Competência E Rigor


 

Trinta E Nove Milhares De Milhares!

 

  • Possibilidade de uma prova de ingresso só com a ganga teórica com que o actual MEC gozava há tão pouco tempo e sem verificação dos conhecimentos científicos específicos, por certo para melhor determinar que “só ensina quem sabe”. Mas sabe o quê, afinal?
  • Um modelo de formação contínua em circuito fechado em que serão formadores, no fundo, quem já o era no modelo antes criticado por ser mau e insuficiente, em sistema de auto-financiamento para que o MEC possa fugir às suas responsabilidade de assegurar o que está legalmente estatuído.

A isto acresce um modelo de ADD que caiu no ridículo absoluto, pois finge-se que quem avalia tem capacidade acrescida para o fazer só porque está mais adiante na carreira ou alinhou – ou foi obrigad@ a alinhar – nas ridículas fases anteriores da ADD.

Isto faz-me lembrar não propriamente uma aristocracia falida a fingir que ainda é o que já foi mas sim um conjunto de arrivistas a tentar parecer o que nunca serão por falta de arte, engenho ou mesmo tostão, mas cheios de manhas.

(Mas o grande segredo está mesmo em retirar dos exames nacionais em especial a partir do 9º ano a malta do insucesso recorrente para depois dizer que foram estas reformas que levaram à melhoria sensível dos resultados ali por 2015. Tudo como dantes, porque somos todos ignorantes.)

A não-corporação dos professores

Aqui.

Reparem nas seguintes passagens, desde logo no facto de se continuar a não concretizar o nº de vagas.

Artigo 4.º
Dotação das vagas
1 – A dotação das vagas a preencher mediante o presente concurso, é fixada por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da educação.
2 – As vagas referidas no número anterior são apuradas por quadro de zona pedagógica por grupo de recrutamento e extinguem -se quando vagarem.

Artigo 5.º
Âmbito das candidaturas
1 – Os candidatos ao concurso regulado pelo presente diploma são obrigados, a concorrer, no mínimo, a todas as vagas de um dos quadros de zona pedagógica referidas no artigo anterior, correspondentes aos grupos de recrutamento a que são opositores.
2 – Para efeitos do disposto no número anterior, quando os candidatos concorrem a mais do que um quadro de zona pedagógica ou grupo de recrutamento, devem ordenar a sua prioridade.

(…)

Artigo 7.º
Apresentação ao concurso interno
1 – Os docentes colocados ao abrigo do presente diploma são obrigados, para efeitos de colocação em quadro de agrupamento ou de escola não agrupada, a serem opositores na qualidade de docentes de carreira de quadro de zona pedagógica no primeiro concurso interno a ser realizado após a entrada em vigor do presente diploma, previsto na alínea a) do n.º 1 do artigo 5.º do Decreto -Lei n.º 132/2012, de 27 de junho.
2 – Os docentes abrangidos pelo disposto no número anterior, concorrem ao concurso interno numa prioridade seguinte à última prioridade estabelecida na alínea c) do n.º 1 do artigo 10.º do Decreto -Lei n.º 132/2012, de 27 de junho.
3 – Os docentes que ao abrigo dos números anteriores não obtiverem colocação no concurso interno, devem concorrer à mobilidade interna na primeira prioridade estabelecida na alínea b) do n.º 1 do artigo 28.º do Decreto -Lei n.º 132/2012, de 27 de junho.

Agora reparem nesta passagem do artigo 1º:

2 – Aos candidatos que se apresentem ao concurso previsto no presente diploma não é aplicado o n.º 7 do artigo 2.º do ECD.

Do que é que estão a falar? De que artigo 2º do ECD?

O artigo 2º do ECD não tem sete números, mas apenas a definição do que é pessoal docente.

Artigo 2.º

Haverá limites para a incompetência jurídica ou ela é infinita e o desleixo a regra básica de recrutamento dos especialistas?

Pensava que o tempo do recurso aos malabarismos estatísticos estava enterrado.

O argumento demográfico foi martelado. Aqui no blogue apareceu-me alguém a ofender e chamar mentiroso apenas porque eu demonstrei que a tese demográfica não podia explicar uma quebra de 14% dos alunos.

Acho que agora fica claro que o MEC recorreu aos alunos das NO para, de forma algo ardilosa, induzir em erro a opinião pública sobre o número de alunos em permanência nas aulas para as quais foi aberto concurso para docentes.

E esqueceu-se de acrescentar que no mesmo período se aposentaram mais de 10% dos professores dos quadros.

Resta saber se Nuno Crato o fez de forma consciente, se achou por bem acreditar nos números que lhe tenham fornecido. Em qualquer cos casos, deveria existir alguma responsabilização…

Redução de alunos à custa de adultos

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, reconheceu ontem que contabilizou os adultos das Novas Oportunidades (NO) quando, em entrevista à TVI, falou numa redução de “200 mil alunos nos últimos três anos”, argumento utilizado para justificar a redução de professores contratados em cerca de 5 mil.

“Contámos com os adultos. Houve um ‘boom’ nas NO e em seguida as pessoas terminaram a sua formação e saíram do sistema”, disse o ministro na Assembleia da República, admitindo que a quebra da natalidade “não explica tudo”, sendo porém “o pano de fundo”. A quebra nas NO levou a uma redução total de cerca de 120 mil alunos de 2010/11 para 2011/12, segundo números que a tutela forneceu recentemente ao CM, embora os valores do último ano sejam provisórios.

E é tão clara, tão clara, que me interrogo se é pura estupidez ou arrogante desfaçatez desmentir-se no mesmo parágrafo.

O subsídio reposto é distribuído por 12 meses para acudir mais rapidamente aos orçamentos familiares mas, no fundo, o rendimento mensal fica exactamente na mesma:

Basta fazer as contas, sem especial rigor… a reposição de um subsídio em 12 meses (lembremos que é sem subsídios de refeição) significa um acréscimo de pouco mais de 8% do salário. Os 7% a mais de contribuição para a Segurança Social, ao incidirem sobre o novo valor do salário, transformam-se em cerca de mais 7,6% do que este ano… Vejam lá o diferencial… isto sem contar com o resto.

O que Passos Coelho afirma sobre acudir mais rapidamente às necessidade de gestão do orçamento familiar é uma enorme mentira (ainda maior se um dos elementos do casal for trabalhador no sector privado), só explicável (atendendo ao que o próprio disse logo a seguir) por uma de duas explicações: estupidez ou desfaçatez.

 

Chegou por mail, com pedido de reserva da identidade.

Surreal: Professores contratados colocados com horário 0 no Cacém.
E já somos 6 no mesmo agrupamento!!! 

Antigo agrupamento pede 6 professores do 110 para recondução e novo mega agrupamento volta a pedir mais 6.
Resultado: os últimos 6 professores ficam com horário 0. Aguardamos resposta do Ministério.

Se em 13 de Julho de 2012 foram sinalizados quase 12.000 professores com horário-zero (dos perto de 17.000 que então estavam em diversas modalidades de mobilidade) e em 17 de Agosto restam apenas 5733, o que podemos pensar em termos de eficácia dos processos do MEC ou da chamada optimização dos recursos humanos por parte do dito MEC e das direcções dos agrupamentos e escolas não agrupadas?

Como é possível que, em cerca de um mês, se descubra que cerca de 6.200 professores (mais de 50%) tenham sido apressadamente indicados como não tendo componente lectiva, sem que nenhuma regra tenha sido alterada em relação ao decreto lei 132/2012?

E escrevo apressadamente com base no que o próprio MEC acaba por admitir… mas poderia escrever erradamente

.

Já agora… seria interessante (re-)consultar as regras para a distribuição do serviço lectivo de outros anos (aqui o caso de 2007/08) para não se apresentar como novidade o que não o é.

Ou melhor… tentando fazer porque as estatísticas do MEC valem o que valem… Nas mais recentes é possível saber o número de professores por vínculo e quantos há em cada grupo disciplinar, mas não quantos em cada grupo disciplinar, por vínculo…

O que eu pretendia era calcular o impacto dos DACL em cada grupo disciplinar, mas só é possível fazê-lo em relação ao total dos docentes em exercício, sem distinção de vínculo e sem se saber o peso relativo de contratados e professores dos quadros.

Porquê?

Porque, apesar do muito que foi dito, o grupo mais atingido foi o 300 de Português, a tal disciplina dita estruturante, com 1241 DACL contra os 1068 do grupo 240 de EVT. Se juntarmos os quase 600 DACL do 2º CEB dos grupos que podem leccionar Língua Portuguesa, ainda o pasmo é maior.

No caso da Matemática, a mesma coisa… 381 no 2º CEB e 605 no 3º CEB/Secundário…

E depois há grupos completamente dizimados, sem explicação aparente que não seja a absoluta incompetência, amadorismo ou engenharia profissional da equipa do MEC que está a conduzir tudo isto. E não atirem as coisas de volta para as escolas, porque se sabe que as reuniões com as DRE foram um fiasco…

Se alguns bloggers sabiam, o ministro sabia quando foi ao Parlamento. Isso significa que…

O MEC agora coloca Informática na lista prioritária!
Agora?
Mas para ter uma noção da quantidade de escolas que não abriram cursos por imposição das DRE’s (após uma pergunta no Facebook… imaginemos na totalidade das escolas):
 
“• Brotero (Coimbra): Multimédia
• António Nobre (Porto): CEF e Técnico de Informática de Gestão (mas autorizou Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos)
• Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Cister – Alcobaça (Pública) -> Cef de Instalador e Operador de Sistemas Informáticos
• Escola Secundária de Ourém – Curso Profissional de Multimédia e Curso Profissional de Informática de Gestão Escola Secundária de Peniche -> Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos
• Agrupamento de Escolas de Marrazes -> CEF – Instalação e Operação de Sistemas Informáticos
• Escola Secundária D. Inês de Castro (Alcobaça) -> Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos (e tinham professores de quadro de informática, que ficaram com horário zero!!)
• ES Bernardino Machado (Fig. Foz) – Tec. Gestão e Prog. de S.I.
• Agrupamento de Escolas dos Arcos de Valdevez-A direção informou que não seria possível abrir cursos de Informática. Nem Informática de Gestão nem Multimédia. E CEFde electrónica e reparação de computadores também não.. Esc Sec Dr. Manuel Gomes Almeida (Espinho) Técnico de Informática de Gestão (tendo concorrido 6+2 (da outra outra escola com quem agrupamos) e havia alunos, que foram enviados para a escola profissional!
• Agrupamento Drº João de Araújo Correia – Peso da Régua(Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, Técnico de Gestão e Equipamentos Informáticos) + CEF
• Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves – Odemira não teve autorização para abrir cursos de informática.
• Escola Secundária António Sérgio – nenhum de informática nem multimédia, nem cef
• Escola Secundária Daniel Faria Baltar tb não foi possível abrir nenhum curso de informática.
• Esc Sec Mortágua curso de multimédia 
• Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico de Amora
• Agrupamento de escolas de Alfena (tínhamos uma turma preenchida para o profissional e outra para o CEF e não deixaram abrir)
• Escola Secundária de Alpendorada não teve autorização para abrir cursos de informática
• Agrupamento de escolas de Aguas Santas
• Vila Viçosa
• agrupamento de escolas cego do maio, povoa de varzim, cef tipo 2 de operador reparador de computadores
• Operador de informatica- eb 23 de Cristelo( paredes) 
• Curso profissional de informática – Escola Secundária Poeta Joaquim Serra – Montijo
• Escola Rainha Santa Isabel – Carreira – CEF Operador de Informática.
• Curso Profissional de Informática de Gestão – Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
• Esc. Secundária Fontes Pereira de Melo – CEF Operador Informática T2 e T3 / Profissional Programação / Profissional Multimédia ainda em duvida
• Escola Secundária de Tomaz Pelayo- Técnico de Gestão e Equipamentos Informáticos
• Agrupamento de Escolas de Valbom – Curso Profissional Técnico de Informática de Gestão
• Agrupamento de escolas de arrifana – CEF operador de informática
• Escola Secundária de Vizela – TGPSI
• Agrupamento Vertical de Redondo
• ES Lordelo
• Agrupamento de Escolas de Vizela – Infias, com alunos para abrir para abrir CEF-Operador de Informática, não foi autorizado pela DRE.
• Agrupamento de Escolas de D. Dinis, Marvila, Lisboa – Curso Profissional de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos.
• Agrupamento de Escola de Freiria – CEF IOSI
• Agrupamento de Escolas de Canelas: nada de informática (CEF T2; CEF T3 e CPGPSI)
• Escola Secundária de Marco de Canaveses, agora agrupamento n.1 de marco de canaveses – CEF IOSI e IRC
• Escola Paula Nogueira não abriu o cef de informática pq a DREALG não quis (Em Olhão. deste Vila real de Santo António até Olhão só abriu um CEF de Informatica)”
Agora até poderiam abrir, mas as matrículas estão feitas e… logicamente que não vão abrir… no mínimo incompetência, não?
R.

Porque é claro que, com o desemprego qualificado tão baixo, só se conseguia alguém com este tipo de solução de recurso.

A Fundação EDP contratou uma funcionária para a secção de arte que é sobrinha-neta de Eduardo Catroga, presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP. A nomeação está a causar desconforto entre sectores do grupo EDP que não poupam Catroga nem o administrador executivo da fundação que tem sido também o seu rosto público, Sérgio Figueiredo.

Mas é claro que ao pintelho man ninguém diz nada porque tem as costas quentes por Belém e ainda é necessário consolá-lo por não ser o verdadeiro ministro.

Mesmo se assim ganha mais e tudo.

E já agora… mas por que raios a EDP precisa de uma Fundação? Para fazer navegar uns fundos à margem do fisco? Para comprar arte a alguém?