Bolonhices


Está no Ensino Superior. Os erros começaram mesmo a terminar os anos 80 e agravaram-se brutalmente dos anos 90, conjugando ganância privada com desleixo público. O cruzamento de interesses levou à proliferação de uma oferta sem qualquer regulação ou monitorização da qualidade, induzindo milhares de alunos e famílias em erro. O interessante é que aqueles que clamaram imenso pela liberalização do sector foram depois os que pediram a intervenção do Estado quando a gordura começou a escassear no leite.

Agora, já com pelo menos uma década de atraso, vai-se fazendo alguma coisa, mas pouca e, como é habitual entre nós, os erros detectados não têm responsáveis e, mesmo que tivesse, existiriam milhentas justificações para justificar o que logo na altura era possível ver que era um erro.

Como a generalização acrítica dos métodos bolonheses, cujos efeitos perniciosos já se notam, mas que muita gente quer encobrir até passar um período suficiente para a névoa do tempo obscurecer os responsáveis pelo espalhanço que foi, antes de mais, uma forma para desvalorizar as licenciaturas e alargar zonas de negócio com o 2º ciclo de estudos.

Enquanto a accountability só for exigida a alguns executores e não aos decisores, não adianta esta coisa das avaliações…

A entrevista é interessante, a maioria das respostas revela lucidez, mas tudo cairá em saco mais do que roto.

Expresso, 3 de Junho de 2011

E se fosse um professor? Ou uma ministra, acalentada por alguma reunião sindicóide?

Castelo Branco: Aluno detido na escola com pistola carregada

Eu cá aconselhava o advogado do imberbe a ter deixado de ser gay, pode ser que…

O advogado não, a desculpa.

Tinha lido que o presidente do Conselho de Reitores estava disponível para que se considerasse a equiparação ou atribuição do grau de mestre aos licenciados pré-bolonheses. Hoje li numa curta do Correio da Manhã que isso será possível através da frequência de umas cadeiras suplementares.

Já percebi a dinâmica toda.

O que querem é catar mais uns tustos à malta em troca de um novo canudo.

Porque a verdade é que algumas licenciaturas pré-Bolonha tinham cinco anos e outras tinham quatro mas, por exemplo quem fizesse o Ramo de Formação Educacional no regime não-integrado (chamado inicialmente transitório no fim dos anos 80), tinham mais dois anos de complemento profissionalizante, mas quem deles saiu ficou apenas licenciado na mesma.

Ora, se bem percebo, quererão que quem fez seis anos de ensino superior vá pagar para ter um diploma de algo que agora demora cinco anos mal amanhados?

Finalmente um país de Mestres!

Para além da quase completa ausência de estímulo. Basta ler o ECD na sua nova versão e perceber que o investimento num doutoramento, mesmo com facilidades, é uma enorme treta.

Podia concretizar aqui até com o meu exemplo, a quem foi aplicada em 2007 uma regra transitória retroactiva para transformar a equiparação de um doutoramento pré-Bolonha (feito em 2001-2006) em bolonhês mas depois os abraxes, leonéis e carlosmarques da treta acusam-me de estar a defender interesses pessoais.

O que interessa mesmo é fazer formações e pós-graduações em gestão e avaliação, que é considerado como formação especializada e dá fast-lane para órgãos de gestão e cargos de supervisão e avaliação.

Artigo 54.º
[…]
1 — A aquisição por docentes profissionalizados, integrados na carreira, do grau académico de mestre em domínio directamente relacionado com a área científica que leccionem ou em Ciências da Educação confere direito à redução de um ano no tempo de serviço legalmente exigido para a progressão ao escalão seguinte, desde que, em qualquer caso, na avaliação do desempenho docente lhes tenha sido sempre atribuída menção qualitativa igual ou superior a Bom.
2 — A aquisição por docentes profissionalizados, integrados na carreira, do grau académico de doutor em domínio directamente  relacionado com a área científica que leccionem ou em Ciências da Educação confere direito à redução de dois anos no tempo de serviço legalmente exigido para a progressão ao escalão seguinte, desde que, em qualquer caso, na avaliação do desempenho docente lhes tenha sido sempre atribuída menção qualitativa igual ou superior a Bom.