Carta Aberta


Célia Pedro Rosado
Abrantes
Sábado, 7 de março de 2015

 

Carta aberta ao Sr. Ministro da Educação
Dr. Nuno Crato

No dia cinco de março, quinta-feira passada, o diretor do agrupamento de escolas onde leciono há dezoito anos informou-me que me tinha nomeado para ser professora classificadora do teste PET concebido pelo Cambridge English Language Assessment da Universidade de Cambridge.

Na altura, reconheço que fiquei bastante perturbada com a nomeação. Tinha andado a leste desta problemática que já soava no ar há algum tempo, não só porque nunca pressupus qualquer concretização efetiva, mas também porque este é um tempo de muito trabalho envolvendo a avaliação dos muitos alunos que tenho a meu cargo. Já no ano anterior, com o projeto, em tudo semelhante, mas denominado KET porque o nível de proficiência na língua inglesa era mais elementar, eu me tinha questionado sobre a oportunidade que o seu ministério estava a dar aos nossos alunos e tinha decidido não me voluntariar para integrar o conjunto de professores classificadores, não só porque percebi que afinal não seriam os professores do Cambridge como o Sr. havia referido no início com alguma pompa e circunstância, mas também porque nenhuma informação dada me pareceu séria ou credível no que às condições de adesão ao referido projeto dizia respeito e, sobretudo, à valorização da minha pessoa enquanto profissional da educação há já trinta anos, sensivelmente. E fiquei perturbada com a nomeação porque, apesar de me pagarem as deslocações quando o entenderem, considero uma irresponsabilidade e um enorme desleixo que, no início de março, a bem mais de metade do ano letivo, me venham informar que daqui a menos de um mês terei de me deslocar a outras escolas da minha área geográfica, sabe-se lá onde porque não faço qualquer ideia do perímetro, para realizar sessões de avaliação da oralidade de alunos que eu não posso conhecer. Fiquei perturbada porque, não tendo uma viatura disponível para esse efeito, terei de fazer o percurso que me destinarem à boleia ou de transporte público, o que se revelará bastante penoso para os meus alunos já que terei de faltar, possivelmente, durante todo um dia de trabalho pois na minha área geográfica os transportes públicos não abundam como nas que o Sr. Ministro está habituado a frequentar. Fiquei perturbada quando o Sr. Diretor do meu agrupamento me disse que o problema do transporte não poderia ser um critério para a não nomeação, mas, nessa altura, aceitei fazer um esforço e seguir o seu conselho de que “com bom senso, resolveríamos a situação da melhor forma”.

Agora, que já li a legislação publicada no dia dois de março, nomeadamente o Despacho nº 2179-B/2015, pergunto como é que se legisla no sentido de nomear pessoas para determinada tarefa com o pressuposto de que, não tendo a certificação exigida, essas pessoas a tenham de fazer à posteriori, conjuntamente com formação prévia, a menos de um mês do início de tal tarefa? A mim, parece-me que voltámos ao tempo da “outra senhora” quando primeiro batiam e só depois perguntavam onde as queriam apanhar. O Sr. considera poder obrigar pessoas formadas nas diferentes universidades deste país a realizar um teste (CEPT) validado por uma universidade inglesa só porque sim? Considera que estas mesmas pessoas estão motivadas a apostar na sua formação quando a nossa carreira não existe há dez anos? Eu, muito claramente lhe digo, não estou! E não estou, também porque, apesar de ter sido coordenadora do Departamento de Línguas do meu Agrupamento de Escolas durante cinco anos e de ter tido uma avaliação de “Muito Bom”, serei contemplada com um “horário zero” já que o seu ministério decidiu fechar tês vagas na minha área disciplinar. O Sr., mais do que todos os outros ministros da educação anteriores a si, é responsável por esta minha desmotivação porque, depois de todas as palavras de apoio à classe e contra a sua antecessora quando éramos achincalhados em praça pública ainda há tão pouco tempo, tem vindo a mostrar que toda a estratégia tem somente a ver com interesses políticos e económicos e não com pessoas e os seus direitos. Isto que o senhor e o governo do qual faz parte estão a fazer aos docentes de Inglês deste país é um ultraje. A liberdade conquistada há, daqui a pouco, quarenta e um anos e que começamos a celebrar já por todo o país, especialmente nas escolas do nosso agrupamento, não pode ser só uma rotina que se instalou porque fica sempre bem falar do assunto. Há que cumprir o significado e não fica bem aos governantes de um país, exemplos máximos de toda a estrutura, fecharem os olhos e fazerem “ouvidos de mercador” aos valores e pilares base de qualquer sociedade. Se calhar eu é que estou enganada e o Sr. até está a zelar pelos meus interesses, obrigando-me a realizar uma certificação que me possibilitará trabalhar noutros países europeus. Será que com esta medida, o Sr. está a incentivar-me a emigrar para o estrangeiro quando eu não for mais necessária para desempenhar a tarefa de há largos anos, como, de resto, o nosso primeiro-ministro tem feito com os jovens licenciados que não têm emprego em Portugal? Com quase cinquenta e quatro anos, parece-me um pouco difícil contratarem-me noutro qualquer país do espaço europeu para dar aulas de inglês, quando lá, também eles, sofrem do mesmo problema.

E muito mais teria para lhe dizer não fosse a pilha de trabalho que tenho às minhas costas e, como amanhã se celebra o Dia da Mulher, não quero estar a tarde toda a ver os testes dos meus alunos já que lhes prometi entregar-lhos na segunda-feira. Burra? Com certeza, mas eu gosto de cumprir as promessas que faço. Parafraseando uma jovem de treze anos que muitas vezes oiço dizer “É a vida…!”, deixe-me dizer-lhe que a vida dos adolescentes é, de facto difícil, mas a vida dos adultos comuns deste país também é muito difícil, cada vez mais, em grande parte, devido às ideias que teima pôr em prática, infelizmente!

Célia Pedro Rosado  

Divulgada, com gosto, a pedido do autor, pois quando se quer polémica e debate, nada como debater e polemizar.

Carta à Sra Professora Maria Filomena Mónica - 29.Mar.2014 (1)Carta à Sra Professora Maria Filomena Mónica - 29.Mar.2014 (2)Carta à Sra Professora Maria Filomena Mónica - 29.Mar.2014 (3)

Carta Aberta Em Defesa Da Escola

Carta aberta de um professor ao primeiro-ministro: não farei qualquer exame retroactivo

(…)

Não temo como nunca temi qualquer forma de avaliação, mas não me sujeito ou humilho perante este cenário a que Vossa Excelência nos quer forçar. Não farei qualquer exame retroactivo, imposto de forma ditatorial. Se o preço a pagar for a exclusão definitiva do ensino, assumo-o. Mais importante do que as palavras que proferimos é o exemplo que perdura. A dignidade não está à venda e não posso ser incoerente com tudo o que tenho passado aos alunos que o Estado me entregou. Ainda assim tenho a esperança que Vossa Excelência tenha a humildade (uma das maiores, se não a maior, virtude humana) de reconhecer o erro que esta medida encerra e procurar novas soluções.

CARTA ABERTA A SUA EXCELÊNCIA O SR. MINISTRO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA, PROFESSOR DOUTOR NUNO CRATO

Carta aberta ao Sr. Presidente da República

 

Assisti, hoje, dia 11 de Julho do ano da graça de 2013, à mais humilhante provocação aos portugueses, proferida pelo segundo mais alto magistrado da nação, a saber, a Presidente da Assembleia da República. Durante a discussão da
Proposta de Lei n.º 154/XII/2.ª
, a magistrada em causa, afirmou “não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes”.», citando a  ensaísta francesa Simone de Beauvoir,  merecendo aplausos por parte das bancadas da maioria PSD/CDS-PP.

         Como V. Exª sabe, a referida autora na sua obra, L’existencialisme et la Sagesse des Nations, inicia-se com uma frase do Grachus Bubeuf ” Os nossos carrascos criaram-nos maus costumes”, para expor que o sentimento de vingança mais ardoroso e latente só foi experimentado diante da opressão nazista.

         Porque me sinto insultado, como português, com esta comparação com carrascos nazis que cometeram hediondos crimes, peço a Vª Exª, como garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas, se digne efetuar as diligências necessárias à apresentação de um pedido de desculpas, aos portugueses, por parte da segunda mais alta figura da nação.

 

O cidadão

Abel José Torres Pereira de Eça

… parecem existir coisas complicadas. Divulgo, a pedido, uma…

Carta Aberta ao Sr. Ministro da Educação e Ciência

Carta Aberta Aos Meus Colegas, Professores

Em primeiro lugar, gostaria de declarar o meu regozijo pela vossa adesão maciça à greve de 17 de Junho, que conduziu a que no nosso Agrupamento nenhum aluno tivesse realizado o exame de Português e que, por conseguinte, fosse garantida a equidade entre os nossos alunos.

Em segundo, confesso-vos o meu orgulho por, até ao momento em que escrevo, não terem viabilizado a realização de qualquer reunião de avaliação, numa acção concertada e solidária que jamais imaginei ser possível alcançar.

Em terceiro, expresso a minha convicção de que esta luta que estamos a travar é absolutamente decisiva para determinar o nosso futuro profissional e pessoal. Porém, perante a constatação de que ela chegou a um impasse e a sensação de que muitos começam a vacilar quanto à manutenção da greve às avaliações, senti a necessidade de vos recordar que ou nos mantemos unidos e firmes na greve às avaliações – por tempo indeterminado – e obrigamos o ME a ceder às nossas legítimas exigências, ou “quebramos”, cedemos e aceitamos as medidas indecentes que ele quer levar a cabo. Ainda não tinha terminado a frase anterior e já estava a “ouvir” o protesto de alguns colegas, alegando a dificuldade (económica) de prosseguir com a greve por muito mais tempo… Ora, a isso, eu, embora reconhecendo que cada um sabe melhor de si e dos seus que qualquer outro, respondo com uma pergunta. O que é que é melhor: perder dois, cinco, dez, quinze dias de vencimento agora, aguentar os sacrifícios, vencer o “braço de ferro” e garantir as condições para continuar a trabalhar com dignidade no próximo ano lectivo e seguintes, ou, pelo contrário, desistir da greve, obviando perdas de vencimento, porém arriscando (senão no próximo, nos seguintes) o desemprego ou a mobilidade especial, a escravatura das 40 horas, o aumento brutal da componente lectiva, o salário indigno, o cansaço extremo, o stresse agudo, a doença grave?

Não sei qual é a vossa resposta, mas de uma coisa não tenho dúvidas: se perdermos esta luta, acabam-se as lutas… A humilhação será colossal; o moral não mais se elevará; a capacidade reivindicativa tornar-se-á praticamente nula; todas as tropelias do ME serão facilitadas e a sujeição ao seu “diktat” será perene.

Portanto, face a este previsível cenário, consideram que desmobilizar é opção?

 

Cumprimentos,

José Couto

CARTA ABERTA DE UM PROFESSOR EM DACL

Eu, Alberto Miranda, professor do grupo 240, estando no meu décimo nono ano como docente, neste ano letivo 2012/2013, fiquei pela primeira vez numa situação de horário zero no Agrupamento a que faço parte do quadro (Agrupamento situado no concelho de Vila Nova de Gaia).

Relativamente à situação de professor de DACL, passo a descrever duas situações de forte injustiça:

1º-Neste ano letivo (2012/2013) já é a terceira escola que estou a lecionar;

2º-Como professor do quadro de um Agrupamento a que pertence ao chamado “Grande Porto” sou automaticamente obrigado a concorrer na Bolsa de Recrutamento às escolas dos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar (acontece uma situação semelhante aos colegas da “Grande Lisboa”), mas por exemplo se eu fosse professor em DACL numa escola do concelho de Espinho só era obrigado a concorrer às escolas desse concelho. Portanto, estamos perante situação de desigualdade de tratamento entre colegas, isto é, corretamente todos os professores deveriam concorrer ao mesmo número de escolas ou concelhos na Bolsa de Recrutamento;

3º- Sendo um professor que está entre os primeiros na Bolsa de Recrutamento, no grupo 240, quando entro na dita Bolsa, sou imediatamente colocado numa escola, mas os colegas que se encontram nos últimos lugares da lista estão numa situação de maior “estabilidade”….Possivelmente haverá professores que ainda não foram colocados em nenhuma escola apesar de estarem com horário zero. Não deveria ser rotativo a colocação de professores? Pergunto se há alguma vantagem em ser colocado numa escola na Bolsa de Recrutamento (o tempo
de serviço não conta de igual forma independentemente se está colocado na bolsa de Recrutamento ou não?).

Concluindo, sinto um enorme desgaste profissional com tudo o que se tem passado (e não relatei as situações vergonhosas que aconteceram comigo desde o inicio deste ano letivo) desde noites mal dormidas a uma ansiedade sobre o meu futuro profissional.

Alberto Miranda

Chegada por mail:

Carta Aberta

Ilustres, somos encarregados de educação de uma aluna da Escola Óscar Lopes, que recentemente foi alvo de um acontecimento com fins trágicos para um funcionário. Apuramos junto de pessoas que estiveram diretamente envolvidas, factos contrários ao que alguns órgãos de comunicação social anunciaram através das declarações de alguns elementos da autarquia e da DREN. Não sabemos os motivos das suas declarações, mas também não é essa a razão que nos leva a redigir esta carta.

São dois pontos apenas, que gostaríamos de enunciar e que vos levasse à reflexão.

O primeiro e como pais atentos, envolvidos e motivados com o sucesso escolar da nossa filha, estamos preocupados e alarmados com os últimos desenvolvimentos comportamentais inadequados dos alunos. Gostaríamos de salientar que os mesmos, já ocorriam no ano letivo anterior e no nosso parecer, as medidas aplicadas com sucesso, pecavam por tardias. No decorrer deste ano, fomos convidados algumas vezes pelo pessoal docente, a participar e colaborar em medidas e estratégias de combate, ao mau comportamento dos alunos na sala de aula. Constatamos, que havia uma enorme vontade e necessidade por parte do pessoal docente, em motivar alunos referenciados como desestabilizadores, para a participação na vida escolar, deforma a poderem atingir os seus objetivos e não prejudicar os outros. Verificamos que muito tem sido feito, mas é insuficiente e pouco eficaz. Sabemos também, que são processos que tem seguir trâmites legais e a parte burocrática passa por um sistema na sua maioria moroso. Mas gostaríamos de deixar um alerta. Sejam mais proactivos na resolução de problemas deste género e menos condescendentes com quem tem direito à educação, mas que nada faz para a merecer e que por sua vez impede os outros de beneficiar dela. Não são decisões fáceis, porque ninguém as quer nem gosta de tomar. Mas são decisões justas, que podem prevenir e impedir no futuro, males maiores que já foi notícia e com fim trágico para muitas famílias. Contudo, estaremos atentos aos próximos desenvolvimentos e sempre disponíveis a colaborar com todos.

O segundo e último ponto, tem como referencia a decisão da DREN comunicar à Comissão Executiva da escola que hoje seria um dia normal de trabalho. É óbvio que esta decisão não caiu bem no corpo docente e não docente. E nós estamos solidários com eles, pois não há condições de trabalhar, apôs um acontecimento desta natureza. Queremos todos fazer o luto a um funcionário que sempre desempenhou bem as suas funções em serviço e em prol do mais nobre projeto que todo cidadão tem direito. Mas para além disso havia um homem de família que fazia parte de muitas outras e da minha. Será que não há um pouco de bom senso, solidariedade e de alguma coragem?

Paz eterna ao Sr. CORREIA.

CARTA ABERTA

 

Morreu um de nós: um daqueles que zelava pela segurança de todos (alunos, funcionários e professores); O nosso elo mais forte, em pleno exercício das suas funções.
Para evitar que um aluno maltratasse um colega fazendo perigar a sua vida, durante a aula, mesmo perante a pronta ação do professor e de um funcionário, foi pedida a intervenção dos vigilantes da escola, para que fosse conduzido à Direção Executiva para que esta acionasse os técnicos da Escola Segura.
Desde o início do comportamento, de extrema violência, materiais foram destruídos, funcionários e docentes ameaçados de morte verbalmente e agredidos fisicamente.
O esforço dos vigilantes em controlar tais atitudes foi imenso mas não conseguiram evitar a destruição descontrolada de mesas, quadros, armários, cadeiras e os atos de ataque físico.
Já na Direção Executiva, e perante o continuado comportamento violento, o vigilante Correia manietando o aluno, manteve-se como pilar determinante na segurança física de outros elementos da comunidade educativa, que tentavam também intervir. Mais de dez pessoas tentaram, sem sucesso, conter o aluno!
Assim, perante uma violência física e emocional tão demorada e brutal o vigilante Correia colapsou.
De imediato foi assistido por professores e funcionários que lhe fizeram as manobras de reanimação (respiração boca a boca e massagem cardíaca) até à chegada do INEM, que prestou toda a assistência possível que, no entanto, se mostrou ineficaz para salvar o Sr. Correia.
Estamos profundamente abalados e consternados com o falecimento do colega em pleno exercício das suas funções, num local, por excelência, educativo, onde uma morte nesta situação é inaceitável.
Estamos de luto, estamos perante algo que não conseguimos aceitar e, por isso, não sentimos capacidade de gerir emocionalmente uma situação tão dramática; estamos na escola sem darmos aulas, incapazes de pedagogicamente abordar o assunto junto dos restantes alunos.
Todos os que se encontravam na escola ficaram em choque. Como pode isto ter acontecido numa escola? Que ambiente se vive? Que aprendizagens se fazem quando há quem possa frequentá-la enchendo-a de ameaças e de violência?
O contexto escolar do Agrupamento está pormenorizadamente descrito no Projeto Educativo. Todos os profissionais que nele trabalham estão conscientes do universo em que se movem e procuram por todos os meios ajudar a orientar crianças e jovens de um meio problemático, com fragilidades várias, com comportamentos difíceis de gerir. Temos uma equipa técnica preparada e muito ativa, no âmbito dos recursos TEIP. Lidamos com os problemas que vão surgindo e conseguimos muitos resultados positivos.
No entanto, há sempre um pequeno número de alunos, bem identificados na escola, que ultrapassam todos os limites do aceitável numa comunidade escolar, pois põem em risco os seus membros, a nível físico e psicológico, de forma sistemática: não aceitam a autoridade de ninguém, pelo que não cumprem as regras da escola, nem as mais básicas de convivência; ameaçam; aterrorizam; agridem.
Em relação a estes alunos já tudo foi feito, desde as estratégias aplicadas pelos professores e pelos diretores de turma para motivar o aluno para a aprendizagem e para a socialização, passando pelas medidas previstas no Estatuto do Aluno, completamente ineficazes para estes casos. Tiveram a intervenção do SPO, GAAF, ADEIMA, CPCJ, Tribunal de Menores. Aos diretores de turma são pedidos relatórios, pareceres, esclarecimentos de todos estes organismos. Enquanto isto acontece e durante anos, a situação destes alunos na escola mantém-se inalterada, até os jovens saírem da escolaridade obrigatória ou terminarem o ciclo de estudos. Isto é, embora várias instituições estejam envolvidas, a escola tem de manter os alunos ou transferi-los para outras escolas, deslocando o problema, não resolvido, para os outros. Estes continuam assim a ameaçar e a agredir colegas, funcionários e professores, continuam a impedir os colegas das turmas em que estão inseridos de poder ter um ensino de qualidade, minando as aulas. Têm e criam um sentimento de poder ter impunidade e de ausência de limites, que é o oposto do que lhes deveria ser ensinado.
A escola regular não pode dar a estes alunos a resposta de que eles precisam. A tutela não está a cumprir o seu papel, que inclui o de resolver a situação destes alunos e o de proteger o direito à educação e à integridade física e psicológica de todos os outros e de quem trabalha nas escolas.
Por estes motivos, dirigimo-nos à Tutela, exigindo que, com a maior urgência, se debruce sobre este problema e o resolva eficazmente, criando acompanhamento adequado às crianças e jovens com comportamentos disruptivos, que põem em riscos elementos da comunidade escolar em que se inserem. Este acompanhamento terá de implicar o afastamento destes jovens das escolas regulares e a sua integração em ambientes controlados, específicos e preparados para este tipo de perfil psicológico.
Morreu o Sr. Correia, dizemos. Já tinha problemas de saúde, dirão. Nos olhos uns dos outros lemos «Mataram o Sr. Correia».

Matosinhos e EB 2, 3 Professor Óscar Lopes, 31 de janeiro de 2013

Assinatura de docentes e não docentes

A carta é longa, fica em pdf: CARTA_ABERTA_AOS_PROFESSORES_PORTUGUESES_CIP.

Carta Aberta ao Sr. Ministro da Educação e da Ciência

Excelentíssimo Doutor Nuno Crato

Num imperioso dever de cidadania e forte convicção profissional, os professores de educação especial solicitam o seu reparo para uma inadiável causa pública e a resolução da injustiça do concurso docente no grupo de recrutamento da educação especial.

Seguindo o seu pensamento “Apostar na excelência para ganhar o futuro” urge respeitar a experiência no grupo de educação especial, para ganhar o futuro dos alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente. Não é compreensível que à luz da promoção de qualidade Educativa, não se salvaguarde os sucessivos anos de experiência dos professores de Educação Especial e formação creditada realizada. De realçar que esta possível medida educativa não acarreta qualquer custo nestes tempos difíceis de austeridade económica que o País transpõe.

No contraditório da defesa desta posição, é provável que se alegue que todos devem ter direitos iguais no acesso a esta profissão. Se é verdade que é legítimo os colegas optarem pelo grupo de recrutamento de Educação Especial, não é menos verdade que a qualidade do Apoio Especializado aos alunos de Educação Especial está em causa, sendo sucessivamente substituídos e ultrapassados os professores com vários anos de formação creditada e de experiência em Educação Especial.

No entanto, estamos em crer que não se trata de diferenciar os direitos dos professores mas sim garantir o direito destes alunos com necessidades educativas especiais à qualidade de ensino, considerando na lista de ordenação a prioridade da experiência no grupo de recrutamento e não no ensino em geral.

Nem todos devem ser professores de Educação Especial. É uma função Especial. Especial no processo de ensino com alunos com limitações graves, muito graves e completas onde se requer muito tato, sensibilidade, persistência e paciência…. Requer experiência de avaliação pedagógica de acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade, exige avaliação pedagógica, observação de comportamento e de funcionalidade apurada, conhecimento aprofundado de diversa legislação, elaboração de documentos específicos e experiência de ensino com alunos de diversos diagnósticos clínicos. Todo este conhecimento é excluído quando os professores de Educação Especial são ultrapassados e preteridos por colegas que não têm experiência na área. É de todo inadmissível esta situação. Num país dito civilizado isto não pode acontecer. A Educação Especial carece de experiência para saber lidar com alunos muito frágeis e encarregados de educação na sua maioria muito ansiosos. A forma como os professores de Educação Especial se relacionam com estes alunos e seus encarregados de educação não é equiparável com o ensino regular.

O cerne da questão é a substituição de professores com experiência em Educação Especial por professores sem experiência nesta área mas com mais tempo de serviço noutras áreas e que para garantirem os seus postos de trabalho concorrem a este grupo de recrutamento. Por exemplo, um professor que tenha 2001 dias num qualquer grupo de recrutamento substitui um professor com 2000 dias de serviço na Educação Especial.

Como é do conhecimento de todos, nos últimos anos o número de vagas para os professores contratados têm vindo a diminuir na maioria dos grupos de recrutamento. O grupo de recrutamento de Educação Especial é exceção a esta diminuição de vagas.

Com a atual dificuldade de colocação, e considerando a não diminuição de vagas no grupo de recrutamento de Educação Especial, muitos colegas optaram por obter a Pós-Graduação/Especialização em Educação Especial, com o único intuito de sobreviver nesta selva de colocações de professores.

Importa salientar que devido à grande procura nesta área de formação, o mercado do Ensino Superior tem vindo a negligenciar as exigências para efeito. Tomemos como exemplos as formações e-learning realizadas em seis meses ou Pós-Graduações/Especializações rápidas e baratas. Comparativamente, e há relativamente poucos anos, exigiam no mínimo um ano de percurso Curricular e a defesa de uma Monografia/Projeto perante um Júri de Professores de acordo com o domínio escolhido (cognitivo-motor/audição/visão).

Quando os professores oriundos de outros grupos de recrutamento, alguns com mais de dez anos de serviço optam pelo grupo de recrutamento de Educação Especial não o fazem por vocação, mas sim para manter a sua profissão de professor num grupo que lhes dá maiores possibilidades de colocação. Concorrem à Educação Especial para sobreviver na selva, tentando salvaguardar um posto de trabalho e não o fazem por predisposição.

Nota-se de forma significativa um aumento de docentes no grupo de recrutamento de Educação Especial (910). No ano letivo de 2010-2011 a lista de ordenação ao concurso nacional de docentes tinha 1556 candidatos, no ano letivo de 2011-2012 tinha 2977 candidatos e por fim, neste último concurso, a lista definitiva de ordenação no grupo de recrutamento de Educação Especial teve 4615 opositores ao concurso.

Assim, cremos pertinente que os concursos de docentes aos grupos de recrutamento de Educação Especial devem ter em consideração o tempo de serviço efetivo exercido pelos docentes nestes mesmos grupos de recrutamento. O antigo D.L. n.º 20/2006 contemplava essa situação. Assim, é urgente a alteração do atual D.L. n.º 132/2012 que legisla os concursos de docentes aos grupos de Educação Especial. Tal situação ocorria dada a importância da experiência neste setor ser relevante para ordenar os Professores, isto é, primeiro os que tinham formação e experiência (no mínimo 365 dias de serviço) na escola pública. Numa 2ª prioridade estavam os candidatos com formação especializada no domínio da educação especial a que se candidatavam com, pelo menos, 365 dias de tempo de serviço docente prestado na área da educação especial, ou em colocação resultante do concurso abrangido pelo referido decreto-lei (DL 20/2006), após a conclusão do curso. Por último, existia a 3ª prioridade (candidatos com formação especializada no domínio da educação especial a que se candidatam).

Deste modo, vimos solicitar a Vossa Excelência a sua reflexão certamente inteligente perante as graves consequências na qualidade da educação especial.

Gratos pelo tempo que nos dispensou sobre o exposto,

Com os melhores cumprimentos,

João Lino Silva, Luísa Alves, Paulo Borges, Sofia Barcelos e Vera Garcia.

Carta aberta do reitor da Universidade de Lisboa ao primeiro-ministro

Em carta aberta dirigida ao primeiro-ministro, o reitor da Universidade de Lisboa considera que avaliação negativa recebida teve por base “critérios, ponderações e dados duvidosos ou incorrectos”.

Caríssimo Doutor Nuno Crato,

Antes de mais deixe-me dizer-lhe que o tenho em grande consideração e que fiquei muito satisfeito quando o vi à frente dos destinos do Ministério da Educação e Ciência, pois comungo de muitas das opiniões que me habituei a vê-lo defender antes de assumir o cargo que hoje ocupa (mesmo aquelas que fazem mossa a muitos colegas como o caso do exame de acesso à profissão).

Sou Licenciado em Ensino de Matemática pela Universidade do Minho e desde 2005 que ocupo lugares como professor contratado em escolas públicas. Ao longo destes anos sempre me envergonhei das entrevistas que nos meses de Setembro inundam as nossas televisões com relatos deprimentes de colegas meus a lamuriarem-se por, sob o fado de serem professores se verem sujeitos a estar deslocados a centenas de quilómetros de casa, ou pior do que isso a sujeitarem-se às mais mirabolantes viagens diárias, querendo (face à opinião pública) culpar o ministério dessa realidade.

NUNCA CONCORDEI COM ISTO!!! A minha postura sempre foi, “só ali foram colocados, porque em fase de concurso EXTERNO a isso se dispuseram, tendo colocado o código(s) de tal situação”

Para nunca incorrer em tal situação sempre fiz os meus concursos sob uma consciência profissional e pessoal assentes na razoabilidade, ou seja quando era mais novo e livre de encargos familiares concorri e estive deslocado em várias zonas do país (ilhas incluídas) por entender que estava disposto a tal. à medida que os anos foram passando e que as minhas responsabilidades familiares foram aumentado, fui condicionando as minhas opções de concurso. A minha consciência profissional diz-me que não posso querer agarrar uma colocação a qualquer preço. A minha consciência, diz-me que não posso querer agarrar um lugar a 120km de casa e depois acreditar que fazendo 240km por dia posso ensinar Matemática como deve ser, ou posso ter tempo e capacidade para preparar as minhas aulas , ou ainda que o montante que me sobre entre gastos e proveitos me é suficiente para subsistir (conheci um colega que fazia Gaia – Oliveira do Hospital – 175kmX2 todos os dias!!!!!). Sob esta consciência tenho feito concursos que me podem colocar em contratos menos almofadados, mas exequíveis.

Este ano não entendo o que e que o MEC pretende com as novas regras do concurso externo de professores. Qual é o objectivo prático da obrigatoriedade de um número mínimo de escolas, concelhos e QZPs? Já pensou que obrigar profissionais externos aos quadros a terem de se candidatar a um número mínimo de opções seria o mesmo que obrigarmos os nossos jovens candidatos ao ensino superior terem de se candidatarem a um número mínimo de cursos ou Universidades distintas? Acha que isto faz sentido?

O Doutor Nuno Crato que me habituei a ouvir e ler não pode concordar com isto! Tenho a certeza!
Será que tinha real consciências desta situação? Quer um exemplo para que possamos ver e sentir melhor do que podemos estar aqui a falar? Ok… se quiser pode descarregar o mapa anexo para me seguir mais facilmente…

Imaginemos o meu caso (professor de matemática há 7 anos com uma graduação a nível nacional confortável (posição 1000 p.e.)) mas a morar em Castro Marim (cod.0804) e por já estar na tal posição minimamente confortável (no meu grupo) costumo concorrer a 8 ou 10 concelhos em torno do meu de residência num raio de 60km apanhando escolas de 2 QZPs, (08 – Algarve e 02 – Baixo Alentejo) mas não aos QZPs inteiros pq trabalhar em Mértola (cod.0209) é mais vantajoso do que ir para Aljezur (0803). E tenho sempre tido colocação.
Ora este ano, com o mesmo perfil de professor externo sou obrigado a concorrer a 2 QZPs inteiros (cod. 08 e 02 escolhidos por razões óbvias), o que na prática quer dizer que estou disponível para trabalhar por exemplo em Grândola (cod.1505) a cerca de 220km (2:20h) da minha residência! Mas isto não pode ser verdade!!! Eu de facto não estou disponível para tal! A minha graduação por ser confortável vai colocar-me bem posicionado no caso de existirem vagas em Grândola, mas aí eu vou ter de fazer mais de 440km por dia para ir trabalhar ou mudar-me para lá por um ano a troco dos mesmos 1000€!

Está ver o perverso que isto é? Não poderia ficar nessa escola de Grândola o colega que é 1001 e por acaso até mora lá e sempre concorreu para essa escola? Face a esta opção para mim o melhor era mesmo ficar sem escola! Agora desta forma se eu depois de ser lá colocado não me disponibilizar a ir… fico 2 anos sem poder concorrer!

Há quem sugira que estas alterações foram conscientes e propositadas, para que os contratados não concorram (a malta da teoria da conspiração), o que eu não acredito!!!! Acredito mais que quem fez isto só olhou para Lisboa, onde facilmente temos 2 QZPs (cod. 23 e 11) com uma distância máxima de 60km (Cascais – Vila Franca de Xira)

Por isso peço-lhe que olhe para o Decreto-Lei 132 de 06/2012 (que como por magia passou a regular um concurso público que foi aberto pelo MEC a 13 de Abril 2012) com o espírito critico e a inteligência que sempre me habituei a ver nas suas argumentações. Olhe essencialmente para esta questão dos números mínimos obrigatórios e convença-me e convença-nos que há alguma lógica e justiça nesta situação.

Neste momento sinto que, sob a ditadura das aplicações informáticas, há milhares de professores contratados que vão concorrer para centenas de escolas onde não estão dispostos nem capazes de trabalhar criando, pela primeira vez na história dos concursos de professores, argumentos (agora VERDADEIROS) para milhares de dramas profissionais e pessoais dos professores portugueses.

Como profissionais externos a qualquer quadro podemos não ter grandes direitos (mesmo que já o sejamos há 14 anos, como é o caso da minha mulher) mas o mínimo que gostaríamos de sentir por parte do nosso país, em geral, e do governo, em particular, era o mínimo de respeito pelas nossas vidas.

Grato pelo tempo que me dispensou e certo da sua reflexão inteligente sob o exposto,
Com os melhores cumprimentos,


Rui Ferreira

CARTA ABERTA AO SENHOR MINISTRO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA, A PROPÓSITO DA NOVA MATRIZ CURRICULAR EM EDUCAÇÃO FÍSICA E DA NÃO CONTABILIZAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO OBTIDA NA DISCIPLINA PARA APURAMENTO DA MÉDIA FINAL NO ENSINO SECUNDÁRIO

Permita-me, Senhor Ministro, manifestar a minha profunda discordância e indignação face ao estatuto de menoridade conferido à Educação Física, em resultado da publicação do Decreto- Lei nº 139/2012 de 5 de Julho que estabelece os princípios orientadores da organização e da gestão dos currículos dos ensinos básico e secundário. No seu preâmbulo é possível encontrar alguns dos fundamentos que, neste momento, atormentam a vida das escolas, pelas consequências na preparação dos horários, designadamente a componente letiva e que se expressam no seguinte:

– “O princípio da flexibilidade na organização das actividades”;

– “Às medidas adotadas e que passam, essencialmente por um aumento da autonomia das escolas na gestão do currículo”;

– “A redução da dispersão curricular concretiza-se no reforço de disciplinas fundamentais, tais como o Português, a Matemática, a História, a Geografia, a Fisico-Química, as Ciências Naturais e a promoção do Inglês”;

– “ Adicionalmente, na área das Expressões, reafirma-se um reforço da identidade disciplinar”.

Em primeiro lugar, importa contextualizar o problema, sobretudo porque os docentes que se encontram efetivamente nas escolas sentem, no quotidiano, o verdadeiro sentido da flexibilidade e o significado da autonomia. É neste quadro de autonomia que as escolas têm liberdade de organizar os tempos letivos, na unidade mais conveniente desde que respeitem as cargas horárias totais de cada disciplina. Todavia, as novas matrizes curriculares e a diferenciação da carga horária letiva, encerram em si, constrangimentos geradores de desigualdades e mesmo injustiças, face às especificidades dos agrupamentos de Escolas, com reflexos no plano do ensino e aprendizagem e na empregabilidade da classe docente.

No que concerne à especificidade da área disciplinar da Educação Física, torna-se evidente o seu estatuto de menoridade. A primeira questão a levantar situa-se no plano da decisão política e do domínio ideológico, pese embora a legitimidade democrática, não se vislumbra fundamentação no plano concetual e científico para sustentar a criação de uma nova componente do currículo – Expressões e Tecnologias, no 3º Ciclo do Ensino Básico, integrando a Educação Física, a Educação Visual, TIC e Oferta de Escola, sendo-lhe atribuída uma carga horária global, a gerir pela própria Escola, tornando esta medida arbitrária. Também no ensino secundário, a contabilização de tempos mínimos de 150 minutos para cada ano de escolaridade (10º,11º e 12º ano) em oposição aos habituais 180 minutos pode resultar em perda de horários para algumas escolas e num défice de 30 minutos semanais para os alunos. A simples organização dos tempos letivos em períodos de 45 ou 50 minutos, pode traduzir-se em prejuízos evidentes. Assim, a título de exemplo, tendo por base a minha Escola – a opção pelos tempos letivos de 45 minutos em vez de 50 minutos, evitou uma perda de 1800 minutos, no conjunto dos horários relativos à disciplina de Educação Física, aproximadamente.

A segunda questão prende-se com a não contabilização da classificação obtida na disciplina para apuramento da média final no ensino secundário. Esta medida, senhor ministro pode representar um retrocesso de 17 anos e carece de justificação. Porquê esta decisão? Tanto mais que se inicia um novo ciclo de escolaridade obrigatória, até ao 12º ano, e a mensagem que vai passar para os alunos do 10º ano é que há uma disciplina que não é considerada em paridade com as outras, cumprindo uma missão recreativa.

É certo que a Educação Física, para o ME, não entra no pacote das disciplinas fundamentais, o espaço é reduzido para “guarida” de tantas disciplinas, e ainda por cima o peso da Matemática e da Língua Portuguesa (Português) é cada vez mais acentuado. Percebe-se, por isso, as razões da discriminação negativa para a área disciplinar da Educação Física, mas não podemos concordar. Para mim, para a comunidade científica, para as universidades, para as associações de profissionais, designadamente SPEF e CNAPEF, para os profissionais da saúde, para os Diretores das Escolas, para as Associações de Pais e Encarregados de Educação, para os docentes em cada escola e para a esmagadora maioria dos alunos, a área da educação física, da atividade física e do desporto escolar, continuará a ser fundamental para a vida da Escola e da comunidade educativa. Por isso, em conformidade com o estatuto formativo e educativo e face à sua especificidade e singularidade, somos obrigados a relembrar que nenhuma outra disciplina do currículo nacional, no quadro do sistema educativo e no contexto da escola, pode substituir a EF na educação e formação das nossas crianças e jovens, de modo tão significativo, porque:

–  É elemento estruturante da formação integral e pluridimensional do indivíduo, envolvendo domínios e conteúdos diversificados;

– Permite o desenvolvimento de competências diversificadas, pessoais, sociais, afetivas e cognitivas;

– Constitui um sinal de saúde e bem-estar, não só pela possibilidade de transmitir valores e ideais com enfoque nos estilos de vida ativos e saudáveis como, também, no combate à obesidade e sobrepeso entre a população infanto-juvenil;

– Facilita o acesso às práticas físicas e desportivas, oportunidade única para muitos milhares de jovens em idade escolar;

– É factor de realização de projetos, favorecendo aparecimento e desenvolvimento de dinâmicas organizacionais e associativas numa perspetiva de formação para a vida;

–  É espaço privilegiado de inclusão para as populações escolares, de combate ao racismo e à xenofobia;

– Combate o abandono e o insucesso escolar.

Em síntese, Senhor Ministro, aceite a esta minha posição, talvez corporativa, carregada de indignação e desconforto, mas cheia de preocupações e receios, face ao momento que vivemos no interior da Escola Pública. Aqui, a Educação Física vê-se reduzida a uma missão recreativa, sem efeitos na avaliação, facto que constitui um pesado constrangimento para o futuro. Apesar de tudo, queremos acreditar que os múltiplos e valiosos objetivos que aqui figuram serão atendidos. Os problemas não são eternos e têm sempre uma solução.

20 de Julho de 2012

Docente de Educação Física do Quadro de Nomeação Definitiva da Escola Secundária c/ 3º Ciclo de Ferreira Dias – Agualva (Sintra)

Manuel Pina

CARTA ABERTA AO ALUNO

                                                                                                            Querido Aluno,

   É pena hoje em dia já poucas pessoas escreverem cartas. Daquelas que todos gostam de receber num dia especial. As que ainda vamos recebendo em casa são as formais que notificam frequentemente valores em débito para pagamento, e às vezes porque entram em relaxe.

   Por isso, hoje resolvi escrever uma carta a sério, a ti e a todos os jovens que procuram o espaço que vos é devido nesta sociedade. Que é um direito que não precisa de ser inventado. Está consagrado na Declaração dos Direitos Humanos, na Constituição Portuguesa, no Código do Direito Civil, no Código do Trabalho ou no Regulamento Interno da tua escola.

   Se és capaz de persistir na leitura desta missiva, quer dizer que estás pronto para pensares sobre os teus interesses na vida. Não importa se te parecem demasiado ambiciosos. Dar sentido às tuas ideias é o verdadeiro passo em frente.

   A vida às vezes parece uma armadilha, sobretudo quando ainda somos ingénuos – e não é preciso ser-se criança ou jovem… Aprende a acreditar em ti, a descobrir o que gostas de fazer, a observar os outros e o mundo à tua volta. Não te deixes abalar por críticas, por vezes mal intencionadas ou impensadas. Se te quiserem silenciar é porque tens alguma coisa que vale a pena dizer. Não te emudeças. Quando muito, aguarda pelo momento, a circunstância e a atitude mais conveniente para o fazeres. O mundo é grande. Há espaço para todos. Por isso, nunca deixes de acreditar em ti. Podes julgar-te pouco preparado para enfrentar os desafios, mas a motivação é estimulada pelo teu pensamento. Não te deixes enfraquecer. Não te deixes ludibriar por falso pretextos para não desenvolveres o teu potencial, aquele que vais descobrindo, às vezes com a ajuda de professores, às vezes com ajuda da família, às vezes sem ajuda de ninguém, apenas com a força que vem de ti próprio. Não interessa quantas pessoas tens ao teu lado, desde que te tenhas a ti próprio. Essa é que é a condição sine qua non. Até porque não deves fazer depender muito a tua motivação da opinião dos outros. Importante é que sejas cauteloso e exigente com a tua formação. Aceita os desafios com entusiasmo. Sê humilde a aprender. Confia nos teus sentimentos. Sê generoso para te saberes perdoar quando erras. Agradece os conselhos, mas dispensando os pensamentos emprestados. Desenvolve o teu espírito crítico. Não te deixes manipular. Tens que viver a vida conforme a tua vontade, aquela que vai escolhendo o caminho da valorização pessoal para servir um dia o bem comum. Sê sincero para não te arrependeres. Sempre atento à verdade dos outros. Quando te tentarem convencer, duvida. Aprende a interpretar sinais implícitos à tua volta. Zanga-te, com moderação. Vive com os outros, mas não dos outros. A amizade nasce da beleza do gesto despretensioso. Valoriza a ajuda, sem esquecer a autonomia. Encoraja a simplicidade, sem te humilhares. Sê amigo dos outros, mas também de ti próprio. Aprende com as dificuldades e com as indelicadezas, sem desperdiçares os sentimentos bons que podes ganhar com essas experiências. Aprende a agradecer os talentos e a desenvolvê-los. Faz de ti um bom amigo. Só assim ser-te-ás bem-vindo e darás o melhor de ti mesmo.

   E nós ficar-te-emos eternamente agradecidos.

                                                                                             A tua profª

                                                                                           Rosa Duarte

                                                                         Laranjeiro, 24 de fevereiro de 2012

Com autorização de divulgação. Foi enviada para os grupos parlamentares, gabinetes do ministro e secretários de Estado, dren e alguns órgãos de comunicação social.

.

Exmos Srs

Dirijo-me a todos os destinatários desta carta na qualidade de encarregada de educação de um aluno do ainda Agrupamento de Escolas de Fajões, manifestando a minha preocupação com o futuro que se adivinha muito incerto.

Durante cerca de três anos acompanhei o projeto educativo da escola. Não concordei com todas as decisões do atual diretor, mas foi para mim sempre claro o rumo que a escola tomou. A face da escola mudou, as medidas de apoio aos alunos foram uma constante mesmo quando a autarquia recorrentemente se demitia das responsabilidades que tinha no âmbito das competências que lhe estão atribuídas. Se no início do percurso do meu educando hesitei em matriculá-lo nesta escola, até à semana passada não teria dúvidas em mantê-lo, reconhecendo a qualidade do projeto educativo, que sendo coletivo, assenta inquestionavelmente na visão e no carisma do diretor do agrupamento.

Numa altura em que se procuram resultados, as taxas de abandono e insucesso, a par com as classificações dos alunos nas provas do quarto ano (das melhores do país), são indicadores que inequivocamente mostram o trabalho que foi realizado. Tive conhecimento que a tutela (Direção Regional de Educação do Norte e Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis) no âmbito da reorganização escolar, endereçaram o convite para constituição de uma Comissão Administrativa Provisória (CAP) ao atual diretor da escola de Carregosa.

A minha interpretação pessoal foi que, a tutela certamente entendeu que seria quem reunia as melhores condições para o efeito. Não é meu propósito beliscar a idoneidade profissional deste diretor, mas são, para mim, intelectualmente inalcançáveis os fundamentos desta decisão. Contam-se pelos dedos das mãos as agregações que até ao momento resultaram em nomeação para a CAP do diretor de um agrupamento sem ensino secundário – é este o caso.

Não queria pensar que os interesses políticos e partidários se sobrepõem ao que deverá ser melhor para escola.

Não quero acreditar que se trata de uma “caça às bruxas” uma vez que o atual diretor foi dirigente no ex Ministério da Educação.

Não quero sentir que existe manipulação de um conselho geral, imposta através da disciplina partidária fruto de um ressabianço de outras alturas.

Mas as evidências falam tão alto que não é possível ignorar….

Tenho a clara noção que esta é uma decisão que a tutela pode tomar. Está no âmbito das competências que tem. Sei também que não existe sede de recurso. Mas, porque pelo menos tenho direito a apresentar a minha indignação, escrevi estas linhas.

Por último, tenho que agradecer ao Sr. Ministro a possibilidade que deu ao meu filho de mudar de escola: fá-lo-ei já para o próximo ano letivo. Neste momento tenho que confessar o total e absoluto descrédito na escola pública em falência eminente. Para tentar garantir a qualidade na educação do meu educando a única opção que me resta é o ensino privado, onde pelo menos são claras as regras e normas que não mudam ao sabor dos caprichos políticos.

Fajões, 25 de Junho de 2012

Melhores Cumprimentos,

Maria Ferreira

Como nota prévia, começo por dizer (a quem, porventura, ande distraído!) que ambos temos opinião divergente a respeito da criação de uma Ordem dos Professores. Todavia, isso não tem impedido que troquemos os nossos pontos de vista a rosto descoberto e em cumprimento de um civismo que deve presidir a dois professores (por estar reformado não deixo de me considerar professor…) que se respeitam e em nome de uma ética que deve pautar uma profissão que deve dar exemplo, a si própria, e aos alunos, e na sua função de educadores.

Por esse facto, tenho sempre prazer em mater esta forma de diálogo consigo como, é o caso, que registo quando escreve o comentário oitavo no post publicado neste blogue, “Dúvida Existencial” (09/04/2012). Mais à frente, farei referência à sua substância, transcrevendo-o “ipsis verbis”.

Entretanto, a questão das ordens profissionais,” n” vezes levantada leva-me a um esclarecimento, de que me escuso tornar juiz em causa própria, pela desconfiança que esse facto traz e até porque “valores mais altos se alevantam”. Todavia, da minha lavra, começo por dizer que a expressão “profissão liberal” pode ter uma conotação “lato senso” ou “stricto senso”.

Em sentido restrito, aplica-se a profissões “sem patrão”. É o caso, por exemplo de médicos que exercem unicamente o seu múnus em consultórios privados de que são proprietários. Em sentido lato, como é consabido, a filosofia e as doutrinas legislativas que têm presidido à criação das ordens profissionais apontam estas, inequivocamente, como associações profissionais públicas que exigiam, até há poucos anos atrás, repito, até hás uns anos atrás (ou seja antes da profusão de ordens criadas a eito e sem jeito e do Processo de Bolonha ), como norma de inscrição uma licenciatura universitária que se pudesse responsabilizar pela qualidade dos actos profissionais prestados pelos respectivos membros à sociedade e aos utentes dos respectivos serviços, conforme dá corpo, por exemplo, a legislação que respeita à Ordem dos Médicos, dos Advogados, dos Engenheiros e outras de idêntica exigência. Desse-se o caso de a Ordem dos Engenheiros ter consentido a inscrição de José Sócrates e corria-se o perigo dos cálculos por si feitos não suportassem o peso das construções por si calculadas.

Mas onde o nó górdio da questão parece residir é neste seu naco de prosa (que me obriga a desembainhar a espada):” É que a existência de uma ordem profissional como entidade reguladora e certificadora da actividade de profissionais liberais é uma coisa. Outra coisa é uma instituição desse tipo a pretender regular trabalhadores assalariados”.

Mas, como compromisso assumido por mim no princípio deste meu despretensioso texto (em que cada macaco deve estar no seu galho, como nos diz a sabedoria popular), para fugir aos fascínio de me tornar juiz em causa própria, socorro-me de um parecer a este respeito, do Dr. Lopes Cardoso, ex-bastonário da Ordem dos Advogados, que consubstancia o conceito de ordem profissional “lato sensu”.

Escreveu ele:

“É necessário que, mesmo quando exercida em regime de contrato de trabalho, essa profissão seja reconhecida socialmente como relevando de grande valor [pergunto eu: será que a profissão docente não cumpre esse desiderato? Haja quem assuma frontalmente essa opinião pela negativa], precisamente porque exigindo, pelo menos, uma independência técnica e deontológica incompatível com uma relação laboral de pleno sentido (“Cadernos de Economia”, Publicações Técnico-Económicas, ano II, Abril/Junho de 94).

“Last but not least”, o médico que exerça a sua actividade, EXCLUSIVAMENTE, num hospital público, em que o “patrão” é o Estado, tem que estar, obrigatoriamente, inscrito na Ordem dos Médicos. Assim como, igualmente, o clínico em desempenho profissional por conta própria num consultório sua propriedade. Não compreender isto, ou não querer compreende isto, é, como que a modos participar num duelo de espada romba que sirva apenas para cortar manteiga no verão. Faço-lhe a justiça de não o ter capaz de subscrever, teimosamente, esta tese sem a contraditar convenientemente para que se não se exaurem forças que em nada contribuem para a verdade dos factos. Nunca, por nunca, ao serviço do interesse daqueles fanáticos de um certo sindicalismo “que trazem às costas a opinião dos outros como uma mochila do regimento”, como escreveu Mestre Aquilino.

Cordialmente,

Rui Baptista

Estive aqui a passar em revista, com intenso esforço de análise, os acontecimentos dos últimos dias e semanas, desde a incapacidade para domar o jardinesco à penúria confessada do Presidente, passando pelas nomeações copy/paste, pressa em despedir o pessoal e diminuir-lhes os subsídios, para além de mandar emigrar quem atrapalha por excesso de qualificações, quase só para países bem colocados rankings da corrupção internacional.

Foi tendo em atenção todas essas dinâmicas, assim como o que se prospectiva para o curto, médio e longo prazo deste país revolucionado pelos liberais de gabinete, que decidi elaborar a carta aberta que em seguida exponho, esperando que tenham a necessária paciência para a ler em toda a sua extensa sinceridade e pedindo desculpa pelo tempo ocupado.

Então é assim:

.

.

.

.

.

.

:

.

Tenham Vergonha, Pá!

.

.

Este que s’assina.

Paulo Jorge Alves Guinote

CC 7030393

Página seguinte »