Contraditório


O Professor doutor Nogueira Leite está incomodado comigo, mas não gosta de discussão, pois nem permite comentários ao que escreve.

Ele acha que existe um univeso de distância semiótica entre “qualquer mono chega ao topo da carreira” e “todo o mono chega ao topo da carreira“.

Eu noto alguma diferença, mas não percebo o que é pior. Acusa-me de distorção das suas palavras. Eu acho que não. Basta lê-lo para perceber quem destila complacência e desprezo. Ao contrário do que ele afirma, não é necessário distorcer nada para se perceber que acha que qualquer mono chega ao topo da nossa carreira (eu sou abaixo de mono porque nunca lá devo chegar e tenho a mesma qualificação académica do que NL, ele que é catedrático desde os 33 anos), que somos uma corporação que usa métodos terroristas e, individualmente, em comentários a um outro post coloca em causa o meu carácter pessoal só porque discordo da sua forma de se expressar.

Santa paciência.

Quanto à proposta que faz… lamento mas não sou eu que ando há meses (quiçá anos) a fazer-me claramente a um cargozinho. Ao contrário dele, quem de direito sabe perfeitamente que não tenho (nem nunca tive) tais aspirações e não faço ziguezagues ou inversões de marcha no que digo.

Daí não servir para político ou oráculo televisivo do dia seguinte.

… é ter de ler o excelentíssimo professor doutor Nogueira Leite vangloriar-se de ser catedrático desde os 33 anos e chamar monos aos professores do ensino básico e secundário que, nos tempos que correm, com muita sorte chegarão ao topo da carreira depois de defuntos, mesmo que tenham as mesmas habilitações do que ele.

Ou ler que que esses mesmos professores do ensino básico e secundário são uma corporação que pratica o terrorismo (mas não contra a gramática como ele que sistematicamente atropela as regras da acentuação…).

E ter de esperar que o senhor professor doutor Nogueira Leite se permita à simpatia de libertar dois comentários que lá deixei em defesa da honra há cerca de 12 horas, os quais não contêm nem um décimo da bílis e desprezo por ele destilados, não tanto no post, quanto nos comentários em resposta a observações que lhe são feitas.

Liberdade também é isto.

Obviamente, não acho que a liberdade sirva para aqui serem deixados comentários que provem ao excelentíssimo professor doutor Nogueira Leite que os professorzecos não-catedráticos há 16 anos numa Universidade muito boa (por acaso aquela onde fiz a licenciatura e mestrado, sem ter sido necessário ir ao Illinois…) que não passam de uns terroristas corporativos.

Por fim, sempre pensei que o professor doutor Nogueira Leite fosse mais idoso. Porque parece. Em especial pelo que diz, pelo que escreve, pela atitude. Deve ter sido por ter chegado muito cedo, muito alto, e ter ficado com os horizontes cristalizados.

É a minha opinião. Sem usar qualificativos ofensivos.

Publico tal como recebi, respeitando as boas regras do contraditório, apenas acrescentando que a pessoa que enviou a carta que suscita esta reacção pediu o anonimato, mas enviou a sua identificação:

O CE da CONFAP, ao abrigo do direito de resposta que lhe assiste e na defesa do que são os superiores interesses da Educação e do Movimento Associativo Parental (MAP), vem desta forma tomar posição sobre a publicação desta ?carta aberta? e assim encerrar o assunto na praça pública:

1. O CE da CONFAP lamenta que alguém que se diz preocupado com a Educação (mesmo sendo apenas com a do seu ?umbigo?) se disponibilize para publicar uma carta com insinuações injuriosas sem antes se preocupar em ouvir o contraditório, considerando o carácter pejorativo das afirmações produzidas na dita missiva e as implicações nefastas que as mesmas têm mesmo após o direito de resposta, não só individuais como para todo o sistema educativo.
Tal postura deixa-nos preocupados por quem deveria ter algum decoro nas posições assumidas porquanto é um educador de muitas pessoas que são o futuro de Portugal.
2. O presidente do CE sempre esteve disponível, nos órgãos próprios, como prevêem os estatutos, para os esclarecimentos de todos os associados.
Aliás, já em diversas oportunidades pode prestar esses mesmos esclarecimentos, quer no Conselho Geral quer no órgão magno do MAP, a Assembleia-geral. Esclarecimentos também disponíveis e escrutináveis, *a todo o tempo na sede da Instituição*, por qualquer associado no pleno gozo dos seus direitos, como é o caso da COSAP.
3. O CE da CONFAP repudia esta forma de actuar em que documentos internos do MAP, são enviados de forma “anónima” para terceiros, bem como todas as insinuações e injurias proscritas neste blog, da parte de quem não consegue fazer vingar as suas opiniões junto dos associados e se aproveita da moral ligeira de terceiros, eles próprios também ávidos de destruir quem se opõe aos seus pretensos “direitos adquiridos”.
4. O CE da CONFAP, bem como qualquer Órgão Social da Confederação, estão disponíveis, nos termos estatutários, para o esclarecimento de todos os associados sobre os documentos e actividades empreendidas pelos membros integrantes de quaisquer dos seus Órgãos Sociais, no exercício das suas funções e responsabilidades, inclusive na qualidade de indigitados e candidatos nas listas concorrentes aos actos eleitorais.
5. O CE reitera o seu propósito de prosseguir os grandes objectivos do MAP, em construir e garantir uma participação parental de colaboração e cooperação com qualidade a bem de todas as crianças e jovens de Portugal e assim, com o apoio e trabalho das Associações de Pais e Federações, contribuir para uma Educação de excelência nas nossas escolas.

Lisboa, 22 de Abril de 2011
O CE da CONFAP

Gosta de levar as coisas até ao fim, incluindo asneiras.Que pena, já não poderá correr tão livremente com quem gostaria?

“O Parlamento deu-nos voz, ouviu o que professores e directores reclamam há muito contra um processo injusto e muito burocrático. Era um modelo que em nada dignificava os docentes”, congratulou-se o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira. “Foi mais um disparate que se fez”, contrapõe Manuel Esperança, presidente do Conselho das Escolas, um organismo consultivo do Ministério da Educação que representa os directores. O actual ciclo avaliativo termina em Dezembro. Falando a título individual, aquele responsável acrescentou: “Estávamos a fazer o que a lei nos pedia. Sempre na esperança de, no final, podermos apontar quais as deficiências que detectámos, e também as suas causas. E isso só se consegue quando se trabalha um modelo e não quando se interrompe a meio. É o que tem acontecido sempre no nosso sistema educativo. Fazem-se reformas constantes, estas nunca são avaliadas e inicia-se tudo de novo”.

Embora esteja no seu direito fazer aquilo que tantas vezes criticaram a outros. Será que antes de tal decisão, o TC dirá algo sobre os cortes salariais?

Porque se a Assembleia pode revogar um decreto-lei (como no caso da reforma curricular), por maioria de razão pode revogar um decreto-regulamentar.

PS quer Tribunal Constitucional a fiscalizar revogação da avaliação dos professores

O PS vai suscitar a fiscalização da constitucionalidade da revogação da avaliação de desempenho dos professores, aprovada hoje, defendendo que o Parlamento não tem competência para esse acto, anunciou à Lusa a deputada Ana Catarina Mendes.

Quanto à deputada Ana Catarina Mendes, normalmente candidata do PS por Setúbal, terei especial gosto em não votar nela.

De: Rosa Medina de Sousa <rmedinadesousa@yahoo.com>
Assunto: Serviço de Exames e a Crónica do Sr. Miguel Sousa Tavares
Para: cartas@expresso.impresa.pt
Cc: director@expresso.impresa.pt
Data: Domingo, 20 de Março de 2011, 22:01

Sr. Miguel Sousa Tavares
No dia 19 de Março afirmou, no jornal Expresso, e cito, “Você sabia que os professores recebiam 25 euros por cada exame corrigido?”.
Na minha opinião, esta afirmação ou é ignorância, ou é incompetência na consulta de informação que é pública, ou é má fé. Se consultar o despacho 8043/2010 de 7 de Maio (onde se estipula que os professores classificadores dos exames nacionais têm direito à importância ilíquida de €5 pela classificação de cada prova), facilmente compreenderá a minha indignação pelo facto da sua crónica veicular tão grande mentira.
Penso que comentadores assim põem em causa a credibilidade de qualquer jornal.
Acrescento ainda, para seu esclarecimento, que o serviço de exames não se esgota nos exames nacionais dos cursos científico-humanísticos. São elaborados e corrigidos nas escolas exames dos cursos profissionais, dos cursos tecnológicos, exames de equivalência à frequência, exames do ensino recorrente por unidades capitalizáveis, exames do ensino recorrente por módulos capitalizáveis, exames do DL nº 357/207.
Perante o exposto, venho por este meio exigir que seja reposta a verdade exactamente nos mesmos termos e com o mesmo destaque que a sua crónica mereceu.
Sem outro assunto,

Rosa Medina de Sousa

Porquê ou a quem interessa a divisão?

Caro Paulo Guinote

Reforçando o que nas caixas de comentários têm sido dito por gente como Francisco Queirós, Fátima Inácio Gomes ou Rosário Queirós, para além de mim próprio, que, garanto, estou muito longe de ser Director de qualquer coisa, tenho para mim que há lutas internas que não fazem qualquer sentido, que não são tacticamente úteis e que, por justas que as julguemos, individualmente, tornam-se facilmente gratuitas pelo modo como são impostas.

Longe de mim querer dizer-lhe o que deve ou não deve ser o seu blogue, que afinal é antes de tudo o seu blogue, ou censurar os seus comentadores. Na realidade, não tenho nada com isso. O Paulo não optou pela gestão dos comentários e fez muito bem. Mas a facilidade com que aí se resvala para o ataque irreflectido e de pura maledicência, que só deixa mal quem o faz, é uma simples constatação que – não me vão chamar outra vez polícia de costumes – não pede censura, mas parece-me, em termos de simples educação, censurável – e não quero ser paternalista. Mais simplesmente, queria mais discussão e menos deseducação, mas, como me poderá dizer: o problema é seu, mude de canal, e terá toda a razão.

Tome isto como uma Carta de um Leitor. Um leitor sincero e que longe de querer impor a sua vontade quer apenas alargar a discussão.

Discussão, argumentar, dar lugar aos diversos pontos de vista – como o Paulo é dos poucos a fazer na blogosfera mais virada para a educação e os problemas da escola actual –, é muito importante. Estar em desacordo é importante, como discutir é importante. A dissensão é fundamental. Argumentar é fundamental. Tudo o resto é apenas dispensável. É má estratégia, é feio e é contraproducente. E sabemos como a net, por si só, amplia os mal-entendidos e os desentendimentos.

Os sindicatos, por exemplo. Cometeram grandes erros, sem dúvida, e infelizmente não os souberam reconhecer, é verdade. Mas é o anti-sindicalismo a resposta sábia? Essa, parece-me, é a velha resposta de quem enxerga o mundo a preto e branco. A táctica de dividir para reinar é tão velha como o primeiro soberano. Da crítica necessária ao sindicalismo passar ao anti-sindicalismo, o que só interessa ao neoliberalismo reinante, não é um passo obrigatório.

Os sindicatos são importantes – talvez do mesmo modo que se fala da Democracia como o menos mau dos sistemas, mas são –, os movimentos são importantes – mesmo que hoje, infelizmente, assistamos neles a uma tendência finamente reprodutiva do faciendi faccioso que tantos deles criticavam nos políticos e sindicatos –, os blogues são determinantes, com certeza, aqui e no Egipto! – ainda que por vezes não só enfermem do acima referido faciendi faccioso, como se perca demasiado tempo  na contenda inter pares. E mais uma vez, perceba-se que não é minha intenção entrar em polémicas ou acusar seja quem for, mas contribuir.

Agora, intempestivo, surge o ódio aos directores. Mais um erro, peço que me desculpe a opinião. Uma coisa é o que ‘nos faríamos se…’, se realmente o fizéssemos, porque a verdade é que não estamos na situação deles, outra coisa é julgar os outros por não fazerem o que nós ‘achamos que…’. Repare que eu até posso concordar com o Paulo que se podia ter ido mais longe, mas, se posso perceber a desilusão por exemplo, não posso partilhar o violento ataque aos Directores, nunca em geral. Ao conceito, sim, também eu preferia a anterior versão colectiva. A este e aquele Director, com certeza, se fundamentado. ‘Os Directores’, não. Há excelentes Directores que nunca deixaram de estar, desde o início, ao lado da escola pública e dos professores. Serão poucos, se calhar, não posso dizer, não conheço muitos, mas que os há, há. Houve 247 Directores que tomaram posição contra a ADD, será pouco, mas foi alguma coisa. Já nos pareceres do CNE, já, agora, na Tomada de Posição contra a ADD dos mais de duzentos Directores encontrámo-los, a um e aos outros, com posturas diferenciadas, mas de modo inequívoco – nalguns casos pela primeira vez –, do lado dos professores e da qualidade das aprendizagens na escola pública.

Podemos criticar? Devemos. Volto a dizê-lo, óptimo, com certeza, faça-se discussão – daí se diz que sai a luz. Mas partir do pressuposto de falta de coragem ou indignidade de quem não toma as opções que nós achamos as justas, não é considerarmo-nos um tanto demais? Não é olhar o outro, à partida, como destituído de boas razões? Não é impossibilitar a priori a discussão e assistir ao cerrar dos ouvidos em ambas as partes?

Esta é apenas a minha opinião. Posso, com certeza, estar totalmente errado. Mas não me parece que a educação, e particularmente a escola pública, venha a ganhar com tanta escaramuça e desavenças entre as suas fileiras, esquecidas do objectivo comum.

As jangadas fazem-se com muitos troncos e nem todos atados da mesma maneira.

Carlos Marinho Rocha

Escreve num comentário abaixo um colega (penso que director) de seu nome Francisco Queirós:

Caro Paulo Guinote,

A caixa de comentários do seu blogue transformou-se num caixote de lixo de afirmações despropositadas e obscenas. Não creio que o Paulo Guinote se possa rever nesse tipo de discurso e linguagem. O seu blogue teve um peso substancial na luta contra o ministério de MLR e contribuiu para que a onda de indignação dos professores desaguasse no Terreiro do Paço e na Avenida da Liberdade. Não pode desperdiçar esse capital, alimentando desabafos mal-educados ou ligeirezas tolas.

O que se passou hoje no Porto foi importante. Tão importante como os encontros de PCE de Santarém, Coimbra e Lisboa que, concordará comigo, contribuiram decisivamente para a união dos professores.
Com as moções das escolas – que estão a surgir um pouco por toda a parte -, e agora com as moções de um punhado de directores decentes, estão a ser lançadas novas sementes de revolta e indignação.
Os blogues são fundamentais neste movimento. Cabe-lhe a si, sendo o editor do Umbigo, um papel importante. Não noto que o esteja a desempenhar bem, ao permitir que sob a protecção cobarde do anonimato se escrevam aleivosias e vilanezas. Também o Umbigo precisa de começar de novo.

Acho que este comentário merece destaque e uma resposta que suscite algum debate, a menos que – criticando os outros – nos fiquemos pelo toca-e-foge. Vamos lá:

Não reclamo para mim nenhum crédito especial por nada em relação à luta dos professores no mandato de MLR, até porque reclamaria créditos sobre vitórias nenhumas.

Não considero que, excepto num caso, as reuniões de directores realizadas até hoje tenham contribuído para qualquer união dos professores. Pela minha avaliação foram, em quase todos os casos, enormes desilusões para a generalidade dos não (vice-)directores e adjuntos.

O Umbigo não precisa de começar de novo, porque já se renovou ao longo dos tempos. O que precisará, em devido tempo, é de acabar de vez.

Quanto a cobardias, aleivosias e vilanezas (?), eu recomendaria que o colega lesse, em papel (online só está a parte introdutória), esta notícia que contém em destaque cinco citações alegadamente proferidas na Casa da Alfândega, fortemente críticas de sindicatos e ministério, mas que aparecem sem autoria atribuída.

Porquê?

Eu acho que a jornalista saberá por quem foram proferidas. Será que lhe pediram para não individualizar o que foi dito? Falaram em off? Não seriam capazes de assumir publicamente, de cara aberta, essas críticas perante aqueles que criticam com tanta firmeza e clareza?

Já agora, a crítica quanto à salubridade das caixas de comentários do Umbigo é recorrente em alguns vultos do politicamente correcto, mesmo aqueles que despejam palavrões em blogues alheios, quando lhes dá tramontana. Só posso lamentar que por aqui passe o que é dito em surdina nos corredores ou em esplanadas a distância variável das escolas e dos gabinetes de algumas direcções.

A “Casta” (ao cuidado da Dr.ª Helena Matos)

A Dr.ª Helena Matos, na sua página semanal do Público da última quinta-feira (3 de Fevereiro), referiu-se ao interesse directo de uma “casta” na manutenção do status quo do Ensino Público e que isso se revelaria na existência das “chamadas turmas dos filhos dos professores”. Ora, a questão é infelizmente mais complexa e a Dr.ª Helena Matos com certeza que o sabe, mas o público em geral pode ficar confundido com a utilização de lugares-comuns como este que, sendo generalizadores e “facilitadores” de uma compreensão geral mais imediata, não deixam, como todos os “clichés”, de deturpar a realidade. As turmas dos “filhos dos professores” que estão, segundo a Dr.ª Helena Matos, ao serviço da tal “casta”, são também de facto também as turmas dos filhos dos médicos, dos filhos dos magistrados, dos filhos dos militares, dos filhos dos políticos, dos filhos dos autarcas, dos filhos dos engenheiros, dos filhos dos economistas, dos filhos dos empresários e até dos filhos dos jornalistas, ou seja dos filhos, netos, sobrinhos, enteados e afilhados de tudo quanto faz parte das chamadas “forças vivas”.
Mas atenção, e a Dr.ª Helena Matos, pessoa sábia e avisada, também sabe perfeitamente que nenhum destes grupos de actividade antes enunciados corresponde em bom rigor a “classes” homogéneas no sentido socioeconómico do termo. Na verdade, muitas professoras não têm por cônjuge outro “mísero” (na auto-designação do Professor Cavaco) professor, nem todos os jornalistas têm cargos de destaque em media de referência, nem todos os empresários são muito abastados e nem todos de todos são, de todo, influentes. Existe, sim senhor, uma “casta” que tem capturado em proveito próprio os sistemas públicos de Educação, Saúde, Segurança Social e até de Justiça (se bem que neste sector outros “valores” mais altos se levantem) e isto a Dr.ª Helena Matos, pessoa sábia e avisada, também sabe. Sabe por exemplo que há pessoas que são submetidas a intervenções cirúrgicas em tempo record, que nunca figuraram nas decantadas “listas de espera”; sabe que há pessoas que beneficiam de apoios estatais desde creches e infantários, bolsas de estudo e isenções de propinas e até vagas instantâneas, que não existem para o comum dos mortais, em “Lares da 3ª Idade” e mesmo habitação de baixo custo, que não são propriamente carenciadas; sabe igualmente e tem-no dito com frequência, que os “pobrezinhos” do costume não costumam ser os verdadeiros pobres e que os “ricos fiscais” em Portugal estão também longe de ser os ricos reais (veja-se a este propósito que ser trabalhador por conta de outrem e auferir 1500 euros ilíquidos por mês, fazem, por cá, um “rico” pronto a ser esbulhado). É a mesma “casta” que infiltra as Associações de Pais e torna a vida num inferno a quem não é da “casta” (pelo menos dessa, não nos podemos esquecer que no sistema de castas também há os párias) com recursos de 19 para 20, para, como se diz em linguagem futebolística, “conseguirem na Secretaria o que não conseguem em campo” e entrarem no Eldorado da Medicina ou coisa que o valha.
Já comigo, entre meados dos anos 60 e princípios dos anos 70, aconteceu, em dois grandes Liceus de Lisboa, nunca ter ficado numa turma “A” reservada para os filhos de ministros, almirantes e por aí fora (a “casta” da época) e só no 6º ano (actual 10º) isso me calhou numa turma de Letras, quando todos aqueles que não queriam ser “míseros” tomaram (ou as famílias por eles) como, aliás, acontece hoje (com a significativa diferença de então não haver numerus clausus e se poder entrar com 10 em cursos onde hoje não se entra com 18), outras respeitáveis opções. Mais recentemente ficou célebre a “peixeirada” pública com direito a reportagem televisiva entre duas directoras de Escolas bem no coração da capital, quando a do ex‑Liceu (nenhum dos que frequentei) tentou recuperar a matrícula de um aluno africano, que imediatamente antes tinha “despachado”, por alegada “falta de vagas”, para a antiga Escola Técnica da zona, quando soube que era filho de um diplomata de um dos PALOPS.
Portanto e a bem de uma maior e melhor profundidade de análise e esclarecimento do público, convirá precisar que esta “casta” é a mesma que ocupa os órgãos de direcção e gestão pública, que tem mordomias e borlas várias, desde os consumíveis a viaturas e ao parque de estacionamento reservado, passando por viagens, estágios e formação pagas pelo erário público, ou seja, pelo resto dos “tansos”, e até negociatas várias entre pequenas, médias e grandes, cuja dimensão financeira, se e quando calculada, seria impressionante. Claro que é entre esta “casta” que são distribuídos os cargos que dão “tacho” e “penacho” sobrando para quem não pertence à casta os que só dão trabalheiras e chatices e é sempre entre os membros da “casta” e os seus apaniguados directos que se distribuem as menções mais elevadas nas chamadas Avaliações de Desempenho que se destinam a garantir a “reprodução” dessa mesma casta em processos tão “sérios” que até tornam possível que alguns dos bafejados façam aquilo à distância, sem sequer lá porem os pés, porque entre a “casta” as férias, perdão “deslocações em serviço”, são como o Natal, “quando um homem quiser”. Por isso proponho que em vez de “turmas dos filhos dos professores” esteja “turmas dos filhos dos manipuladores” – é mais correcto e, sobretudo, mais justo.
Também convenhamos, que poderíamos esperar de um país de castas onde a epitelial modernidade dos gadgets não chega para disfarçar o perverso convívio entre o pior de dois mundos – a banalidade pós-modernaça com os mais atávicos dos arcaísmos, aqueles que já deram ensejo a Eça de designar o país como “a Choldra” e a outros antes dele, como o humanista flamengo Nicolau Clenardo que já no século XVI escreveu: “Em Portugal todos somos nobres, e tem-se como grande desonra exercer alguma profissão”?
Ora nesta”Choldra” em que manda uma “casta”, quem é sistematicamente desonrado e agora espoliado é quem tem o azar de ter que exercer efectivamente alguma profissão, mesmo tendo cada vez menos e em passo acelerado à tal “situação profissional satisfatória” e não de apenas fingi-lo, pois nunca a sabedoria popular esteve tão certa ao afirmar que – ”uns comem os figos e aos outros rebenta-lhes a boca”.

António José Carvalho Ferreira (Professor do Ensino Secundário)

Para descarga da paciência revisitei este post do Jugular depois de o ter comentado há umas boas horas. Lá usam a moderação de comentários o que é sempre giro, porque assim podem escrever e ficar horas sem contraditório, mesmo quando o visado lá vai, ordeiramente, escrevinhar.

E nem é porque a autora não tenha voltado a postar e a aprovar comentários feitos em texto seu, seguinte.

É porque assim não fica lá, em tempo de leitura útil para a maioria dos visitantes, a demonstração da sua visão habilidosa das coisas.

São formas de encarar a blogosfera como truque.

Se é para eu fazer o link, um bocado como o outro que reflecte muito, já está. Pronto.

Não é por acaso que a  Ana Matos Pires é psique.

… e, se possível, ter o  mínimo de riscos para os “lutadores”. Porque a guerra é a guerra, mas aleijar-se custa. É o que me suscita esta reacção do Advogado do Diabo no Proflusos a uma proposta que fiz ontem de passagem.

É a mesma lógica dos “lutadores” que aceitam ser tudo e mais alguma coisa, porque “é o que está na lei” e “podem existir consequência”.

Com “lutadores” destes, o Otelo tinha entregue um requerimento em papel selado de 35 linhas para planear o 25 de Abril e o Salgueiro Maia tinha feito outro para vir de chaimite até Lisboa.

É por estas e por outras, que hoje não fiz greve por obediência fundamental ás minhas tripas e ossos que, eu nunca o deveria ignorar, me dizem sempre o que não devo forçar-me a fazer. Quando não lhes obedeço é que fico mal comigo mesmo.

De que adianta ir para “lutas”, quando ao lado temos quem se atira para a primeira cova, ao risco de um tirinho que faça dói-dói?

Mas aposto uma coisa: o tão legalista Advogado do Diabo quase certamente achará que é inútil contestar a constitucionalidade dos cortes salariais. Nesse caso, argumentará ao inverso de hoje, mas isso é a marca d’água de muita gente.

Até hoje tomei decisões incómodas e desalinhadas com o formalismo do aparato legislativo do ME (caso dos OI, desde o 1º momento e da própria FAA), mas nunca me passou pela cabeça bater em retirada se me ameaçassem com algum procedimento disciplinar. Aliás, transmiti isso a quem de direito, em devido tempo. Quem anda à chuva molha-se. Eu sei disso. Outros sabem disso, mas preferem as pantufas secas e o refúgio atrás de siglas que desresponsabilizam os indivíduos em virtude de decisões do colectivo.

Ao contrário do que diz o Advogado do Diabo, quem não é responsabilizável é toda aquela série de gente quem nem sabemos quem são, mas decidem o que se convoca ou não. Eu, em nome individual, sou responsabilizável. Até que invente um colectivo.

Na peça de hoje do Diário Económico sobre a possibilidade da observação das aulas contar para a avaliação das escolas (e que em papel é bem mais longa) surjo como a voz discordante perante a convergência de Alexandre Ventura, Mário Nogueira e Paulo Santiago (analista sénior de Educação da OCDE) na defesa dessa fórmula.

Alexandre Ventura defende que a avaliação das aulas observadas deve contar para a avaliação externa das escolas, Mário Nogueira concorda e acha mesmo que a observação de aulas não deve influir na avaliação individual dos docentes mas apenas na das escolas e Paulo Santiago afirma que o problema é a atitude defensiva dos professores em relação ao acesso à sala de aula.

Vamos lá por partes e por argumentos:

  • A proposta de Alexandre Ventura teria cabimento num sistema em que se reconhecesse competência a quem tenha a mjissão de observar e avaliar as ditas aulas. No âmbito interno das escolas há imensos problemas, por falta evidente de formação dos docentes sobre o que é avaliar uma aula. A menos que AV esteja a pensar mandar os inspectores avaliarem as aulas e então retornamos ao problema de saber que crédito acrescido têm os inspectores para essa função. Ou estão a pensar encomendar avaliadores externos? Porque o problema destes modelos é serem pensados e lançados sem a devida preparação. Por mim, nem discordo da ideia e acho mesmo que não é com duas aulas por ano por professor, com data marcada, que se faz uma avaliação séria das aulas. Devem ser mais e com data flexível (indicar apenas a semana ou mês). MAs sempre com observação por quem tenha formação, qualificação e mérito para tal.
  • Já a argumentação de Mário Nogueira deixa-me perplexo porque defende a completa desresponsabilização do indivíduo perante os seus actos. Se a observação das aulas não tiver qualquer efeito na avaliação individual do professor, que moral há para criticar exames facilitistas ou provas de aferição sem efeitos na avaliação dos alunos? Ou será que a ideologia é mesmo essa? Responsabilizar o colectivo pelas acções individuais? E desresponsabilizar o agente primeiro das acções? E se o professor observado andar de candeias às avessas com a escola, os colegas ou a direcção? Para quando defender que deve ser toda a turma a ser penalizada pelos comportamentos incorrectos deste ou daquele aluno? Percebo que exista uma relação entre o desempenho individual dos professores e a avaliação global da escola, mas nunca retirando quaisquer efeitos sobre aqueles.
  • Já quanto ao que afirma Paulo Santiago, eu remeteria para as reservas expressas mais acima e para uma das respostas dadas pelo próprio sobre as limitações de uma medida deste tipo em Portugal: « O problema foi a rápida implementação sem que se cuidasse o suficiente da formação dos avaliadores, cuja legitimidade não foi reconhecida pelos avaliados.» Exacto! O problema está aí!!! Mas eu vou abrir a minha aula a um avaliador ao qual não reconheço competência para me avaliar, seja do ponto científico como pedagógico? Mais facilmente abro a porta a alunos que estejam sem aulas e que prefiram assistir às minhas do que andar perdidos pelos corredores ou pátio. Para mim essa é a avaliação que conta, em especial quando se prestam a fazer as mesmas tarefas dos colegas que estão a ter a aula curricular.

Neste post, o Reitor comete diversos erros, alguns talvez apenas equívocos ditados pela pressa.

Vou passá-los em revista de forma sumária, sendo que afirma serem dois, mas expondo três:

  • A comparação entre os serviços de Educação e de Saúde do Estado, sendo lógica do ponto de vista das funções sociais do Estado, não colhe na sua prática concreta. E mesmo que colhesse, seria para demonstrar que a privatização ou semi-privatização, como tem sido feita, acaba em derrapagens orçamentais das grandes e em contratos de parceria com contornos estranhos.
  • Em nenhuma passagem da minha intervenção aleguei que as famílias, com o cheque-ensino na mão, não saberiam escolher as boas escolas para os seus filhos. O Reitor apressou-se ou desconcentrou-se em algum momento da conversa. O que eu disse – e repito – é que as escolas de elite, já de há muito com excesso de procura, só na Cucanha abririam as portas aos alunos carenciados que frequentam a minha escola e outras com populações ainda com mais problemas.
  • Quanto ao terceiro erro que o Reitor me aponta, eu repito o meu argumento para que fique perceptível: não sou contra a iniciativa privada e muito menos onde a pública não chega (durante cinco anos paguei do meu bolso a frequência de creche/jardim de infância privado) e que ela seja subsidiada para suprir as evidentes carências que temos. O que eu sou contra é colégios no meio dos grandes centros urbanos, destinados a classes médias-altas e bem altas, que depois consideram que o estado mínimo os deve subvencionar quando as coisas apertam um pouco. Neste aspecto, sou mais liberal do que os liberais.

E daqui decorre a desnecessidade da rotulagem que o Reitor logo quis fazer (no que foi acolitado rapidamente no primeiro comentário pelo Ramiro Marques): eu sou uma vítima da minha mentalidade de esquerda, que o Ramiro eleva a “extrema-esquerda” para cobrir a parada, que me faz cair num “buraco negro”.

E se invertessemos as coisas? E seu eu considerasse que é o Reitor (e por maioria de razão o Ramiro com os seus posts a defender a doutrina social da Igreja e a ética aristotélica) que está prisioneiro de uma visão reactiva em relação ao papel do Estado na Educação que é redutora e distorcida pela má prática de maus governantes?

Não me interessa, para esse efeito, saber se o Reitor é de canhota, destra ou neutra. Muito menos rotulá-lo!!!

O que nos separa não é uma questão ideológica, mas sim a forma como vemos a sociedade que nos rodeia neste Portugal deprimido, mesquinho e cada vez mais a regredir para o cinzentismo pró-providencialista.

Talvez eu esteja demasiado condicionado por leccionar em zonas onde a iniciativa privada não vê incentivos, enquanto outros estarão mais influenciados por ambientes por onde essa iniciativa vê boas hipóteses de negócio.

Nada disto trata de coisa como a Liberdade.

E vamos lá a ver uma coisa decisiva; eu nunca na vida farei sombra a quem se queira colocar na fila para isto ou aquilo, seja qual for a cor ou configuração política de uma solução alternativa para o que temos.

Sou apenas um fala-barato que escreve umas cenas num blogue e não me quero elevar acima do meu chinelo. Longe de mim almejar gravata, motorista e ares condicionados.

E é bom que isto fique devidamente esclarecido: está longe de mim almejar uma despromoção na carreira, para além do congelamento passado e do que por aí ainda virá.

😉

O PAÍS DAS CABEÇAS DURAS

 
Basta ler as reacções negativas das nossas elites à proposta da ministra da Educação de acabar com as reprovações na escolaridade obrigatória para atestar a aversão tão portuguesa à mais elementar operação de cálculo mental. É que nem se pode dizer que a proposta da ministra é uma proposta inteligente… Trata-se tão-só de uma proposta óbvia.
Hoje todos reconhecemos o grande falhanço da reforma educativa de Roberto Carneiro. Mas a principal causa do falhanço da reforma residiu precisamente no facto de Roberto Carneiro ter cedido aos sindicatos de professores, associações de pais e à mediocridade das nossas elites, sacrificando as duas paredes mestras da reforma proposta por Fraústo da Silva: o fim das reprovações na escolaridade obrigatório e a introdução de exames para prosseguimento de estudos.
Só um imbecil ou um cretino pode defender, simultaneamente, a escolaridade obrigatória, as reprovações e um ensino público de qualidade. E por uma razão muito simples: trata-se de uma impossibilidade matemática como facilmente se demonstra.
Com efeito, são precisamente as reprovações, na escolaridade obrigatória, que obrigam a que se aldrabem os resultados, se nivele por baixo, se diminuía o grau de exigência e de rigor e se inflacionem as notas. Isto é uma evidência!
Da mesma forma que, no salto em altura, à medida que se sobe a fasquia cada vez são menos os que a conseguem transpor, também, nas nossas escolas, quanto maior for o grau de exigência, maior é o número de reprovações. E, mantendo-se a exigência e as reprovações, só há duas formas de impedir que os alunos menos dotados fiquem eternamente no mesmo ano de escolaridade: ou baixam a fasquia ou põem-lhes uma escada. Mas, neste caso, não me venham falar de exigência e de mérito, onde só existe fraude e aldrabice.
Acresce que as reprovações impõem um sistema tão fraudulento que os alunos  (quer os que nada sabem, quer os que sabem alguma coisa) acabam todos a escolaridade obrigatória com a mesma nota: nível 3.
E se acabassem as reprovações na escolaridade obrigatória, a situação só por si melhorava? É óbvio que melhorava e em benefício de todos: alunos, pais, empresários e contribuintes.
Em primeiro lugar, os professores podiam ser exigentes, cabendo aos alunos, se quisessem ter boas classificações, trabalhar e esforçar-se para isso. Neste momento, os alunos passam, praticamente, todos com nível 3. Com o fim das reprovações, uns passariam com 2, outros 6 e outros com 16 valores. Era, aliás, fundamental que, com o fim das reprovações, as classificações passassem a ser de 0 a 20, para serem mais informativas, diferenciar os alunos e premiar o mérito, e fossem introduzidos os exames nacionais no fim de cada ciclo para aferir as classificações.
Em segundo lugar, as classificações e os certificados de habilitações passavam a ter, consequentemente, credibilidade e valor informativo porque reflectiam o que os alunos efectivamente sabiam.
Em terceiro lugar, os alunos que, no actual sistema, reprovam (ou passam por favor) poderiam, por um lado, iniciar o novo ano lectivo logo integrados em turmas de recuperação às disciplinas a que não tinham obtido aproveitamento e, por outro, não ficariam impedidos de prosseguir os estudos nas disciplinas a que obtiveram aproveitamento. Ou seja, não só tinham mais possibilidades de melhorar às disciplinas em que tinham dificuldades como também não ficavam a marcar passo nas disciplinas a que obtiveram aproveitamento.
Em quarto lugar, evitava-se que alunos matulões e cheios de vícios liderassem turmas de alunos mais novos e com vontade de aprender. Se os alunos acompanhassem sempre os da sua idade, grande parte dos problemas de disciplina dentro da sala de aula seriam evitados.
Finalmente, reduzir-se-iam em muitos milhões de euros os custos na Educação com a vantagem de se aumentar a qualidade, premiar o mérito, diminuir a indisciplina e apoiar, efectivamente, os mais necessitados.
Se não fossemos um país de cabeças duras, não seria difícil chegar a esta conclusão. Mas as nossas elites têm a cabeça tão dura que, por mais que batam com ela na parede, não a conseguem abrir.

 
Santana-Maia Leonardo
Advogado – Abrantes

Senhor Professor Paulo Guinote:

Ausente de Lisboa e sem acesso à  Internet desde 4 deste mês, só hoje tomei conhecimento de um “e-mail” que me dirigiu e de dois “posts” que publicou sobre o meu último artigo do “Público”. Porque publicitou os seus comentários, espero que acolha o meu no mesmo local.

1. Sem o conhecer, tive consideração por si. Perdi-a há muito. E como é meu apanágio, desde tempos em que o senhor não era sequer nascido, tentei dizer-lho cara a cara. O senhor furtou-se. E não venha com jogos de cintura em que é mestre porque guardei os “e-mails” trocados.

2. Embora necessária, não considero a inteligência uma qualidade humana de topo. Mas julgava que a possuía quanto baste. Os termos em que se refere ao que escrevi tornam evidente que me enganei.

3. O senhor tem uma lamentável visão animalesca da informação pública disponível. Julga que a pode marcar, como os animais marcam território, e ela passa a ser sua. E não passa. Continua pública. Diz que demorou 2-3 dias a pesquisar o que escreveu no seu blogue. O problema é  seu e não abona, duplamente, a seu favor. Primeiro porque revela que é um pobre pesquisador, já que qualquer pessoa expedita reúne o que o senhor reuniu num par de horas. Depois porque uma análise simples do que vai publicando, cruzada com o tempo que diz necessitar para lá chegar, torna ridícula tal afirmação. Não faria outra coisa na vida e precisaria de dias com 48 horas. Mas o que é relevante para o que agora importa é que o senhor não resistiu ao seu pedantismo, ao seu insuportável convencimento e à oportunidade de se pavonear ante uma assembleia de seguidores.

O documento que usei e que o senhor também usou é público e está ao alcance de qualquer, sem nenhum tipo de protecção. As páginas de que me servi estão identificadas e citada a publicação, por forma explícita e clara, enquanto a referência no seu blogue é implícita e menos clara. Por que diabo de raciocínio o senhor quer impor à  plebe que eu teria sempre que ir beber ao guru Guinote? E que, quando ele usa uma fonte, qualquer outro que escreva sobre o mesmo fica proibido de ir ao original e é sempre obrigado a citar Guinote (ainda que o tivesse lido)? É essa a sua ética? Mas se o senhor não estivesse só interessado em dar espectáculo e cotejasse o que eu escrevi com o que o senhor escreveu, perceberia rápido que eu consultei documentos originais. Com efeito, no que toca às relações alunos/professores, o senhor fica-se pelo pré-primário e pelo básico, enquanto eu registo os números referentes ao secundário e ao superior. O que prova que fui ao documento original. Escapou-lhe esse detalhe, na ânsia de dar “show”.

O mesmo direi quanto aos números a que recorri para quantificar as despesas dos países comparados, que têm diferenças patentes dos que o senhor publicou. É só soletrar uns e outros, coisa que fará com facilidade. Usei dados da OCDE. O senhor veio depois dizer donde provinham os seus. Se procura reverências por os exibir, eu não. Não tenho essa visão parola da informação que uso e que está ao alcance de qualquer, sem sujeição a “royalties” abusivos. Se tem quem o procura como Sol, eu afasto-me de si por uma questão de higiene.

4. Senhor professor Paulo Guinote,

não tenho que justificar coisa alguma, como o senhor insinua numa epígrafe da sua prosa, com a soberba que o caracteriza. Seria, ou será, ainda vamos ver, o senhor, que acusou, que teria, ou terá, veremos, que provar o que disse, coisa que não conseguirá, porque errou e não foi além de um simples processo de intenções. Mas a consideração que me merecem muitos colegas que o lêem e a defesa do meu nome, que não será enlameado por si depois de 40 anos de actividade docente, justificam mais algumas considerações, a saber:

5. Escolhi a Noruega como paradigma de mitos falsos por ser o caso em que é mais fácil mostrar evidências exibindo as estatísticas oficiais do país. Imagino o que o senhor diria se me tivesse espraiado com a Suécia, onde estudei em 1979, com quem desenvolvi projectos educacionais quando integrei o VIII Governo Constitucional e cuja realidade educativa acompanho continuadamente. Ou se tivesse falado mais da Finlândia, onde já me desloquei por três vezes, expressamente para estudar a organização e a política educativas.

Senhor professor Paulo Guinote,

estudei no Educational Testing Service, em Princeton, manipulando informaticamente dados educacionais, numa altura em que o ERIC chegava a Portugal em papel, apenas. Tenho anos de trabalho em projectos internacionais da União Europeia e do Banco Mundial, onde tabelas e quadros estatísticos nos afogam diariamente. A Escola Superior de Educação de Santarém, a que presidi, assim como ao respectivo Conselho Científico, durante quase uma década (andaria o senhor ainda pelos bancos da faculdade) foi pioneira, com a Universidade do Minho e a de Coimbra, na introdução da informática aplicada à  Educação, como poderá confirmar compulsando a imprensa da época. Acha que tudo isso, que pouco vale, é certo, não me terá  tornado autónomo do seu farol para encontrar uma insignificante informação que o senhor quer nacionalizar para o feudo do seu umbigo? Enxergue-se e poupe-nos ao provincianismo.

Três notas finais, senhor professor Paulo Guinote:

1ª Está  à sua disposição o meu acervo documental, em suporte papel. São milhares de documentos, organizados com um profissionalismo que, como historiador, certamente apreciará. Precisará de muitos dias para percorrer, em diagonal, toda a informação estatística e dados sobre economia da educação. Mas ajudá-lo-ei a encontrar num fósforo as tabelas de que me socorri para citar a OCDE. E está também  à sua disposição o meu computador pessoal onde, com a sua competência informática, poderá verificar as datas de arquivo do documento que usei sobre a Noruega, bem como das várias versões anteriores que, deduzi do que escreveu, eu conhecia há anos e o senhor não. Basta que comigo combine. Por uma única vez, entrará em minha casa e aí permanecerá o tempo que lhe aprouver para verificar a injustiça que cometeu.

2ª Naturalmente que li os comentários que se sucederam aos seus “post”. Não me incomoda a crítica, por mais dura que seja. Mas enojam-me aqueles que sob anonimato caluniam e ofendem, sem medir nem pensar, condenando inquisitoriamente. Ao que chegámos, no seio de professores! Permita-me, apenas a título de esclarecimento, que corrija um. Alguém diz ser um facto que eu sou associado da FENPROF e filiado activo, ligado a listas em processos eleitorais. Puro delírio, servido como facto. Tal como não tenho nem nunca tive filiação partidária, não sou nem nunca fui filiado em qualquer sindicato.

3ª Sei que não está habituado a que lhe falem assim, pese embora a sua má criação militante. Diga o que disser, não lhe darei mais troco. Apenas lhe abrirei a porta da minha casa, se aceitar o repto. A polémica acaba aqui. Não me utilizará para se promover nem para alimentar o triste espectáculo em que o senhor é, do mesmo passo, produtor, actor e entusiasta espectador. Se tiver que voltar a si, será em juízo.

Santana Castilho

Lisboa, 9 de Agosto de 2010

cada sonho que se ergue migrado de sol era se permanecesse aqui desperto eu quero aquela chama que me ilude na tarde indiferente à saudade indestinada a sonhar estes abismos como céus altivos os reflexos traídos ao espelho do meu regresso bocas tardias enlaçadas no último dia largas palavras para serem descobertas já nem tenho pena do pequeno menino ausente um lastro um retábulo um crepúsculo um apito uma bruma que no verão impuro se enlouquece uma permanência de pedra cheia que se adianta a única bebida prateada claramente vislumbrada

Pingue (documento com origem oficial com circulação ainda restrita):

Este processo de reorganização da rede escolar é feito em estreita articulação com os municípios envolvidos, parceiros essenciais não apenas na identificação das escolas cujo encerramento apresenta vantagens significativas para os alunos envolvidos, mas também na garantia de que são asseguradas as melhores alternativas e de que é montada uma rede de transporte escolar adequada.

Pongue (declarações de José Ganhão, vice-presidente da ANMP, no Sol de hoje):

Tivemos há um mês uma reunião com o Governo e estávamos a definir os critérios de encerramento das escolas. (…) Foi uma decisão unilateral, à revelia da negociação e que mostra má-fé.
(…)
É preciso que o Governo pague os transportes, garanta boas acessibilidades e aumentos os apoios da Acção Social escolar para fazer face às despesas das refeições que as crianças deixarão de poder fazer em casa.

Há dias prestei declarações ao DN acerca das condições de colaboração online para um manual de uma editora do grupo LeYa. Nessas declarações considerava inédito o processo de produção do manual, nomeadamente por contemplar a não remuneração de colaboradores e (já não me lembro se isso ficou transcrito) esperando que ao menos tivessem sido beneficiados com materiais em primeira mão como uma certa forma de compensação.

Refira-se ainda que tinha sido convidado por um dos autores do dito manual para colaborar, o que recusei mais por manifesta falta de tempo do que outra coisa. Acerca da notícia já troquei mails em privado com o dito autor, leitor aqui do blogue e muito ocasional comentador.

Qual não é o meu espanto quando hoje me dão conhecimento de numa nota enviada para o DN e publicada no Blogtailors onde se podem ler passagens como estas:

4. Contra esses dois mil professores, contra os autores dos manuais, contra os seus revisores científicos e contra os seus certificadores oficiais, recolheu a jornalista a opinião de três pessoas: Paulo Guinote, cuja qualidade de autor da Porto Editora – a mais directa concorrente da Leya no mercado das edições escolares – a jornalista não achou necessário referir; Raquel Pereira Henriques, da Associação de Professores de História (matéria a que parcialmente respeita um dos quatro manuais em apreço); e Albino Almeida, da Confederação Nacional de Associações de Pais, sempre disponível para criticar a Leya.

5. Paulo Guinote critica os manuais porque os professores que neles colaboraram não foram remunerados; Raquel Pereira Henriques porque entendeu que as questões colocadas no site sobre o manual e a disciplina «não eram muito complexas» e, sobretudo, porque foi pedido aos professores que respondessem de «forma sucinta e com número limitado de caracteres»; e Albino Almeida por não acreditar que «isto (sic) sirva para alguma coisa».

Ora vamos lá por partes esclarecer Carmo Correia, Directora Coordenadora de Edições Escolares do Grupo LeYa:

  • Sou autor da Porto Editora, por via da publicação do livro com textos deste blogue, tendo esse contrato sido cumprido e não existindo qualquer outro, muito menos para manuais escolares.
  • Curiosamente, o único contrato que tenho assinado e por cumprir é com uma chancela do Grupo Leya, a Lua de Papel, não o tendo cumprido por não ter conseguido, até ao momento, produzir material com a qualidade desejada para o projecto em causa.
  • Nos últimos meses aceitei divulgar neste blogue, sem qualquer contrapartida financeira, dois livros publicados pelo Grupo Leya, Choque na Educação e Sem ti, Inês, com link para o primeiro capítulo de cada um deles com o objectivo de lançar a discussão sobre eles. Não fiz isso com qualquer livro da Porto Editora.

Estes factos são de fácil verificação por quem deveria estar bem informada sobre os assuntos de que fala, em especial quando critica a jornalista por fazer mal o seu ofício. Neste caso, é a senhora (certamente doutora) directora-coordenadora que parece cometer um erro crasso que não acredito ser causado por incompetência (ninguém chega a tal função sem um bom background profissional) ou má-fé (não nos conhecemos pessoalmente, pelo que não me deve ter qualquer animosidade).

Pelo que deve existir uma terceira explicação.

Qual?

Isabel Maria de Sousa Costa Machado, professora de Geografia na Escola Secundária Camilo Castelo Branco em Vila Real, no intuito de esclarecer Miguel Sousa Tavares e todos que, de alguma forma, foram influenciados pelas suas palavras, gostaria, se possível, de ver publicado este texto no seu blogue.

Grata pela atenção dispensada, com os melhores cumprimentos,

Isabel Machado

Caro Miguel Sousa Tavares

No passado dia 26 de Abril, em Sinais de Fogo, ouvi-o afirmar, como se fosse “dono da verdade”, que os professores não querem ser avaliados… e que se juntaram aos milhares nas ruas simplesmente para contestarem a avaliação. Afinal, não percebeu nada!… Acha mesmo que os professores se deram a tanto trabalho para contestar uma simples avaliação que, nos moldes em que estava desenhada, garantia o Muito Bom a todos quantos a requeressem? Admira-me muito que ainda não tenha “enxergado” que, neste país, ninguém quer avaliar ninguém. Verdade! Recordo-lhe a máxima popular “Quem tem telhados de vidro não pode atirar pedras aos dos vizinhos”.

E julgar que durante algum tempo lhe dei o benefício da dúvida: Coitado, está a ser alienado!

Mas que desilusão! Considera mesmo que os professores são uns “baldas” e têm receio duma avaliação por mérito… Bem! Desculpo-o porque, fazendo jus à cor do seu cabelo… tem andado distraído… Mas está a ficar grisalho… e com idade para pensar pela própria cabeça e, ainda, de pensar antes de falar… A minha avó dizia-me muitas vezes: – “Filha! Devemos pensar antes de falar!” Mas hoje em dia toda a gente desatou a falar sem pensar. Não devem ter tido avós sensatas como a minha…

De facto, em relação aos professores está redondamente enganado! Nós não receamos a avaliação, mas sim que, à boa maneira portuguesa, o mérito como algo profundamente subjectivo é para os amigos, para os “lambe botas”, para os que representam votos, etc…etc… vale tudo em função da reeleição e para manter o “lugar ao Sol” … e isto também se aplica às escolas. Sabia que neste modelo de avaliação por pares, avaliados e avaliadores, competem pela mesma vaga? Acha mesmo que em Portugal alguém está preparado para reconhecer o mérito do “outro”? Para conviver com o facto do “outro” ser melhor? A minha experiência diz-me que o português quando vê uma “sombra” não descansa enquanto não a afasta … e como sair da sombra dá muito mais trabalho, o mais fácil é aniquilá-la.

E se em Portugal as pessoas fossem escolhidas por mérito e não por “compadrio”, com certeza nunca mais teríamos que ouvir falar de si. É que eu ainda não percebi qual é o seu mérito em Sinais de Fogo. Dominar a técnica da entrevista? Não me parece! Afinal é a sua opinião que prevalece. Se a opinião dos entrevistados for contrária à sua, atropela-os para se tornar mais audível. Para quem criticava a Manuela Moura Guedes, até que aprendeu bem a lição. Para não falar da leviandade com que faz afirmações sem estar devidamente fundamentado, contrariando por completo o código deontológico dos jornalistas…

Este comportamento até é admissível num saloio que vai à bola e encarna a personagem de treinador de bancada, agora numa pessoa com formação académica e suposta formação moral, não é admissível que faça juízos de valor sem o mínimo pudor.

Mas para que não continue a falar sem fundamentação, pois é eticamente incorrecto principalmente para um jornalista, convido-o a fazer uma visita à minha escola. E como já percebi que se preocupa com a educação dos alunos deste país, porque não aceitar fazer uma palestra sobre um tema que domine realmente. Uma prelecção sobre a influência dos livros de Ernest Hemingway – “Fiesta” e “Por Quem os Sinos Dobram” – no seu livro Rio das Flores seria de toda a pertinência. A sério! Sem ressentimentos! Garanto-lhe que os professores, ao contrário do que pensa, são pessoas de uma enorme generosidade, ou não estivessem eles habituados a lidar com os filhos de uma sociedade “enlouquecida”…

Isabel Machado

Publicação, a pedido do autor, como resposta a um comentário da Fernanda1

A ORDEM DOS PROFESSORES E UMA CANÇÃO DE FAUSTO

Agradeço a Fernanda 1, o seu comentário (13/05/2010) ao meu “post”, citado na véspera neste blogue e intitulado “Uma carta sobre a Ordem dos Professores”. E agradeço, outrossim,  a  mensagem de esperança que me trouxe a  canção “Namoro” e o seu  belíssimo tom melódico com que a autora do comentário me brindou e a outros possíveis e desejáveis leitores. Fica-me a esperança que, a exemplo da insistência da canção interpretada por Fausto, os professores acabem por dizer SIM  à criação da  Ordem dos Professores ou, pelo menos, apresentarem razões, devidamente fundamentadas,  para dizerem NÃO.

Nem de propósito, em entrevista desta semana a Miguel Sousa Tavares na SIC, o combativo bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, criticando os sindicatos dos magistrados defendia, sem papas na  língua, como é seu timbre, que a função dos sindicatos é, por tradição histórica,” a defesa de melhores salários e menos horas de trabalho”.

Uma conquista  que eu não ouso sequer pôr em causa por dela muito beneficiaram os trabalhadores de entre eles, os próprios professores.Contudo, contudo eu entendo que o magistério transcende estas finalidades. Ou seja, deve ir para além delas sacudindo a tutela asfixiante das entidades oficiais (de que a acção de Maria de Lurdes Rodrigues, é um exemplo frisante), através da criação da Ordem dos Professores mesmo quando exercida em regime de contrato de trabalho porque como doutrinou o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Lopes Cardoso,  “essa profissão [em regime de contrato de trabalho] deve ser reconhecida como relevando de grande valor, precisamente porque exigindo, pelo menos, uma independência técnica e deontológica incompatível com uma relação laboral de pleno sentido” (“Cadernos de Economia”, Publicações Técnico-Económicas, ano II, Abril/Junho de 94).

Amiudadamente, os enfermeiros têm evocado o exemplo dos vencimentos dos professores para exigirem vencimentos idênticos com a alegação da sua licenciatura politécnica, embora,  de anos recentes, e com o argumento que a situações iguais deve ser dado tratamento igual, pese embora o (des)conhecimento de que a profissão docente tem um passado de diploma universitário de longa e cimentada tradição (que eu quase diria secular) que a colocou no mesmo patamar de reconhecimento social de outras profissões de igual exigência académica, v.g., médicos, advogados, engenheiros, etc. Talvez por isso, quando vejo estas três últimas profissões representadas por ordens profissionais me interrogo sobre a relutância da classe docente em ser representada por uma ordem profissional para ter assento, “de facto” e “de jure”, na elaboração de programas escolares, de exames e de representação ética, sim, ética, sobre os deveres e os direitos da classe. São estas questões que eu gostaria de ver discutida neste “fórum” de liberdade que é o blogue “A Educação do Meu Umbigo”, sem o dobrar do simples canto sim ou não das cartas de pedido de namoro de que nos fala a canção de Fausto.

A criação da Ordem dos Professores não pode ser vista como um caso de amor ou ódio em que impera o sentimento sobre a razão. Discutamos, pois, a criação da Ordem dos Professores sem nos deixarmos levar pela posição cómoda de deixar correr o marfim…e logo se verá!

Será pedir muito, a ponto de me poderem amarrar ao pelourinho de eu estar a defender uma causa com intuitos pouco claros? Logo eu  que aposentado  estarei arredado de nela estar inscrito “tout court”? Esta a prova da minha isenção pela luta que mantenho sobre a criação de uma Ordem dos Professores.

Infelizmente, fica-me este desejo muito forte ainda não realizado e, por isso, tão-só, resta-me o fraco consolo de transcrever uma mensagem que é um forte apelo à perseverança dos que lutam por uma causa que consideram justa:

“Nas planícies da hesitação

Branqueiam os ossos de incontáveis

Milhões os quais, na alvorada

Da vitória, sentaram-se para descansar.

E, descansando, morreram”.

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