Autárquicas


Não é todos os dias que se clama por uma das maiores vitórias de sempre, perdendo votos, percentagem e talvez mesmo mandatos em relação às últimas eleições.

É sempre bom quando se corre a maratona contra pernetas e se ganha com um tempo médio, mas com grande distância para o segundo.

… pode mesmo vir a ser a incapacidade para perceber que grande parte da sua derrota estrondosa não se ficou só a dever às políticas erradas mas também aos procedimentos que adopta e aos protagonistas que escolhe para os encabeçar.

Como com o Governo e a Corte que o rodeia, Passos Coelho, por ser inseguro, escolhe aqueles mentores que sente não o ameaçarem ou então medíocres cumpridores de medidas que ele próprio tem dificuldade em compreender. PAra não falar em termos mais duros sobre o perfil de alguns dos mais importantes fracassos eleitorais de ontem.

Passos Coelho optou por estar do lado errado da renovação política, validando candidatos como Menezes, Moita Flores ou Seara ou a promoção de criaturas políticas inenarráveis como Abreu Amorim ou Pedro Pinto. Mesmo quando as alternativas nem eram especialmente fortes (Gaia) ou estavam marcadas por manchas evidentes (Oeiras), o colapso foi óbvio.

Passos Coelho já está encapsulado, por vontade própria, incapacidade de resistir ou mera fraqueza política que transforma em teimosia cega, num mundinho muito fechado que revela uma mundivisão tacanha. esperava-se que, atendendo à idade, não envelhecesse e adquirisse tão rapidamente os piores vícios que outrora apontou à classe política.

Porque, parecendo que não, ele já foi novo e agiu enquanto tal.

Aumento do verdadeiro voto de protesto (nulos e brancos) mais a abstenção:EleiAut2013d

Subida forte desde 2009:

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E para quem acha que o tal voto de protesto está enquadrado no sistema, veja-se o que aconteceu em Gondomar (para juntar ao que se passou em Oeiras), em que o apelo dos valentões (incluindo o actual presidente da Confap em manifesta posição “cívica”) ao voto nulo foi explícito:

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Acentua-se o descalabro do PSD e a vitória do PS mais por aquela razão do que por outra, pois perdeu mandatos, percentagem e votos em relação a 2009.

Evidentes bons resultados da CDU que levaram ai detalhe engraçadoque  foi ouvir, no Eixo do Mal, certos comentadores (Clara Ferreira Alves, Pedro Marques Lopes) a elogiarem o povo português por canalizar o voto de protesto para o PCP, porque era “um partido do sistema”, responsável e muito organizado e não para novas forças ou movimentos de natureza imprevisível.

Entretanto, no Funchal, o jardinismo foi a enterrar com muitos, muitos anos de atraso.

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PS – Vitoriazinha.

PSD – Derrota evidente.

CDU – Ganhos evidentes.

CDS – Com a habilidade habitual, disfarçou e safou-se graças ao Porto.

Bloco – Continua a implosão.

Independentes – vitórias importantes para alguns proscritos dos aparelhos.

Outros – quem?

… mantêm-se as conclusões preliminares de há uma hora. Acrescenta-se o minguar do Bloco.

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… não me parece que o PS possa propriamente engalanar em festa, porque o que está a ganhar ao PSD em alguns grandes municípios do litoral é capaz de estar a perder em muitos outros lados, incluindo em torno de Lisboa.

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Para ir acompanhando os desenvolvimentos e cambalhotas. Sabendo-se que, desde já, todos ganharam e atingiram os seus objectivos.

Evolução dos resultados aqui.

Aqui por estas bandas onde me deixam votar é assim a modos que prognósticos até muito antes do jogo e quase sem necessidade de conhecer as equipas. As camisolas resolvem tudo ainda antes da entrada em campo.

Nem vale a pena gastar tostão em sondagens. A única dúvida é se é uma vitória folgada dos incumbentes ou uma goleada das antigas.

Como já ficou explicado aí para trás, o Carlos Patrão da Federação das Associações de Pais do Concelho de Oeiras teve a excelente ideia de reunir os candidatos à Câmara de Oeiras num debate sobre Educação na Escola Secundária da Quinta do Marquês, embora tenha em seguida tido a ideia, bem mais peregrina, de me convidar para moderar a coisa. E eu, como gosto sempre de acabar um dia de trabalho a meio da semana com uma sessão deste tipo com candidatos a autarcas, lá aceitei e fui. Foi coisa para começar perto das 21.30 e acabar já a chegar às 00.30.

E confesso tenho pena que em outras paragens não tenham existido iniciativas deste tipo, dinamizadas, por exemplo, pelo movimento associativo de pais.

Como moderador, a minha função era lançar alguns temas e atrapalhar moderadamente os discursos preparados e tentar que a coisa não se alongasse em excesso, embora com seis presenças confirmadas e a participação garantida à assistência a duração se tivesse tornado uma factor quase imprevisível.

Ainda como moderador não era minha função comentar o que ia sendo dito, excepto quando não conseguia mesmo resistir, pelo que me mantive firme e progressivamente menos hirto à medida que a transpiração aumentava e as horas passavam.

Passadas 24 horas, ultrapassado mais um dia de trabalho, achei por bem fazer o meu comentário à sessão e à intervenções das candidaturas, sendo que em três casos estiveram presentes os cabeças de lista (Bloco, CDU e PSD) e em outros três estiveram representantes das candidaturas por problemas de agenda dos candidatos (CDS, IOMAF e PS).

Para lançar a conversa, usei as declarações de Isaltino Morais transcritas nesta notícia para questionar se está tudo feito ou se há ainda muito para fazer, tendo aproveitado para recordar que Oeiras – apesar dos sucessivos destaques como concelho com alguns dos melhores índices de qualificação académica da população – é o concelho com a pior cobertura pública do pré-escolar (apenas 20% do total) de todo o país.

Numa segunda intervenção, após a primeira rodada de declarações dos candidatos, apresentei três áreas concretas de intervenção e o que cada candidatura tem a apresentar a esse respeito: redução das assimetrias existentes no concelho, falta de uma rede de transportes escolares independente da rede de transportes públicos e situação da Educação Escolar.

Passo agora a uma apreciação muito holística e pessoal das intervenções (conjunto de três por cada interveniente).

Moita Flores (PSD) – fez apenas a primeira intervenção da sua candidatura, por motivos de agenda, tendo-se prolongado muito em considerações de ordem muito geral e vaga, sublinhando muito a questão dos tempos livres e falando na necessidade de “democratizar o direito ao acesso”, seguindo-se a sua proposta de criar (?) o Conselho Municipal de Educação (no prolongamento do debate percebi que o CME de Oeiras não reúne desde 2008, sendo ridículo no concelho que foi presidido pelo autor da legislação das Cartas Educativas), de reforçar as AEC (Inglês, natação) e de criar uma bolsa de livros escolares gratuitos até ao 9º ano, sendo esta a proposta mais polémica. No resto do debate foi substituído por António Seixas, director do agrupamento de escolas de Carnaxide/Valejas, com ganhos de clareza do discurso e da concretização de medidas.

Carlos Gaivoto (Bloco de Esquerda) – apresentou um discurso muito teórico, recorrendo a citações diversas (Sérgio Niza, António Nóvoa), dissertando sobre o sentido da Educação e insistindo muito – como se de um programa para o caso específico de Oeiras – no conteúdo da Carta das Cidades Educadoras, visto não ter Oeiras aderido à Rede das Cidades Educadoras. Padeceu daquele problema muito próprio a alguns sectores do Bloco sempre que falam de Educação: muito boas intenções, muitos conceitos fofinhos, uma ligação à terra muito particular (neste caso ao Bairro dos Navegantes), mas pouco mais. Talvez o discurso mais teórico e ideológico da noite.

Daniel Branco (CDU) – a primeira intervenção a descer mais ao plano da realidade mais terrena, mas muito formalista de início ao descrever as competências das autarquias de acordo com a novíssima lei 75/2013. Em seguida, e na tradição dos autarcas da CDU com um bom conhecimento da realidade, norteou as suas intervenções e comentários por um grau de concretização de situações problemáticas existentes, em especial ao nível das assimetrias existentes na rede escolar. Adicionalmente, fiquei fascinado pela forma excepcional como foi tomando apontamento, com uma organização e uma grafia que fazem parecer os meus rabiscos ainda pior do que já parecem. Intervenção muito equilibrada e com alguns toques de humor, por exemplo ao nível da clara admissão que não espera ganhar.

Domingos Santos (IOMAF) – em substituição de Paulo Vistas que tinha reunião plenária da Câmara,director da Escola Secundária Sebastião e Silva e presidente em exercício da Assembleia Municipal, falou da obra feita e dos quase 18.000 alunos distribuídos pelas escolas do concelho. afirmou que a autarquia não se pode substituir à autonomia das escolas nem às funções do Estado central. Apresentou cálculos para combater a proposta de manuais gratuitos apresentada pelo PSD. Foi uma intervenção contida, apesar de reactiva, que me espantou pelo espanto que pareceu revelar em relação aos dados que apresentei sobre a fraquíssima oferta pública ao nível da rede pré-escolar. Na intervenção final sublinhou o desejo de requalificar a rede escolar do 1º ciclo.

Pedro Lara (PS) – em representação de Marcos Sá, fez uma intervenção aguerrida, apresentada como sendo em defesa da escola Pública e evocando o legado do PS nessa matéria e de medidas como a introdução das AEC e as obras da Parqus Escolar, atribuídas explicitamente a Maria de Lurdes Rodrigues, o que provocou em mim a primeira ligeira reacção de pouca moderação. apresentou a ideia de alargar as AEC ao 2º ciclo e de promover actividades relacionadas com a natação. Reconheceu a falta de transportes escoalres e a má oferta pública ao nível do pré-escolar. Numa posterior intervenção comentou como os alunos com NEE no concelho (cerca de 800 numa população escolar perto dos 18.000 alunos) parecem desaparecer progressivamente do 1º ciclo para o Secundário por falta de acompanhamento.

Magda Dias (CDS) – em representação de Paulo Freitas do Amaral, fez uma intervenção muito viva e crítica dos colegas de mesa e de algumas das suas proposta, assumindo-se como oposição às iniciativas despesistas, em especial as relacionadas com a natação e não só 8ao que lhe foi respondido por Pedro Lara que o mesmo se passava em Cascais com um vereador do CDS). No estilo e em alguns momentos no conteúdo parecia estar ali a representar a facção aguerrida do Bloco, insurgindo-se contra as PPP locais e os interesses instalados em torno das empresas municipais. Fez a defesa de algo que me soou a CAO’s – Centros de Acompanhamento Ocupacional (ou parecido) – e que me pareceu algo muito próximo, na apresentação teórica, de umas novas oportunidades com menos diplomas e mais trabalho

Nas intervenções do público foram mais frequentes as preocupações com a situação das AEC, as possíveis parcerias entre a autarquia e as associações de pais, a falta de oferta pública ao nível da rede pré-escolar e as questões relacionadas com a Educação Especial, neste caso através de uma participação concisa de David Rodrigues da Pró-Inclusão.

Excluo deste resumo menção mais detalhada às trocas de opiniões particulares, em especial após o debate, acerca de assuntos tão interessantes como quem deve representar as escolas nos Conselhos Municipais e até que ponto os directores interiorizaram que são eles o rosto único das escolas e o legado de Maria de Lurdes Rodrigues e da sua Parque escolar, que deixou a rede de escolas públicas a 2 ou 3 velocidades (opinião minha).

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Da esquerda para a direita. Magda Dias (CDS), Pedro Lara (PS), Domingos Santos (IOMAF) – o emplastro no meio – Daniel Branco (CDU), Carlos Gaivoto (BE), Moita Flores (PSD), substituído por António Seixas na segunda parte do debate.

Organização de Carlos Patrão da Federação de Associações de Pais do concelho de Oeiras na Escola Secundária da Quinta do Marquês.

Depois de um dia de aulas e a caminho de outro, isto cansa, mesmo se tem partes divertidas.

… que tanto tem preocupado gente desocupada.

Mas vamos lá a ver uma coisa: sendo (ainda) a maior classe profissional altamente qualificada do país, qual é a estranheza que existam umas centenas de professores em listas para as eleições autárquicas?

Qual é o problema?

Não há por lá outras profissões?

O meu problema não é candidatarem-se, pois isso é bom, em especial se forem (pre)ocupar-se com questões como a Educação, procurando fazer por ela o que criticam aos outros não fazer.

o meu problema é quando, chegando lá, se esquecem por completo do que foram. e não são poucos os exemplos. Ou aqueles que vão para lá para se poderem aposentar e ganhar uns cobres adicionais. E outras coisas, mas não gostaria muito de apontar demasiado o dedo a oportunistas.

Para quem tinha dúvidas sobre certas criaturas que por aqui passavam e estão caladas há um perto de um par de meses, é preciso explicar devagarinho quem eram e ao que andavam? Verdade se diga que ozémanelgundisalbus é mais modesto.

… porque eu até fui convidado para moderar um debate sobre Educação entre as várias candidaturas na próxima semana e estou com as aulas de wrestling em atraso.

Encontro de Moita e Vistas acaba a murro e pontapé

Isaltino e Valentim in. Fátima e Avelino out.

Já conheci dias e noites piores…

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Na minha freguesia de residência o facto mais relevante foi, nos resultados para a Câmara Muncipal, o nefeito da transferência do Octávio Machado do PSD para o CDS.

O CDS sobe de 1,3% para 11,3% e o PSD cai de 23% para 9,7%.

Como era fácil antecipar, a CDU sobre de 44,5% para 46,8%, cobrindo os ganos do PS de 21,9% para 24,1%. O Bloco anda ali pelos 4,6-4,7&, sem grandes alterações.

Afluência às urnas às 16 horas um pouco acima dos 45%, o que é menos do que em 2005 mas, atendendo aos eleitores-fantasminhas brincalhões que não há simplex tecnológico que consiga erradicar, me surpreende pela positiva.

Os resultados começarão a aparecer a partir das 20 horas por aqui.

Tenho moderada curiosidade pelos resultados do concelho onde vivo (Palmela), onde a CDU deve renovar a maioria absoluta, assim como aquele onde vivi e lecciono (Moita), que deve seguir o mesmo caminho.

Perante isso, estou mais interessado em perceber o que vai acontecer por Lisboa, Setúbal e nos concelhos que já elegeram e correm o risco de voltar a eleger os isaltinos, avelinos, valentins e fátinhas do costume.

Candidatura de assessor de Sócrates compra dois jornais

Depois de Artur Penedos, assessor de José Sócrates, ter anunciado a sua candidatura à autarquia, dois jornais locais mudaram de mãos e são hoje controlados pelo número dois da lista do PS à câmara e pelo candidato à maior junta de freguesia do concelho. O PSD já apresentou uma queixa à Comissão Nacional de Eleições e à Entidade Reguladora da Comunicação.

Os maiores jornais do concelho de Paredes, distrito do Porto, foram comprados por uma empresa que tem como accionistas dois dos principais candidatos autárquicos do PS a órgãos municipais do concelho. Semanas depois de Artur Penedos, assessor do gabinete de José Sócrates, ter sido anunciado como candidato à Câmara de Paredes foi fundada a empresa Uni, Comunicação SA, actualmente proprietária dos jornais O Progresso de Paredes e o Novas do Vale do Sousa.