Contas São Contas


Este texto de Henrique Monteiro é verdadeiramente anedótico. Para ele o que interessa são os ordenados nonminais e não o que as pessoas recebem efectivamente.

Ou seja, no limite, se uma pessoa mantiver um ordenado nominal de 2000 euros mas receber apenas 1200 devido a impostos e cortes, perdeu menos salário do que alguém que recebe 2000, mas viu o valor nominal descer de 2200 para 2190.

Sofismas de quem se acha probo e acima de qualquer suspeita de delírio.

Vale o que vale… é mesmo impressionista mas… há algumas tendências. Agrupamentos com uma dimensão entre os 1500 e 200o alunos, até ao 9º ano, sem obras da Parque Escolar, os números rondam de perto os 3250 euros.

A coisa muda quando são agrupamentos com estruturas de apoio especializado para alunos com NEE (aumento dos custos com pessoal) ou quando são secundárias com intervenção da Parque Escolar (aumento das despesas de funcionamento e não só).

E uma imagem vale por milhares de exames e por milhões de ministros contratados.

 

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… apenas quanto à manutenção das 106 escolas constantes na publicação referida no post anterior. Como sabemos a intervenção nas diversas fases destinava-se a muito mais escolas, mas fiquemo-nos por aquelas 106 e usemos os valores médios de área apresentados pela própria Parque Escolar:

PE Area Custos

  • Multiplicando os 15.400 m2 por 106 escolas temos uma área de intervenção total de 1.632.400 m2.
  • Multiplicando 1.632,400 m2 por 1,65€ temos por mês (sem IVA) um encargo/receita (conforme as perspectivas) de 2.693.460€.
  • Multiplicando 2.693.460€ por 12 meses temos um encargo/receita anual de 32.321.520€.
  • Se acrescentarmos o IVA chegamos ao valor de 39.755.470 euros anuais apenas para a manutenção destas 106 escolas.

Falta irmos às rendas e já estou a ficar…

Acredito que os valores sejam diferentes. Mas dificilmente serão a uma escala muito diferente…

O que me faz pensar duas coisas:

  • Phosga-se, que fazer a manutenção da festa sai caro cum’ó caraças, se o caraças for de platina e diamantes.
  • Em que parte da estória o actual governo decidiu tomar conta disto e, sei lá, fazer uns cortes sem ser na parte efectiva da manutenção que, dizem-me, é fixa mesmo se ninguém passar pelas escolas?

… que em nome da AEEP fez declarações um pouco inflamadas sobre o estudo do MEC e da sua forma de cálculo era bom relembrá-lo do estudo que apresentou no CNE numa sessão em que também estive e em que apresentou a seguinte conclusão em forma gráfica:

Resumindo… o financiamento com base no valor por aluno é o que tem mais vantagens para os alunos/famílias e para o Estado, mas eventualmente menos para certos modelos de gestão.

Daí o combate estabelecido em torno do acumular de parcelas para encarecer os cálculos em torno desta questão, querendo que do lado dos encargos do estado apareçam custos desmesurados com variáveis que quase ninguém considera fazerem parte da equação.

 

 

Educação: Escolas Católicas contestam possíveis cortes nos apoios do Estado

Estudo realizado pelo Ministério da Educação e Ciência levou Governo a admitir reavaliar o «nível de financiamento» atualmente contratualizado.

Nada como uma pequena dose de demagogia matinal feita de números à bruta.

É simples. O meu salário é o que se segue e tenho cerca de 100 alunos em 5 turmas (nada de excitações com a média, pois lecciono duas turmas PCA e uma com alunos NEE).

Isto significa, na aritmética básica de alguns estudos que eu custo nominalmente ao Estado 21,37 euros por aluno, 20, 45 em termos reais e 15 em termos líquidos. Isto em termos mensais.

Há professores nestes Conselhos de Turma com mais alunos do que eu e, em média, percepciono que a maioria tem mesmo mais alunos do que eu. Claro que há professores que estão em outros escalões, acima e abaixo de mim que estou ali no degrau do 5º escalão (índice 235), aquele que foi criado para fazer compasso. Há contratados (índice 126 ou 151) e professores do 9º escalão (índice 340).

Mas vamos acreditar que eu sou um professor médio, mediano, na moda (estatística, claro, que eu não gosto dos padrões desta estação). E que por ano (multiplicar por 12, por favor) eu custo ao Estado cerca de 250 euros (estou a arredondar para cima) em termos nominais ao Estado por aluno e cerca de 180 em termos líquidos.

Isso significa ainda que num Conselho de Turma do 2º ciclo com 8 professores nas mesmas condições, os encargos com pessoal são de 2000 euros nominais, e num do 3º com 10 professores serão de 2500. E, claro, no 1º ciclo, os encargos são bem menores…

Eu sei que as contas não se devem fazer assim. Há muito mais variáveis e subtilezas. Mas gosto de mostrar que, demagogia por demagogia, também a posso fazer com números claros e evidentes.

Mas estou plenamente convicto que andam a fazer pior do que isto, pois andam a somar todos os encargos, a dividi-los pelos alunos e depois aparecerão a dizer que é tudo muito caro e que os professores andam a ganhar muito, não questionando (só a título de exemplo) a EDP e outros encargos fixos. E aparecerão a dizer que é preciso fazerem-se co-pagamentos e tal. Quando já são feitos, pois o ensino obrigatório só é efectivamente gratuito para quem usufrui de ASE, escalão A.

Em prosa de fino recorte copy/paste, a criatura emília, relvette de mãe e borginha de pai, quis introduzir num comentário a questão do co-pagamento na Educação, o que significaria o fim da gratuitidade da frequência da escolaridade obrigatória (decretada pelo Estado), com o pagamento de parte do custo por aluno por parte das famílias com mais meios económicos.

Vamos deixar de parte o facto de ser deliciosa a forma de querer fazer os cidadãos pagar por algo que são obrigados a fazer por determinação do próprio Estado. Não é novidade, não seria a primeira vez, mas é sempre curioso que alguém obrigue outro a fazer algo e ainda cobre por isso.

Vamos deixar de parte o facto de já se adiantar um valor médio por aluno de 5000 euros quando há pouco tempo, quando os professores ainda recebiam 14 salários e sem reduções adicionais, se falar em valores abaixo dos 4000 euros. Vamos acreditar que a menos encargos com a massa salarial dos professores corresponde um aumento dos ditos encargos. Acreditemos nisso tudo e até no coelho da Páscoa que faz ninhos para os seus ovinhos nos buracos escavados nas árvores pelos cucos.

Mesmo deixando isso tudo de parte, seria útil às criaturas emílias conhecer um pouco mais do que se passa no ensino público, visto terem sido criadas e querendo criar as suas criaturinhas longe desse mesmo ensino, pois há muito que a escolaridade obrigatória não é efectivamente gratuita como acontece em outros países.

Eu explico:

Quem tem mais meios e não beneficia do apoio da ASE paga por inteiro os manuais escolares e todo o restante material básico (não falo em mochilas de marca e coisas assim) e ainda é uso comum fornecer materiais adicionais às escolas, em especial do 1º ciclo e pré, porque o seu subfinanciamento é crónico em muitos concelhos. Poderia fazer somas, mas sou fraco em aritmética.

Quem tem mais meios e não beneficia de apoio da ASE paga por inteiro as senhas de refeição que apesar de serem baratas (sabe o valor casa criatura emília ou vai ter de googlar?) orçam mais de 30 euros mensais, valor que não me importaria de ser maior para ter a certeza que as refeições chegam a todos os que dela precisam sem racionamento (sim… que o há em muitas escolas para esticar o número de refeições servidas…).

Só estes dois encargos, que certamente saberá não serem das famílias em diversos países, implicam um custo mensal que andará pelos 40 euros mensais (próximo do valor que dará dividir os tais 500 euros anuais de propinas que as criaturas emílias gostariam de cobrar às famílias pela prestação de um serviço que o próprio Estado declarou obrigatório).

Só que as criaturas emílias, inebriadas pelo aroma dos corredores do poder e dos apoios a certas investigações de facção, desapercebem-se das vidas alheias, das questões concretas e, mergulhadas em folhas de excel, constroem modelos e teorias. Enquanto isso é pago por fundações privadas, eu entendo, se for pago pelo Orçamento de Estado já tenho mais dificuldade…

Quanto à maneira de andarem a atirar barro à parede por aqui, apenas revela que os canais normais de inculcação andam com pouca procura…

Pode ser de menta diluída soft para os paladares mais delicados.

Mais um… clicar para aceder…

De muito apoio jurídico precisa esta gente:

E aos amigos não se cobram os incumprimentos: