Comemorações


Sistematização das medidas do Programa de Apoio Económico e Financeiro a Portugal a implementar até ao final de 2011.

Agora é só meter um pano preto em redor… e muitas luzinhas e turbantes.

E o Via CTT, pá?

Consta que a Comissão do Centenário – dirigida pela minha ex-colega de turma Fernanda Rollo – já anda a contar os tostões à vida, tamanha foi a tripa-forra dos últimos tempos.

Se há coisas onde se nota dinheiro gasto, outras nem por isso e certamente que o plano de publicações me deixa espantado pela completa falta de um plano sistemático, antes parecendo que foi sendo apoiado aquilo que cada amigo(a) achou por bem publicar.

Mas o que é mais espantoso é que, para além dos catálogos das exposições da Cordoaria e Terreiro do Paço com preços humanos, atendendo aos evidentes custos de produção, o resto do que vejo editado é a preços absolutamente disparatados, desde as reedições dos estudos já clássicos do Vasco Pulido Valente até à do volume correspondente ao facsímile do relatório do Machado Santos sobre a preparação e desenvolvimento do 5 de Outubro que custa mais de 17 euros tendo em relação ao original apenas mais uma minguada introdução do António Reis e uma capa nova com o carimbo da Comissão do Centenário, passando por uma série de outros volumes que (esqueçamos a vaga de ficção histórica em torno do regicídio, do 5 de Outubro e do sidonismo) não parecem ser mais do que um puzzle mais do que incompleto para tanto estardalhaço comemorativo. Colectâneas de testemunhos da época, colecções de postais, recolhas de notícias da imprensa de então, mas de trabalho inédito, que não repita o que sabíamos há 5-10 anos ou mesmo mais, temos muitíssimo pouco.

Estudos monográficos, temáticos ou biográficos, são mesmo muito escassos, se esquecermos obras de carácter mais iconográfico.

É pena mas, até este momento, o balanço das publicações sobre a I República, salvo honrosas excepções, salda-se por muito pouco de inédito.

Por vezes, parece existir material mais inovador na imprensa do que de origem académica.

O que parece é uma apetência pelo negócio, vendendo gato velho como se de lebre lustrosa se tratasse a quem é caçador novato.

O que é lamentável.