Chantagistas?


Sei lá, criar uma lista negra das dívidas do estado. E ter mecanismos para as executar.

Em período de férias numa qualquer região do país falava com um amigo meu (não frequentador do blogue) sobre a imprensa regional e as suas tendências.

Dizia-me ele que era toda controlada por dois partidos, ao que eu anotei uma excepção. A resposta dele foi algo notável: aquele tal jornal era aparentemente independente porque andava em busca de eventuais podres na vida pessoal e profissional de quem tinha responsabilidades executivas por aquelas paragens e, usando discretamente alusões a esses factos, conseguia favores e privilégios especiais como publicidade, acesso a informação privilegiada, etc, etc, contribuindo em troca com o apoio a essas personalidades a partir daí. E faz(ia) isso com vultos dos dois partidos dominantes a nível local e regional.

Este tipo de estratégia, entre a intimidação e a chantagem não são estranhos a alguns recantos da blogosfera, sempre que falha a outra aproximação mais suave, do estabelecimento de laços pessoais e quiçá mesmo de uma certa persuasão.

Em especial este ano lectivo, mas com raízes mais antigas, fui objecto deste tipo de abordagens, só que no meu caso anónimas e sem pedido de impossíveis contrapartidas financeiras, mas sim a tentativa do silêncio sobre certos temas, pelo menos com duas ou três origens. Em alguns casos a opção foi a mais trauliteira (olha que sabemos por onde andas e como te encontrar…), em outros foi mais melíflua (olha que foste visto aqui e ali, com este ou aquela, olha que é simples pormos um boato a circular, olha que te arriscas a ficar muito mal visto, eu se fosse a ti tinha cuidadinho com o que escreves…).Isto tudo à mistura com o vasculhar de informação sobre a minha vida profissional e pessoal.

O problema é que há pouco por onde pegar e mesmo se houvesse algo, não me parece que eu me fosse encolher por causa disso. Se não fiz, não há problema. Se fiz, então está feito, nada a obstar.

Daí uma certa tranquilidade na abordagem ao que foram objectivamente indícios de chantagem. Repito: sem uma origem única. Que se foram sucedendo. Por exemplo, em Novembro de 2009 e mais recentemente quase a acabar o ano lectivo. Daí, em alguns momentos, o desejo de soltar a franga. E não é que, sempre que o fazia, as coisas acalmavam como por milagre?

Porque há uma coisa comum à generalidade dos candidatos a chantagistas: são cobardes. Falam pelas costas, puxam pessoas de lado para dizer ah, sabes, ele afinal isto e aquilo. E fizeram-no em algumas escolas, que houve quem me contasse que havia quem, como quem não quer a coisa, insinuasse malfeitorias por divulgar sobre o meu passado profissional.

O que me custou em alguns casos? Que nas raras vezes em que falei disso, houvesse quem dissesse, pois meteste-te nessas coisas, agora aguenta-te, são os ossos do ofício, quase como se a culpa fosse minha. Que são os ossos do ofício, eu sei, e por isso mesmo raramente me estendi em conversas a este respeito, porque parecia que me queria vitimizar e tal.

Só que chateia, ora bem que chateia. E dói mais a incompreensão do que a agressão.

Com a agressão aguento-me eu bem, porque este tipo de vermes que rastejam na sombra, a menos que sejam obrigados a vir para a luz, recolhem-se quando enfrentados sem receio. Ou então aparecem muito, mas acobertados por uma série de filtros como se vivessem ainda no tempo do velho senhor e não fossem eles os herdeiros de uma mentalidade totalitária, desta ou daquela cor.

E, por enquanto, por aqui me fico, que vem aí um novo ano lectivo que é preciso ir já preparando e se há quem possa encarar as coisas com despreocupação, em virtude de terem quotidianos facilitados, eu tenho mesmo de trabalhar.

Ministério da Educação admite retirar propostas caso sindicatos mantenham protestos

Mas então as propostas são boas ou são apenas uma forma de comprar a paz social de que Sócrates ainda há não muito tempo afirmava não necessitar?

Para além de que uma das propostas (fim do efeito das bonificações para efeitos de concurso) só teria consequências práticas em 2013 e a outra (mobilidade dos titulares, mas sem acréscimo dos quadros) implicaria o reconhecimento implícito da divisão da carreira.

Se a primeira proposta significa a queda de mais um dos elementos fundamentais da retórica ministerial, embora o mais certo é nunca ser colocada em prática, a segunda não tem significado relevante para a enorme maioria dos docentes.

Proteste-se, então!

pb151051

Foto de RendadeBilros, notando-se como este escriba aqui ainda tentou proteger a sua identidade…

Não tenho razões para duvidar deste mail que acabei de receber. Apenas acho interessante que certas e determinadas personalidades andem dos dois lados do muro do PS, tão socretinos e ao mesmo tempo espreitando o alegrismo. É a vidinha, a vidinha…

Informação de última hora.
A DREN convocou para uma reunião amanhã os PCE das escolas cujos professores apresentaram moções de suspensão da avaliação. Não foram convocados todos os PCE da região. Foram seleccionados apenas alguns, estrategicamente aqueles que apresentaram moções. Sei de fonte segura que os PCE serão PRESSIONADOS para prosseguir com a avaliação e aulas assistidas. A esta pressão sobre os PCE seguir-se-ão pressões sobre os professores que assinaram as moções. Terão que autorizar a observação de aulas ou assinar um documento onde se responsabilizam pelas sanções que poderão decorrer da posição assumida de não quererem ser avaliados pelo sistema em vigor. O que se pode chamar a isto? Quem são os chantagistas em Portugal e no sistema educativo Português?
(Agradeço que, por favor, mantenha o meu anonimato, pois as informações que me foram dadas pelo meu PCE obrigam-me a proteger também a identidade dele. Mostrou-se visivelmente perturbado com tudo isto.)