Aulas


Matéria interessante de debater.

Não é bem a mesma coisa, como sabemos.

Muito tempo, pouco tempo?

E o quality time? Ninguém o define?

Entre nós, parece que se confundem e baralham coisas diversas e se acha que fazer mais do mesmo é fazer melhor.

Eu prefiro (no geral, esse sempre presente) aulas mais curtas do que 90 minutos, que permitam abordar um tema, de modo claro e conciso, sem cair na erosão do tempo e no esgotamento que leva ao tédio.

Acredito que em algumas actividades, à medida que se chega ou avança pelo Secundário, o tempo longo dê resultados, mas eu sou um daqueles que acreditam na teoria (os ortodoxos chamam-lhe “lei”, um exagero) dos rendimentos decrescentes, pois há unidades de trabalho/esforço que não servem para grande coisa.

EDP paga aulas de Manuel Pinho em Columbia

A cadeira que Manuel Pinho vai dar na Universidade de Columbia está integrada num projecto a quatro anos financiado pela EDP.

 A eléctrica portuguesa fez uma doação à School of International and Public Affairs (SIPA), num montante que pediu à Universidade nova-iorquina para não divulgar e que tem como uma das iniciativas o seminário sobre energia renováveis que vai ser leccionado pelo ex-ministro da Economia. “Manuel Pinho será professor visitante School of International and Public Affairs (SIPA) da Universidade Columbia. A sua posição faz parte de uma série de novas iniciativas que estão a ser apoiadas pela EDP”, disse ao Negócios fonte oficial da Universidade e Columbia.

Aguarda-se reacção consequente do Ministério das Finanças…

Há pouco tempo, em resposta a uma questão sobre como era possível a um(a) professor(a) conduzir uma sala de aula e o que era mais importante, tentei explicar que o debate tradicional está espartilhado à partida quando se faz uma oposição redutora entre os que defendem o primado do conhecimento científico a transmitir (conteúdo) e os que defendem o primado das metodologias da transmissão de conhecimentos (a forma).

Porque, numa sala de aula, se é importante que o(a) docente domine o conhecimento que pretende transmitir e que o saiba transmitir de um modo eficaz (quantos professores tivemos, mesmo no ensino superior, que podiam ser muito bons numa dessas dimensões, mas eram fracos ou mesmo péssimos na outra), também é muito importante uma terceira dimensão que é a que mais dificilmente se consegue adquirir e desenvolver na formação inicial ou contínua, tanto pela inexistência da dita formação específica, como de certas características decorrerem demasiado das características pessoais de cada indivíduo. Falo, obviamente, das capacidades de relacionamento interpessoal ou, numa visão mais popularizada nos últimos anos graças a David Goleman, da inteligência emocional, ou seja, da identificação e capacidade de utilização das emoções nos outros e em nós, canalizando-as de uma forma eficaz.

Esta é a competência (como se diz agora) ou capacidade mais difícil de ser desenvolvida, ou aperfeiçoada, porque resulta de um conjunto de qualidades que em muito são intrínsecas a cada individualidade, desde logo a capacidade de despertar empatia nos interlocutores.

A obra que destaco neste post (e que julgo já ter referido há uns meses) corresponde a uma investigação decorrente da formação em gestão de emoções junto de um grupo de professoras do 1º ciclo. A metodologia pode despertar algumas reservas em algumas pessoas, nem todos pressupostos ou conclusões serão partilháveis por todos (acho mesmo que a certo nível, são demasiado unilaterais por quase responsabilizarem em exclusivo uma das partes na relação pedagógica e pessoal), mas há constatações muito interessantes.

Passo a destacar algumas passagens das páginas 505-506 que acho bastante interessantes:

Depois de uma intervenção junto das professoras, verificou-se que naquelas que tinham uma atitude de permissividade em relação às regras de comportamento, que foram mais trabalhadas e implementadas de forma orientadora nesse caso, os alunos tomaram consciência do seu comportamento, havendo uma mudança significativa na ideia que os alunos têm do seu comportamento. Ou seja, os alunos passaram a achar que eram mais mal comportados. A tomada de consciência é o primeiro passo para qualquer processo de transformação.

Mais uma vez se verifica que o trabalho que se faz com as professoras provoca igualmente mudanças nos alunos, o que reforça uma das ideias que serviu de guia a esta investigação; a de que, para se mudar a realidade de uma sala de aula, o melhor é começar por uma intervenção que mude em primeiro lugar os comportamentos e as atitudes das professoras.

(…)

As dificuldades que as professoras sentiram em mudar de atitudes na sala de aula vieram pôr em evidência alguns esquemas estereotipados e crenças educacionais tradicionalmente utilizadas na condução das aulas, assim como a importância que as características pessoais e os problemas da vida pessoal das formandas podem ter igualmente nos processos de mudança.

Em comentário a um post anterior, o kafkazul escreve que entre os professores em exercício nas escolas não é possível colher uma opinião unânime sobre a orientação de qualquer reforma curricular.

Eu concordaria quanto ao unanimismo, mas discordaria quanto à possibilidade de conseguir consensos muito alargados. Claro que sempre com descontentes, mas muito alargados.

No meu comentário em resposta adiantava que é possível encontrar esse tipo de consensos amplos, na ordem dos 70-80%. Garanto que não tinha ainda espreitado os resultados globais da sondagem de ontem sobre a duração preferida para as aulas nos 2º e 3º CEB.

Há poucos minutos eram os seguintes:

Como é fácil perceber-se, a alteração da duração das aulas – feita com base num projecto inicialmente pensado para o Ensino Secundário – foi feita sem grande concordância dos professores e, apesar dos anos já passados, a maior parte não parece convencido da bondade da experiência.

Falando por experiência própria, enquanto professor de LP, HGP e TIC, eu diria que a experiência só reulta razoavelmente nas aulas de TIC. Quanto a Língua Portuguesa, considero que 50+50, com intervalo, é uma solução muito melhor. E quanto a HGP discordo que, com a actual carga horária (90+45 ou apenas 90 num dos anos do 3º CEB), a opção pelos 90 minutos seja útil.

Esquece-se tantas vezes que os miúdos entre os 10 e os 12-13 anos têm um atention span que não se compadece com blocos de 90 minutos e que o trabalho numa disciplina teórica nem sempre pode ser fragmentado de um modo que acabe por reduzir uma aula de 90 minutos a uma parte verdadeiramente significativa em termos de aprendizagens de apenas 30 ou mesmo 40. Não vale a pena dizer-se que se podem fazer fichas, pintar mapas, etc, etc. Isso será verdade, mas não é menos verdade que dessa forma se torna quase impossível cumprir minimamente qualquer programa disciplinar.

Mas não é só quanto à duração das aulas que se podem encontrar consensos. A redução das ACND também é algo quase pacífico, mas sobre isso se seguirá, do mesmo modo, uma sondagem, assim como sobre temas eventualmente menos consensuais como a transformação de certas áreas transversais em espaços curriculares creditados.