual neste nosso mundinho.

Por exemplo, é sensato manter os apoios à rede privada no mesmo nível de há 4 anos, enquanto se fazem cortes sobre cortes no sector público no mesmo período, com a alegação da “quebra demográfica”?

MEC garante dinheiro para repor aulas de alunos dentro do que é “sensato”

Plataforma sindical está a ouvir professores sobre formas de luta. E diz que depende do governo não haver contestação.

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Percebi… só ouvem os quotizados.

 

E é isso que deveria ser mudado no futuro.

“Ser professor era aquela profissão para onde se ia quando não se tinha mais nada, em alguns casos”, disse, para demonstrar o que quer mudar no futuro.

Mas que treta de conversa para quem se pretende rigoroso no que afirma. Isto é conversa de café de esquina das Avenidas Novas, para betos de outras eras que ainda se acham o supra-sumo do coiso.

Claro que isto só é dito em ambiente controlado e amigo, Confap style, vê lá se não te atrasas na transferência.

Um presidente ausente na maior parte dos momentos que foram dramáticos para a nossa Educação vem agora com reminiscências de uns quantos meses que viveu em Inglaterra há 40 anos?

Presidente da República alerta que “alguma coisa não está bem em Portugal” no que toca à colocação de docentes, que “alunos foram prejudicados” e “professores viveram tempos de angústia”. Quando vivia em Inglaterra, estes problemas não aconteciam, disse, porque o modelo era descentralizado.

É triste quando a Presidência da República – que jura não intervir na governação – aparece a defender soluções de lobbys muito específicos presentes na nossa socieade.

Antes

Já agora… penso que na China ou Albânia (o João Carlos Espada poderá confirmar), por essa mesma altura, o sistema de colocação de professores era centralizado e funcionava bem.

Lá mais para o fim do dia, faço o guião dos saltos sobre a realidade.

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