As Metas É Que Mais Ordenam!


Despacho n.º 15717/2014. Diário da República n.º 251/2014, Série II de 2014-12-30, do Ministério da Educação e Ciência – Gabinete do Ministro
Homologação das Metas Curriculares para o 1.º ciclo do ensino básico.

 

Amor de mãe.

 

Isto é sempre tudo muito giro, muito bem planeado, tudo a favor das famílias e contra os “interesses” alheios.

Mas adoptam-se metas de aprendizagem, diferentes dos programas em vigor, numa calendário que atropela o da adopção de manuais e os períodos em que eles deveriam manter-se.

No caso de Português e Matemática do 2º ciclo foi logo no ano a seguir.

E vai de surgirem manuais com a chancela “de acordo com as metas de aprendizagem” a substituir os anteriores, descontinuando-se os anteriores e forçando a uma nova vaga de compras, bem como à inutilização da possibilidade de reaproveitamento dos manuais de um ano para o outro.

E a coisa atinge tanto os cidadãos “privados” como a A.S.E. que tem de adquirir novos manuais e não pode reutilizar os que os alunos devolveram.

Ganhar, ganhar, só ganham as editoras.

Com a colaboração, por inépcia (?), do MEC, que parece desconhecer o que é um cronograma articulado de aplicação de novos conteúdos, programas ou metas com a adopção de novos manuais.

Assim é tudo ao molho e que se lixem os mexilhões, desde que paguem novos manuais e se deitem fora os que deveriam durar meia dúzia de anos no activo.

No caso de HGP é ridículo, pois as metas não alteram os conteúdos programáticos existentes.

Siga para bingo.

AlteraMetas

Caros colegas,

enviamos o documento produzido em resultado da reflexão conjunta com um grupo alargado de professores em Viseu, mas também do contributo dado pelos colegas de Coimbra e Braga.
Se concordarem com o exposto poderão usar o texto (acrescentando ou retirando o que entenderem) e encaminhar para
(o prazo termina a 2 de Dezembro)
Se as vozes forem muitas talvez sejam ouvidas…
Até breve,
Pela equipa do Missão História,
Cláudia Amaral
.

Ficam aqui os contributos da colega Maria Margarida Font Amado:

O contributo do grupo de História da Escola D. Maria II de Vila Nova da Barquinha: Apreciação Metas9ºano.

Programas e Metas Curriculares

 Metas Curriculares do Ensino Básico em discussão pública
Programas e Metas Curriculares do Ensino Secundário em discussão pública

Encontram-se em consulta pública, até 2 de dezembro de 2013, as propostas de novos Programas das disciplinas de Português, Matemática A e Física e Química A (10.º e 11.º anos) do Ensino Secundário e de Metas Curriculares destas e das disciplinas de Física e de Química do 12.º ano e de História, Geografia e Ciências Naturais do 9.º ano do Ensino Básico.
Os contributos deverão ser enviados para o endereço de e-mail metas.curriculares@mec.go

São uma barrigada de rir. Apesar de serem para o 9º ano, aposto que 90% dos professores do Ensino Superior chumbariam numa prova a sério com estas metas.

Gosto de muitas passagens exemplarmente “programáticas”, sendo uma delas a seguinte:

4. Distinguir estalinismo de fascismo, salientando a existência de formas semelhantes de atuação em regimes ideologicamente antagónicos.

Esqueceram-se do nazismo ou partilham aquela teoria do “fascismo em geral” tão do agrado do Papa Rosas?

Anexo: MetasCurrHist9Ano

Digam-me que isto é mentira, por favor…

Eu depois explico melhor porque isto é completamente disparatado, mas qualquer pessoa com ligação à Terra sabe que com os tempos lectivos disponíveis mal se chega em condições ao 25 de Abril…

Para além de que isto tem um aroma que…

Metas9Metas9b

Tenho hesitado em falar aqui da vergonha que considero ser o que se está a passar com as consequências da implementação das novas metas de aprendizagem na reformulação dos manuais de Português e Matemática de 5º ano, o que implicou que os manuais adoptados no ano passado para um período de 6 anos tivessem de ser substituídos e não possam ser reutilizados.

Ou seja, os manuais adoptados o ano passado e comprados pelos alunos já não servem para nada e podem ser deitados fora, pois as metas definidas a destempo e de forma desarticulada fazem com que centenas de milhar de exemplares adquiridos o ano passado tenham perdido qualquer utilidade para os alunos do ano lectivo presente e possam ir directamente para a guilhotina ou a reciclagem.

Este é um daqueles casos em que os representantes das famílias – a começar pelo valentinesco pai ascensão que apoia ao voto nulo em Gondomar – poderiam aparecer a dizer qualquer coisa de útil e não de meramente instrumental para o MEC.

FormaMetas

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Texto publicado ontem no Sol:

Metas Curriculares, Ensino Básico, Ciências Naturais

Este documento está eivado de erros conceptuais.

Confunde Geologia e Biologia com Ciência, ignorando que a explicação/compreensão de TODOS os processos geológicos e biológicos vem da Física, a única Ciência de facto, por ser autónoma na procura das explicações dos fenómenos naturais que estuda.

Utiliza o termo compreender em praticamente todos os objectivos, mas os termos utilizados nos descritores não levam à compreensão pretendida. Obviamente por que não está lá a Física.

Não diz como se operacionaliza a Lei, ou seja como se vai trazer a compreensão (Física) para a sala de aula de CN. Sabendo que o comum professor de CN não tem conhecimentos sólidos de Física, conclui-se que poucas metas serão atingidas. Pergunta óbvia: Para que serve então este documento?

Veicula opinião e preconceito, em vez de informação rigorosa, para os alunos poderem, eles próprios, formar a sua opinião e decidir racional e fundamentadamente. Frases como “Relacionar os impactes da destruição de habitats com as ameaças à continuidade dos seres vivos” ou “Compreender a influência das catástrofes no equilíbrio dos ecossistemas” transmitem apenas preconceito, impedindo o aluno de um dia compreender como a vida evoluiu na Terra, que foi fundamentalmente através de grandes desequilíbrios. Distinguir catástrofes de origem natural das de origem antrópica forma na mente do jovem a ideia errada de que o ser humano não faz parte da Natureza. E frases como “Construir documentos sobre medidas de proteção dos seres vivos” só servem para criar no jovem a ideia de que o ser humano é uma espécie de Deus que pode controlar a evolução das espécies. Isto vai contra a tal Natureza que se pretende o aluno compreenda.

Parte do princípio que o actual programa de CN é relevante, definitivo e indiscutível. Mas era por aí que se devia ter começado, por uma reflexão profunda e alargada sobre o que uma pessoa com a escolaridade obrigatória deve conhecer sobre o seu planeta para ter uma atitude social educada e civilizada. Depois se discutiriam as metas, e finalmente as medidas a implementar para a correcta e generalizada transposição da Lei para dentro da sala de aula.

Infelizmente, não me foi dado espaço suficiente para comentar as escolhas do MEC relativamente aos “especialistas” que elaboraram o documento agora homologado. O cidadão comum certamente apreciaria conhecer que competências dos autores fundamentaram a escolha de Nuno Crato. Eu, como especialista em Geociências, gostaria muito de os ter à minha frente para lhes fazer as perguntas que um jovem curioso deveria fazer ao seu professor de CN, não fora a Escola actual destruir por completo toda a curiosidade e criatividade inatas ao ser humano, e tão críticas para o desenvolvimento da Ciência e das sociedades educadas e civilizadas.

Fernando Ornelas Marques, http://idl.ul.pt/marques.htm

As que estiveram em discussão pública e já estão disponíveis na versão final, aqui.

Em História (3º ciclo) passaram de 185 para 168 e notam-se alterações substanciais, mais adequadas ao Ensino Básico. mesmo assim continuam a ser pensadas para uma carga horária que não existe.

No caso do 8º ano passaram de 181 para 142… o que significa um corte bem substancial no total desvario inicial.

Nas de HGP para o 2º ciclo praticamente não tocaram. Ficaram “apenas” as mais de 500 definidas na proposta… É verdade que aquilo já está no programa, mas… 👿 alguém acredita a sério em 300 metas para o 6º ano?

Discussão (curta) até 22 de Abril: METAS_CURRIC_INGLES_3Abr13_Final.

Não me vou imiscuir em área que não é directamente a minha, até porque muitos professores de Geografia andam algo hiper-sensíveis a intromissões por parte da História, não sendo raro sentirem-se mais próximos das Ciências Naturais.

Não posso, contudo, deixar de assinalar uma incongruência entre o parecer para o 2º ciclo, no qual se expressa uma queixa quanto à exiguidade de conteúdos específicos da Geografia e este do 3º ciclo em que se afirma que os descritores pouco adiantam ou são mesmo menos complexos do que os do ciclo “abaixo”.

Anexo: parecer APG metas curriculares_3 ciclo.

Um pouco mais fundamentado do que o da APH, mas com um erro básico no ponto 4, pois os conteúdos de Geografia não são leccionados apenas a abrir e fechar o programa. Um pouco mais de atenção aos conteúdos relativos a outros temas do 5º e 6º anjo, em que a integração da História e Geografia se faz de uma forma não estanque seria muito aconselhável.

Anexo: parecer APG metas curriculares_2 ciclo.

Nota-se uma maior cuidado. Pois… nota-se que alguém lecciona o 3º ciclo.

Por ser mais longo, fica em anexo: Metas Curriculares-Parecer-APH-Marco13.

A mim parece-me curto. Apressado. Displicente. Afinal… é o 2º ciclo, não interessa muito, certo?

Metas Curriculares de História e Geografia de Portugal (5º e 6º anos) – Apreciação crítica da Associação de Professores de História à proposta em discussão pública

 

O documento apresentado é uma versão simplificada do Plano de Organização do ensino-Aprendizagem, datado de 1991.

A carga horária da disciplina de História e Geografia de Portugal alterou-se com a última revisão curricular em muitas escolas. Era, com efeito, de 90 minutos + 45 minutos. Mas, infelizmente, várias foram as escolas que de uma forma incompreensível optaram por atribuir 45 minutos a Inglês e, por isso, História e Geografia de Portugal passou a dispor apenas de 90 minutos semanais.

 A extensão programática (que permanece na proposta) parece ser um entrave à aplicação/concretização com sucesso destas metas;

É evidente a mudança de terminologia mas não houve uma alteração de conjunto que vise a boa e efetiva melhoria da lecionação da disciplina de História e Geografia de Portugal;

A definição dos descritores, por vezes complexa, nem sempre se adequa à faixa etária a que se destina. É preciso não esquecer que a adaptação da maioria das crianças ao 5º ano de escolaridade não é fácil, uma vez que o sistema de ensino no ciclo anterior é baseado na monodocência;

Há alguma ambição no tratamento de alguns temas, nomeadamente o 2.5 (p. 9): “Reconhecer as interações (religiosas, culturais, militares e políticas) entre o mundo muçulmano e o mundo cristão na Península Ibérica, salientando a resistência e “reconquista” e a cooperação entre as duas civilizações”; 1.3 (p. 10): “Relacionar os avanços e recuos da “reconquista” cristã (e o agudizar do conflito) com as Cruzadas à Terra Santa e com a unidade ou desunião dos muçulmanos”; 1.4 (p. 10): “Reconhecer a permanência de muçulmanos nos reinos cristãos e de cristãos na zona muçulmana, salientando o aumento das perseguições, conversões forçadas e escravatura em épocas de conflito”; 3.1. (p. 20): “Enumerar medidas tomadas ao nível do ensino, destacando os seus objetivos e limites, por comparação à realidade atual”

A Direção da Associação de Professores de História

21 de Março de 2013

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