Construções Escolares


As escolas portuguesas sofreram uma série de obras de melhoramento essencialmente durante o Governo de José Sócrates, através da Parque Escolar. Foi uma boa medida. Pecou pelos excessos. Sabe-se agora que, além do essencial e necessário, houve casos de muitas extravagâncias, desde design de autor a assinaturas de arquitetos, que encareceram os projetos.

Sempre se soube… desde praticamente o início.

E foi denunciado… mas a festa tinha foguetes e salpicava muita gente de coisas boas. E os amigos do engenheiro acusavam quem criticava e avisava de serem retrógrados, verdadeiros velhos do restelo a não querer ver o progresso.

Mas agora parece ser mais útil protestar ignorância em relação ao momento em que tudo deveria ter sido escrutinado, indo-se a tempo de evitar muitos dos excessos, dos erros e, principalmente, do agravamento das assimetrias que a Parque Escolar introduziu na rede de escolas públicas.

As obras arrastam-se?

Pois… arrastam-se… porque tudo foi mal planeado e pensado de uma forma que deixou as escolas com estruturas a três ou mais velocidades…

 

bigo

New schools to be smaller after coalition cuts building budget

Corridors, assembly halls and canteens to shrink in size under government proposals for 261 replacement buildings.

Michael Gove’s war on architecture: curves fail the test

A clampdown on so-called architectural extravagance means British schools will no longer feature anything other than straight lines. Why is the joy of curves lost on our education secretary?

New school building designs hit by curve ban

Government bans curved, glass and folding walls and orders concrete ceilings and render cladding to cut costs.

… e como se vê não foi só por parte da Parque Escolar…

O insustentável calor dos novos Centros escolares de Santarém

Os novos centros escolares de Santarém foram apresentados como paradigma da construção sustentável. O que justificou custarem o dobro das escolas normais. O problema é que a “construção sustentável” está-se a tornar insustentável para as crianças.
A Associação de Pais dos Alunos do Centro Escolar Salgueiro Maia já pediu a intervenção da autoridade de saúde pública. “É de facto uma questão de saúde pública”, afirmou a O Ribatejo Vítor Bezerra, pai de uma das crianças e médico de Santarém.
“Além do calor insuportável nas salas de aula, existem ainda vários erros na conceção do centro escolar, como os urinóis terem sido colocados a uma altura em que só podem ser usados por adultos, ou existência de esquinas com arestas aguçadas. É preciso que a Câmara atue imediatamente na solução destes problemas antes que aconteça algum problema”, disse Vítor Bezerra.
A vereadora da educação da Câmara de Santarém, Luísa Féria confirmou a O Ribatejo ter recebido queixas da Associação de Pais.

No Expresso vem uma peça sobre o facto de muitas salas por essas escolas fora não terem capacidade para 30 alunos. É verdade e é tanto mais verdade em diversas escolas intervencionadas durante a Festa decretada por Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues.

Por terem sido desenhadas segundo padrões externos, são muitas as salas desenhadas para 20, quanto muito 24 alunos. Com turmas como as que já funcionam a 26 e 28 o resultado é sobrelotação evidente. Quando se fala em 28 alunos, fala-se apenas em parte das salas e não em todas aquelas que, em regra, têm de ser usadas. E em muitas escolas de 2ª ou 3ª divisão (as não intervencionadas, ou seja, a esmagadora maioria das EB23, a verdade é que há muitas salas com capacidade para apenas 18-20 alunos). Mais, só se fizermos filas corridas como no refeitório dos recrutas num qualquer quartel.

A foto que se segue é de uma das salas de uma escola intervencionada em que uma turma de 24 já implica que parte dos alunos fiquem de frente para a porta e com o quadro lá longe, de viés.

Eu sei que no Burkina Faso, Quénia ou Nepal as condições são piores mas, afinal, trata-se de uma das escolas do futuro, com tudo o que se pode ter de melhor para não estarem desactualizadas e sem condições ao fim de poucos anos nas palavras da actual presidente da FLAD.

A verdade é que… já rebentam pelas costuras e a culpa deve ser partilhada, embora a maior quota parte do disparate, neste caso, deva ser assacada a quem quer meter 30 alunos em salas nas quais não existem condições físicas para tal, e manos que os alunos fossem japoneses ou de Singapura, daqueles que nem mexem os olhinhos.

Já agora… será que nos TEIP onde já agora metem 26 ou 28 por sala, apesar do limite ser inferior, vão passar a colocar mais 30, em duas camadas, com os NEE de permeio?

Construção de estabelecimentos de ensino público posta em causa

Depois da polémica gerada pelas auditorias da Inspeção Geral de Finanças e do Tribunal de Contas à Parque Escolar, a Antena 1 teve agora acesso a uma tese de um investigador da Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa que alerta para derrapagens no prazo e no custo e pior qualidade na construção de vários estabelecimentos de ensino público em Portugal.

A investigação da tese de doutoramento de Nuno Cortiço está centrada na construção ou renovação de edifícios de Ensino Superior nas décadas de 80 e 90, mas as conclusões permitem identificar casos semelhantes no presente.

Na opinião do arquiteto, “nós não aprendemos nada com os erros”. Nuno Cortiço percebeu com a sua investigação que os problemas e derrapagens do passado continuam a acontecer, e não só nas universidades.

“O resultado da Inspeção Geral de Finanças e do Tribunal de Contas à Parque Escolar é o esperado, mas ninguém o vai querer assumir”, explica Nuno Cortiço, que não acredita que vá haver qualquer responsabilização pelos erros na construção e renovação dos estabelecimentos de ensino.

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