Conversa Da Treta


Os autarcas subscritores do documento descartam, de resto, qualquer objectivo “oculto” de mercantilização ou de “negócio” da educação. “Sem desprezar as questões financeiras, que são instrumentais, elas não deverão impedir a definição de uma política local de educação”, escrevem.

Considerando que “a centralização se vem transformando, desde há muito, num obstáculo ao desenvolvimento da educação”, os subscritores do documento aproveitam para se demarcar da “lógica centralista de tudo prescrever de modo igual” e dizem ver nesta descentralização uma oportunidade para “a criação de condições para o sucesso educativo” e para “a promoção de mais equidade e coesão social, através de soluções diferenciadas que apostem claramente nas inteligências e dinâmicas locais”. De resto, e sublinhando que as escolas também serão chamadas a participar neste processo de descentralização, os municípios defendem que o Conselho Municipal de Educação deverá passar a ser o órgão de coordenação e direcção das políticas educativas locais, para o que se torna necessária uma revisão das actuais competências e composição do conselho.

Dos concelhos subscritores, apenas Mação se caracteriza pelo insucesso escolar de acordo com o Atlas da Educação do Cesnova, coordenado pelo ex-ministro David Justino.

A conversa é da treta.

O que está em causa não é o “mercantilismo”, é a conjugação de coisas piores, bem piores… de que temos bons exemplos por aí. que tal ver os níveis de endividamento de alguns?

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, defendeu esta quinta-feira a necessidade de apostar no processo de seleção e avaliação dos professores, pretendendo retomar «muito em breve» a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC).

«Em Portugal tomámos e estamos a tomar algumas medidas nesse sentido, no que se refere à entrada nos cursos de formação professores, ao que é ensinado nesses cursos e à Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades instituída – e que nós temos de retomar em breve», disse à agência Lusa em Londres.

O ministro falava à margem de uma cimeira de alto nível dedicada ao tema das Reformas na Educação, intitulada «Celebração, Ambição, Inspiração», organizada pelo ministério da Educação britânico e pela Education Foundation, num painel com ministros e dirigentes de Espanha, Holanda, Polónia e China.

«Um tema comum a todos os países que aqui falaram é o reconhecimento de que a qualidade da docência e qualidade da formação inicial dos professores são fatores decisivos para melhoria do sistema de ensino», afirmou no final à agência Lusa.

Teachers Should Just Say No to Cheap Talk & Lip Service

Sugestão da A. C.

 

Negaram-nos a chanfana, agora o quê?…

Du caraces!

 

E não é só Costa… é toda a multidão – a ganga – atrás dele, prontinha para recuperar o controlo da cozinha.

E o que se teria a dizer dos silêncios e omissões de Seguro durante o consulado socrático?

Pub15Jun14

Público, 15 de Junho de 2014

Poiares Maduro: Governo tem sido irrepreensível com o TC

Claro, claro… mandaram os cães de fila, sem desprimor para as variedades de género.

Ando mesmo, mesmo, farto desta malta que se dizia muito inteligente e depois se revela mais do mesmo.

Irrepreensível, irrevogável…  tudo a mesma treta.

Se o modelo de gestão continua monolítico, de natureza hierárquica, concentracionário, baseado nas nomeações e não numa verdadeira escolha partilha, como são capazes de escrever (artigo 3º do despacho normativo 6/2014) que:

2. A autonomia da escola deve ser orientada para objetivos específicos, nomeadamente os seguintes:
(…)
b) Uma participação ativa dos docentes no processo de decisão, envolvendo todos os potenciais participantes no mesmo;

O actual modelo de gestão escolar é a negação de tal princípio e o despacho da alegada “autonomia” mais não é do que uma sucessão de espartilhos estatísticos que pedem sucesso imediato, caso contrário as coisas ainda ficam pior do que sem a dita cuja.

E tanto tempo que foi necessário para isto ser publicado… na prática, todo este ano lectivo foi vivido sem saber com que regras a “autonomia” iria ser praticada e medida.

O costume.

E que foi a geração que demoliu toda a avaliação que então existira?

Já sei, envelheceram, amadureceram os conceitos, o mundo mudou, passaram eles a mandar e agora querem a domesticação alheia que recusaram para si, pois quantos fizeram cursos na rebaldaria total, graças ao poder e influência que tinham por serem líderes associativos.

CratoEntre

Frontline, 12 de Maio de 2014 (ou a entrevista que ninguém leu… mas que o Livresco achou)

Andei lá pelos arquivos do MEC e sei do que estou a falar.

A ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues justificou hoje em julgamento a contratação de João Pedroso, irmão do ex-ministro socialista Paulo Pedroso, com a “falta de juristas” no Ministério da Educação.

A verdade é que a razão era outra e, mesmo que o trabalho fosse necessário, não implicaria a contratação de um jurista sem qualquer currículo na matéria.

Todos sabemos porque foi feita a contratação, mas podemos sempre acreditar nestas justificações patéticas.

Mas a sensação de impunidade é enorme, pois sabe que nada lhe acontecerá pelo que até pode gozar com todos nós:

Após ironizar, lembrando que a condição de militante ou simpatizante do PS não é crime, a sua defesa salienta que a nomeação  de Pedroso foi uma decisão tomada enquanto titular de um cargo político, que a lei permite e que não pode ser questionada pela Justiça, em obediência ao princípio da separação de poderes. Diz ainda que a acusação  “é absurda” e que este processo resultou de um “concubinato político”: foi o PCP que denunciou a situação ao MP, salienta-se, numa altura em que a ministra enfrentava forte contestação dos professores.

Claro que chamou muita gente em sua defesa.

Afinal… os amigos são para as ocasiões, como ela foi amiga para se prestar ser testemunha num processo contra mim, tentado (e arquivado na instrução) por um jornalista com muita simpatia pela sua acção política.

A gramática vale há vários anos 20%, saiam muitas ou poucas perguntas… Se saírem menos perguntas até é pior, porque cada erro desconta mais.

No exame do 6.º ano houve pouca gramática e isso foi um alívio para os alunos

 

… e muita conversa fiada, a começar pelo “diálogo com os professores” (que belo historial vocelências têm nesse particular) e pela “adaptabilidade” das escolas públicas (traduza-se por municipalização e parcerias com entidades privadas).

O Contrato de Confiança do PS é, na área da Educação, um perigoso (mas expectável) vazio. De ideias, de propostas concretas, de tudo.

Amanhã, em apenas 1800 caracteres, para o Diário Rconómico, sintetizo a síntese e quase me sobra espaço.

PSContraConf

(…)

PSContraConf2

Documento completo com as 80 medias fofinhas: PSContratodeConfianca.

… e as impropriedades e os princípios esquecem-se logo. Basta olhar para o passado recente… e nem a direcção da ANMP ter passado para o PS resolve seja o que for, pois foram eles os grandes dinamizadores da coisa e com métodos perfeitamente similares.

ANMP denuncia “conduta imprópria” do ministério da Educação no fecho de escolas

Passos Coelho: Portugal enfrentou “ansiedade e angústia” por causa do Constitucional

Será que foi o PM que levou os aspegic todos no outro dia por causa de tantas dores de cabeça que terá? É que eu queria dos 1000 ou mesmo dos 500 e nada havia…

DE qualquer maneira fica explicada esta notícia com um par de meses, pois coincide no tempo:

Consumo de ansiolíticos triplicou em Portugal

Ouvir os discursos do 1º de Maio é um exercício de masoquismo intelectual.

Num zapping apanhei o Carlos Silva a falar na ditadura sem rosto que existia há mais de 40 anos.

Ditadura sem rosto?

Mas que treta de lugares-comuns!

Sem rosto… se há coisa que as ditaduras costumam ter é um rosto bem definido.

A nossa também o tinha. Até mais de um.

Pendurados na paredes das salas de aula.

Governo afasta descida das indemnizações por despedimento ilegal

Executivo convenceu a troika.

Este texto de Henrique Monteiro é verdadeiramente anedótico. Para ele o que interessa são os ordenados nonminais e não o que as pessoas recebem efectivamente.

Ou seja, no limite, se uma pessoa mantiver um ordenado nominal de 2000 euros mas receber apenas 1200 devido a impostos e cortes, perdeu menos salário do que alguém que recebe 2000, mas viu o valor nominal descer de 2200 para 2190.

Sofismas de quem se acha probo e acima de qualquer suspeita de delírio.

FMI quer mais reformas, consenso e salários mais baixos

Isto da parte de quem repetidamente falha cálculos e previsões, que lamentou os efeitos inesperados da austeridade e que era necessário uma nova fase nas políticas de reajustamento?

O FMI considera que os salários continuam altos em Portugal. Numa crítica à «rigidez do mercado de trabalho», o fundo escreve que uma flexibilização salarial ajudaria a combater o desemprego.

 

Em especial quando os argumentos não passam pela preocupação com as aprendizagens dos alunos, mas com o custo das retenções.

A preocupação não é pedagógica, nem sequer ideológica, é meramente tecnocrática e orçamental.

JN2Abr14

Jornal de Notícias, 2 de Abril de 2014

Vamos lá por partes… 250 milhões de euros é muito dinheiro, mas passar indiscriminadamente toda a gente para os poupar cria despesas bem maiores, a jusante. Só quem é intensamente míope e só pensa no curto prazo não entende isso.

Por outro lado, não se entende que quem aparece com este argumento, defenda ao mesmo tempo a existência de exames que também custam dinheiro e geram margens adicionais de insucesso.

Era bom que, de uma vez por todas, esta malta organizasse o seu discurso, por forma a não parecerem cataventos. Querem rigor na avaliação e nas aprendizagens, mas sem insucesso. O ovo de Colombo. E, claro, a culpa do insucesso volta sempre a ser atribuída, mesmo que disfarçadamente, aos professores.

Eu defendo a existência de exames, apesar do seu custo e considero que os encargos com as retenções é um dos encargos do sistema, se queremos que ele – na nossa situação actual – não se torne uma balda completa.

O argumento da “cultura da retenção” é uma enorme mistificação, uma falácia, uma balela, um argumento de engomadinhos que eu queria ver numa sala de aula em que parte substancial dos alunos não traz cadernos ou material para escrever, que activamente se desinteressa das aprendizagens e cujas famílias se mostram incapazes de uma intervenção eficaz. Isto a acrescer à degradação da situação socio-económica das famílias que perturba, e não é pouco, a estabilidade dos alunos.

Mas, voltando à “cultura da retenção”, sempre atribuída às escolas e aos professores, gostava de sublinhar esta ideia – quem o afirma deveria vir das umas aulinhas a turmas complicadas, de modo sistemático, e não apenas enviar mediadores – muito úteis – para intervenções circunscritas que depois se apresentam como se fossem “de sucesso enorme.

Querem ajudar?

Convençam o MEC a apostar nessas medidas preventivas do insucesso e não em exames made in Cambridge. Convençam o MEC a criar equipas multidisciplinares de intervenção nas escolas de risco e não a retirar-lhes créditos horários quando num dado ano têm resultados abaixo do desejável.

Mas, como parte dos que andam a fazer circular esta informação são antigos responsáveis políticos ou chefias da estrutura administrativa do MEC que nada conseguiram fazer de eficaz nos seus mandatos nesta matéria, claro que nunca fazem esse caminho ou desenvolvem uma lógica alternativa a culpar, de forma aberta ou encoberta, “as escolas” e os professores.

Ide catar-vos!

Todos sabemos como o insucesso pode ser reduzido de forma sustentada, sem perder muita qualidade. Mas implica investimento.

E, como sabemos, nos tempos que correm isso é “despesa”.

Só falta mesmo é virem agora psicologizar o insucesso e começar a dizer que ele diminui a auto-estima das crianças e jovens e que os professores é que são uns cruéis desnaturados  e a responsabilidade nunca, por nunca ser, é dos políticos e dos seus nomeados que anos a fio desenvolveram políticas de enxertos e ziguezagues.

O ministro Poiares Maduro é mais um dos que, apresentado como um génio antes de chegar ao Governo, se tornou um veóculo preferencial para platitudes.

Vejamos a mais recente:

De acordo com o ministro, “a Administração Pública favorece quem tem mais meios, quem tem mais conhecimentos e quanto mais próxima [for dos cidadãos], maior será a igualdade de oportunidades”.

(…)

“Portugal tem um dos Estados mais desiguais da Europa. E só uma Administração Pública mais moderna e mais simplificada é um garante de igualdade de oportunidades para todos os portugueses”, afirmou Poiares Maduro, à margem de uma conferência sobre medidas de combate à burocracia na administração pública, que decorreu na Universidade Católica, em Lisboa.

O governante reforçou o que já havia dito na sua intervenção e admitiu que, “frequentemente, o Estado não reconhece o mérito e só uma Administração Pública mais simples, mais eficiente e mais próxima dos cidadãos, ajuda a eliminar a desigualdade”.

Muito brevemente:

  • A Administração Pública não favorece quem tem mais meios, pois quem tem mais meios consegue intervir no plano político, que está acima do administrativo, e obter vantagens a partir do plano legislativo. Não encontramos nenhum grande empresário na fila da repartição de Finanças, mesmo que seja para entrar logo directamente para a frente da dita como consta que se passava com o Vara num Centro de Saúde. O que se vê são relações de amiguismo e cumplicidade, não necessariamente resultantes de ter mais meios. E por conhecimentos penso que entendo outra coisa diferente do senhor ministro.
  • A igualdade de oportunidades não se obtém através de uma rede de serviços que cada vez está mais distante dos cidadãos, em especial nas zonas mais desfavorecidas, ou que se baseie na necessidade de pagar serviços de banda larga. Ou de ter de pagar deslocações cada vez maiores só para chegar junto de um balcão.
  • Mais do que a igualdade importa assegurar a equidade do acesso aos serviços públicos. Pode existir igualdade teórica de oportunidades, mas uma desigualdade objectiva na capacidade para aceder-lhes.
  • Da mesma forma, a proximidade em relação aos cidadãos não se consegue fechando serviços onde eles são mais necessários para combater o isolamento. Repito: o pagamento de um serviço de banda larga não deve ser critério básico para se tratar de assuntos com a administração. Para este Governo, “modernidade” equivale a estruturar a administração pública de acordo com as clivagens existentes, sendo factor para o seu agravamento.

Ou Poiares Maduro não percebe isto (o que não abona muito em relação às suas tão proclamadas inteligência e perspicácia) ou então é mais um a querer enfiar-nos um enorme barrete (o que não abona muito em favor da honestidade intelectual).

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