Auto-Estima


Não estou a falar do fenómeno das pessoas lindonas e gostosas por tudo e nada. No outro dia acho que uma senhora com 112 anos, uma desdentadura digna de Guiness (livro ou cerveja) e um bigode à cossaco recebia elogios qual Ava sem Adão.

Mas não é isso que aqui me ocupa.

Ocupa-me o facto de, sem ter mexido um dedo, me ter visto metido numa série de grupos de professores em luta por isto e aquilo. E vocês sabem o quanto não me pelo por uma luta. Mas tudo bem, desde que seja virtual aceito-me minimamente gregário. O que me espantou foi a profusão de declarações de vitória e de vamo-nos a eles e de não desistimos nunca, que me fez quase pensar estar num balneário de equipa de futebol, felizmente sem a parte dos odores e tudo o mais. A menos que seja feminina. A equipa.

Mas é verdade. Acho que é o local ideal para um tipo do Sporting estar, mesmo em tempo de pré-época. O problema é que anda por lá sempre uma espécie de Luís Filipe Vieira a incitar a tudo e mais alguma coisa. E eu não aprecio muito ser incitado.

Isso e notar que quem há uns anos gozava com a superficialidade dos blogues agora promove estas coisas, em forma de bem preparado sucedâneo espontâneo.

A vida dá destas voltas. A luta também.

Agora até já prometem plataformas. Só espero que se lembrem de colocar água na piscina antes de atirarem os laikes, que são coisas frágeis e resistem mal ao impacto com a realidade.

PGR analisa notícias sobre licenciatura de Relvas na Lusófona

A Procuradoria Geral da República revelou à TSF que está a analisar todas as notícias relacionadas com a licenciatura tirada pelo ministro Miguel Relvas na Universidade Lusófona.

Professor, as suas aulas passam muito depressa!

(o que é obra, depois de 90 minutos sobre os advérbios)

(eu não acho bem o mesmo, mas é verdade que vou envelhecendo, apesar do meu ar esguio, atlético e saudável)

😆

A mim não incomoda nada. Ao Relvas não consegue chegar. Ao Gaspar resta saber se chegou. Ao Pedro só incomoda porque ele não quer dar parte de fraco e começar a remodelar logo um supé-ministro.

Seja como for, o ministro Álvaro é um manancial para piadas girérrimas…

Álvaro Santos Pereira: “Se eu fosse um ministro fraco, incomodava tanto?”

É aquela coisa tipo NO da auto-estima em alta. E é sempre bom ver como o ministro Relvas encomenda estudos com garantia de não serem contraditas em comentários especializados na SICN.

O que é sempre uma vantagem.

Duque satisfeito com conclusões do estudo sobre serviço público

João Duque, economista e líder do grupo de trabalho escolhido pelo Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, para definir o conceito de serviço público está “satisfeito” com o resultado final.

Ao Diário Económico, o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) comentou a fase final de elaboração do documento, assumindo que, “como economista avalio a situação como o trabalho tendo sido feito com menos recursos, logo fomos mais eficientes”.

Já agora uma dúvida: o trabalho foi feito com menos recursos. Com menos recursos do que…?

Era suposto receberem mais pelo estudo? Por comparação com?

Ou apenas se refere ao facto de três elementos terem discordado da forma como o estudo foi conduzido e apresentado?

Mas nesse caso, os recursos a menos foram uma vantagem, porque não ficou lá quem atrapalhasse a auto-satisfação do coordenador do estudo.

dá cá um abraço

Já estão quase todos a querer ficar no retrato das inaugurações. O pudor é um véu escasso…

Câmara considera “exemplar” investimento na educação do Seixal

Em Lousada 120 adultos receberam certificados de 9º e 12º ano

Inaugurados novos complexos escolares abertos à comunidade de Óbidos

Novos equipamentos reforçam oferta educativa de Setúbal

PORTIMÃO – Nova escola pioneira marca início do ano letivo

Três milhões para novas escolas em Prado e Moure

Recolha do Livresco.

… e fico por alguns, porque a opinião se baseia no caso individual de um equivalente a director…

Why it’s fine to pay teachers more than the prime minister

A primary headmaster reportedly earns £231,000 a year – more than David Cameron. He may well be worth every penny, says a former teacher.

Desde ontem vou quase em 30 posts e não consigo, nem de perto, nem de longe, dar conta do correio e textos chegados para divulgação, notícias e opiniões relevantes a destacar, análises próprias que gostaria de fazer, etc, etc.

Que uns me chamem revolucionário e outros papa, apenas quer dizer que dos dois lados da barricada há gente incomodada por este se ter tornado um blogue de massas e não de ma$$as, contra todas as expectativas.

Sei que o retorno em matéria de audiência é caloroso (está a ser difícil ultrapassar o Gaijas da TV…), mas agora vou ali e já venho daqui a umas horas que há vida para além disto.

Peneiras? Obviamente!

Desculpem o acesso periódico de auto-convencimento. Mas um blogue sobre Educação e mais umas coisas continuar a andar por estes topos é algo que me espanta todos os dias. Não estou a ser falsamente humilde porque não sou eu que fabrico os números. É porque me espanta mesmo. E hoje lembei-me mais porque me telefonaram do JN para falar do blogue e assuntos conexos.

Pronto, ok, também não é estranho a este post o facto de ter ouvido certas e determinadas críticas (e não só de antagonistas) sobre o declínio do blogue e etc…

Eu sei que a quantidade não é critério, mas também só exalta apenas a técnica quem…

E serve sempre para não nos sentirmos sós…

Numa casa cheia de professores da esquerda à direita, todos gostaram de ouvir a segunda derrota assinalada ao PS no  discurso do líder do Bloco, quando disse que Maria de Lurdes Rodrigues tinha sido despedida.

(c) Fátima Freitas

Na zona Centro parece estar em desenvolvimento outro movimento de professores visando discutir, de forma independente, as questões relativas à Educação, à Escola Pública e à Carreira Docente, do qual também parece que irá sair um documento para divulgação. Logo que seja útil, o documento será também aqui divulgado.

Ao contrário dos que acham que só existe um caminho para canalizar a acção dos professores, eu acredito que a refundação de um espírito/identidade profissional docente terá necessariamente de partir das bases, de forma positiva, contra ninguém, mas também sabendo os velhos caminhos que não se querem trilhar. E isso só se consegue reunindo as pessoas, congregando-as e abrindo canais de comunicação sem bloqueios ou estrangulamentos.

A petição que foi colocada online ontem a partir daqui, já anda perto das 300 assinaturas o que, atendendo à forma perfeitamente espontânea como surgiu e está ser dinamizada é algo para mim surpreendente (não estou nada habituado a estas coisas).

Pode valer pouco, a alguns pode parecer nada, uma simples gota a querer furar a barragem, mas eu acho que pode começar por aqui uma bela amizade (eu estou mais a reencontrar algumas na lista de assinaturas) e o reavivar do orgulho em ser professor, apesar das adversidades.

Quanto aos previsíveis anti-corpos e ao fogo de barragem, pode estar por aí quase a aparecer de vários lados (já apareceram uns borrifos desde o final da semana passada), mas são ossos do ofício.

Adenda: Por qualquer razão de calendário do site que aloja a petição, as datas das assinaturas estão adiantadas um dia. Vou ver se detecto a origem do erro ou se é porque o serviço tem um (muito) diferente fuso horário.