Citações


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Diane Ravitch, The Death and Life of the Great American School System, pp. 1-2.

Pois… o problema é quando se passa da teoria para a prática e se percebem as consequências concretas do que se defendeu sem ter em atenção a realidade.

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Paul Auster, Relatório do Interior, p. 44.

Dizem que quem não sente ou é filho de má gente ou tem a consciência dormente.

🙂

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(…)

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Peter Oborne, The Triumph of the Political Class, pp. 176, 178.

 

David Byrne, no Actual de hoje sobre a malta que fotografa os concertos em vez de os ouvir e (vi)ver.

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Já tenho o Expresso e vou manter o prometido de não promover o MST à custa dos profes, mas não posso deixar de fazer o fact-checking que a imprensa nacional não pode fazer decido à crise. E porque sei que as pedradas numéricas de MST raramente são rigorosas quando se trata de professores (não esqueçamos aquela da remuneração pela classificação dos exames).

Desta vez trata-se de uma citação indirecta de Vasco Teixeira, o presidente da Porto Editora:

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MST refere-se a uma longa entrevista, publicada na Notícias Magazine de 16 de Junho de 2013, na qual o que é afirmado é o seguinte, na página 46.

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Vamos esquecer que Vasco Teixeira apresenta números ligeiramente diferentes, divergências de pormenor que não percebo se é incompetência, desleixo ou estratagema do cronista para centrar as críticas no acessório. Quanto à incompetência ou desleixo, cumpriria ao seu empregador preocupar-se com a falta de credibilidade do seu cronista doirado, sendo aconselhável arranjar alguém para evitar este tipo de imprecisões perfeitamente escusadas.

Concentremo-nos em outros factos, hard facts, indesmentíveis, que MST deturpa, distorce ou, pura e simplesmente, acha de escasso interesse citar com rigor

  • Vasco Teixeira fala num intervalo de tempo de quase 30 anos (1984-2013) para a redução do número de alunos e não de 10.
  • Vasco Teixeira refere fala apenas no número de alunos no 1º ano e não no “mercado nas escolas” que se reduziu na base, mas prolongo desde 1984 com o aumento da escolaridade obrigatória para 9 e 12 anos.
  • Vasco Teixeira não atribui a redução do mercado editorial nas escolas apenas à redução de alunos mas também à questão do reaproveitamento dos manuais escolares.

São três coisas em que MST deturpa, distorce ou omite o que o seu citado efectivamente afirmou.

Como é habitual, por mais que se demonstre a verdade, MST ignorará, não se corrigirá ou se o fizer acompanhará essa correcção com meia dúzia de parágrafos avinagrados.

Como é habitual, a direcção do Expresso fechará os olhos a isto e a administração encolherá os ombros.

Como é habitual, há quem seja muito bem pago para escrever diatribes pessoais, disfarçadas de análise com factos truncados.

Como é habitual, a culpa será da corporação dos professores, esses malvados, que gostam de algum rigor.

O trauma é muito grande. As comparações são do mais disparatado que se pode arranjar.

Não contesto que as greves, por natureza, causem incómodos a outrem—ou não fariam sentido. Mas há limites para tudo. Limites de brio profissional: um cirurgião não resolve entrar em grave quando recebe um doente já anestesiado pronto para a operação; um controlador aéreo não entra em greve quando tem um avião a fazer-se à pista; um bombeiro não entra em greve quando há um incêndio para apagar. Eu sei que isto que agora escrevo vai circular nos blogues dos professores, vai ser adulterado, deturpado, montado conforme dê mais jeito: já o fizeram no passado, inventando coisas que eu nunca disse, e só custa da primeira vez. Paciência, é isto que eu penso: esta greve dos professores aos exames, por muitas razões que possam ter, é inadmissível. (Expresso, 15 de Junho de 2013, p. 07)

Não foi uma ou duas vezes que MST adulterou factos sobre a situação profissional dos professores. nesta mesma crónica faz isso, imputando baixas psicológicas a professores a quem não apetece dar aulas. Em tempos adulterou a remuneração pela correcção de exames mas não achou por bem desculpar-se, apenas lançando uns remoques.

MST não gosta de professores, em especial os que sejam como ele gosta de se apresentar, aguerridos e independentes.  Dos professores ele gosta se forem de tipo missionário, cordatos, amochadinhos… no fundo, entre ele o Passos Coelho as diferenças são nulas, como entre ele e os capatazes (e candidatos a) dos interesses privados neste sector.

Uma última coisa: neste blogue não precisa de se adulterar qualquer prosa de MST porque ela se avilta a si mesma sempre que desrespeita os professores, generalizando palhaçadas.

 

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P. 277.

Convém esclarecer alguns equívocos. Em primeiro lugar, não há uma relação necessária entre melhores políticos e melhores salários. Parece incrível mas é verdade. A prova está na decadência do nível intelectual e profissional dos dirigentes portugueses em geral. Quem se recordar da Assembleia Constituinte, onde um deputado mal ganhava para comer, não pode ter condescendência com a Assembleia da República, onde o número de burros, íguaros [sic, deveria querer dizer “ígnaros”] e safados aumenta de forma muito esquisita de legislatura para legislatura. Em segundo lugar, também não há uma relação necessária entre políticos mais bem pagos e políticos mais sérios. O facto só é ilógico à primeira vista. Falamos de quantidades no primeiro caso e de qualidades no segundo. Em tese, um pobre pode ser definitivamente honesto e um rico pode ser irreparadamente corrupto. (…) Basta olhar para os governos. Não é certo, antes pelo contrário, que a corrupção tenha diminuído à medida que os salários ministeriais subiram; é mesmo possível que a grande corrupção tenha aumentado.

4 de Maio de 1990

Bons velhos tempos em que os princípios davam certezas e não era preciso ajoelhar a quem já se chamou pior do que maometano ao toucinho.

Na terça-feira, Cavaco Silva cedeu a uma tentação trágica. A entrevista que deu à Primeira Página da RTP foi certamente uma das maiores vergonhas do jornalismo português. É indiferente saber se os assessores do Primeiro-Ministro deram ordens directas ou indirectas aos entrevistado[re]s. Vamos ser ingénuos e admitir que não deram. Então tem de haver uma explicação para o facto dos jornalistas se prestarem àquele papel de estúpidos e ignorantes, indigentes e incompetentes, cabotinos e sabujos. A explicação ainda é pior do que o zelo dos assessores. Se os jornalistas da televisão são mais cavaquistas do que Cavaco, e são a tal ponto que negam o profissionalismo, é porque não sentem a liberdade de dizer não e pensam que só fazem carreira quando obedecem e vergam. Em suma, é a própria ordem laranja que os torna escravos mentais do poder instituído.

(…)

O País inteiro viu esses jornalistas seguirem o princípio do preconceito, pois cada crítica que se atreviam a murmurar não era do senso comum nem da inteligência, era sempre «o que diz a oposição». O país inteiro viu esses jornalistas dar a deixa, limitando-se a ordenar perguntas mecânicas e inofensivas para Sua Excelência dizer do seu alto pensamento só sobre o que lhe convém pensar, como estradas, empregos, drogas, abonos, até, imagine-se a independência da televisão. O país inteiro viu esses jornalistas com a lei da rolha, arrumando em meio minuto, questões interessantes como as listas sociais-democratas, os lobbys dos senhores barões, a estratégia de coligações e até o famoso caos de que simplesmente se esqueceram. O país inteiro viu esses jornalistas sistematicamente incapazes da réplica, permitindo ao primeiro-ministro dar lições parvas sobre impostos, citar nomeações de técnicos especializados socialistas e centristas e dizer que sempre defendeu dois canais públicos, quando o país talvez preferisse ouvir o primeiro-ministro explicar o terrorismo fiscal que pratica, os militantes laranja que nomeia para todo o lado e a promessa à Igreja que fixou por cumprir. O país inteiro viu esses jornalistas apavorados, cheios de salamaleques cada vez que tinham de fazer de conta que estavam a fazer perguntas difíceis.

Ahhh… o regresso a 7 de Junho de 1991… a esse tempo quase perdido em que havia gente com convicções a criticar o jornalismo subserviente, medroso e vulnerável a pressões e a notícias plantadas.

Na altura “esses jornalistas” eram… Artur Albarran (jornalista?) e Judite de Sousa.

O escriba era… 🙂

Corria o ano da graça de 1991, dia 1 de Novembro, o dos defuntos:

Ser ministro (…) significa, em primeiro lugar, aceitar humilhações formais. Compreende-se o gozo que ele tem em não lhes dar satisfações, como se imagina o prazer que dá recriminá-los. Um ministro em funções arrisca-se a saber pelos famosos jornais que já não é ministro. Os pobres passam longas semanas à espera de um sinal, mas o telefone não toca. Quando toca, e de véspera são chamados ao exame oral, sabem ainda menos da sua própria vida. Lá vão e não convém que hesitem.

(…)

Ser ministro (…) implica uma espécie de suplício do silêncio. A coisa passa-se assim: o bom ministro é o ministro que reserva todo o seu brilho para consumo privado do primeiro-ministro. Não convém que pense alto por duas simples razões.Uma é de regra geral: quem pensa, normalmente, duvida. E de vez em quando, diverge. Duvidas e divergir são duas actividades oficialmente proibidas aos ministros. Não há, no governo, aquilo a que a ciência chamam arbitragem de conflitos – a única administração é a do silêncio. A outra razão é que ministro ou candidato a ministro que pense ou fale demais em público, candidata-se ao castigo, não se candidata ao prémio. À partida, devem estar preparados para entregar ao primeiro-ministro todos os louros do que fazem de bom. entende-se. >E devem preparar-ase para arcar com todas as desgraças que executem de mau. entende-se menos. (…) Ministro ou candidato a ministro que muito brilhe, muito espera. Não sobe, na melhor hipótese, mantém-se.

É espantoso como tanto desaprende quem tão bem ensinou.

Enviada pela Elsa Dourado, “para reflectirmos em conjunto e, por favor, façam chegar aos nossos governantes”:

A economia ocupa-se da produção e distribuição de bens e serviços. Note-se que o economista em acção pode simplesmente tomar como garantida a intencionalidade. Pressupõe que os empresários tentam fazer dinheiro e que os consumidores preferirão sai-se melhor do que pior. E as «leis da economia», em seguida, referem resultados ou consequências sistemáticas de tais suposições. Dadas certas suposições, o economista pode deduzir que empresários sensatos venderão onde o seu custo marginal igual o rendimento marginal. Observe-se agora que a lei não prediz que o homem de negócios faça a si mesmo esta pergunta: «Irei eu vender onde o custo marginal iguala o rendimento marginal?» Não, a lei não refere o conteúdo da intencionalidade individual. Elabora antes consequências de tal intencionalidade. A teoria da forma em microeconomia elabora consequências de certos pressupostos acerca dos desejos e possibilidades dos consumidores e empresas empenhadas na compra, produção e venda. A macroeconomia elabora as consequências de tais pressupostos para nações e sociedades inteiras. Mas o economista não tem que preocupar-se com questões como esta: «Que é o dinheiro realmente?» ou «O que é realmente um desejo?» Se for muito sofisticado na economia do bem-estar, poderá preocupar-se com o carácter exacto dos desejos dos empresários e consumidores. Mas, mesmo num caso assim, a parte sistemática da sua disciplina consiste em elaborar as consequências dos factos a propósito da intencionalidade.
Visto que a economia se funda, não em factos sistemáticos acerca das propriedades físicas, como a estrutura molecular, mas antes em factos relacionados com a intencionalidade humana, com desejos, práticas, estados de tecnologia e estados de conhecimento, segue-se que a economia não pode imunizar-se à história ou ao contexto. A economia, enquanto ciência, pressupõe certos factos históricos acerca das pessoas e das sociedades que em si mesmas não são parte da economia. E quando estes factos mudam, a economia deve também mudar.”
Jonh Searle, 1984

On average, in participating EU-27 countries, approximately 33 % of 15-year old students were enrolled in schools whose school heads said that they often take lessons for teachers who are unexpectedly absent. This happened very rarely in Belgium, Lithuania and Portugal. However, more than half of 15-year old students attended schools were school heads often took lessons for absentteachers in Greece, Spain and Austria. (Keu Data on Teachers and School Leadders in Europe, 2013 Edition, p, 122).

E o estudo é com dados da altura em que ainda havia aulas de substituição….

Numa sociedade livre a discussão sobre as grandes narrativas nunca terminava. Era a discussão em si que importava. A discussão era a liberdade. Numa sociedade fechada, porém, os que detinham poder político ou ideológico tentavam invariavelmente calar esses debates. Nós vamos contar-vos a história, diziam eles, e nós dizemos o que ela significa. Nós vos diremos como a história deve ser contada e proibimos-vos de a contardes de qualquer outra maneira. Se não gostardes da maneira como nós contamos a história sois inimigos do Estado ou traidores à fé. Não tendes direitos. Ai de vós! Iremos atrás de vós e ensinar-vos-emos o significado da vossa recusa.

Salman Rushdie, Joseph Anton, p. 420.

Stepane Arcadievitch não escolhia as suas maneiras de pensar, como não escolhia as formas dos seus chapéus ou das suas sobrecasacas: adoptava-as porque eram as de toda a gente. Como vivia numa sociedade em que uma certa actividade intelectual era considerada como apanágio da idade madura, as opiniões eram-lhe tão necessárias como os chapéus. Ao conservatismo professado por muitas pessoas da sua esfera preferia, a falar verdade, o liberalismo, não porque achasse esta tendência mais sensata, mas muito simplesmente porque ela quadrava melhor com o seu género de vida. O partido liberal afirmava que tudo corria mal na Rússia, e era esse, com efeito, o caso de Stepane Arcadievitch, que tinha muitas dívidas e poucos recursos.

Leão Tolstoi, Anna Karenine (a edição do C. Leitores dos primeiros tempos dos anos 70), p. 14.

Qualquer semelhança com o nosso primeiro não é total descoincidência.

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De [Portugal] chega-nos uma notícia assustadora; [Lisboa] está cercada. Dizem-nos que os seus cidadãos, que haviam pago um resgate, entregando tudo o que tinham de ouro e prata, foram novamente atacados e depois de perderem seus bens, perderam também a vida. (…)
A cidade que havia conquistado o mundo foi ela mesma conquistada. Ou, para dizer melhor, morreu de fome, antes de ser destruída. Quase não sobrou ninguém para ser escravizado. Na sua fome desesperada, os romanos comiam coisas horríveis. E até carne humana.

Cartas

Ainda com grande sucesso entre certos círculos de alguma pedagogice teórica, com chancela BSS.

Trata-se da páginas 23 a 25 da obra Nova Teoria Curricular de João Paraskeva (Edições Pedago, 2011), um autor que eleva o emaranhado discursivo a todo um novo nível de desnecessária complexidade, fazendo certamente empalidecer de inveja aqueles que cita (desculpem lá, mas foi foto que não me apeteceu digitalizar a preceito):

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Quanto mais os políticos se explicam e exibem na televisão, mais toda a gente se está marimbando, quanto mais comunicados os sindicatos distribuem, menos lidos são, quanto mais os professores se esforçam por fazer com que os alunos leiam, mais estes deixam de lado os livros. Indiferença por saturação, informação e isolamento. Agendes directos da indiferença, compreende-se porque é que o sistema reproduz numa escala alargada os aparelhos de sentido e de responsabilização cuja tarefa consiste em produzir um empenhamento vazio: pensem o que quiserem da televisão, mas tenham-ma ligada; voltem em nós; paguem as quotas; cumpram a palavra de ordem da greve; partidos e sindicatos não exigem mais do que esta «responsabilidade» indiferente. (Gilles Lipovetsky, A Era do Vazio, 1988, p. 42)

Para ser preciso, a palavra «abuso» designa, pelo menos, uma das seguintes características:
(…)
4. Manipular frases desprovidas de qualquer sentido e dedicar-se a jogos de linguagem. Trata-se de uma verdadeira intoxicação de palavras associada a uma indiferença alucinante pelo seu significado. (Alan Sokal e Jean Bricmont, Imposturas Intelectuais, 1999, pp. 20-21)

In the short term lying is of immense help to the politician who lies. It Stops his being exposed in scandal, averts a public row, secures good newspaper coverage. But the dangers are overwhelming. The habit of lying becomes compulsive. Having got away with a lie once, he tends to think that he can do it again. One lie often tendas to generate another. The knowledge that he has lied puts him on his guard, makes him suspicious of the electorate. (Peter Oborne, The Rise of Political Lying, 2005, p. 225)

  • 6 de Novembro de 2010:

Passos Coelho quer responsabilização civil e criminal por maus resultados da economia

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