Coerências


Charb : « Je préfère mourir debout que vivre à genoux»

E assim foi.

Resmas de comentadores e jornalistas a criticar jornalistas e comentadores por não saberem a matéria de facto do processo e divulgarem peças sem contraditório, sem que isso os impeça de se pronunciar exactamente sobre as mesmas peças e matérias que consideram não ser válidas.

Colocando um “alegadamente” antes de falar pode-se tudo.

O Monteiro do Expresso acha que isto já é demais…

(…)

Pois realmente parece uma chatice, esta de condenar uma antiga ministra socialista, da facção mais correcta, em pena de prisão efectiva. Os crimes que terá praticado são graves? Pois, mas mesmo assim é demais. Prisão efectiva? Isso é para os pés descalços, que agora são os pequenos traficantes de droga e coisas assim. Traficar com dinheiros públicos, com favores a amigos, isso nem parece crime.  Será?! Lá fora é, claro que é . E as penas são a doer. Mas aqui? Nesta terra de brandos costumes, condenar em prisão efectiva esta gente que ainda há pouco tempo convidávamos para almoçar nos pabes ou noutros sítios para nos darem notícias? Isto faz-se? Não se faz, é um exagero, claro que é.

Director escolar demite-se devido a instabilidade na colocação de professores

Em contrapartida, acredito que outros se estejam a sentir com perfil para ascender na cadeia alimentar.

MEC avança com bolsas de 1500 euros anuais para levar mil alunos para o interior do país

Secretário de Estado do Ensino Superior já assinou o despacho que aprova o programa +Superior. Já este domingo serão conhecidos os resultados do concurso nacional de acesso ao ensino superior.

Embora eles por vezes não entendam bem o que é “interior”.

Eu percebo o pluralismo de opiniões, mas… não escreveram um livro em conjunto? Afinal partilham visões diferentes da mesma realidade?

Ou, se calhar, cada um dispara conforme a situação, de acordo com o que acha fazer mais mossa no vosso ódio de estimação?

É que, para o caso do que fazem os professores nas escolas, cada tiro, cada melro. Nem me interessa quem tem razão… apenas assinalar a “coerência” do pensamento económico insurgente:

Miguel Botelho Moniz, 17 de Junho:

O principal problema na distribuição de alunos por turma não é o número absoluto em si, mas o facto de existir uma diferença tão grande no rácio entre professores “praticantes” e alunos versos professores totais e alunos. Isto é, o erário público paga a milhares de professores para não dar aulas, estando estes com horários zero, em funções administrativas ou sindicais.

Carlos Guimarães Pinto, 19 de Agosto:

2. “Portugal tem mais professores do que outros países, porque os professores em Portugal cumprem mais funções para além de ensinar”

Falso. Portugal é um dos países onde os professores passam uma maior parte do seu tempo a ensinar.

Já sei… as ideias “evoluem”… ou… queriam dizer ambos o mesmo, mas de formas diferentes.

Enfim… o costume.

Gosto em especial daquela em que os professores com horário-zero assumem funções sindicais aos milhares. Um muuuussssst ao nível de quem “não abdica de pensar” como faz o CGP (eu prometo que não faço mais chalaças com o nome… nem aprecio isso… mas como “vítima” habitual… desforro-me de quando em vez).

Ou não era bem isso que queria dizer, até porque a meio de Setembro do ano passado o MEC dizia que os horários-zero eram pouco acima dos 1200 e ainda iam diminuir.

Mas ninguém informou a tertúlia económica insurgente.

Mas é mesmo giro um a dizer que os professores dão imensas aulas, por isso é que os rácios não se explicam por terem outras funções e o outro a dizer que essas funções são aos milhares.

A realidade é plural.

É pós-moderna.

Estilhaça-se e fragmenta-se perante o pensamento em movimento.

devil

PG Pub15MAi14

Público, 15 de Maio de 2014

Não sei quanto tempo, caso a legislação eu ameaçam publicar para amordaçar as vozes críticas de “dentro” venha mesmo a ser colocada em prática, poderei continuar a dizer publicamente aquilo que penso e em que acredito.

Pelo que vou aproveitando.

Se não tenho uma visão conspirativa global da maioria das pessoas que trabalham na comunicação social (pelo menos, das que conheço), tenho uma visão muito negativa dos herdeiros do Relvas que continuam a desgovernar-nos às claras ou nas sombras.

São muito liberais e adoram a liberdade, desde que ela não se vire contra eles. E isso é tão mais verdade quão maior é a incompetência e a falta de carácter.

A claustrofobia democrática está de boa saúde, mas não se recomenda.

 

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