CCAP


Agora que está a chegar o crunch-time:

E agora um que é um must, pelos participantes, pelas prosas… curiosamente editadas só agora:

Clicar nas imagens para uma abordagem transformadora

Clicar na imagem…

Outra vez um pdf que não dá para a ferramenta do instantâneo, mas apenas para fazer printscreen. Podia colocar o documento em link, mas gosto mais do boneco visível.

A Ministra da Educação, através de um pedido de parecer sobre o que deveria ser feito em matéria de avaliação dos docentes, queria usar o CCAP como bode expiatório para qualquer solução que viesse a tomar.

Ora o CCAP é um órgão consultivo, de natureza técnica, a quem não compete fazer mais do que aquilo que já fez, ou seja, descrever o que se passa e apresentar recomendações, concordemos ou não com algumas delas.

O que a tutela pretendia era alijar a sua responsabilidade e o que o CCAP fez agora foi muito bem feito.

Conselho Científico não se pronunciou sobre qual a avaliação docente para o próximo ano

A ministra da Educação perguntou qual dos modelos deveria ser adoptado no próximo ano, mas o Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP) não respondeu a esta questão.

De acordo com um parecer do CCAP, emitido a 6 de Julho e hoje divulgado, este órgão optou antes por lembrar as recomendações anteriormente emitidas e sublinhar que, qualquer que fosse a decisão a adoptar, o Governo deveria salvaguardar e garantir um conjunto de princípios.

É claro que acho que este assomo de quase insubordinação também só é possível no ambiente que se vive de fim de arraial, em que só os mais distraídos ficam a apanhar as canas do foguetório falhado.

CCAPRel35

Esta é apenas mais outra área que desde o início fomentou enormes críticas: a ausência de formação credível dos avaliadores.

Em muitos casos tornaram-se avaliadores por inerência da titularização – a que concorreram para não verem a progressão bloqueada – colegas sem qualquer apetência ou formação específica para fazer avaliação de outros docentes. Porque não é o mesmo avaliar o desempenho dos alunos numa dada área disciplinar e avaliar a prática profissional de colegas, por vezes com praticamente a mesma experiência profissional e quantas vezes com maiores requisitos académicos.

E só não vê, nem viu isto que é muito cego.

A formação dada no final do ano lectivo foi em muitos casos ridícula e serviu mais para catequizar os incréus do que outra coisa. E para penalizar na avaliação dos formandos aquele(a)s que ousavam desalinhar da cartilha.

E isto não é boato, aqui por casa há quem tenha sofrido na pele os demandos de um formador adesivado, com escassa ética em matéria de avaliação.

CCAPRel20

Tem obviamente graça ler no relatório do CCAP (p. 20) que os mega-departamentos (de início criados com a desculpa que era para o concurso de titulares, mas já agora ficam assim…) funcionam pior a vários níveis do que os anteriores departamentos.

Nada que não se saiba ao nível das escolas. O retorno aos grupos disciplinares, de modo formal ou informal, tem sido a solução para contornar os entorses de funcionamento do novo sistema.

Deveria acontecer algo parecido com a avaliação, mas…

Não é bem mais um ano, podem ser dois ou três, dependendo do alargamento do ciclo de avaliação

Ministra admite mais um ano de Simplex na avaliação

Conselho Científico para a Avaliação dos Professores diz que processo causou “perturbação” e “desmotivação” nas escolas. Ministra diz que ainda estuda relatórios da OCDE e da Delloitte, mas já fala em prolongar modelo simplificado

A ministra da Educação admite prolongar, por mais um ano lectivo, o modelo simplificado de avaliação de professores, aprovado pelo Governo em Janeiro deste ano. Já o adiamento do processo continua a ser rejeitado “categoricamente”.

A disponibilidade para manter o Simplex surge numa resposta de Maria de Lurdes Rodrigues ao Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP), a propósito de um relatório em que este órgão consultivo alerta para a “perturbação” e “desmotivação” que a avaliação causou em muitas escolas.

No documento, a ministra pede ao CCAP para se pronunciar sobre duas possibilidades: manter o ‘modelo transitório, que deveria vigorar apenas até ao fim deste ano lectivo; ou reactivar o regime de avaliação docente aprovado em 2007 e 2008, retomando a obrigatoriedade das aulas assistidas, as sanções para desempenhos negativos, e itens de classificação polémicos, como as notas e a assiduidade dos alunos.

O que o Ministério fez ontem questão de desmentir “categoricamente” foram notícias no sentido de que poderia “adiar” a avaliação. Isto, apesar de, como noticiou ontem o DN, nesta fase ainda estarem a ser organizadas formações para os avaliadores e enviadas fichas às escolas.

Estranhamente, a hipótese de prolongar o Simplex surge numa fase em que o Ministério discute com os sindicatos alterações ao Estatuto da Carreira (que contempla a avaliação), previstas no “memorando de entendimento” de 2008.

De resto, a própria ministra refere, no documento enviado ao CCAP, estarem em fase de “tratamento e análise” relatórios do acompanhamento do processo de avaliação pedidos à consultora Delloitte e a “uma equipa de peritos” da OCDE, tendo em vista a apresentação de uma proposta às organizações sindicais.

O que não deixa de ser estranho é que existam três estudos sobre um mesmo modelo de avaliação, como se não houvesse confiança em nenhum das encomendas, por si só.

Mas mais anedóticas ainda são as declaração de Maria de Lurdes Rodrigues no final desta peça:

Ainda assim, a ministra considerou ontem que o relatório “vem confirmar” os “elevados níveis de concretização” e de ” exequibilidade técnica” da avaliação.
Será que não há limites para a completa incoerência…

(…)

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