Colaborações


Insultemo-nos, que é o que está a dar

De facto estamos a viver um tempo em que vale tudo. Lá chegará a hora de “arrancar olhos”. E de modo algum se trata de saudosismos, de voltar ao passado, de pretender ordem imposta e medo incutido. Não, não é isso, se bem que por este caminho, lá chegaremos.

Está na moda as pessoas públicas, essencialmente as políticas e ainda para mais as que deixaram de o ser, e já não parece ser fácil voltarem a sê-lo, apesar de dizerem sempre “nunca quererem voltar”, de insultar, de dizer palavrões, de baixar um nível, já de si muito baixo.

E, de facto entrevistas últimas que saem em tudo que é jornais, nos de qualidade e nos de menos, o insulto, o palavrão, a falta de consideração pelos outros é a norma. Quanto mais baixo o nível for, parece que mais vende ou mais lido se é.

Claro que em dados momentos “isto” é apelativo, e por certo haverá muita gente atraída pelo vocabulário para ler. Mas por certo o que fica, na maioria dos casos é muito, mas muito pouco.

Sendo que, algo onde não haverá dúvidas é a posição de desconforto que essas pessoas têm por tudo o que mexe em sua volta. A necessidade imperiosa de estarem sempre a aparecer. A necessidade de se fazerem notados. E como não estão sós no mundo usam todas as tácticas para dar nas vistas.

Vai havendo um espaço e uma audiência em que vai resultar, uma vez que como o nível de respeito, consideração, educação, bom senso entre iguais, vem sendo uma coisa de somenos importância, quanto mais se alinha r no insulto pelo insulto, na maledicência, melhor. As mães/pais estão a perder referências para saber educar e com respeito “mandar” na canalhada. Vale tudo!

E qualquer um de nós gosta de dizer mal, desde que não digam de nós, aí é uma maçada.

Agora todas as semanas, alguém aparece a ser entrevistado com um palavreado pouco necessário, mas – e parece que os próprios não estão a entender o que estão a fazer! – passa o palavreado, mas não passa a mensagem.

Claro que é “fixe, meu”, dizer palavrões, claro que é” leal” quando se está menos novo usar a linguagem dos jovens, claro que quando se acha que se pode ainda “agarrar” lugares fazê-lo pelo encontrão, mais que não seja no vernáculo utilizado, acha-se que vai resultar. Mas o esquema por vezes falha. Mas, dá uns tempos de antena e atenção! Já que não pode se de outra forma, com mais conteúdo!

Mas pode ser uma via sem retorno, e por certo não será o caminho a seguir. Dado que o respeito ganha-se, cultivando-o, mas se perde-se em minutos. O medo aparece à força, e quando tudo está perdido, quanto mais baixo o nível for, melhor para quem não tenho pejo em levar tudo à frente, à força do medo.

E depois, ai, de quem se atreva a dizer um palavrão, “vai dentro à força e caladinho”!

Augusto Küttner de Magalhães

Sabermo-nos programar

Temos um bocado de dificuldade em nos sabermos programar, delineando o que vamos fazer com início, meio e fim. Não poucas vezes “navegamos à vista, num tempo em que as zonas costeiras, já estão por tantos exploradas”, não havendo assim a passibilidade de nos orientar, como aconteceu nos tempos dos nossos descobrimentos. Em que tínhamos que descobrir, inventar, aí, difícil de programar!

O tal nosso “desenrascanço” que em situações totalmente imprevisíveis “pode” ter muita utilidade, dado ser uma solução ao momento, nunca pode virar norma! Como acontece, não poucas vezes!

Por outro lado, temos medo às “regras”, ou por acharmos que pode ser um acto quase ditatorial, ou, por “regra” criarmos um tal emaranhado de regras e contrarregras, que evidentemente nunca resultam, bem pelo contrário.

Para além de que, tendo resultado em casos pontuais – o desenrascanço – fica mais fácil o “deixar andar”, e hoje, não poucas vezes ouvimos “viver um dia de cada vez”, como se fosse possível o contrário, tendo por base o deixar andar, dado podermos não ter/saber como chegar ao amanhã.

Como é evidente, não podemos, não sabemos, não conseguimos tudo programar ao milímetro, tendo a certeza de que vai tudo correr sem falhas. Claro que estas sempre irão ter que acontecer, uma vez que muitas variáveis humanas e não só, modificam-se com o andar dos tempos.

Sendo que, o hábito de termos que passar a assumir “a programação”, fazendo planos e cumprindo-os, faciltará o percurso que pretendermos fazer, sem ter que ir inventando em cada “percalço” com que vamos deparando.

E, não necessitamos de excessivas regras – bem pelo contrário -, mas algumas são imprescindíveis, se criadas para nos ajudar a resolver problemas e a viver em comunidade organizada, sem serem um problema.

A programação que voluntariamente deveria ser por todos e cada um feita, implica, também, evidentemente, algo em que “tanto” facilitamos, que é a “não pontualidade”, não cumprir horários, não estar a horas.

Talvez com mais planeamento, programação e entreajuda, nos possamos dar melhor e vencer as não poucas crises, que tanto nos apoquentam, e que não estão a ser aprontadas por quem responsabilidades tem, para o fazer.

Augusto Küttner de Magalhães

Ainda a Nato e a falha Europeia

A Nato foi criada faz 65 anos, e nessa ocasião as despesas eram cobertas em 50% pelos EUA e os restantes 50% pela Europa e restantes países parte da Nato, como Canadá, mas a Europa “entrava” com uma forte percentagem desta metade.

A Europa, agora, já há uns anos, sempre desunida e achando-se – erradamente – a coberto de uma boa força infinita dos EUA foi desinvestindo na Nato, já não havia URSS, não havia perigos, e hoje os EUA suportam 75% da despesa.

O perigo da Rússia para os EUA desde 1991, quando a URSS se desfez, é hoje diminuto. Os EUA apesar de espiarem de forma muito pouco correcta os seus aliados europeus – não se sabendo se o inverso também acontece – ainda não deixaram cair a Nato.

Se a Europa continuar a falhar em tudo, se não se unir, também numa defesa comum do seu espaço único (?), desunido, o perigo vai ser a muito curto prazo, nosso europeu. Não dos EUA!

Continuar-se a fazer de conta que toda a zona do Mediterrâneo sul não é uma gravíssima ameaça para a Europa, é lirismo ou estupidez. Mais estupidez ou incoerência, até!

Já se viu de forma tão triste e dramática como refugiados a pedir auxilio, a pedir comida morrem – e vão continuar a morrer – ao largo de Lampeduza, e a U E assobia para o lado. Manda lá o senhor da Comissão Europeia, fazer figuras tristes, como é seu hábito e costume.

Já se viu e há pouco tempo os EUA – não a Nato – terem que ajudar a Europa, quando a Líbia – aqui abaixo! – entrou em colapso e não houve coordenação europeia – zero! – e a França achou que fazia alguma coisa e foi um desastre. Valeram os EUA! Mais uma vez!

Ainda não se viu todo o Mediterrâneo Sul achar que nada tem a perder e à força das armas – que sem ordem, por lá vagueiam – entrar pela Europa adentro.

Aí será tarde, e em vez de a Desunião Europeia continuar com umas forças armadas parcelares País a País, em vez de se unir em torno de um todo único, que seria a única via, ampliando a posição na Nato, com essas forças. E, a segurança interna de cada Estado seria a cargo das polícias locais, que deveriam entreajudar-se , faz disparates – a UE – de desorganização, com uma Comissão e tudo o mais que não funcionam, e a Alemanha a querer hipoteticamente mandar!

Os países do Norte Europeu, Alemanha abrangida, estão a fantasiar a pensar que o Mediterrano é lá em baixo, e o Sul da Europa para seu contentamento desparece se o sul do Mediterrâneo aí entrar, e fica tudo resolvido. Não será assim, quando tudo a sul estiver perdido o norte não escapará e será tarde. À força das armas do outro lado do Mediterrâneo!

Talvez seja menos importante perder-se tempo com distrações de escutas – que por certo entre amigos não deveriam ser feitas, mas onde andam os amigos? Onde? – que dão um gozo à Rússia, e a Europa unir-se, defender-se ser única, e estar a 50% na Nato como os EUA!

Augusto Küttner de Magalhães

Poderes legislativo, executivo e judicial, algo confusos?

A separação e as áreas de actuação entre os poderes legislativo, executivo e judicial, devem ser uma tónica forte de qualquer Estado, e ainda mas pretendendo sê-lo democrático, como o tentamos ser.

Sabendo-se das necessidade de cada um destes poderes no dito Estado, e da cada um cumprir a sua função, possivelmente por estarmos a viver tempos demasiado conturbados, parece ao comum dos cidadãos que tudo está demasiado confuso.

E nem querendo referir – aqui – o 4º poder, a comunicação social, que está com excessivo espaço e talvez “poder”.

Mas quanto aos 3 poderes instituídos, face ao que aparente ser a incapacidade de melhor cumprir as suas funções, tanto legislativo como executivo, fazem com que o judicial se veja obrigado, por demasiadas vezes a substituí-los.

Assim, todos os últimos Orçamentos de Estado, seja pelo que possa ser, vão sistematicamente do Executivo ao Tribunal Constitucional para fiscalização, e consequente alteação.

Situação idêntica – mesmo antes tendo passado por outras instâncias – acontece quanto à possibilidade de um autarca – e são vários – fazer-se a um 4º mandato noutra autarquia que não a onde já cumpriu 3 mandatos consecutivos. Deveria ser a Assembleia a legislar sobre este tema, não o faz, vai ao Tribunal Constitucional.

A penalização adequada ou não face à lei vigente quanto a condutores “apanhados “ pelas polícias a conduzir com elevado álcool no sangue, que parece não estar em conformidade – a penalização – com a legislação. Logo, porventura estará algo desadequado e será função legislativa e também executiva, alterar. Ou não!

E mais um caso, o fecho ou não, da Maternidade Alfredo da Costa – Lisboa – num tempo em que nascem cada vez menos crianças – infelizmente – neste nosso País, em que se fecharam – por que tinha que ser – maternidades por todo o lado – e não só, fora de Lisboa, e se concentram várias valências em todos e cada hospital. Parece, desconexado o caso da MAC!

E esta decisão com uma pendencia entre o legislativo e o executivo, mas claro mais deste, vai ter que ser tomada pelo poder Judicial, uma vez mais.

A assim querer continuar-se, terá que ser revista por certo a dimensão do legislativo e do executivo, encolhendo-os e muito e dando cada vez mas espaço e dimensão ao judicial, o que poderá, talvez, não ser o mais aconselhável numa possível democracia, mas perante esta realidade, será, consequentemente a alternativa

E, já agora, perceber-se também até onde vai querer estar o 4º poder – a comunicação social – que caso consiga posicionar genericamente com bastante mas qualidade e menos mediatismo, seria um benefício para o País, quando todos temos que rapidamente querer e saber mudar, para bem melhor!

Augusto Küttner de Magalhães

O Reino Unido até automóveis deixou de ter. Quem se lhe segue?

No início do seculo XX a potência mundial era o Reino Unido, no fim do mesmo século, era , este, o que hoje ainda é, um dos do G8 ou G20, e a potência mundial era e é, os EUA.

Perdeu o Reino Unido colónias, influência, poderio, dinheiro, só não perdeu, até ver a língua, como padrão mundial.

E, perdeu os automóveis. Nenhum hoje fabrica. E tantos de nós, se já passados os sessentas – os anos acumulados, também nos fazem muito aprender, apesar de muitos pretenderem o inverso, ou seja, fazer-nos desaparecer – nos lembramos que os automóveis britânicas eram os aristocráticos, mesmo o Mini da Austin. E havia o Vauxall, o Hillman, o Morris, claro o Jaguar, o Bentley , o Daimler, o Rolls, havia! Já não há!

Algumas destas marcas ainda hoje fabricadas – mundo fora, e já também a Oriente! – quer na Alemanha, quer na India, na China, por aí. Globalmente.

Ou seja, até já nem automóveis o Reino Unido fabrica, algo que lhe era uma referência. A Alemanha ainda tem as suas marcas de automóveis de prestígio – aquelas que se veem em tudo que é cerimónias públicas! – a França ainda tem algumas, mas de menos prestígio, e a melhor, dever agarrar.

O Reino Unido hoje, tem que se unir à Europa – por muito que o seu orgulho baixe um pouco mais – para poder ter futuro, dado que solitária não o tem, de certeza – como de resto nenhum país europeu, e mesmo unidos, é obra – e não se vai conseguir aliar-se aos EUA, dado estes não quererem.

E, a Alemanha, ainda a maior potência desta desunião europeia não conseguirá assim manter-se à escala global. Logo também terá que fazer por construir-se – por muito que lhe possa custar – dentro de uma Europa de facto unida, para não lhe acontecer dentro de nem duas décadas, ou bem menos, que nem fabricará Mercedes, Audi, BMW, VW.

A França por seu turno, sempre dentro do que una e depressa, esta desunião europeia, deve sempre tentar manter, quer o Renault quer o Daxia.

E uma Europa com Estados federados – Estados que nunca perderão a sua História e cuja Memoria seja bem mais e melhor recordada que hoje o é – farão o futuro Europeu.

O inverso também é exequível, mas é um suicídio e nem um automóvel será feito na Europa, se assim decidirmos. E gosto muito de Londres, e esperemos tudo bem mais unido, cá (Europa)! Mais capaz, menos arrogante, e mais humano.

Não está fácil!

Augusto Küttner

O reencontrar geracional, é necessário!

As mães/pais com filhas/filhos hoje ,entre os 30 e os 40 anos, na melhor das intenções, com empenho e bastantes sacrifícios tentaram – terão conseguido? – educar/criar os seus descendentes “dando-lhes tudo”. Este “dar tudo” incluiu comida, roupa, educação, estudos – se conseguível de nível superior – férias, automóvel. Muito do que tantos nunca tiveram nas mesmas idades, e tantos, nem mais tarde.

Foi com vontade, com o esforço devido e que deve ser feito, quando se decide ter filhos. Não tenhamos quaisquer dúvidas. Logo, foi bem feito! Terá sido totalmente conseguido, apreendido agora, nesta ocasião de tantas Crises, que não só a financeira?

A todo e cada um, sejam filhos entre os 30 e os 40 anos, sejam seus pais, cabe, com algum possível distanciamento pensar – algo que nos deixam pouco, hoje, fazer – no assunto.

Sendo que, muito do que foi feito por essas mães e pais há 30/40 anos, não vai ser possível ser (re)feito, pelas mães e pais de hoje. Aqui, mais acentuadamente a vertente da crise financeira boicotou essas amplas possibilidades, logo, havendo vontade de filhos ter, tudo será mais longínquo de alcançar. Mas nem tudo é indispensável!

Porém, esta dificuldade em atingir algo que foi dado com amor de mãe/pai, mas talvez demasiado “materializado” vai ter que ser, hoje, e nos anos próximos, substituído pelos valores que se esvaziaram na aflição do “ter”. Do imediatismo com “ter”!

Talvez, seja agora chegado o tempo de refazer “esses” valores que se perderam e que estão na génese das várias crises em que estamos atolados, que não se resolvem – todas – com dinheiro. É necessário muito mais que dinheiro, e também algum, dinheiro! Há mais vida para além da dívida, do deficit e do todo ter que “ter” dá!

Nunca – mas nunca – por obrigação, mas com vontade, pensamento, bom senso e com uma diferente postura – ao momento e não há 50 anos, antes – e ao futuro que se nos vai sendo apontado, será de reconstruir valores – que não existem ou estão mancos – de família – sem qualquer necessária implicação religiosa – por forma a ser feita a ligação intergeracional com “ser e saber”, que está extraviada.

Nunca por obrigação, nem com tempos marcados, mas com possíveis – necessários – tempos presenciais, todas as gerações se devem querer primeiro, e ter de seguida, respeitando-se e apreendendo/aprendendo “isso” umas com as outras, com abertura a uma modernidade constante mas com outra forma de encarar os relacionamentos humanos, que faz a ponte ao passado, passa pelo presente e vai para o futuro. Com mais equilíbrios e muito mais humanismo.

A. Küttner de Magalhães

O racismo está à espreita!

Mais um caso a acrescer a dois tão recentes, ao do vice presidente do Senado italiano que comparou a um orangotango a ministra, preta, da Integração, e nos EUA um vigilante branco que matou um adolescente preto e foi ilibado por um júri constituído unicamente por brancos, agora um deputado de centro direita e presidente da Camara Cholet (oeste de França), incomodado com um protesto, talvez desadequado, de algumas dezenas de ciganos, disse e foi gravado por um jornalista: “Parece que Hitler não matou os suficientes”.

Supõe-se que o senhor vai ser alvo de um processo judicial, afastado do partido centrista e talvez proibido de exercer cargos políticos.

Ao que se sabe tem havido problemas em França – que não são de hoje, já vêm de Sarkozy, que só mudou de nome para Hollande, não de políticas consistentes – com acampamentos ciganos, e a extrema-direita francesa, activa uma campanha anti-cigano em força.

Como por certo a memória vai ficando propositadamente apagada, com esta espuma de não acontecimentos e não noticias com que nos bombardeiam, a todo o tempo, a História deixa de ter significado, e só é grave dado que mesmo em épocas diferentes os comportamentos humanos repetem-se. E só para lembrar quem se possa querer ter esquecido, Hitler matou entre 1938 e 1945, 6 milhões de judeus, matou, queimando-os e em simultâneo perto de 500 mil ciganos. Tudo a esquecer? Tudo a poder repetir-se?

Se de facto por vezes alguns grupos de ciganos tentam viver em guetos, o que por si pode criar graves problemas, tudo com e por todos, deve ser feito á a favor de integrar, integrar, juntar, e nunca o inverso. E muito menos excluir, insultando e até recordando tempos tão recentes que se pensava ninguém querer ver repetidos. Parecia não ser querer outro Hitler, na Europa a queimar milhões de Pessoas iguais ao próprio mandante da queima! Uma diferença para ele de raças!!!

E se em Itália a ministra da Integração é preta, é um bom sinal, mas se lá o vice presidente do Senado a compara a um orangotango – por ser preta – é dramático. Mas é Itália, dirão muitos, mas também é Franca, mas também nos EUA, e na Alemanha, há bastantes grupos neonazis.

Talvez esteja chegado o momento enquanto é tempo de se reaprender a História não apagando a Memória, de se ir criando com princípios, uma nova classe política, democrática, mas bem melhor do que a destas ultimas duas décadas, por todo o lado. E em simultâneo os jornalistas, deixarem-se do imediatismo, do que está a dar, da espuma dos acontecimentos e começarem a tratar destes “problemas” que podem ser tão sérios que para além de muitas vidas a assinar e muitas liberdades a acabar, desfaz-se a liberdade de imprensa! E aí já nada a fazer!

Augusto Küttner de Magalhães

Consensos e compromissos fora de questão

Quando se entra em pleno num tempo de desnorte como o que estamos a viver, torna-se evidente que não há como livremente fazer o inverso. Seria lutar- indefeso- contra tudo e todos! Arranjam-se sempre pretextos e desculpas para ser feito o que vem a fazer-se, mesmo que de forma “exemplarmente” selvagem.

Assim, o que está “a dar “é quanto mais balda, mais desorganização, mais desnorte a acumular ao existente, melhor.

E, já nem se torna uma opção voluntaria manter alguma cividade, bem pelo contrário, é um “ter que deixar-se ir na corrente”, para não ser achado um “monstro”!.

De facto, tudo proporciona a que não se tenha que ter coragem, força, vontade, energia de “construir!”, uma diferença consistente, sólida e positiva. Para quê? Com quem? Onde? Como? Quando?

Entra-se por uma imbecilidade arrogante e generalizada, que progressivamente vai destruindo qualquer “coisa” que ainda possa sobreviver com princípio, meio e fim. E respeitarmo-nos respeitando os outros, seria o que mais faltava. E já não é uma prerrogativa dos jovens, os velhos, para estarem e serem “fixes”, vão na maré!

E, daí a totalmente caírem em desuso palavras e implicitamente serem de facto totalmente abolidas dos dicionários, por caducas, tais como “por favor, obrigado, não tem de quê”, bem como alguns gestos comportamentais, como deixar passar idosos, senhoras ou crianças, cordialmente à nossa frente, é uma pressa, “já foi”! Era o que mais faltava, persistirem!

Quanto mais intenso for o nosso ego, quanto mais brutos formos – elas e eles – quanto mais berrarmos sem falarmos, melhor.

Tudo isto é a antecâmara que desmorona qualquer veleidade de saber assumir compromissos e consensos. Já nem é uma opção, é uma vergonha sequer pensar em consensos e compromissos. Quer por não estar na moda, quer por não haver como fazer os próprios, e os outros saberem assumir os ditos compromissos e consensos. O que hoje é prometido, amanhã com o mesmo à-vontade é desmentido.

Vai daí que vamos continuando a baixar o nível de relacionamentos inter-pessoais e comportamentais, para quanto pior, melhor.

 Sem consensos, sem compromissos, sem auto-estima, até tudo cair de podre. E aí, não havendo como mais baixar, depois de tudo devastado aprende-se e apreende-se dos escombros a lentamente começar a subir. E aí, com compromissos e consensos- obrigatórios e tão ansiados – para ter como sobreviver.

Talvez não valesse ter sempre que fazer todo o percurso descendente, para novamente ascender. Ou, talvez sim?

 A. Küttner de Magalhães

A Síria e a Ucrânia e o resto do Mundo

 

Será possível, tão facilmente, estar a ver ou ler sobre as atrocidades que se estão a passar entre humanos, quer na Síria, quer na Ucrânia, sem pensar que de facto o ser humano, com qualidades atribuídas por quem possa ter sido, muito superiores a outros animais, quando se trata de selvajaria os ultrapassa em grande?

Será possível com a maior naturalidade, alguém ver um telejornal que enche minutos atrás de minutos com estas barbaridades, praticadas ao vivo e a cores aqui tão perto, quase em directo e depois passar “na maior” a ver um qualquer entretimento -pouco cultural – que se lhe segue no mesmo local, como se tudo estivesse bem? Claro que tudo “isto” é possível. Claro que tudo isto acontece sequencialmente. Claro que eles lá a matarem-se, a passarem mal, a sofrer, a perder tudo, a começar pela família e a acabar na comida, e cá, apesar da crise – que tanto nos afecta e prejudica – ainda nos entretemos a olhá-los.

Será que a humanidade nunca mas vai aprender, relendo a história e apreendendo a memória, que não de uma ou de três semanas, mas “viajando” – por exemplo- ao século passado aqui na europa, onde tivemos duas guerras que se espalharam pelo mundo, a não repetir.

Claro que a Europa já deixou de ser a centralidade do que quer que seja, mas, é onde nós estamos. Claro que a indústria do armamento dá dinheiro a muitos, e em muito locais e muito. Claro que o egoísmo do bem-estar, faz esquecer a dor do mal-estar. Dos outros.

A Síria a Ucrânia são os exemplos ao momento, do que não queremos ver, mas vemos. E toda a Europa faz de conta, como continua a fazer com Lampeduza.

E sem querer encontrar soluções globais humanas, para evitar tamanhas atrocidades praticadas por cidadãos exactamete iguais a nós, querem – não só na Europa, até menos por falta de meios, hoje, nesta – todos, quando enriquecem, espremendo os pobres, quer quando matam os mais fracos, fazer igual ou pior.

E não havendo hipótese de sermos todos iguais, o que também seria uma grande maçada e uma pior monotonia, haveria que agarrarmos as diferenças com qualidade de vida, não igual mas nimiamente capaz, a todos e cada um.

Sem diferenças tão acentuadas entre pobres e ricos, e com algum humanismo. Mas vamos andando de mal a pior em todos os lados, consoante o dinheiro e os que por trás dele estão, o vão tendo, em cada momento. Que muda de mãos, e se olharmos momentos recente,s a Líbia, a Venezuela e não só já estiveram em alta, com  desumanos a governar, e tantos a bajular!

Augusto Küttner de Magalhães

Vamos sendo engolidos na selvajaria

A progressiva falta de civilidade e respeito entre nós, como cidadãos, aumenta a cada dia que passa. Passou a ser normal falar, sempre, aos berros em locais públicos, abertos ou fechados, incomodando tudo e todos. Como será em casa?

Passou a ser usual em qualquer lugar pegar no “indispensável” telemóvel e falar, falar, alto também, cruzando-se no mesmo tempo e espaço conversas, desde que a nossa seja a mais alta. Todos incomodando. Mas, qual o problema?

Passou a ser vulgar, já nem sequer deixar passar à frente uma senhora junto a uma porta – a igualdade confundindo-se com a identidade – como até, independentemente do sexo, largar ostensivamente a porta em cima de quem vem atrás, tal, como nem a um cão se faz. Seria o que mais faltava, estar a fazer de porteiro, estar a ser simpático, a segurar a porta. Já não se usa. Para, e por quê?

O “faz favor, obrigado, não têm de quê” talvez tenham sido “levados” com o acordo ortográfico, que até nem vai ser “acordado”, mas perdem-se estas palavras, e essencialmente, o seu conteúdo. Por que não?

Estas pequenas regras comportamentais em sociedade, talvez, de certeza, por se chamarem “regras” e poderem implicar alguma correcção de actuações comportamentais em sociedade, não servem. Não são para usar, são para deitar fora.

E, vamos gloriosamente progredindo na selvajaria, no vale tudo, no quanto pior, melhor. Por que não?

Quando tudo estiver sem conserto – já esteve mais longe -, quando batermos o mais baixo possível, voltaremos a pulso – já não nós, mas as gerações mais novas, e as vindouras – a fazer progressivamente o percurso ascendente, para se notar a diferença entre Pessoas e animais selvagens. Que está a ficar totalmente esbatida!

Tudo, apesar de em tempos diferentes, se repetir enquanto houver humanos, e não seria necessário se, se aprendesse com a história e a memória, não tendo que estar sempre a repetir exaustiva e permanentemente os mesmos erros.

A. Küttner de Magalhães

Identidade e pertenças

“Eu sou Charlie, judia, muçulmana, cristã, hindu…”, ouvimos, por estes dias, reclamando, simbolicamente, pertenças comuns. Percebemos bem o que está em causa, mas convém ter presente a complexidade do que significa partilhar valores e construir identidades.

Pode acontecer que, amanhã, tudo continue como até aqui, quem não cumprimentava o vizinho da frente ou fechava a porta à diferença, continue a fazer mesmo; e os que acreditavam na abertura e no diálogo entre as diferentes comunidades e culturas continuem a construir passagens e a promover encontros.

Somos quem? O que nos identifica como seres humanos? O que partilhamos com outras pessoas? O que preservamos em redutos privados, inacessíveis para os outros, mas decisivos para nós?

Somos seres humanos, livres e iguais. Temos uma identidade legal que nos confere direitos e deveres de cidadania, na sociedade a que pertencemos, mas que não esgota o que somos. Temos outras pertenças, de natureza cultural, religiosa, ideológica, profissional, desportiva…, com influência distinta naquilo que cada um é e escolhe ser, onde aspetos de sentimento e de emoção ganham relevo.

Pertenças que configuram uma identidade pessoal múltipla, umas vezes, em equilíbrio e harmonia, outras vezes, em desequilíbrio e desarmonia, podendo levar a relativismos ou a radicalismos vários, com desintegrações, desfiliações, novas filiações…Ou seja, parece existir, naquilo que somos, uma instabilidade permanente, entre o individuo e o cidadão, entre o espaço público e o privado, entre as diferentes escolhas de realização pessoal e as leis dos Estados.

Assim, o ponto não é saber como anular as tensões individuais e coletivas, elas são da ordem do facto; o ponto é saber como tornar possível a convivência, entre os indivíduos e os diferentes grupos de pertença, em sociedades organizadas, livres e democráticas, onde há valores que não podemos alienar. A questão continua a ser de abertura e diálogo, mas requer compromissos políticos sérios, a diferentes níveis e instâncias, para que todos se sintam parte e participantes.

Maria Rosa Afonso

A cada dia ficamos mais sem conserto

Começa a ser uma quase certeza que o nosso País, a cada dia que passa, fica mais sem conserto. E, já não chega uns quantos acharem que temos um “qualquer diabólico prazer” de sistematicamente de nós, dizer ma, e amesquinharmo-nos.

Se nos quisermos ir iludindo por mais algum tempo, podemos ver nuns “quaisquer acontecimentos”, uma espécie de potencial melhoria, porém o nosso quotidiano, indica-nos exactamete o contrário.

E, parece que o País só existe desde 2008, e, nada haveria de enaltecido em 800 e tal anos, antes!

Mas, se assim fossem, que não é, nestes últimos 3 anos de apertos consecutivos com a troika – mas sem troika ainda mais grave seria! – , estamos se não pior, na mesma que em 2011. Mas com a simples diferença que é, estarmos muito mais desesperançadas, muito mais desanimados, com muitas mais certezas das fortes incertezas que nos esperam.

Sendo evidente que, insistimos gloriosamente desde o pós-descobrimentos, nos mesmíssimos erros, crassos – de quando em vez somos ricos e gastamos à toa -, continuando colectivamente a fazer tudo por tudo para ocultarmos o passado, a história e a memória, parecendo que esta situação aconteceu, sabe-se lá porquê, mas claro, nunca culpa nossa, e unicamente no final da primeira década desde século XXI.

Se não quisermos recapitular a História, se insistirmos em só ter “a” memória televisiva” do que aconteceu ontem, vamos piorando mais e mais. Se continuarmos a repetir alegremente os erros consistentes, com centenas de anos, não tenhamos dúvidas que consequentemente vamos voltar a mais um grande trambolhão.

E, podemos arranjar culpados por todo o lado, desde a Europa aos EUA, passando pela Chima, se nos der jeito, enquanto não mudarmos à séria, cá dentro, todos, todos vamos colapsar de certeza.

Augusto Küttner

Necessidade de mais participação activa e efectiva

Estando todos certos de que as forças partidárias existentes, e as que se posicionam para aparecer, não conseguem aglutinar a sociedade civil, esta, tem que ser voluntariamente, mais participativa e activa.

Já chega de dizer mal dos partidos e movimentos e de tudo o que em torno dos mesmos acontece, e, ficar à espera que tudo mude por artes mágicas. Como é evidente, não vai mudar.

Em todo o País, mas essencialmente nos maiores centros urbanos, periodicamente são organizadas Conferencias – não por, e para partidos – sobre os mais diferenciados temas, que a todos nos interessam, e deveriam importar. Sendo que, não poucas vezes a assistência é escassa, e noutras se verifica uma repetição, por vezes exaustiva, de oradores. Mesmo que sem sombra de dúvida, de qualidade.

Como é evidente, se todos estivessem interessados em participar, em assistir e em vez disso ficarem em casa, por estar chuva, ou frio, ou calor, ou a ver “qualquer coisa” nas televisões, tudo deixaria de “fica na mesma”. E continua-se de tudo a dizer mal, mas a deixar que tudo na mesma continue!

Se não houver cada vez mais presença dos cidadãos em tudo o que lhes diz respeito, e tantas destas conferências e reuniões, são a custo zero ou a muito baixo custo, nada muda e fica na mão dos que achamos deverem que mudar.

Hoje, estagnar é ficar cada vez pior. Hoje, não se fazer estar presente em todos ou pelo menos em alguns destes eventos, e ficar-se pelas comodidade e até anonimato de redes sociais, e não poucas vezes de forma insultuosa, é não querer de facto e efectivamente participar na resolução do bem colectivo, na procura de um tempo melhor. Pelo menos não prespectivando, para ainda pior.

Cabe a todos estar no que lhes interessa presente sentir-se, ouvindo, sabendo, apreendendo propondo alterações, sugerindo novas vias fundamentadas para alterar o que todos sabemos, estar mal.

Claro que para sugerir, para participar, para mudar convirá para além de “estar” – sabendo estar, sem estar à conversa com no vizinho do lado ou a falar ao telemóvel – fazendo-o fundamentadamente, com bases minimamente credíveis, e não tendo que ter muitos títulos académicos ou outros antes do nome, mas sendo indispensável saber ouvir, saber ler, e querer ajudar educadamente a mudar, mudar. Enquanto é tempo!

A. Küttner de Magalhães

Está dado como adquirido que não há regras.

Por certo, ainda pela influência de demasiados anos de ditadura, acompanhada por uma forte predominância, por vezes “misturada”, da Igreja de Roma, foram-nos impostas demasiadas regras, excessivamente restritas, que deixarem, nessa medida, de existir – e ainda bem – em democracia.

Com um paradoxo, evidente, não querendo ter regras obrigatórias – excessivas! – , por nos terem à força sido impostas, entramos “numa” de ser anti-regras, que podia ser benéfica se não estivéssemos demasiados formatados para as ter. Foram várias gerações a quem a liberdade foi coartada, e a dependência à força de outros, era uma “imposição”.

E, por isso mesmo, hoje, em suposta democracia não conseguimos, e em sítio algum se consegue, viver sem regras. Com a agravante de nosso ADN haver marcas de ter que ter regras, não as querendo “ter”! Mas, como é de “bom tomo” rejeitar regras, mas como não sabemos em elas viver e não damos como fazer consensos – também é de bom tom – , que é palavra que queima. Anda tudo à balda!

E, o mais grave, é que os que sugerem “consensos”, no seu quotidiano são os que mais deles se afastam. E do lado oposto, a negação do consenso, é a única forma de se mostrar resistente, ao que quer que seja e sobretudo, mesmo que de forma espalhafatosa, achar estar do contra.

Claro que uma imposição exacerbada de regras, não deve ser permitida. Claro que seja quem possa ser, achar-se supremo ou com direitos de impor tudo o que lhe convém por lhe convir e dado cabo dos outros, é inadmissível.

Mas, não haver qualquer tipo de regras, como uns quantos defendem, é cair-se no vale tudo, até se necessário” tirar olhos, se quem os tirar poder ficar dono da visão de tudo e sobre todos”.

Assim, convirá democraticamente assumirmos que somos todos diferentes – o que é um facto -, mas que vivemos em espaços e tempos coincidentes. E para apaziguar diferenças sem as anular, e para haver hierarquias sem as quais a vida em sociedade não tem como ser vivida, tempos que viver com “algumas” regras.

E não vale a direita arvorar-se em dona da sabedoria das regras e a esquerda apostar que não têm que haver regras. Não! Haverá que haver consensos, haverá que haver regras, e terão que ser respeitadas.

E para não nos ficar tudo virado do avesso, vem sempre à ideia o trânsito a circulação civilizada – que não existe! – entre nós, os mesmos, quando somos peões e nós, os mesmos, quando somos automobilistas, e até aí estamos a querer tudo confundir, é de “bom tom”! Mas convirá que os automóveis continuem com regras a circular pelas ruas e os peões com regras pelos passeios e não o contrário, a não ser que estipulado, por novas regras!

Augusto Küttner de Magalhães

Jovens entre os 20 e os 35 anos vitimizam-se ou emigram.

Todos que tivemos – temos! – filhos ,hoje já crescidos, entre os 20 e os 37 anos – talvez ainda adolescentes – e, com a intenção de lhes proporcionar “tudo”, não os preparamos adequadamente, se algo visse a falhar. E falhou. Logo, falhámos, nós, por certo.

A ideia foi boa, mas demasiado inconsistente, dependente de um sem número de variáveis, totalmente fora do nosso alcance. Logo falharam, logo falhámos.

Assim, o percurso delineado, em ter várias comodidades desde o primeiro dia de vida, fazendo um percurso sem quaisquer dificuldades até ao fim da licenciatura, ter um excelente emprego e bem remunerado, um grande automóvel na garagem, um belíssimo apartamento, férias de primeira, ipads, telemóveis, e tudo mais que o dinheiro pode comprar, acabou.

Andávamos a viver numa bolha fictícia, materializada, que furou.

E, por culpa nossa, estes jovens adolescentes, dado que assim muitos continuam entre os 20 e os 37 anos, até pais e mães já o sendo, ou se vitimizam por “não poder ter tudo, como adquirido foi”, ou emigram em procura do que acham “lá fora” ser ainda alcançável.

Como nós, velhadas, já não podemos recuar no que fizemos – mal – assumindo bem, estar a fazer, talvez caiba a estes jovens a tentativa de forma civilizada, programada, realista, humilde, com pontualidade, mudar “cá dentro” o que não é possível “ter”, como se o unicamente “ter” fosse o objectivo de vida, apesar de pouco consequente. E abraçarem, cá dentro, desafios dignos de jovens que por certo aos 20 deveriam já não ter que ser adolescentes, muito menos aos 37.

Sendo que, ao fazerem tudo diferente, para melhor, num tempo em que deixem a vitimização – unicamente – para quando de facto houver para tal motivos, talvez consigam “cá dentro” arriscar e fazer o que “lá fora” os mesmos jovens “de lá, lá constroem”. Dando tudo por tudo, arregaçando as mangas, fazendo-se de facto à vida, sem esperar que tudo apareça feito.

Em simultâneo, mesmo relativamente a nós, velhadas, talvez antes de nos matarem uns atrás dos outros, em fila, talvez seja de nos tentarem considerar como ainda uteis. Na reconstrução de um tempo melhor, com mais ”ser”, com algum “ter” que a todos e dentro dos possíveis proporcione qualidade de vida, sem se armarem ao importante e com força também, no imaterial, na Família, no que a vida pode outorgar ,e se não está a aproveitar. Ou não!

A. Küttner de Magalhães

Será fácil entender que economia cresce se empresas crescerem.

Por certo, nem necessário será chegar a economista para entender que a Economia crescerá consistentemente, quando o que faz a economia crescer, de facto, cresça. Parece uma daquelas verdades iluminadas, mas é das verdadeiras. Ainda o 2 e 2, ser 4.

E, o aumento que vem sendo registado na nossa economia, ainda foi feito com a capacidade instalada, há 5 sanos atrás, até porque, mesmo que com bastantes dúvidas, fosse possível que desde 2008 até hoje, houvesse crescimento sustentando de algumas empresas, verificou-se um decréscimo acentuado de muitas outras.

Assim, por certo, para o nosso País começar de facto a crescer, para não nos andarmos sempre a iludir com o acessório em vez de com o essencial, seria de pelo menos quanto a um aspecto estarmos todos sintonizados. Precisamos de mais empresas, mais eficiência, melhor aproveitamento do que já temos, prémios por mérito e não por amiguismo.

Quando conseguirmos todos e cada um mudar, mas como é evidente, quem se acha com capacidade para ser governação e oposições, tem, por isso mesmo que muito mais mudar, vamos conseguir dar a volta, enquanto não o fizermos, vamos andar a entretermo-nos com mais do mesmo. E ainda é muito pouco, dado que se exagerou no corte da despesa pública, e paradoxalmente até se conseguiu fazer crescer a dívida pública. Podia ainda ser pior? Podia! Mas isto foi menos seguro, para tantos a achar que tanto fizeram!

Como é evidente, o Estado se existe, tem que cumprir algumas tarefas e para isso nos cobra impostos. E maioritariamente têm a Saúde, Educação e Assistência Social que ser da conta do Estado, bem como a Segurança Interna de Pessoas e bens, e alguma segurança externa, se bem que, esta, só incluída na Nato e na União Europeia. E claro, uma Justiça a sério.

E, projectos privados de Economia verdadeira, produtiva, com mérito pelo mérito, com aumentos reais efectivos, com produtividade. Com planeamento, com pontualidade, com qualidade, com muito maior capacidade instalada.

E sem ser para as clientelas do costume, devendo ser, única e exclusivamente, para quem demonstre seriamente competências, capacidades, vontades, esforço, podendo e devendo haver cruzamentos destas com detentores de capital. E todos, com direito a receber a sua merecida quota-parte.

E aqui os verdadeiros economistas a ajudar e dar o seu contributo. E muito menos conversa, muito menos comentadores que aparecem como cerejas por todo o lado a falar de tudo e de nada. Com mais programas televisivos culturais e menos fantasiados, com telejornais de 15 minutos, com formas e conteúdos a todos sabermos educada e comportadamente estar em sociedade e “puxar” pelo País, pela Economia, por tudo que é nosso, sendo todos parte das soluções e cada vez menos dos problemas.

Por certo assim faremos recuperar a sério este País. O resto é continuar a fazer de conta. E chega!

A. Küttner de Magalhães

Demasiado imediatismo é destruidor

De modo algum podemos ir a conduzir um automóvel e a olhar sempre para o retrovisor, uma vez que para além de se tornar muito perigoso, o caminho é para a frente, e unicamente a indicação pontual, deve vir de trás. No resto da vida que é muita mais que o automóvel – para alguns talvez não! – fazer isso é inconsequente, e um desnecessário saudosismo.

Mas, hoje, estamos a viver o “imediato”, o tal “um dia de cada vez”, um tempo demasiado mediatizado, um tempo sem balanceamento, sem equilíbrio, para uma suposta vivência não totalmente anormal.

Daí, a necessidade do sensacionalismo mediático e das redes sociais a ampliá-lo e de seguida a controlá-lo, que faz tudo girar em círculos imparáveis e quase roçando a inconsistência, a leveza de tudo e de todos.

De repente parece que “pensar fora da caixa”, fora do que é a notícia mais sensacionalista do dia, é de pessoas ultrapassadas, que não vivem no seu tempo, que não vão na “onda” – seja lá o que isto possa ser – que ficaram apalermados, parados no tempo.

Sendo que o imediatismo vigente, que embrulha todos ao mesmo pensamento, inconsequente e diário, formata, igualiza, faz com que estejamos todos a funcionar sem ideias – já nem falar nem idealismos. Como robôs programados, com um automatismo que cria uma massa amorfa e sem rumo. Se é para dizer mal todos dizem, se é para partir todos partem, se é para parar todos param. Pouco, talvez.

As não referências é o que “está a dar” e todos temos, têm, que seguir este vazio de conteúdo, sem amanhã, sem aprendizagem, sem interesse, dado se estar a moldar um tempo vazio de comportamentos e de princípios, indispensáveis para viver menos mal em sociedade.

Enquanto não quisermos desligar deste imediatismo que nos entra diariamente ouvidos e olhos adentro, com tudo pela espuma dos acontecimentos, na noticia que ontem foi, hoje é outra e amanhã nova será, tudo demasiado superficial, e se não acharmos valer “perder” algum do nosso tempo, a pensar, a aprender, a apreender, a ler história e memória, evidentemente não nos vamos endireitar – nada tendo a ver com políticas – e vamo-nos a cada dia mais afundando.

A evidência de cada dia vai-se tornado mais dolorosa que a vivência do anterior!

A. Küttner de Magalhães

Economia é tão necessária, mas num País reestruturado

Necessitamos de desenvolver a nossa Economia, de criar empregos, de fazer crescer o País. Precisamos de manter algumas funções essenciais do Estado no Estado, tais como a Assistência Social, a Educação e a Saúde. Precisamos que o Estado com responsabilidade “aguente” e bem, com os nossos impostos, a Segurança interna de Pessoas e bens, e uma verdadeira e funcional Justiça.

Precisamos que o Estado regulamente o que tem que ser melhor regulamentado e fiscalize o que tem que ser fiscalizado. Precisamos que os privados desenvolvam o que de privado deve ser. Mas com regras e não, necessariamente intromissões.

Precisamos de agilizar e não complicar, de desburocratizar. De fazer o que tem que ser feito no momento. Fazer muito e falar pouco. Mas, explicando bem e rápido o que é feito.

Precisamos de ter e desenvolver mais Cultura, para todos. A Cultura, tal como a Educação e a Instrução são-nos essenciais, e estão a ser por demasiado descuradas. Precisamos de viver com qualidade de vida sem ter que ser com grandezas de encher “as vistas” e de pouca utilidade, e essencialmente de nenhuma consistência.

Precisamos de Reformar todas as Instituições Públicas que ainda o não foram, ou se foram não foi da melhor forma.

Precisamos de retirar os eternamente instalados em determinados postos e não criar postos para outros instalar.

Precisamos de ser diferentes. Precisamos de ser melhor, nunca deixando de ser humanos, como não poucas vezes, vem a acontecer.

Precisamos de acabar com jardins e quintais em demasia, excessivamente fechados e por demais protegidos.

Precisamos de mais Educação que não só Instrução. De mais planeamento e programação. De total e exemplar pontualidade.

Para assim, conseguirmos ficar como merecemos, claro que, por “mérito” entre os melhores, para nosso bem- estar. Mas para isso precisamos todos de nos ajudarmos, como um todo, num tempo tão difícil como este em que estamos a viver, mas que só pela diferença entre diferentes que somos, la chegaremos.

Ainda iremos a tempo, se não ficarmos a fazer mais do mesmo.

A. Küttner de Magalhães

Se nem pais mandam, nem educadores, cumprem, é tudo à balda!

As crianças têm que, cada vez mais ter carinho, sendo desejadas, devem ter o espaço de amor que lhes é merecido. Porém, a educação, que mais que instrução, faz-se educando e também instruindo. E todos e cada um sejam mães/pães, educadores, professores e todos mais que com crianças possam lidar, devem passar vivências dignas de presente, com aprendizagens do passado e preparação para o futuro.

E, apesar de haver uma tendência cada vez mais em força de que as crianças não podem ter regras, nem disciplina, para não ficarem – tadinhas – traumatizadas, estamos, não de agora, mas quase há duas décadas, a lidar mal com o que deve ser lidado, bem.

As mães/pais se se demitirem de amar e educarem os seus filhos, pelo exemplo, pelos comportamentos, pelas regras impostas, e com carinho ,cada coisa a seu tempo, não só vão perder as crianças, como se arriscam a criar adolescentes, que aos 40 anos, ainda não chegaram a adultos. Sem traumatismos, claro.

Os educadores, se não criarem os seus espaços com disciplina, para poderem cabalmente exercer as suas funções, como é evidente, nas as cumprem.

E andamos todos num passa culpas que entrou em círculos e todos nos desresponsabilizamos das nossas obrigações, para ser fixe, para se estar na onda, porque é assim que está a dar.

E vemos em todo o lado, crianças, mais novas ou nem por isso, que não obedecem a quem quer que seja, porque lhes foi incutida a ideia que não têm que obedecer.

E como por azar vivemos em sociedade, e como por azar os espaços em que nos movimentamos não são infinitos, com cada um a só ser educado e preparado para pensar em si e só em si, estamos em plena selva.

Mas é fixe, todos em todo o lado a falarem aos berros. É fixe não haver respeito. É fixe gritar-se ao telemóvel como se estivéssemos sózinhos. É fixe fazer dos locais públicos, locais de continuação de comportamentos que nem em casa deveríamos ter, que não quereríamos que aplicar em casa. Mas aplicamos, por certo e mal! Ou pelo contrário, quanto pior, melhor!

E, nunca, ninguém tem “disto” culpa. São sempre os outros, nunca somos nós.

E convém repetir até à exaustação que tem que se ter muito cudado com as criancinhas, para as não traumatizar, para não lhes aplicar regras, para andar tudo de qualquer jeito e feitio. Assim é que é bom, assim é que criamos valores de futuro, vividos no presente e sem história, nem memória.

Talvez seja de todos e cada, um conseguirmos reflectir nesta situação. Talvez seja de todos e cada esforçarmo-nos por fazer, já, com que a educação e a instrução ocupem os seus espaços e ajudem-nos a (re)construir uma sociedade civilizada.

Talvez seja de pensarmos que se insistirmos nesta balda, nesta desordem, nessa selvageria, continuado todos e cada um demasiado vidrados em nós próprios, somos demasiados a fazer o mesmo erro. Talvez seja de querer tudo melhor ou então deixar andar, e começarmo-nos, quais canibais, a comermo-nos uns aos outros, mas é fixe! É moderno. Não traumatiza, mata!

Augusto Küttner

Economia é tão necessária, mas num País reestruturado

Necessitamos de desenvolver a nossa Economia, de criar empregos, de fazer crescer o País. Precisamos de manter algumas funções essenciais do Estado no Estado, tais como a Assistência Social, a Educação e a Saúde. Precisamos que o Estado com responsabilidade “aguente” e bem, com os nossos impostos, a Segurança interna de Pessoas e bens, e uma verdadeira e funcional Justiça.

Precisamos que o Estado regulamente o que tem que ser melhor regulamentado e fiscalize o que tem que ser fiscalizado. Precisamos que os privados desenvolvam o que de privado deve ser. Mas com regras e não, necessariamente intromissões.

Precisamos de agilizar e não complicar, de desburocratizar. De fazer o que tem que ser feito no momento. Fazer muito e falar pouco. Mas, explicando bem e rápido o que é feito.

Precisamos de ter e desenvolver mais Cultura, para todos. A Cultura, tal como a Educação e a Instrução são-nos essenciais, e estão a ser por demasiado descuradas. Precisamos de viver com qualidade de vida sem ter que ser com grandezas de encher “as vistas” e de pouca utilidade, e essencialmente de nenhuma consistência.

Precisamos de Reformar todas as Instituições Públicas que ainda o não foram, ou se foram não foi da melhor forma.

Precisamos de retirar os eternamente instalados em determinados postos e não criar postos para outros instalar.

Precisamos de ser diferentes. Precisamos de ser melhor, nunca deixando de ser humanos, como não poucas vezes, vem a acontecer.

Precisamos de acabar com jardins e quintais em demasia, excessivamente fechados e por demais protegidos.

Precisamos de mais Educação que não só Instrução. De mais planeamento e programação. De total e exemplar pontualidade.

Para assim, conseguirmos ficar como merecemos, claro que, por “mérito” entre os melhores, para nosso bem- estar. Mas para isso precisamos todos de nos ajudarmos, como um todo, num tempo tão difícil como este em que estamos a viver, mas que só pela diferença entre diferentes que somos, la chegaremos.

Ainda iremos a tempo, se não ficarmos a fazer mais do mesmo.

A. Küttner de Magalhães

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