Bond


1099a(c) Antero Valério

Eu cá acho que a parte do choque tecnológico ainda não chegou aos nossos serviços de bisbilhotice, desculpem, espionagem institucional ou informal.

É minha firme convicção que tudo não passa de orelhame à boa e velha moda antiga.

Porque parece que ninguém se lembra que entre 1986 e 2005 o Palácio de Belém foi um feudo socialista e que dificilmente o novo inquilino conhecerá melhor os cantos á casa do que quem já lá está há muito tempo.

Isto não é tomar partido por nenhuma das partes, é apenas recolocar as coisas nas suas devidas proporções.

Não é necessário nenhum sistema de escutas microscópicas e wireless quando as paredes têm ouvidos e usam cotonete.

Em toda esta estória das escutas e potenciais espionagens pelo SIS, metendo a Presidência da República e, indirectamente, fazendo qualquer cidadão sentir-se vulnerável a intromissões, o que me surpreende é o amadorismo de tudo, quando se sabe que não é preciso o SIS para fazer nada disto.

Leiam o Homens Que Odeiam Mulheres de Stieg Larsson (The Girl with the Dragon Tattoo na tradução inglesa) e percebam como qualquer bom hacker pode ler o que bem entender no vosso desprotegido computador. O que Lisbeth Salander faz não é propriamente ficção.

Claro que se preferirem o filme, sueco como o livro original, também já está disponível, embora não no nosso circuito de cinemas.