Carta


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Sugestão da A.C.

Secret Teacher: a letter of application for the minister of education

Dear Sir, I wish to apply for the position of minister of education as the insults levelled at teachers by the current minister have undermined our confidence and freedom to teach effectively.

CARTA A MÁRIO NOGUEIRA – CONFIDENCIAL!

Exmo. Dr. Paulo Guinote:

No passado dia 5 de julho de 2012, a comunidade escolar ficou a saber que a Professora Feliciana Araújo do Centro Escolar Gueifães Vermoim, na Maia, não daria continuidade ao seu trabalho com a turma que vinha a acompanhar há dois anos.
Em nome dos Pais e Encarregados de Educação da turma pela qual a Professora era responsável, tomei a liberdade de enviar uma carta ao Sr. Presidente da República e ao Sr. Primeiro-Ministro, com o conhecimento do Ministro da Educação e da DREN.

Nessa missiva, que agora transcrevo, foi informada a intenção deste grupo de Pais preocupados de expor uma situação que consideram tremendamente injusta.

É com esse intuito que a missiva referida lhe é, agora, enviada – porque somos Pais preocupados que acompanham o S/ blogue.
Não podemos cruzar os braços e aceitar situações que colocam em risco o bom trabalho que os nossos filhos têm vindo a desenvolver, pela mão de uma profissional de grande competência – preterida, neste momento, por questões de índole logístico-numérica.

Em nome desses Pais e Encarregados de Educação preocupados com o futuro dos seus Filhos/as e Educandos/as, o meu muito obrigada, pelo tempo e atenção dispensados!

M.

Sou Mãe e preocupo-me com o futuro dos meus filhos!
O meu filho mais velho, de 8 anos, é um miúdo de sorte: integrou uma boa escola pública – o Centro Escolar Gueifães Vermoim, na Maia –, numa boa turma – o 2.º N do ano letivo de 2011/2012 – e com a felicidade de ser acompanhado por uma Professora dedicada – a Professora Feliciana Araújo.
Falo de uma Professora que aproximou Pais e Escola; de uma Professora que conseguiu orientar cada um dos seus 24 alunos e de os aproximar em termos de desempenho académico e pessoal, dando sempre atenção à singularidade de cada um; de uma Professora que fez com que os seus alunos ganhassem o gosto pela leitura (o quanto não se fala em lutar por isso!), pelo estudo, pelo desenvolvimento de projetos que até envolviam a família (quantas horas de televisão vegetativa não foram trocadas por cola, tesoura, livros e a Internet!) e pelo trabalho que, seguramente, os levará longe no futuro.
Soube hoje mesmo que essa Professora não vai poder continuar a acompanhar a turma com que trabalha tão produtivamente há 2 anos, por uma questão de números.

Sim, eu percebo a crise, os ajustes, as necessidades de sacrifícios e tenho-os levado a cabo a custo e com esses sacrifícios, mas com plena consciência de que tem que ser.
De que é por um bem maior; de que é por um futuro melhor para os meus filhos.
Mas não posso permitir que o meu filho, de ainda só 8 anos, possa ter esse mesmo futuro comprometido por uma questão numérica.
Claro que há mais professores de grande qualidade e que a mudança nem sempre é má – mas, neste caso, vai ser péssima.
Neste caso pode comprometer futuros agora brilhantes e convertê-los em fados complicados.

Por isso, optei por deixar a postura diplomática e resolvi dar a conhecer a minha opinião – que, creio, espelha a de mais 23 Pais e Encarregados de Educação.

Gostava de saber a quem pedir uma satisfação convincente sobre a situação, porque, admito, não a entendo.
Gostava que me explicassem como se eu tivesse 8 anos, porque é que vão retirar uma profissional competente, que deixa a classe bem representada, que personifica tantos princípios que ouvimos da boca do Ministro da Educação aquando da sua chegada ao cargo, de um posto onde ela pode marcar a diferença e assim abalar a continuidade de 24 crianças no sistema educativo nacional.

Tenho explicado aos meus filhos a crise mundial, as dificuldades nacionais e os sacrifícios pessoais no sentido de os ajudar a compreender o que realmente se passa e assim deles fazer futuros adultos conscientes.
Mas a tecla onde insisto em bater é que mais importante do que aquilo que temos é aquilo que somos – e que devemos ser trabalhadores, honestos, justos, solidários e humanos.
Como é que vou enquadrar esta perda – sim, é uma perda significativa e que perturba 24 Pais e Encarregados de Educação preocupados e as suas 24 crianças que ainda não estão, porque não sabem, mas que vão ficar inconsoláveis e sem vontade de voltar sequer à escola! – no quadro mental que tenho vindo a fazer?!
Como justificar que a Professora que tornou a escola um local onde aprender é agradável e prazeroso, que iniciou projetos de grande valor académico e pessoal lhes foi retirada por uma questão que não assenta no lado humano da preocupação para com os alunos, mas sim em princípios numéricos?

Lamento perturbá-los nesta altura com esta questão, mas a verdade é que tenho apregoado aos meus filhos que devemos sempre ser corretos e agir com ponderação e justiça, fazendo as nossas palavras chegar a quem de direito.
Ocorrem-me mais portas onde bater – e certamente o farei!
Mas, nesta fase inicial, de completa incompreensão e perplexidade, é aos Senhores que dirijo a minha preocupação: sou uma Mãe que a Vexas apela no sentido de que seja feita alguma justiça.
Tanto trabalho, tantas horas, tanto investimento em fazer das nossas crianças jovens que vão ao parque, que fazem trabalhos com os seus Magalhães, que saem da frente da televisão e da Playstation… para agora lhes ser retirada a orientadora-mor?

Li uma vez que na China, o único elemento que não tem de se curvar perante o Imperador é o Professor, pois uma terra sem Professores não pode ter Imperadores.
Li uma vez que há países onde o Professor é de tal maneira honrado que tem lugar de destaque em todas as situações relevantes das comunidades que integram.
E depois leio o que se passa no meu País.
Eu gosto do meu País: eu explico, comovida, aos meus filhos, o significado do 25 de Abril, dos Descobrimentos, das crises ultrapassadas e dos problemas sobrevividos.
E agora é sobre o meu filho e seus colegas que cai uma injustiça?! E sobre uma Professora que conseguiu, em alguns casos, o impossível?!
Não me posso calar, como compreendem!
Se fossem os vossos filhos ou netos, que faríeis?!

Tenho a certeza de que vão compreender a minha indignação e a motivação pela qual esta minha missiva segue ao V/ cuidado, com o conhecimento de jornais nacionais e o referido Ministro da Cultura.
Não podemos continuar a atacar-nos de dentro para dentro.
Temos de nos unir, de valorizar o que de bom temos, de motivar que os profissionais se superem, de forma a irmos mais longe.
Unidos! Não em estado de sítio interno.

Assim: permitam que a Professora Feliciana possa dar continuidade ao projeto desenvolvido com a turma dos nossos filhos.
Deixem-na trabalhar, porque ela fá-lo bem, com gosto e com resultados francamente positivos.
Meçamos as nossas fasquias por cima, não por baixo.
“E se a maior dívida que um país pode gerar é a perpetuação da ignorância”, permitamos a esta Professora combater a mesma!

Claro que, como a Professora Feliciana, há certamente muitos outros docentes em idênticas situações.
Não destruam futuros nem comprometam o desenvolvimento do país, por não terem a capacidade de preservar uma visão estratégica acertada.
Assumam a defesa do que é importante para não termos de continuamente lamentarmos os erros cometidos e sem consequências para quem os cometeu.

Assinado: uma Mãe indignada e inconformada!

Senhor Primeiro Ministro de Portugal

Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal

Senhor Ministro da Educação de Portugal

Senhores Deputados da Assembleia da República Portuguesa

Peço desculpa mas, num momento destes, não vou ter grande vontade em escolher as palavras.

Anexo o Texto de Revolta de uma jovem que luta e estuda, fora de Portugal, para melhorar o seu conhecimento à custa de imensos sacrifícios pessoais e familiares e que não vê resultados para a excelência desse esforço nem forma de voltar ao seu país e para junto dos familiares.

Percebe, isso sim, que, à sua volta, há gente saloia, oportunista e golpista com baixeza de carácter e falta de dignidade, sem ética e sem moral que se alapa no poder e trepa na vida de forma perversa, cruel e inconsciente, de uma forma ridícula que se presta a escárnio e com a mesma falta de princípios e valores que caracteriza, em geral, os políticos.

Essa gente saloia, pensando que um burro carregado de livros é um doutor ou um engenheiro, utiliza as mais ardilosas artimanhas só ao alcance de quem, não passando de ignorante, procura ostentar uma etiqueta académica, que nesse caso, sendo falaciosa, não passa de um reles penacho que os envaidece e lhes dá presunção, soberba, ostentação, jactância, poder e mando.

É uma VERGONHA.

Este país e nós portugueses, que trabalhamos e nos valorizamos profissionalmente de facto, sem qualquer reconhecimento pelo mérito e excelência, merecemos muito mais e muito melhor que um grupelho de saloios e chicos espertos que se pavoneiam com graus académicos encomendados e que, sem nunca terem feito nada na vida, escolheram a política como forma fácil de viver, mais fácil ainda que a mais velha profissão do mundo.

Compreendo muito bem esta jovem e com ela partilho a sua revolta pois se o sentimento de INJUSTIÇA e de MENTIRA já é excessivamente penoso para o suportarmos calados, pior é quando à sua volta existem cambalachos fétidos de gente que devia ser responsável e responsabilizada e NADA lhes acontece.

Uns vão para Paris, outros continuarão impávidos e serenos, sem vergonha na cara, mas o mais grave é que COM TODA A CERTEZA haverá muita mais gente na política e nos corredores do poder a viver serena e comodamente desta promiscuidade.

Fora da política pouco me incomoda porque quando é apanhado um falso padre, um falso médico ou um falso professor, vão a tribunal, são julgados e perdem IMEDIATAMENTE a sua falsa profissão.

Lamentável o estado a que se chegou, lamentável certa intimidade de quem tem poder, lamentável a forma como se encobrem nos meandros políticos e como não têm dignidade nem brio, lamentável como se age impunemente de forma manhosa e finória.

A formação LUSÓFONA e politiqueira de Relações Internacionais é tão reprovável como a formação INDEPENDENTE em Engenharia Civil, deveras criticada pelo mesmo oportunismo e aproveitamento sem preocupações éticas. Ainda que na legalidade, é REPROVÁVEL e VERGONHOSO pelo facilitismo e nenhum esforço, mérito ou excelência de quem se aproveitou conscientemente.

Do outro lado há MILHARES, … MILHARES de jovens que se esforçam, fazem sacrifícios, pagam anos e anos de propinas, sujeitam-se a exames sérios, vão para longe da família, esforçam-se, são os melhores alunos, fazem mestrados, fazem doutoramentos, querem saber, querem aprender. SÃO AVALIADOS!

Percebem, vossas excelências, a revolta e o desalento desta jovem Denise?

Eu percebo, partilho e também fico REVOLTADO.

Francisco Teixeira Homem

(BI 7356693)

Carta enviada à Presidente da Assembleia da República e Grupos Parlamentares com autorização de divulgação aqui no blogue.

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Escola Secundária Dr João Carlos Celestino Gomes – Ílhavo

Rua da Escola Secundária

3830-135 Ílhavo

moliveiradesousa@gmail.com

Assunto: Agregação de escolas – processo estranho em São Salvador de Ílhavo – DREC. Constituição da Comissão Administrativa Provisória (CAP).

[A Sua e V/Excelência,

Por ser uma matéria premente e com contornos graves num Estado de Direito,

Pelo tratamento dado à Escola Pública]

Assumindo as corresponsabilidades institucionais, em sede de Conselho Municipal da Educação, estive sempre ativamente solidário com a condução das várias matérias no seio deste órgão. Sobre este assunto, tudo decorreu no mês de abril, inclusive em reunião presencial com a Sra Diretora Regional de Educação do Centro – conforme é comprovado em documentação própria.

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 44/2010, de 14 de junho, os Despachos n.º 16551/2009, de 21 de julho, e n.º 13571/2010, de 24 de agosto, apontam para que, a bem da harmonização de processos e como garante de eficácia e eficiência, a escola sede do Agrupamento seja a Escola Secundária e que os membros das Direções possam assumir, em conjunto, a futura CAP.

O histórico das agregações de escolas em Portugal reporta que, praticamente em todos os processos, seguiram este procedimento.

Assim, estranha-se a condução, sem critério implícito ou explícito.

(…)

Pela extensão fica aqui o documento: Carta à AR sobre a agregação das escolas – Ílhavo.

Podia explicar porque acho que a agenda é impermeável a desalinhamentos, mas nem vale a pena porque os murchitos andam por aí a arquivar tudo o que se escreve, quem comenta aqui, de onde são e para onde vão.

No Blog DeAr Lindo:

Carta a Mário Nogueira

 …enviada pelo peticionário da petição à UE e posterior queixa ao Tribunal de Justiça da UE.

Esta chamada de atenção de Jorge Costa vem no sentido de salvaguardar o tempo de serviço de cada um dos docentes de forma a encontrar mecanismos que permitam a vinculação dos docentes em função da sua antiguidade em detrimento de um mecanismo legal pela sucessiva renovação de contratos.

” Exmo. Sr. Professor Mário Nogueira

(…)

De:
Grupo de Professores de Educação Física
do Agrupamento de Escolas Inês de Castro

Coimbra, 06 de junho de 2012

Parecer e posição sobre a matriz prevista para a Educação Física na proposta do Ministério da Educação e Ciência para a estrutura curricular dos ensinos básico e secundário

Exmo. Senhor Ministro da Educação e Ciência,

Prof. Doutor Nuno Crato

Excelência,

Os professores do Agrupamento de Escolas Inês de Castro sempre estiveram profundamente empenhados na preparação das condições que permitem aos alunos usufruir de uma atividade física regular, sistemática e significativa, nas aulas de Educação Física.

Subjacente a este trabalho de mobilização das crianças e jovens para o exercício físico, estão princípios e constatações científicas que apontam para uma necessidade imperiosa de contrariar a tendência da sociedade atual para o sedentarismo e consequente multiplicação dos fatores de risco para a saúde.

É, aliás, a própria Organização Mundial de Saúde que recomenda políticas claras de promoção do exercício físico como um dos investimentos imprescindíveis em defesa da saúde e qualidade de vida das populações.

Estes pressupostos têm encontrado nas decisões dos sucessivos ministérios da Educação um reconhecimento, mínimo mas ainda assim aceitável, traduzido por um quadro legislativo que confere uma carga horária de atividade física com três (3) tempos semanais no 2.º e 3.º ciclos, e quatro (4) tempos semanais no ensino secundário. E a atribuição de um espaço significativo para a Educação Física, que alinha com os princípios, valores e também relação custo/benefício das políticas de prevenção da saúde, tem sido reivindicado pelos profissionais e consensualmente aceite desde há várias décadas.

No trabalho desenvolvido pelos professores desta área curricular, neste estabelecimento de ensino como certamente em todos os outros do nosso país, as decisões e a concretização dos programas de ensino/aprendizagem são abordados com ponderação e os cuidados necessários a um aproveitamento exaustivo do tempo disponível para a prática no horário dos alunos, tendo em conta que esse tempo é, comprovadamente, mínimo.

Perante este quadro de condicionalismos, se equacionarmos uma hipotética redução das horas disponíveis que desde há muito vigoram, não podemos deixar de constatar uma impossibilidade objetiva de levar a cabo qualquer programa que tenha como alvo a obtenção de efeitos concretos quer a nível das alterações a produzir no organismo (melhoria da aptidão física, elevação das qualidades físicas dos alunos) quer no que diz respeito à aquisição dos conhecimentos e dos hábitos de atividade física necessários a uma vida saudável.

Confrontados com as propostas de redução do tempo disponível na escola para a atividade física orientada, constantes nas novas disposições legais agora emitidas pelo Despacho Normativo n.º 13-A/2012 e Matrizes da Nova Estrutura Curricular, não podemos deixar de lavrar um vincado protesto pelo facto de estas medidas virem a resultar, inevitavelmente, numa ação quase totalmente inconsequente do trabalho da escola e dos docentes, que se traduziria em efeitos nulos ou nada significativos no desenvolvimento dos alunos e futuros cidadãos de Portugal.

Solicitamos, assim, a V.ª Excelência, que reconsidere as medidas que o Ministério da Educação e Ciência agora propôs e que visam reduzir a carga horária de Educação Física para os alunos.

As boas práticas para a promoção da saúde e da qualidade de vida, defendidas pela comunidade científica e instituições reconhecidamente vocacionadas, sugerem a atribuição de mais tempo para a Educação Física, senão mais do que até aqui se tem praticado, pelo menos, no mínimo, os tempos semanais de prática que vêm sendo legal e consensualmente adotados.

Subscrevemo-nos com consideração

(todos os docentes do grupo):

Enviada o mês passado e que agora me chegou, por mail da própria autora:

Ex.mo Senhor
Ministro da Educação e Ciência

Assunto: Reconduções de contratados

Eduarda Gonçalves, professora contratada de Língua Portuguesa, natural de Ponte da Barca, em atividade , até 31 de Agosto de 2012, na Escola Básica Dr. Rui Grácio – Sintra, 12 anos de tempo de serviço, e possivelmente desempregada no próximo ano letivo, venho por este meio tentar sensibilizar o Senhor Ministro para a injustiça das reconduções de professores contratados.

Talvez seja importante referir que 8 desses 12 anos foram passados a servir a minha pátria , a Língua Portuguesa, em Cabo Verde, ao abrigo da cooperação. Eu sei que, para o português comum, Cabo Verde talvez seja sinónimo de férias paradisíacas, mas esses anos nada tiveram de paradisíaco, pois estava bem longe dos catálogos promocionais das agências de viagens. Falta acrescentar a esta estadia, uma criança de seis meses, que aprendeu como primeira língua o crioulo, que frequentou os primeiros anos de escola, numa turma de 42 alunos, num espaço exíguo, com livros e cadernos sem cor, com intervalos preenchidos de lanches rodeados de moscas e brincadeiras ausentes de baloiços e escorregas. Perguntar-lhe-ão se foi feliz. Garanto que sim.

Após oito anos de num país muito diferente da sua pátria, este menino regressou à dita pátria e recomeçou uma vida diferente, certamente melhor, pensarão alguns, pois recebeu um computador, tinha aulas de Educação Física numa piscina, livros cheios de cor……..Desses dias, fica-me para a vida a pergunta inocente que me lançou : Mãe, a minha escola é um colégio privado?” .
Com este menino regressou também a sua mãe, que, oito anos antes, partira com ele no regaço e com a esperança de voltar um dia, proporcionando-lhe um futuro melhor. Ainda não nos tínhamos instalado e tivemos de partir novamente, pois ficara colocada no Algarve e era lá que recomeçaríamos a nossa vida, continuando longe de casa, mas pelo menos com trabalho. No três anos seguintes , repetiu-se a situação, novo recomeço, mas com trabalho. E sempre que era confrontada com a questão “Mãe, este ano vou para outra escola?” eu respondia categoricamente “Sim, a mãe precisa trabalhar”.
Em Setembro de 2011, repetiu-se a pergunta”Mãe, este ano vou para outra escola?”, à qual respondi :” sim, mas desta vez regressamos a casa, porque a mãe não tem trabalho”(só fiquei colocada no dia 12 de Setembro).
Hesitei durante algum tempo em escrever a Vossa Excelência, decidi fazê-lo hoje ,porque cada dia que passa sinto-me invadida por sentimentos de indignação, revolta, insegurança…. Sinto-me desrespeitada, e sobretudo injustiçada, pois há gente com metade do meu tempo de serviço, metade dos meus sacrifícios, metade da minha luta, a trabalhar perto de casa e na mesma escola há três anos, porque tiveram a felicidade de ser reconduzidos, porque tiveram a felicidade de trabalhar numa escola com horário para eles……Como posso eu conformar-me com o facto de trabalhar ou não, sustentar o meu filho, depender do fator sorte? Recuso-me a aceitar o fado, tão português, como culpado da falta de justiça de que se reveste a colocação de professores. Ainda não desesperei por completo, porque não me abato facilmente e porque tenho um filho para criar com justiça ou sem ela.
Senhor Ministro, porque ainda não desisti de acreditar, porque ainda sonho com um mundo melhor e sobretudo mais justo espero que os decisores políticos ajam com justiça e terminem com as reconduções dos professores contratados.

Grata pela atenção dispensada

A professora
Eduarda Gonçalves

Reproduzida por solicitação do autor:

Retrocesso Educacional

Exmo. Sr. Presidente da República Portuguesa

Ricardo Filipe Reis Pereira, licenciado no Curso de Professores do Ensino Básico, variante de Educação Visual e Tecnológica, vem deste modo contactar V. Exa. no sentido de expor a seguinte reflexão.

Face às recentes declarações do Sr. Ministro da Educação, no âmbito de uma reforma curricular que abrange, entre outras, a disciplina de educação visual e tecnológica (EVT), cabe-me, enquanto cidadão e professor, esclarecer acerca da importância desta disciplina e sobre as consequências pedagógicas desastrosas que os cortes poderão protagonizar.

O nosso país dispõe hoje de todas as condições humanas e físicas para poder proporcionar um ensino público de qualidade.Pese embora estejamos a viver tempos de mudança e de incerteza, o domínio da educação deve ser sempre estimado e deve ser alvo das maiores atenções, como aliás V. Exa. já afirmou. As alterações que se avizinham, designadamente no que concerne a desinvestimentos orçamentais na educação, poderão hipotecar o futuro com consequências nefastas.

Com os cortes na educação, pretendem-se resolver números e grelhas em nome das finanças, porém, estaremos a adiar de novo a estabilidade e o crescimento no seio do maior propulsor de riqueza pessoal e social. É necessária uma estratégia de reforço das aprendizagens, de fortalecimento da escola, da sua estrutura, da sua credibilidade. Os portugueses serão ainda mais capazes na cidadania, na economia, na tecnologia, na literatura ou na investigação científica se reforçarmos a sua formação, isto é, se apostarmos e investirmos na educação. Sabemos que o que está em causa não é uma reorganização curricular assente em fundamentos científico-pedagógicos concisos e valorosos, mas sim uma reorganização com base na redução de custos, nomeadamente no despedimento de professores e no enfraquecimento da qualidade do ensino.

Os ajustes financeiros não podem ser o mote para destruir o que até aqui foi edificado ao nível da educação artística e tecnológica em Portugal.Não é justo nem sensato diminuir a qualidade das infra-estruturas físicas, humanas e programáticas do ensino como consequência de más governações, de estratégias erradas e de desequilíbrios organizacionais. Os nossos alunos e professores merecem mais respeito e consideração. A educação de Portugal não merece este retrocesso.

O sistema de ensino e as reformas na educação devem assentar numa resposta às necessidades actuais, num olhar de futuro e em premissas que contribuam para a plena, íntegra e efectiva formação de cidadãos detentores de conhecimentos que possibilitem a satisfação pessoal, a qualidade social e a evolução.No sentido de uma escola exigente e com qualidade, a EVT desempenha um papel preponderante na educação integral nos domínios do saber, do saber ser e do saber fazer. Enquanto disciplina da área das expressões no currículo nacional do segundo ciclo do ensino básico, a EVT não é só “aquela aula em que se fazem desenhos”, é aquela onde se desenvolve a percepção. Não é uma disciplina menos importante, é uma disciplina nuclear para o conhecimento e para o desenvolvimento pessoal e social. É uma disciplina sem receitas, sem dias habituais, mas de saberes fulcrais. A EVT não é uma disciplina figurante nas escolas, é a personagem principal de um conjunto de medidas e práticas essenciais, onde podemos salientar a inclusão, o carácter oficinal (activo e prático) e a qualidade/dinâmica nos processos de aprendizagem e vivência para o desenvolvimento global do aluno. Como disciplina integradora de diferentes saberes, a sua versatilidade é sentida no espaço aula, o espaço da partida para a descoberta. Porque em EVT não se trata de um só campo de educação, não se trata somente de sensibilizar, de criar, mas sim de analisar e criticar e de uma longa concepção na formação do indivíduo, baseada num processo total com consequências para a vida afectiva, moral e cívica.

O processo de ensino-aprendizagem na tecnologia, sob a ciência ou para a arte, requer pensamento, esforço, método e empenho e não são um elitismo ou um universo fechado a jeitos ou dons. Os alunos são estimulados a pesquisar, a transformar, a conhecer, a avaliar, a recordar, a expressar, numa experiência para o conhecimento.A dinâmica desta disciplina é parte integrante da imagem da escola e na relação com a comunidade. É parte fundamental da educação patrimonial, cultural e artística subjacente ao mundo, ao país e, sobretudo, a cada realidade social local. A EVT representa um contributo inquestionável para a vida das escolas, quer nos projectos que desenvolve (comemorações, tradições, concursos, requalificação de espaços, dinâmicas com outras disciplinas, etc.), quer nas parcerias (órgãos autárquicos, museus, serviços educativos, empresas, etc.) ao promover o contacto com as artes, tecnologias, materiais e iniciativas.

A escola não instrui somente para ler e escrever, contar e somar. Aflige-me e preocupa-me profundamente ouvir falar em disciplinas essenciais. Na era do conhecimento e da inteligência importa relevar que a educação artística é o núcleo da multiplicidade de saberes. A escola contribui para o desenvolvimento das múltiplas inteligências (lógico-matemática, linguística, interpessoal, visual-espacial, corporal, etc.) A alfabetização nas artes e na tecnologia é uma necessidade e reveste-se da mesma importância de outras áreas do conhecimento. A aquisição de aprendizagens específicas nos domínios artístico e tecnológico é fundamental para relacionar e compreender épocas, identificar e usar instrumentos, apreciar e criticar manifestações culturais, projectar e produzir objectos, conhecer e aplicar ferramentas, construir. A escola tem um papel promotor, divulgador e instrutor: proporcionar o conhecimento para as artes e para a tecnologia. São aprendizagens essenciais e nucleares.Interessemo-nos com o que é fulcral para os alunos, com a sua boa educação, coma sua literacia artística e tecnológica, com o saber fazer e não com as disciplinas que devemos eliminar, reduzir ou enfraquecer.

O Sr. Ministro da Educação aceita e entende os benefícios e as bases curriculares que sustentam a presença de dois professores na sala de aula de EVT. Contudo, afirmou que não estamos em época de o fazer. Devemos considerar que não estamos em época de investir no conhecimento e na qualidade do ensino? Não posso estar menos de acordo. Os currículos das artes e das tecnologias devem responder aos desenvolvimentos frequentes e cada vez mais rápidos e à necessidade de mais actividades curriculares transversais e não a uma necessidade de contenção. Estes desenvolvimentos colocam novas exigências aos professores e às escolas, o que implica liderança e apoio a nível político, ao invés do lema “com pouco fazer melhor”. Com base nos sucessos, descobertas e avanços sociais do último século, sempre acreditei na sociedade em permanente crescimento e que amanhã a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos teria o dever de ser melhor.

Somos todos responsáveis para que isso se materialize. Precisamos de reformas justas e que pensem no futuro dos nossos jovens e profissionais qualificados e não de cortes na educação de crianças, jovens e professores que em nada influíram sobre estado actual das finanças públicas. Precisamos de líderes que façam justiça aos seus créditos e, sem demagogias que agraciem o público, reconheçam e informem a sociedade acerca da importância das artes e das tecnologias na educação. Com base num programa de contenção de custos e no enfraquecimento de áreas fundamentais podemos acreditar que amanhã a educação será melhor? O caminho do progresso e do crescimento não se compadecerá com medidas que desinvestem na educação.

Subscrevo-me com elevada consideração e com cordiais cumprimentos,

Ricardo Filipe Reis Pereira

08-11-2011

Reproduzida com autorização do próprio:

Exmo. Sr. Presidente da República Portuguesa,

O meu nome é Pedro Vala, sou professor do grupo de recrutamento 550-Informática e desempenho funções no Agrupamento de Escolas de Pernes. Leciono a disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) aos alunos do 9º Ano, sou também formador de professores acreditado na área da informática. Sou ainda o Coordenador do PTE (Plano Tecnológico da Educação) do Agrupamento e Delegado de Instalações.

Venho deste modo ao seu contacto no seguimento das recentes declarações do Sr. Ministro da Educação, Nuno Crato, que considerou ser questionável a existência de uma disciplina de informática (TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação) no 9º ano de escolaridade (3º Ciclo) porque, justifica, os alunos já dominam os computadores e sendo assim não será necessária a continuidade da disciplina no currículo, que será extinta já no próximo ano letivo.

Existem outras disciplinas envolvidas nesta problemática (2ª língua estrangeira, Educação Visual e Tecnológica), no entanto partilho aqui com VEXA algumas reflexões apenas sobre a área TIC. Com esta reflexão espero contribuir para a defesa dos interesses dos alunos, dos pais e encarregados de educação e em última análise de todos nós.

É também meu intento tentar ilustrar a VEXA que a extinção da disciplina TIC será um processo que em vez de poupar custos ao país com a Educação, antes os onera além de introduzir na sociedade portuguesa, a prazo, novas formas de exclusão e iliteracia que considerávamos debeladas, com consequências sociais e económicas imprevisíveis.

Esta proposta ministerial de reorganização do currículo mereceu da minha parte as seguintes reflexões:

1 – Em primeiro lugar, o Sr. Ministro utilizou critérios que considero pouco acertados para justificar esta reorganização curricular consubstanciada na proposta de extinção da disciplina TIC. Os critérios que deu à evidência são errados porque conduzem a prazo à infoexclusão e são anacrónicos porque fazem regressar a iliteracia digital a uma sociedade e a um estado digital incompatíveis com tal desígnio. O retrocesso é evidente e como se sabe a “sociedade do conhecimento” e o mercado de trabalho não lidam bem com os excluídos/iletrados e vice-versa.

2 – O edifício tecnológico erguido na última década nas escolas portuguesas, que as colocam ao nível do melhor que há no mundo, foi conseguido e é mantido, em grande medida, com a colaboração ativa dos professores de informática deste país, quer ao nível pedagógico, quer ao nível técnico. É bem provável que estejamos no início da ruína do edifício, perante a intenção de retirar algumas das suas pedras mais importantes: a disciplina TIC e os seus professores. O que trará o futuro aos futuros alunos?

3 – O grupo de recrutamento 550-professores de informática, é o mais recente: tem pouco mais de 15 anos e tem servido o país, como lhe compete, promovendo a literacia digital dos alunos, futuros cidadãos. Este facto permitiu ao estado (e a privados) implementar com sucesso vastos programas de modernização tecnológica operada a vários níveis da administração pública o que possibilitou um salto tecnológico na sua relação com os cidadãos (ex: Ministério das Finanças, da Segurança Social). O Sr. Ministro saberá com certeza que foi nas escolas que a literacia digital dos cidadãos foi iniciada o que permitiu e fará perdurar, indiretamente, o salto tecnológico e a sua continuidade. Quanto foi possível o estado poupar com esta mais-valia? A eficácia do Ministério das Finanças com formas eletrónicas de cobrança de impostos é bem conhecida e é um bom indicador.

4 – O trabalho destes professores foi bem feito, atendendo às palavras do Sr. Ministro: “os alunos já dominam perfeitamente os computadores”. Achará que o trabalho está terminado. Mas se estamos a falar de Educação esse trabalho ainda não acabou, nem nunca acaba, pela simples razão que os alunos que estão na escola hoje e já “dominam” amanhã são substituídos por outros alunos que ainda não “dominam” e que terão de ser ensinados. Com este critério, deixar de se ensinar TIC nas escolas básicas é considerar um absurdo: que as competências TIC dos alunos são de origem genética. Sem ironias, é senso comum afirmar-se que ninguém nasce ensinado e bastarão poucos anos até que as palavras infoexclusão e iliteracia digital voltem a entrar no léxico comum, ao permitir-se que os estudantes portugueses atravessem grande parte do seu percurso escolar, ou mesmo a sua totalidade (2º, 3º ciclos e ensino secundário), sem nunca terem tido contacto de qualidade com uma disciplina da área TIC.
5 – Os professores de informática têm permitido ao Ministério da Educação, portanto ao estado, a poupança de enormes custos em serviços de manutenção dos mais diversos equipamentos informáticos que existem às dezenas ou mesmo centenas, nalgumas escolas. Acabar com TIC é retirar de quase 1800 escolas a figura do professor-técnico TIC. Está contabilizado o custo dessa opção? Provavelmente não, mas pode bem ser um custo para o estado muito superior ao que vai poupar com a extinção da disciplina (e dos professores). Talvez não seja exagerado dizer-se que estes profissionais merecem cada euro que ganham, muitas vezes com trabalho “pro bono” para além do seu horário atribuído, para que no dia seguinte os serviços estejam operacionais. Lanço daqui o desafio de se perguntar às escolas como é o dia-a-dia desta realidade.
6 – Se existe a intenção de substituir os professores de informática por professores de outras áreas de formação, reciclados em TIC ou que “têm jeito”, e que têm insuficiência ou ausência de componente letiva terá resultados nunca para melhor e será o equivalente a, permita-me a metáfora, pôr o beato a dar a Confissão, com prejuízo para o pecador. Será desperdiçar uma força de trabalho altamente qualificada, disponível, ainda jovem, que garante a qualidade técnico-pedagógica e a produtividade que a Educação de qualidade e inclusiva exige, com evidente prejuízo para os alunos. Se esses profissionais de TIC existem e estão integrados no mercado de trabalho porquê descartá-los para depois ter de os substituir por outros? Neste cenário, os custos associados à substituição e à diminuição da qualidade e da produtividade do serviço prestado estão calculados?
7 – O Sr. Ministro, com a intenção reformadora em análise, não quererá com certeza promover a desigualdade de oportunidades, mas está a caminho disso mesmo uma vez que muitos alunos têm o primeiro contacto estruturado com TIC nas escolas básicas. Ao contrário do que o Sr. Ministro idealiza, nem todos os alunos têm computador em casa e para muitos é na escola básica que têm a oportunidade de se tornar competitivo nesta área. Por outro lado, ao acabar com a disciplina, levará os alunos que têm computador em casa a aprender sem orientação pedagógica e neste ambiente tendem a proliferar os maus hábitos (ergonomia), o vício (jogos), o uso lúdico excessivo (redes e contactos sociais), o uso indevido (pirataria), o uso descuidado (exposição, segurança), as avarias (manutenção), em resumo a ausência de boas práticas.

Excelência,
Haveria outros ângulos de reflexão a expor mas temo alongar-me, ficam aqui as linhas principais que podem ajudar na conciliação dos intentos reformadores do Ministério da Educação e Ciência. Se reconhecer validade nestas reflexões que ora exponho espero que delas dê boa nota. Termino, Sr. Presidente, referindo que a Educação é um bem escasso e nestes nossos tempos conturbados que vivemos, escassos são os recursos que permitem criá-la, devem pois ser geridos com sabedoria e sem precipitações. Ao empobrecer o currículo escolar desta forma não creio que seja este o caminho do desenvolvimento dos alunos portugueses, é possível fazer melhor.

Subscrevo-me com elevada consideração,

Pedro Gil da Silva Vala

04-11-2011

De Ana Paula Correia, Isilda Lopes, José Ribeiro e Maria Manuela Ferraz, no I de hoje:

Carta aberta à ministra da Educação

Carta a uma amiga a propósito de legalidades…

Acho muito bonito, muito amarelo torrado, muito pós new wave. Mas, desculpa-me, concordo com os sindicatos: a luta não é legal, nem técnica – é política, essencialmente política.

A força, no caso, não será a da legalidade. Não, a nossa força é darmos aulas e conhecer a escola; é sermos os primeiros a lutar, no terreno, pela melhoria da escola pública; é sermos capazes de oferecer dinheiro ao estado e não cumprir um ou mais dias de trabalho porque acreditamos que o sacrifício de hoje vale a escola do futuro.

É na nossa carolice e na nossa revolta e indignação que consiste a nossa força – se pararmos, será que ainda não se aperceberam?! – o mundo simplesmente pára connosco.

E a escolha é: política ou medo.

A lei, todos o sabemos, não é a refutação do legislador, mas, em regra e por amargurado que possa soar, apenas a constatação da derrota, desde logo temporalizada no arrastar dos processos.

Não estás de acordo?! Veja-se o TPI! Perante a justiça instituinte o vencedor está sempre já certo e, se acaso não está, é porque ainda não cumpre ‘desinteressadamente’ as normas da economia política mainstream.

As armas dos fracos sempre foram – e continuam certamente a ser – a unidade, por um lado, e a dignidade da posição, pelo outro; enquanto não se compreender isto, temo, desgastar-nos-emos em guerras perdidas ou inúteis.

Para mim é tão simples como isto: não sei o que sejam O.I.. Se soubesse recusava-os. Ah, já não posso, já passou o prazo. Porreiro, missão cumprida.

A minha luta é política – no sentido mais antigo e nobre da palavra; quero com isto dizer que recuso ter nas minhas mãos a morte da escola pública.

Compreendo que se possa pensar diferentemente e nunca eu faria fosse o que fosse para impedir alguém de agir de forma diferente da minha. Quem quiser entregar os O.I., faça o favor!

Se, sinceramente, fores capaz de acreditar neles e no que através deles e do ECD transparece de uma ideia tecnocrática e normalizadora de escola, se não for por pânico, só posso felicitar-te. Fizeste o que devias – mesmo se discordamos, tenho que te respeitar.

Agora que 120.000 professores se esfumem no ar, isso já é coisa que me custa a compreender sem o recurso a esse terrível par de palavras: dignidade e medo. E mais não digo.

Que seja um governo ‘supostamente’ socialista a largar mão de um sistema nacional de saúde e a dar cabo da escola pública é o apelo ao desencanto político, mesmo se a troco do ‘equilíbrio financeiro’. Isto é o que mais me entristece, não a tua ou aqueloutra posição.

Repara que persisto em acreditar na democracia (ou na necessidade da crença na democracia, o que não é exactamente a mesma coisa) e na indispensabilidade de diferentes pontos de vista – mesmo quando, como é o caso, a política contemporânea me desgosta profundamente. Mas em matéria política, já aconselha a história, é a unidade dos homens que muda alguma coisa, a lei, em regra, vem antes e depois.

abraço

Carlos M. Rocha

C/conhecimento:

Exmo. Sr. Presidente Da Assembleia da República

Grupos Parlamentares

Exmos. Srs. Deputados do P.S.

Ao longo dos últimos três/ quatro meses dirigi-vos várias “cartas”, creio ser esta a quarta. Nunca obtive qualquer resposta da Vossa parte nem tão pouco a (pequena) delicadeza de acusar a sua recepção (tão só, de uma que fosse). É com profundo pesar que vos dirijo esta missiva. Talvez a minha concepção de Política, baseada na Verdade e em Valores (para muitos subjectivos) de Consciência Ética – Cívica e Moral, esteja em desuso numa sociedade que faz vingar a mentira, a aparência e a dissimulação. Não me interessam os jogos político-partidários, que confesso abominar no contexto da política actual – sou apenas uma desconhecida mas cumpridora cidadã e profissional que sempre conduziu, e continua a procurar conduzir, a sua actuação por princípios de Verdade, Honestidade, Verticalidade, Integridade e Justiça.

Gostaria apenas de vos lembrar que os docentes portugueses são uma classe profissional com habilitações académicas/científicas que, no mínimo, se situam ao nível da Licenciatura para que, de ânimo leve, sejam continuadamente insultados, humilhados e rebaixados até e, nomeadamente, na sua capacidade de leitura, de interpretação e de avaliação das consequências/impactos (designadamente de enquadramentos jurídicos) como reiteradamente o tem feito o M.E.

A estratégia do Governo por Vós sustentado e apoiado assentou no desprestígio social / degradação da imagem pública do Professor, com suporte na Mentira, na desinformação da opinião pública, no medo e na intimidação, na divisão dos cidadãos deste país e dos próprios professores.

Como é possível vir apelar-se à união dos Portugueses em torno de um objectivo comum, quando aquilo que se fez foi virá-los uns contra os outros. E, que causa comum?:

-o combate às desigualdades sociais? – Não!;

-o combate ao fosso crescente entre os mais ricos e um número crescente de pobres? – Não!

-o combate ao empobrecimento da classe média com as consequências conhecidas ao nível da própria actividade económica? – Não!

-o combate à corrupção, aos clientelismos e à falta de transparência? – Não!;

-o combate ao desemprego e encerramento de pequenas e médias empresas que, de resto, não são apenas de agora? – Não!;

-o combate para serviços de saúde capazes de prestar assistência de qualidade, em tempo oportuno e em condições de dignidade aos portugueses? – Não!;

-o combate para uma Justiça eficaz, célere, acessível à generalidade dos cidadãos e consequentemente justa? – Não!

-o combate a tantas Imoralidades existentes neste país de escassa riqueza? – Não!

– …

O combate central da Política do Governo e, ao que parece, o problema fulcral da Nação é … a Avaliação dos Professores.

A vós, deputados da nação, representantes (por via da Constituição) de todos os cidadãos portugueses:

– NADA vos disse… as concentrações de cem/ cento e vinte mil professores;

– NADA vos disse… a profunda participação dos professores nas duas últimas greves;

– NADA vos disse… os constantes e frequentes problemas que ao longo dos tempos foram equacionados e publicamente divulgados, nomeadamente, por professores;

– NADA vos disse… as reiteradas posições de Escolas e Professores que argumentaram e muitos vos enviaram sucessivos documentos;

– NADA vos disse a mobilização de professores que criaram movimentos/ associações e outras formas de organização sem filiação política ou sindical;

– NADA vos disse… as posições que, por via da actuação dos professores ou seus representantes legais, foram tomadas pela Procuradoria / Provedoria da Justiça;

– Nada vos disse … a posição da Inspecção Geral da Educação no sentido de ser inexequível a sua participação no Processo de Avaliação tal como foi concebido;

– NADA vos disse … a posição do Conselho Científico da Avaliação dos Professores – CCAP (criado “na dependência directa do membro do Governo responsável pela área da educação”) e o seu “não funcionamento”;

– NADA vos disse … a posição do Conselho das Escolas, também criado pelo M.E.;

– NADA vos disse … as petições assinadas e entregues;

– NADA vos diz … as injustiças que têm sido equacionadas;

– NADA vos disse … as palavras com que, em quatro anos, foram “diabolizados” os sindicatos que em matéria laboral ainda são, legalmente, o parceiro negocial do governo;

– NADA vos disse … as posições recentes de Conselhos Executivos, nomeadamente de “Escolas Públicas de Referência” a nível nacional;

-…

– NADA vos disse … Absolutamente NADA!

“A manutenção dos grandes privilégios da classe profissional”, insustentável quando comparada com as outras, foi o argumento que vos satisfez. Pois bem, atrever-me-ia a sugerir-vos uma troca: que, durante um ano, viésseis beneficiar dos meus imensos privilégios e grandes benesses.

“Corporativismo e instrumentalização” foram as palavras que bastaram: a uns para se considerarem donos da razão e a outros para tudo sustentar.

A vós, pouca diferença farão as minhas palavras que continuareis, longe dos problemas e longe das pessoas, sentados nas cadeiras desse parlamento ou em outras a que tereis “direito”: não por competência; não decorrente de qualquer sistema de avaliação; não por mérito especial; não pelo cumprimento dos vossos deveres, nomeadamente na fiscalização continuada, das garantias da legitimidade/ legalidade/ constitucionalidade no tratamento dos cidadãos; não por uma actuação de rigor, de isenção, de imparcialidade e de justiça na apreciação das questões que afligem ou lesam direitos; mas tão só decorrente de um sistema político/parlamentar ultrapassado e distante dos eleitores.

Termino, senhores deputados, com palavras abruptas dirigidas a um órgão que deveria merecer todo o meu respeito: Não nos surpreendamos quando a Europa recuperar e nós (a população) continuarmos cada vez mais na sua cauda. Talvez, Portugal, esteja condenado (há muito/assim continuará e percebe-se porquê) à Mediocridade!

Respeitosamente,

.

Lisboa, 22 de Janeiro de 2009

Mª João Pires Fernandes

(Cidadã e contribuinte Portuguesa e Professora da Esc. Secundária de Sacavém)

Sou professor!

Fui aluno do Magistério da Guarda, entre 1985/1988, no último curso aí ministrado! Licenciei-me em Filosofia, em Coimbra, mas continuei, sempre, sem qualquer interrupção, a ser professor do 1.º Ciclo!

Adorava ser professor!

Agora, a curar uma depressão… por excesso de trabalho, de cargos, de reuniões, de incompreensões, vítima do péssimo ambiente que agora se vive na escola pública, mas ainda a leccionar, a fazer “das tripas coração”, a tentar encontrar um motivo para não desistir… gostaria de lhe perguntar como foi capaz de dar o seu contributo à completa humilhação da classe docente, com a aprovação do tenebroso ECD e do escabroso e kafkiano modelo de avaliação (aliás, de seriação e exclusão)!? Consegue mesmo viver tranquilo com a sua consciência? Ainda se lembra do que era e é SER professor? Do que era TER TEMPO para preparar aulas, TER TEMPO para ler um bom livro de Mialaret ou Perrenoud… e ainda TER TEMPO para poder descansar e confraternizar com a família e os amigos, de ter vida para além da escola? Ainda se lembra de quando deu a sua última aula? Ainda sente vontade de voltar para a escola e enfrentar uma turma cheia de alunos com NEE’s… e os colegas de trabalho? E de ser avaliado por quem é menos competente e menos capaz e nunca deu provas de ser melhor para ser alcandorado à “categoria” de professor-titular?

Se sim… dou-lhe os meus parabéns! Mas fique a saber que ajudou a matar a dignidade da classe a que diz pertencer… e ajudou a matar a vontade e o gosto de ser professor a milhares de colegas!

Que Deus lhe perdoe… porque talvez eu não seja capaz!

Nelson Pires

Coimbra

O reconhecimento de que o Dr. Miguel Sousa Tavares se encontra em desvantagem face à professora da Escola Secundária de Barcelos, Ana Maria Gomes, obriga-me a redigir este texto. Não é justo, numa sociedade democrática, que alguém seja interpelado sem conhecer bem o seu contendor… noblesse oblige. Ana Maria Gomes sabe quem Miguel Sousa Tavares é. Miguel Sousa Tavares, com toda a certeza, desconhece quem Ana Maria Gomes seja, além de professora de Português da Escola Secundária de Barcelos. Vou, pois, apresentar-lhe esta pessoa e faço-o como Coordenadora do Departamento de Humanidades da escola onde a referida professora lecciona e no qual se integra.

Ana Maria Gomes Cameselle Mendez, é este o seu nome completo, é professora há 27 anos. A sua actividade profissional tem sido rica e variada: além de ter leccionado em todos os níveis de ensino, desde o 3º ciclo ao secundário, foi Directora de Turma, membro do Conselho Directivo e é já, pelo oitavo ano, directora da revista da escola, “Amanhecer”. Mas não é a enumeração de cargos que revela o verdadeiro perfil desta professora e, porque eu posso soar suspeita, passarei a palavra a uma aluna que, no ano lectivo transacto, quis escrever sobre a sua professora de Português. Deu apenas o seu primeiro nome, para não ser acusada de bajuladora, e não revelou o nome da professora, para que não se considerasse que a revista estava a ser um meio de promoção pessoal da sua directora (à data, a Ana Maria Gomes), mas eu sei que o texto lhe é dirigido, pois a aluna, Bárbara Santos, me pediu a mim que o corrigisse, antes de o entregar à equipa da revista. Transcrevo a parte final do seu texto: “Mas, como em todas as profissões, é necessário destacar certos profissionais! Na minha opinião, na minha escola, é gratificante ser ensinada por uma fantástica professora de português… uma grande profissional, com uma grande personalidade, uma grande força de viver e grande carácter de lutadora. É impressionante o que esta professora me consegue dar!!! É de elogiar e honrar o amor à profissão que esta senhora tem! Ainda gostava de entender como é que esta senhora de que vos falo me consegue proporcionar, a mim e aos meus colegas, tudo isto numa hora e meia, e ainda consegue leccionar o programa todo!!! É esplêndido ter como professora uma profissional assim!!! Já ensinou e continua a ensinar várias gerações de adolescentes e é extraordinária a forma como se aproxima e compreende todas elas!!! Sabe diferenciar as variadas fases da vida e a mudança dos tempos!!! É impressionante, mas é das poucas pessoas que, dentro de uma sala de aula, consegue considerar os alunos todos iguais e todos diferentes… e, ao contrário de muitos, é incapaz de marginalizar alunos… É, de facto, de admirar a capacidade intelectual e humana desta professora que, no meio desta sociedade, se destaca com um grande profissionalismo!!! Agradeço-lhe o facto de todos os dias me abrir os olhos para a realidade da vida… Para sempre, o meu muito obrigada!” (in “Amanhecer”, nº25, 2007).

Poder-se-á alegar que o texto da Bárbara, apesar de amável, não bastará para traçar o perfil da professora em causa. Contudo, não foi a única a desejar prestar homenagem à sua professora. Cláudia Pinto, que já foi aluna desta escola, publicou um livro de poesia, “Poemas com Alma”, e nos agradecimentos referiu: “Em primeiro lugar, queria agradecer à professora Ana Maria Cameselle, por, em 2000, após ter lido os meus poemas na revista “Amanhecer” ter contactado a minha professora de Inglês, na época, Júlia Carvalhal (a quem também agradeço), no sentido de eu participar no concurso de poesia que me levou à Antologia Jovens Poetas do Baixo Minho.”. Também Cristina Barbosa, vencedora do ano 2007 do concurso “Uma Aventura… Literária“, promovido pela Editorial Caminho, numa entrevista para um jornal local, fez questão de “(…) deixar um agradecimento à professora Ana Maria Cameselle, pelo apoio e pelo incentivo à escrita e à participação.” (in “Jornal de Barcelos”, 23 de Maio de 2007). Poderia recuar nos anos e apresentar outros exemplos, mas creio que tal não será necessário. Julgo que estes três testemunhos bastarão para fazer fé da pessoa e profissional que escreveu, um dia, uma carta dirigida a V. Excia., por se ter sentido ferida na sua dignidade de professora.

Concluo com um poema escrito pela própria professora, Ana Maria Gomes C. Mendez, em homenagem à poetisa que sempre exaltou entusiasticamente, tanto nas aulas como nas conversas privadas:

A Sophia

Quiseste preservar da decadência e da ruína

O instante real do tempo dividido

Fizeste as coisas mergulharem na águas

Profundas e transparentes

Para que a aliança do mundo não se quebrasse

E a plenitude acontecesse

Num reino de conquista da justiça e da verdade.

Sentiste-te, qual Orpheu, em união sagrada

Com a natureza e com a vida

Convidaste as Nereides a contemplarem contigo

O mar, as ondas, a areia,

O teu mundo misterioso e antigo

Onde vozes diferentes comunicam

O caminho da redenção e da liberdade

Ressurgirás sempre que a luz branca iluminar

A mente dos que te lêem.

E a tua voz anunciará:

“Quando eu morrer voltarei para buscar

Os instantes que não vivi junto ao mar”

Convidar-nos-ás então a subir contigo até às fontes

E a observar as nossas imagens reflectidas nos espelho

Para a purificação do mundo.

(in “Amanhecer”, nº23, Maio 2005)

Com os melhores cumprimentos,

Fátima Inácio Gomes

Coordenadora do Departamento de Humanidades

Da Escola Secundária de Barcelos

Colegas,

Segue em anexo (PDF 151 KB) comunicado de imprensa para o qual peço a vossa atenção.Professoras portuguesas em terras de Sua Majestade
Jovens licenciadas seguem carreira de ensino no sistema educativo inglês

Desde 2006, já quatro jovens licenciadas em Ensino de Ciências da Natureza pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCTUNL) se mudaram para Inglaterra, seguindo o sonho de serem professoras de ciências. Uma está actualmente colocada numa escola pública e as restantes estão a preparar-se
para isso.

Inglaterra, 1 de Maio de 2008

Grato pela atenção, subscrevo-me
João Fernandes

O assunto já tem alguns dias, mas só hoje tive oportunidade de postar a carta que Rui Baptista fez divulgar no Público e no De Rerum Natura, em resposta à posição da Fenprof e de Mário Nogueira no sentido de o responsabilizar por declarações anteriores sobre o entendimento ME/Plataforma Sindical. Pelo atraso peço desculpa ao autor da carta que me tinha solicitado a sua divulgação há vários dias.

As minhas razões

Face ao esclarecimento da Fenprof, publicado hoje dia 22 de Abril, em resposta à minha carta “A máscara” de 17 de Abril, e pelo respeito que me merecem os professores e outros eventuais leitores das duas cartas, esclareço o seguinte:

1. Alerta o dr. António Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogado: “Hoje há autocensura, pior do que a censura. Há medo instalado nas pessoas e falta de coragem para exercer a liberdade de expressão” (transcrito do , 21 de Abril).

2. “No uso da licença e da liberdade de quem não pede favor senão justiça”, como foi costume na vida do Padre António Vieira, começo por esclarecer que não estou, nem nunca estive, contra um novo escalão de vencimentos a contemplar com justiça os professores titulares com trabalho acrescido no desempenho do cargo.

3. Limitei-me a chamar a atenção para o facto de o documento emanado do ministério da Educação, no ponto 10, especificar que essa atribuição contempla “designadamente titulares de cargos políticos, autarcas e dirigentes de associações sindicais” (sic.).

4. Esse facto, levou-me a mostrar a minha estranheza pela aceitação da divisão da carreira docente em duas categorias – professor e professor titular – que parecia um ponto de honra da plataforma no pomo de discórdia com o Ministério da Educação.

5.Lamentei que os professores não titulares tivessem o acesso aos escalões superiores congelados com real prejuízo para as suas vidas. E, de entre eles, a acessão a professor titular cada vez mais dificultada.

6. Convém dizer-se que os princípios ora acordados entre a plataforma e o ministério não mereceram a aprovação de todos os professores.

7. A minha metáfora da plataforma. se ter “ajoelhado aos pés da ministra” mais não quis significar que a cedência a princípios que poderiam parecer inalienáveis deste o princípio deste braço-de-ferro.

8. Discordar das posições da plataforma não é beliscar sequer o “bom nome dos sindicalistas”. Somente a minha divergência, desde o início, com o facto da plataforma, constituída por 14 sindicatos, agregar organizações que anteriormente defendiam pontos de vista diametralmente opostos.

9. O próprio Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, admitiu em Coimbra, numa sessão com a presença de meio milhar de professores, levada a efeito na noite de 21, “ter existido alguma ‘confusão’ sobre o acordo alcançado” (“Diário de Coimbra”, 22.Abril.2008).

10. Finalmente, até posso admitir que essa ‘confusão’ possa ter transparecido na carta. Nada mais.

Rui Baptista (Coimbra)

Porque me foi solicitado que publicasse…

No dia 20 de Março de 2008 foi publicada neste blogue uma carta minha intitulada “Sobre os professores – a Miguel Sousa Tavares”. Em relação a essa carta, sinto-me no dever de fazer um esclarecimento.
Referi que: “É do conhecimento público que o Sr. Miguel Sousa Tavares considerou os professores “os inúteis mais bem pagos deste país”. Quando escrevi “É do conhecimento público (…)”, fundamentei-me naquilo que ouvi vários colegas dizerem, e não apenas da minha escola, e ainda naquilo que li na Internet, nomeadamente no blogue http://www.ramiromarques.blogspot.com, do qual imprimi um texto que tenho em minha posse.
Vivo num país democrático e julgo ter o direito de manifestar a minha opinião sobre aquilo que considero, ou não, correcto. Esse direito tenho-o.
Já o direito de tornar públicas declarações que pudessem ter sido proferidas ou escritas pelo próprio, sem que eu própria as tivesse ouvido ou lido, esse direito não o tenho. Efectivamente, não ouvi o comentador Miguel Sousa Tavares proferir sobre os professores a frase “os inúteis mais bem pagos deste país”, nem li a mesma frase escrita pelo jornalista Miguel Sousa Tavares – e que o próprio desmente terminantemente alguma vez ter dito, escrito ou sequer insinuado.
Admito que cometi dois erros. O primeiro foi ter-me fundamentado no que me transmitiram e no que li na Internet. Como pessoa de boa fé que sou, acreditei que tal fosse verdade, tanto mais que, por esses dias, alguns jornalistas escreveram sobre os professores comentários nada abonatórios, que me indignaram. O segundo foi ter dado importância ao que ouvi e li. Considero-me uma pessoa útil à sociedade no exercício da minha profissão.
Exerço-a por vocação e com paixão. E, “Quem não deve não teme”, por isso nem sequer me devia ter indignado. Mas as emoções, em determinadas circunstâncias, são difíceis de controlar.” Errare humanum est.”
Reconheço, pois, que me precipitei, que errei, e, como cidadã responsável de um país democrático, tenho também deveres, por isso, esclarecida que está a situação, quero retractar-me e pedir desculpa a Miguel Sousa Tavares. Assim, retiro tudo o que disse na minha primeira carta, e que o possa ter lesado na honra e bom nome.

Ana Maria Gomes
Escola Secundária de Barcelos

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