Cegueira


 

Queriam já hoje? Garganeiros!

 

 

Peneirar O Vazio.

… para o blogue do Parlamento Global (já está):

Um Discurso Indigno de um PM

Entre as 18.30 e as 18.50 de hoje, dia 7 de Abril de 2013, assistimos a um espectáculo que, de forma contida, só consigo classificar como vergonhoso.

Porque um PM que tem um ministro das Finanças incapaz de elaborar um orçamento de acordo com as leis do país e que errou previsões sobre previsões, que perdeu o seu braço direito na sequência de uma vulgar aldrabice académica que considerou um não-assunto, demonstrou três coisas absolutamente impensáveis em alguém que quer governar um país com um mínimo de dignidade:

  • Uma completa incapacidade para lidar com as regras de um Estado de Direito com destaque para a separação de poderes, só lhe faltando evocar a imagem das “forças de bloqueio” criada por um outro PM com os mesmos problemas. A forma como atacou de modo desabrido o Tribunal Constitucional seria impensável em qualquer outro país com um mínimo de tradição democrática.
  • Um espírito vingativo sobre os funcionários do próprio Estado, em particular, considerando-os mera “despesa” e não um activo do país e sobre os portugueses, em geral, ao ameaça-los com a privação de serviços públicos ainda mais essenciais num período de fortíssima crise social e económica, enquanto continua a manter fora das suas críticas e dos sacrifícios exigidos pela austeridade os grandes grupos de interesses que continuam a sorver imensos recursos financeiros públicos através de negócios ruinosos para o Estado.
  • Uma reverência incompreensível em relação à “imagem externa” do seu governo (que falaciosamente apresenta como sendo “do país”), sacrificando a vida concreta dos cidadãos do seu país a essa mirífica imagem, vergando-se logo à partida às antecipadas  imposições exteriores e abdicando de ser a primeira defesa aqueles cidadãos nas negociações com os credores externos.

O discurso do actual PM foi vingativo e chantagista para aqueles que deveria servir e representar na tal situação de “emergência nacional” que diz existir, apesar de repetidamente ter anunciado o seu fim. O discurso foi indigno de um PM, pois desrespeita o funcionamento democrático mais básico, desgosta dos funcionários do aparelho de Estado que deveria motivar e mobilizar e desiste da defesa dos cidadãos de um país já bastante maltratado pela incompetência governamental.

No Expresso de hoje:

Mas o problema é que Sócrates é Sócrates. E foi o mesmo Sócrates de sempre, agastado e violento, que esteve na RTP. O rasto de ódio que deixou faz com que qualquer racionalidade no seu discurso esbarre com a irracionalidade de quem o ouve.

Acho que dá para perceber porque embirro com este luminário da esquerda dita alternativa, que desloca para quem ouve a irracionalidade, criticando apenas a Sócrates a forma e não o conteúdo do regresso.

Se Sócrates tivesse regressado mais suave, mais hipócrita, mas exactamente com as mesmas políticas, as pontes da Esquerda estavam feitas e já havia líder para todas as estações.

O discurso de Sócrates é racional, quem o “odeia” é que é “irracional”.

Isto é a forma mais básica de argumentário político, o nível zero da política, em que se demonizam os “odientos” só porque não aceitam a narrativa auto-desculpabilizadora do “engenheiro”…

 

Porque para esta “Esquerda”, entre o radical urbano chic e a social democracia pretensamente sofisticada e pensante, Sócrates é o animal político ideal para derrotar “a Direita”, não interessando o resto.

É deprimente verificar como de forma recorrente as análises e os posicionamentos de muita gente se definem sem qualquer base racional ou argumentativa que não seja estar contra estes ou a favor daqueles.

Sobre as matérias em apreço, sobre os factos, sobre as causalidades, quase nada.

Há um nível de reactividade a cores específicas que me continua a espantar em seres que se afirmam racionais, sendo que para serem emocionais o sejam com coisa que valham a pena e não com filiações partidárias.

Um professor classifica exames.

Aguarda instruções para classificação.

Que raio de professor é esse?

… dos 300.000 não me aquece. Nem arrefece. Isto é, não provoca variações de temperatura.  Continuarei o meu caminho para a Morte – divergente das maiorias dos idos p’ra deputados e dos idos para a rua. Mas deixem-me duvidar dos números que se colocam – os números deveriam ser a tradução da medição de factos! – ainda não entendi como é que tantas almas cabem fisicamente na Praça do Comércio, a não ser pelo comércio indevido da fé – e mente-se muito nas questões de fé, ou como é que a Eloísa verde é eleita se não vai a votos. Pede deferimento.

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