Civismo


… que é, de longe, um dos mais lúcidos analistas da realidade nacional.

Eu acrescentaria, com cinismo, que muito deste activismo se desmobiliza com uma distribuição criteriosa de convites e apoios à investigação, cá ou lá fora.

Nada que um grupo de trabalho do Relvas não resolva com os recursos do Estado Magro ou com uns telefonemas.

O problema de certas contestações cosmopolitas é que se esgotam rapidamente no happening, na formação de um grupo orgânico para ser recebido pelas instâncias, para prestar declarações às câmaras de televisão e esfumar-se quando não são olhadas.

Há quem vá ao engano, engrossando as fileiras, mas a vanguarda é igual à de outrora. Basta olhar para os grandes contestatários dos anos 60. É tudo de deputado, catedrático ou sócio maioritário de escritório de advogados com muitos ajustes directos para cima.

Não precisavam ser contestatários permanentes, bastava não terem criado uma oligarquia dominante similar à anterior, com abertura apenas para os arrivistas e ambiciosos úteis que, por seu turno, recriam um novo establishment.

Se isto é um desânimo de rendição, uma declaração de desconfiança em relação a qualquer luta ou contestação de massas?

Talvez sim, talvez não. Apenas a expectativa de não ser, sucessivamente, surpreendido pela negativa pelos actores.

“Geração à rasca acabou na Betesga”

O professor de Ciência Política considera que o movimento “Geração à Rasca” “encheu a Avenida da Liberdade, desaguou no Rossio”, mas perdeu força e “acabou na Betesga”. Foi, ainda assim, um dos factos do ano, considera.

Afixe!

… que o resto é só conversa.

Civic knowledge of Finnish young people at top level

International study of 38 countries

Young people have little interest in politics and societal issues

The civic knowledge of Finnish and Danish young people is at top level. The civic knowledge of young people has decreased in many countries during the last ten years, but Finland is an exception. Young people in Finland are not interested in politics or societal issues but they trust in society’s institutions.

These results were found in the International Civic and Citizenship Education Study, ICCS, conducted in Finland as collaboration between the Finnish Institute for Educational Research at the University of Jyväskylä and Ministry of Education and Culture. The international and Finnish preliminary results were published today. 3307 8th graders from 176 schools and 2295 teachers took part in the study in Finland in the spring of 2009. Information was also gathered from school principals.

– Finnish PISA success is now followed by success in the area of civic knowledge, says director of the study, Professor Pekka Kupari.

– Civic issues are discussed within all school subjects in Finland, but they are most closely tied to history, social studies, geography, religion, philosophy, home economics and health education, adds researcher Annikka Suoninen.

Civic knowledge of Finnish youth internationally at top level

Students on the 8th grade of Finnish comprehensive school received the top score (576 points) in the study of 38 countries. Finland shared the number one spot with Denmark. Korea (565 points) and Taiwan (559) were the other two countries in the top four. Sweden and Norway also scored well above the international average of 500 points.

Consultando o site oficial do estudo o que se percebe: Portugal não é um dos participantes, assim evitando…

B+ for behaviour as teachers march on Westminster

Bedraggled by the rain, an estimated 10,000 striking teachers marched on Westminster in sensible footwear yesterday.
They chanted and blew whistles, before singing along with gusto to Billy Bragg, the lefty protest singer, who provided the entertainment.
The atmosphere was closer to a music festival than an unruly school trip, with one duty policeman heard telling a teacher: “Obviously this is what we’d be doing too if we had the chance”.
The crowd – well-behaved, if a little boisterous – made its way down through Trafalgar Square, down Whitehall and broke out in boos and jeers as it passed Downing Street
.

E foram apenas 10.000.

Ignoro o que a Senhora Ministra da Educação pensa e sente sobre o 25 de Abril. Nem isso importa nem me interessa.

Mas não posso deixar passar sem reparo o que hoje, dia 25 de Abril, vimos na Assembleia da República, supostamente a casa da Democracia cuja respeitabilidade já conheceu dias melhores. Isto já me importa e muito me interessa.

Quase sempre que o realizador mostrava imagens televisivas da bancada do Governo, lá estava a senhora Maria de Lurdes Rodrigues a falar com o parceiro do lado…

A princípio achei compreensível, quando discursavam os representantes dos mais pequenos partidos com representação parlamentar. Condizia com o desrespeito que este Governo autocrático parece nutrir pelos outros partidos políticos. Mostravam a bancada do Governo e lá estava a senhora Maria de Lurdes Rodrigues a falar com o parceiro do lado…

Quando discursou Sua Excelência O Presidente da República, passou-se a mesma indecência. Mostravam a bancada do Governo e lá estava a senhora Maria de Lurdes Rodrigues a falar com o parceiro do lado… Aqui achei demais, ainda mais intolerável. Qualquer Presidente da República mereceria o silêncio dos que assistiam ao discurso. E tratando-se de uma personalidade que tem cooperado tão “estrategicamente” com este Governo e com este Ministério da Educação, promulgando todos os seus escandalosos e ruinosos actos normativos, mais se impunha o respeito da Ministra. Mas não! Mostravam a bancada do Governo e lá estava a senhora Maria de Lurdes Rodrigues a falar com o parceiro do lado…

Não estranhem, pois, os professores que nas suas aulas os alunos falem com os parceiros do lado.
O exemplo vem de cima, da própria Ministra da Educação.

(Assinado) Um Professorzeco que não quer ser incomodado pelo bando de ditadorzecos que nos governam.

A assembleia de escola tinha uma maioria de 50 por cento, à partida, de professores e não docentes. Por isso, para os pais e os autarcas tanto valia ir como não ir. (Albino Almeida, Público, 7 de Março de 2008, p. 10)

Toda a entrevista suscitaria uma leitura que uma sexta-feira plena de trabalho não permite neste momento.

Mas fico desde já a saber duas coisas:

  • 50% fazem uma maioria;
  • Quando não se está em maioria não vale a pena participar.

Se alguma coisa faltasse para demonstrar que há concepções de participação cívica diametralmente opostas às minhas, estas declarações são bem elucidativas. Pelos vistos a aposta é que, estando em minoria, os professores não apareçam no futuro Conselho Geral.

De qualquer modo, apesar da maioria de 50% poderia ser que alguns professores fossem susceptíveis ao encanto de caravelas douradas.