BCE


Não sei o que acham, mas a mim parece que… nem tanto assim, mas… pode ser problema meu… 😉

Um modelo profundamente estúpido de colocação de professores devido à sua fragmentação, que permite múltiplas e sucessivas colocações, está a atingir de forma dramática algumas das escolas, turmas e alunos que mais precisavam de competência no MEC.

É uma completa vergonha e maior vergonha é tentar dar a entender que isto é causado pelo “centralismo”.

Não… quando se permitem dezenas ou centenas de concursos em simultâneo, não comunicantes, abre-se a porta a um ciclo vicioso de colocações repetidas, desistências, recolocações, permanência de vagas por preencher num loop que se promete acabar sempre na próxima semana.

A responsabilidade política é do ministro por não querer saber, na base do “deleguei isso no secretário de Estado”, e do secretário de Estado que mandou fazer aos serviços aquilo que ele não entende e não sabe fiscalizar. E, em primeira e última instância, de um PM que nada percebe de Educação e fala do assunto com menos conhecimento de causa do que o papagaio morto da loja dos Monty Python.

Um desastre que resulta de incompetência técnica, desleixo político e mais coisas, mas nenhuma delas é um problema “de comunicação” (teoria de Luís Montenegro, essa sumidade comunicacional, hoje na TSF), a menos que se admita que a comunicação do desgoverno nesta matéria se caracterizou por sucessivas mentiras, voluntárias ou não.

É esta semana! É esta semana.

Mas eu pensava que no início disto tudo só faltavam colocar 2%… e agora ainda faltam 9%?

Faltam colocar 9% em horário completo – Ministério da Educação

 

Esta é a verdadeira faceta da parvoíce que dá pelo nome de Bolsa de Contratação de Escola e que assim é por causa de mecanismos de concurso que só podem ter sido pensados por: a) idiotas; b) gente com o rabo há muito nos gabinetes; c) pessoal que quer estoirar com isto; d) todas as hipóteses anteriores.

Quatro dias e sete escolas: a história de um pesadelo com um final feliz

 

… por um modelo “descentralizado” que permite colocações em mais de uma centena de escolas, sendo que só uma ficará com o professor e as restantes terão de reiniciar o processo e os contactos.

É um modelo estúpido, pois também permite que as pessoas fiquem na expectativa de uma colocação melhor e, ao fim de dias, abandonarem a colocação aceite inicialmente.

Nada disto aconteceria com um sistema de colocações em que os professores ordenassem as suas prioridades e, logo que fossem colocados, saíssem da lista ordenada.

Mas, dizem pessoas muito inteligentes, que orientam doutoramentos pelos isczés em políticas públicas depois de terem sido ministras (dá sempre mais jeito legitimar a posteriori as políticas implementadas com estudos a preceito), que é o “grau zero da inteligência”, estando nisso objectivamente de acordo com as políticas actuais, mesmo quando encenam o contrário.

Quem perde mais com isto são – obviamente – os alunos, que estão sem professor, podem vir a ter um por dias ou um par de semanas, ficam outra vez sem professor, etc, etc.

São eles com quem o MEC está a proceder, de forma não muito indirecta, a “experimentalismos”.

Tudo isto com especial incidências nas escolas, turmas e alunos a quem se prometeram melhores condições de funcionamento, com “contratos de autonomia” e outras parolices ditas por um secretário de Estado especialista em lugares comuns e muito vento.

Mas há quem goste muito dele. Porque parece que é de muito fácil trato.

Os queirozezes, por exemplo, adoram-no.

Exmo(a). Sr(a). Diretor(a),

Sabendo poder contar com a sua colaboração, pedimos a sua atenção para a informação e solicitação que se segue.

Como é sabido, a bolsa de contratação de escola (BCE) foi introduzida no Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, através da redação dada pelo Decreto-Lei n.º 83-A/2014, de 23 de maio. Encontra-se prevista no artigo 40.º deste diploma legal, referindo o n.º 1 que se destina aos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas com contrato de autonomia. Paralelamente, e de acordo com a disposição transitória do artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 83-A/2014, de 23 de maio, a sua aplicação estende-se ainda aos territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP), às escolas profissionais e às escolas do ensino artístico, até ao ano escolar 2016/2017.

No caso de não ter criado a oferta da BCE para a totalidade dos Grupos de Recrutamento em falta, independentemente dos procedimentos que tenha realizado anteriormente ou não na plataforma electrónica do SIGRHE, no seu Agrupamento de escolas/escola não agrupada, importa desde já fazê-lo com a maior brevidade possível.

Deverá, para o efeito, aceder à aplicação informática que se encontra disponível a partir de dia 13 de outubro, até às 12h do dia 14 de outubro, na plataforma SIGRHE, criando, durante esse período, as ofertas para todos os grupos de recrutamento em falta, lecionados no agrupamento de escolas/escola não agrupada que dirige.

Após esse período, decorrerá o prazo legal de três dias úteis para que os candidatos manifestem as suas preferências e preencham os diversos campos face aos subcritérios disponíveis para cada grupo de recrutamento.

Estando estas fases do procedimento concluídas, deverá selecionar os candidatos a partir das listas ordenadas que lhe serão disponibilizadas, devendo estes registar a respetiva aceitação e apresentar-se nas escolas no prazo legal.  Serão dados em breve esclarecimentos específicos sobre este processo de seleção.

Informa-se ainda que a presente BCE não substitui a anterior, de que resultou já a publicação das listas de ordenação dos passados dias 26 de Setembro e 3 de outubro, correndo ambas complementar e paralelamente ao longo do ano letivo.

Por último, remete-se em anexo um ficheiro demonstrativo do procedimento.

Com os melhores cumprimentos, agradecendo antecipadamente a sua melhor colaboração,

10 de outubro de 2014

A Diretora-Geral da Administração Escolar
Maria Luísa Oliveira

Anexo: BCE 10_10_2-A.

E não é por causa da centralização, mas da completa opacidade e desregulação.

Directores e professores denunciam falta de meios para detectar falsas declarações de candidatos às vagas nas escolas

Há quem se esteja a aproveitar disto para desacreditar os concursos, mas isto aconteceu exactamente porque este foi o meio que o MEC encontrou para lixar o que poderia ser claro e transparente.

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