Competências


Sobre aquela treta das competências TIC, mais uma das inutilidades em que se andou e anda a perder tempo, paciência e burocracia certificadora.

Por aqui.

Porque não criar uma muito mais útil certificação em Português para Actas e Outros Documentos Assim?

OECD Skills Outlook 2013 – First Results from the Survey of Adult Skills

Skills Versus Content in the Early Grades

Quando se revoga sem substituir, fica-se com o mais antigo. E já agora, podem esclarecer-nos até quando devemos ligar alguma coisa às Metas de Aprendizagem?

Agora que o PISA nos tinha deixado tão-tão…

Relatório 2010. Alunos não sabem raciocinar nem escrever

Estudo do Ministério da Educação em 1700 escolas revela a dificuldade dos alunos em resolver exercícios que não sejam básicos.

Alunos do 3.º ciclo e secundário não dominam conceitos

O Gabinete de Avaliação Educacional alerta que é preciso tirar consequências das fragilidades detectadas. Professores, alunos e famílias, todos têm de ter uma nova atitude.

O relatório está aqui.

Para finalizar temos o que já se esperava: a defesa da contratação individual dos docentes, algo que não me incomoda pessoalmente, mas que não quereria como sistema único num mundo em que as escolas fossem comandadas por pequenos líderes fortes.

Nesse caso, também gostaríamos todos de escolher os nossos alunos e até os nossos colegas de Conselho de Turma, pois como podemos definir objectivos individuais de desempenho, se nos derem turmas e alunos que não conhecêssemos e, se pudessemos, desconheceríamos?

Como poderei ser um ditoso DT se me constituírem um conselho de turma sem ser à medida dos meus gostos, agradável à vista, harmonioso nas medidas, sussurrante no falar, com uma parte residual capaz de discutir futebol à 2ª feira?

Vamos lá ser sérios: mas então as grandes lideranças não se afirmam, entre outros contextos, perante as adversidades? Sabendo mobilizar vontades? Recuperando para a qualidade e para o bom desempenho quem dele anda afastado?

Não é isso que se pede aos professores comuns com os seus alunos?

Porque será que alguns directores desejam tanto ter as mãos livres? Não lhes chegam os mecanismos actualmente disponíveis e que, por acaso, até existiram quase sempre, de fixação de professores (requisições para projectos, destacamentos, etc)? Não lhes chega um plafond de – suponhamos – 30-40% de professores contratados a dedo?

Porque será que querem contratar todos a seu gosto? E se no mandato seguinte forem substituídos? Será tipo líder partidário com grupo parlamentar escolhido pelo antecessor?

E, já agora, culminando tudo, porque não poderão os professores escolher quem os saiba mobilizar e dirigir melhor? Porque deve essa escolha ser feita, ao arrepio da LBSE, por um grande número de pessoas que nem sequer estão na escola?

O que acha sobre isso o colega director Manuel Esperança? Só as lideranças unipessoais de acordo com o 75/2008 são boas? Não será possível existirem excelentes lideranças colegiais eleitas?

Só ontem fui ver com alguma atenção as muito esperadas Metas de Aprendizagem, uma espécie de menina dos olhos de Isabel Alçada Veiga Vilar.

Como já disse, acho que não passam de uma revisão, com alargamento a áreas que nasceram no currículo como Espanhol ou TIC, do Currículo Nacional do Ensino Básico e das competências específicas nele incluídas.

Ainda antes de entrar no conteúdo (sendo que, em algumas disciplinas, as metas são um retrocesso em relação ao documento anterior) fiquei pela parte cromática da apresentação e na continuidade visual dos dois documentos.

Vejamos as cores do CNEB:

Eis agora as cores das Metas:

Nota-se apenas o cuidado em distinguir as cores de HGP (2º CEB) da História (3º CEB) e o desdobramento das Línguas Estrangeiras.

Quanto à subdivisão por ciclos, até prefiro a opção anterior porque, em vez de categorias separadas, as competências apareciam integradas em cada disciplina, como se pode ver pelo exemplo de Língua Portuguesa:

O trabalho de inovação foi tal que o Ensino Secundário ainda não tem metas, pois esse documento é que é mesmo necessário criar de base, não podendo ser adaptado de um inexistente CNES.

Assim se vê…

É para mim extremamente grave que uma ministra da Educação aparente desconhecer que existe em vigor um documento com o título Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais.

Podemos discutir aqui até que ponto o conceito de competências essenciais corresponde ao mesmo (não corresponde exactamente, mas não anda assim tão longe) que as metas de aprendizagem, mas dificilmente será diferente daquilo a que Isabel Alçada designa como competências de base ou mesmo competências-chave.

Podemos até dizer que estas competências essenciais podem estar ultrapassadas e que é necessário redefini-las, até porque há programas disciplinares em transformação.

Podemos ter por aqui uma imensa discussão sobre imensa coisa lateral e periférica ao verdadeiramente essencial: não é verdade aquilo que a ministra afirmou ao dizer que não há um documento que defina (e até o faz por ciclo de escolaridade e tudo) aquilo que cada aluno tem «de atingir em cada nível de escolaridade».

Esse documento existe. É de 2001, está online no nsite da DGIDC e foi apresentado da seguinte forma:

A presente publicação e o resultado de um trabalho realizado ao longo de vários anos, que envolveu um grande numero de professores, grupos de trabalho, documentos, reuniões e pareceres. Na ultima fase, desenvolvida desde meados de 1999, foram produzidas versões preliminares das competências gerais e transversais, assim como daquelas que dizem respeito às diversas áreas e disciplinas do currículo, as quais foram objecto de discussão e de pareceres de departamentos universitários, escolas superiores de educação, associações de professores e centenas de escolas do ensino básico. Foi com base na analise destes pareceres, acompanhada por um esforço de harmonização dos vários documentos, que a formulação final das “competências essenciais” foi elaborada. Desde Dezembro de 2000, o processo foi coordenado por um conselho consultivo, constituído a convite do director do Departamento da Educação Básica.

Estou curioso, muito curioso, para perceber a diferença entre isto e aquilo que está a ser feito agora. Não que ache que o documento existente é para ficar em vigor de forma perpétua. Apenas gostaria de perceber porque é dito que não existe pois – é apenas um suponhamos – acho que alguns dos peritos agora requisitados são exactamente os mesmos…

Um assunto que me interessa muito!
Gostava de saber a Vossa Opinião.

Digam-me:

QUAIS AS TAREFAS DE UM PROFESSOR? QUE DEVE FAZER UM PROFESSOR, ENQUANTO PROFISSIONAL?

QUAIS OS DEVERES ( competências e obrigações deve assumir) UM PROFESSOR NA ESCOLA DO SÉCULO XXI?

PEDRO VARGAS

Há pouco tempo, em resposta a uma questão sobre como era possível a um(a) professor(a) conduzir uma sala de aula e o que era mais importante, tentei explicar que o debate tradicional está espartilhado à partida quando se faz uma oposição redutora entre os que defendem o primado do conhecimento científico a transmitir (conteúdo) e os que defendem o primado das metodologias da transmissão de conhecimentos (a forma).

Porque, numa sala de aula, se é importante que o(a) docente domine o conhecimento que pretende transmitir e que o saiba transmitir de um modo eficaz (quantos professores tivemos, mesmo no ensino superior, que podiam ser muito bons numa dessas dimensões, mas eram fracos ou mesmo péssimos na outra), também é muito importante uma terceira dimensão que é a que mais dificilmente se consegue adquirir e desenvolver na formação inicial ou contínua, tanto pela inexistência da dita formação específica, como de certas características decorrerem demasiado das características pessoais de cada indivíduo. Falo, obviamente, das capacidades de relacionamento interpessoal ou, numa visão mais popularizada nos últimos anos graças a David Goleman, da inteligência emocional, ou seja, da identificação e capacidade de utilização das emoções nos outros e em nós, canalizando-as de uma forma eficaz.

Esta é a competência (como se diz agora) ou capacidade mais difícil de ser desenvolvida, ou aperfeiçoada, porque resulta de um conjunto de qualidades que em muito são intrínsecas a cada individualidade, desde logo a capacidade de despertar empatia nos interlocutores.

A obra que destaco neste post (e que julgo já ter referido há uns meses) corresponde a uma investigação decorrente da formação em gestão de emoções junto de um grupo de professoras do 1º ciclo. A metodologia pode despertar algumas reservas em algumas pessoas, nem todos pressupostos ou conclusões serão partilháveis por todos (acho mesmo que a certo nível, são demasiado unilaterais por quase responsabilizarem em exclusivo uma das partes na relação pedagógica e pessoal), mas há constatações muito interessantes.

Passo a destacar algumas passagens das páginas 505-506 que acho bastante interessantes:

Depois de uma intervenção junto das professoras, verificou-se que naquelas que tinham uma atitude de permissividade em relação às regras de comportamento, que foram mais trabalhadas e implementadas de forma orientadora nesse caso, os alunos tomaram consciência do seu comportamento, havendo uma mudança significativa na ideia que os alunos têm do seu comportamento. Ou seja, os alunos passaram a achar que eram mais mal comportados. A tomada de consciência é o primeiro passo para qualquer processo de transformação.

Mais uma vez se verifica que o trabalho que se faz com as professoras provoca igualmente mudanças nos alunos, o que reforça uma das ideias que serviu de guia a esta investigação; a de que, para se mudar a realidade de uma sala de aula, o melhor é começar por uma intervenção que mude em primeiro lugar os comportamentos e as atitudes das professoras.

(…)

As dificuldades que as professoras sentiram em mudar de atitudes na sala de aula vieram pôr em evidência alguns esquemas estereotipados e crenças educacionais tradicionalmente utilizadas na condução das aulas, assim como a importância que as características pessoais e os problemas da vida pessoal das formandas podem ter igualmente nos processos de mudança.

Assinados contratos de transferência de competências

Foram mais de noventa os municípios que hoje assinaram com o Governo contratos para a transferência de competências no 2º e 3º Ciclos.
Até ao final de semana, mais dez autarquias deverão seguir o exemplo, num processo que abrange, para já, 255 escolas e onze mil e quinhentos funcionários que passam para a alçada dos municípios.
De acordo com dados do Executivo, entre os 92 municípios que aceitaram a transferência de competência, estão 69 câmaras do PS, 18 do PSD, duas da CDU (Nisa e Sines) e três independentes.
Presente na cerimónia, o Primeiro-ministro afirma que esta é uma das maiores operações de descentralização desde o 25 de Abril, uma reforma de que muitos falaram nos últimos 20 anos, mas nada fizeram.

Alguém se admira que exactamente 75% das autarquias arregimentadas sejam cor da rosa?

E alguém se espanta que na crítica feita pelo PM levem na cabeça, sem dó nem piedade, os governos do actual Presidente da República e os governos a que o próprio Sócrates pertenceu na era guterrista?

É que nesta guerra em sprint por nova maioria o animal feroz não faz prisioneiros e ninguém o trava. Bastava vê-lo no noticiário da 1 (que vi apenas porque foi feriado no concelho onde lecciono) a gesticular como se o mundo estivesse para acabar e ele tivesse descoberto a solução para o salvar.

Declarações áudio de Maria de Lurdes Rodrigues aqui. Discurso oficial acoli, a pedir futura análise.

Por vezes criticam-se os professores por serem avessos a intromissões na sua esfera de acção, pela sua resistência à entrada nas escolas de outros actores, com poderes novos.

Mas acho que os próprios encarregados de educação, se conseguirem abstrair-se de algum interesse institucional próprio, também perceberão do que escrevo.

Pelas minhas paragens o resultado deste desdobramento de competências resulta na necessidade de me dirigir à sede de agrupamento, dependente do ME e localizada na sede de concelho, para tratar dos aspectos burocráticos e administrativos da matrícula e frequência da minha educanda na escola da freguesia, de me dirigir à Associação de Encarregados de Educação para tratar do ATL (e estar há 4 dias à espera da resposta a um mail, já que nem nº de telefone de contacto apresentam na sua documentação e espaço na net) e à Junta de Freguesia para adquirir as senhas de refeição.

Deve ser a isto que chamam descentralização.

Ah! Não vale a pena dizerem-me que se tudo passar para a alçada da autarquia tudo funcionará melhor. Se entrarmos por aí, já sabem que as estórias que vou conhecendo nem sempre são as melhores…

Duas notas prévias:

  • Como antigo aluno com razoável facilidade em Matemática, disciplina onde tinha consistentemente as melhores notas ao longo do ano, chocam-me tanto ou mais que na minha área académica de formação as falhas e carências evidentes dos nossos alunos nesta área do conhecimento, em especial nos seus passos mais básicos.
  • Por regra evito trazer para o blogue situações concretas do meu quotidiano escolar, por questões de privacidade e decoro. Nos raros casos que o faço procuro que a identidade dos envolvidos esteja protegida. Só que há situações que, pela sua natureza, me sinto quase obrigado a partilhá-las. Este é um desses acasos.

Hoje, na aula de Estudo Acompanhado, a minha colega forneceu aos alunos uma pequena ficha com apenas quatro das questões da prova de aferição para o 6º ano de Matemática deste ano. A turma é em média bastante fraquinha, por isso as questões em causa até foram das mais simples.

Uma delas era a seguinte:

Corrijam-me se eu estiver enganado, mas isto é algo que se resolvia antigamente aí pela 3ª classe, quase que de cabeça em pouco tempo. Se colocarmos cestos de laranjas e maçãs em vez dos cd’s reconhecemos com facilidade o tipo de problema.

Penso eu que é de resolução quase evidente. mesmo para alunos medianos.

Mas acredito que há pessoas que não terão inclinação para as contas. E até aceito que não saibam fazer ou falhem de um modo natural.

Para evitar isso, agora permite-se ou chega-se mesmo a incitar que os alunos em vez de abstraírem o raciocínio matemático, desenvolvam uma abordagem concreta, nomeadamente transformarem o problema em representações gráficas dos objectos.

Foi o que alguns alunos fizeram. Muitos alunos mesmo.

Outros alunos não responderam porque, disseram depois, não sabiam desenhar as caixas dos cd’s.

Entre as fichas que ajudei a recolher reparei que boa parte dos resultados certos se ficaram a dever aos alunos que indicaram as operações matemáticas envolvidas.

Muitos dos resultados errados ficaram a dever-se a quem começou a transformar este singelo “problema” numa sequência de desenhos de cd’s e caixas de cd’s.

Num dos casos foram desenhadas 85 caixas-miniatura e esse foi o resultado apresentado como bom. Em outro caso – de uma aluna até um pouco acima da média no contexto da turma – foi apresentada a solução de 200 caixas, embora com o bónus de as não ter tentado desenhar, mesmo se foi feito um esquema explicativo (?). Numa outra questão, completamente diversa (e em que o resultado certo era 90), o resultado dado também foi de 200.

Eu sei que posso estar a ceder à caricatura , que posso parecer falsamente saudosista (eu bem sei que muitos colegas meus também já tinham uma mortífera aversão às matemáticas e outras coisas objectivas) ou mesmo que posso parecer catastrofista.

Mas não me importo.

Porque isto é calamitoso e é o resultado de uma progressiva imbecilização das metodologias de abordagem aos conteúdos da Matemática, reduzidos a questões meramente concretas de onde parece querer afastar-se qualquer tipo de abstracção.

E agora ainda querem «generalizar» mais o ensino correspondente aos actuais dois primeiros ciclos do Ensino Básico.

Os custos vão ser imensos e não haverá nova tecnologia que sirva como exemplo salvador para um raciocínio matemático que não se ensinou desde os primeiros passos.

Professor ainda tem autorização para conviver socialmente ao cair da semana, pelo que não tive o prazer de detectar logo o novo «despacho que aguarda publicação» do SE Valter Lemos sobre a delegação de competências no processo de avaliação dos docentes.

É um diploma que surge, como se percebe, bem fora dos prazos inicialmente previstos pelo ME para ter o processo em decurso, pelo que se percebe até que ponto é o próprio Ministério a não conseguir acompanhar as suas próprias metas, que deviam enquadrar o funcionamento das Escolas nesta matéria.

Já sabemos que afinal está tudo em banho-maria, naquela espécie de recuo sem recuar que se tornou apanágio do ME desde que o Primeiro-Ministro decidiu iniciar a campanha pré-eleitoral com aquela espécie de estafado mini-tabu sobre a sua recandidatura. Já vimos, já conhecemos, quase ninguém liga, mas significa que abriu a época de caça aos tolos.

Quanto ao essencial, ou seja ao despacho que se divulga para que se saiba que afinal já existe e que, como de costume, deve ser desde já assumido como lei, notam-se algumas preocipações:

  • Começando pelo fim, tenta-se dar uma aparência de legalidade à forma como as Escolas e Agrupamentos se viram na obrigação de adoptar uma organização de Departamentos que até ao momento continua sem verdadeiramente existir.
  • Por outro lado, constata-se que o ratio de avaliados por avaliador é de 7/1 na Educação Pré-Escolar e no 1º CEB e de 12/1 nos restantes níveis de Ensino. Não se percebe tal (e tamanha) disparidade.
  • A delegação de competências acarreta, em especial no caso do(a) Presidente de CE (ou futuro Director), que possa a existir avaliação de titulares por professores não-titulares, invertendo todo o normal circuito inicialmente apresentado. Para além disso, não se especifica se o PCE pode delegar a sua função de avaliador num ou mais elementos e quais os ratios a usar.
  • A transição das funções de avaliador, quando os trâmites para a delegação de competências não permitam outra solução, para a Comissão de Coordenação de Avaliação do Desempenho, para além da metodologia não ser claramente perceptível (é para todo o órgão ou para algum dos seus elementos?) representa uma extrapolação das funções inicialmente outorgadas a esta Comissão transformando o órgão fiscalizador da correcção do processo de avaliação no próprio avaliador.

Será, neste caso, difícil conceber como será analisado um recurso apresentado por um docente sobre uma avaliação feita pelo mesmo órgão (ou elemento desse órgão) que tem a função de validar tal avaliação e garantir a imparcialidade de todo o processo. O mesmo se aplica às validações das classificações dos Muito Bons, Excelentes e Insuficientes que sejam da responsabilidade da dita Comissão. É naturalmente incompatível que o juiz seja uma das partes, como acaba por ser esta situação. Mas já se percebeu que o forte na 5 de Outubro não é propriamente a área jurídica. E quanto a despachos deste SE já temos antecedentes de incúria legislativa.

Via Luís M. Latas, notícia do Sol:

O vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses com o pelouro da Educação, António José Ganhão, considerou hoje positiva a exclusão da transferência de competências para as autarquias ao nível dos professores
A possibilidade das autarquias assumirem a gestão do pessoal docente da educação pré-escolar e do ensino básico acabou por ser excluída do novo diploma sobre o alargamento da transferência de competências para os municípios, apesar de a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ter chegado a admitir experiências-piloto com as autarquias que manifestassem interesse e de o presidente da Câmara de Tavira, o social-democrata Macário Correia se ter disponibilizado de imediato para adoptar esse modelo.

Porque o descalabro não poderia ser total. Porque o próximo ano era capaz de prometer guerra complicada.
Em muitos locais, se a ideia original tivesse ido adiante, acredito que as Escolas ficassem ingovernáveis ou então entregues a redes clientelares com base nos cartões partidários. Se mesmo assim já fica a porta mal fechada, eu nem queria pensar. Então em Tavira, professor fumante deveria ser logo vetado pelo saudável São Macário. E olhem que eu sou não-fumador…

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Quero ver depois como vai ser com a Parque Escolar a gerir as Secundárias que têm do 7º ao 12º ano e as autarquias com competências de manutenção até ao 9º ano.

Vai ser lindo.

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(c) Jorge Delmar

Boa tarde

Envio-lhe uma notícia de um jornal local sobre o “peditório” dos alunos / escola para computadores usados. Descanse que não é propriamente para o Paulo contribuir com alguma coisa . Apenas porque acho isto de uma enorme falta de senso, quando se abrem estes cursos e depois se colocam os alunos num jornal a actuar como “coitadinhos, somos pobres e não temos meios para aprender”.
Deveria ser a Escola a garantir estes e outros meios antes de abrir estes cursos, negociando nos bastidores com as empresas para garantir os meios necessários (que são apenas computadores usados!!)
Estas mostras de miserabilismo considero serem enormes tiros nos pés para as escolas e para os professores. Um meio-caminho andado para aquilo que aos poucos se avizinha.

Não está em causa esta escola mas tão só a forma como muitas das escolas se deixam levar por este caminho da pedinchice.

Cumprimentos.
PD

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É uma estratégia como qualquer outra. Se já conheci cursos de hotelaria e restauração aprovados pelo ME em que os alunos não não dispõem de qualquer equipamento específico da actividade, nem sequer existe verba para os adquirir, qual é a dúvida de se aprovarem CEF’s de Informática sem que a Escola tenha qualquer computador disponível?

Mas não esqueçamos algo essencial: estes projectos não podem avançar sem o aval do ME, sendo que a tutela até é muito atenta a todas as questões formais dos processos enviados para aprovação de funcionamento dos cursos (os dados biográficos dos alunos devem estar todos alinhadinhos, as manchas horárias devem estar todas definidas, os docentes devem enviar currículos e planificações, é necessária uma ladaínha para-eduquesa justificativa, etc, etc). Agora se existem os meios para implementar os cursos, népias.

Não me lembro de nos projectos que conheci de forma directa ou indirecta ser indispensável indicar os meios técnicos necesários para a concretização dos cursos. Pelo menos nos velhos 9ºs+1 essa exigência ainda existia e o PRODEP pagava (tarde…) alguns equipamentos.

É só encontrar quem consiga, sozinho(a), fazer o trabalho de 21 pessoas, sem que se saiba em que condições, onde e como.

Decreto Regulamentar que define a composição e o modo de funcionamento do Conselho Científico para a Avaliação de Professores

Este diploma vem regulamentar a composição e modo de funcionamento do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, estabelecendo uma estrutura leve e flexível.

O Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP) tem por missão implementar e assegurar o acompanhamento e monitorização do regime avaliação de desempenho do pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, sendo um órgão consultivo do Ministério da Educação, dotado de autonomia técnica e científica,

O CCAP será constituído por um presidente, por cinco professores titulares em exercício efectivo de funções na educação pré-escolar ou nos ensinos básico e secundário, cinco individualidades em representação das associações pedagógicas e científicas de professores, sete individualidades de reconhecido mérito no domínio da educação e por três representantes do Conselho de Escolas.

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse hoje à Lusa que a transferência de competências para os municípios na área da Educação está “muito avançada” e que a sua execução deverá iniciar-se no próximo ano lectivo.
(…)
Para o secretário de Estado tratam-se de questões importantes que “certamente as autarquias gerirão melhor do que o Estado, já que estão mais próximas no terreno”.
Fernando Ruas concorda igualmente que as autarquias farão uma “melhor gestão” daquelas áreas do que o “Terreiro do Paço”. (Público)

Neste caso faço a minha vénia ao Secretário de Estado Valter Lemos. Embora possamos sempre ter esperança que a seguir venha melhor.

Embora não tenha achado a notícia exacto, não será de separar desde idílio Governo/ME-ANMP a possibilidade das Câmaras Municipais verem, a breve prazo, uma forma de solucionarem as suas dívidas acumuladas ao longo de anos de irrepreensível gestão financeira.

Quanto a Fernando Ruas seria interessante que reciclasse os lugares-comuns.

Por fim, espero que agora fique bem claro a quem se quer atribuir a presidência dos Conselhos Gerais das Escolas.

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