Armados Ao Pingarelho


Há 25 anos ligado à avaliação, e formado em geografia, o presidente do IAVE lamenta que o sistema educativo esteja feito para “premiar a mediania” e apela a uma mudança da forma como a sociedade encara a avaliação. E admite que faria sentido ter uma componente de avaliação dos docentes na sala de aula, assim como fazer a prova logo que os candidatos saíssem do ensino superior.

Quanto a premiar a mediana, concordo em absoluto, pois só assim seria possível a certas pessoas chegarem onde chegam, ascendendo assim sempre ao passinho curto, meio na sombra, discretamente, sem um rasgo e só com acutilância quando é de cima para baixo e nunca ousando contestar de baixo para cima.

O secretário de Estado dos Transportes estava na SICN a justificar que restringir as garantias laborais dos trabalhadores da TAP, após a privatização, apenas aos que pertencem a alguns sindicatos é juridicamente válido.

Sinceramente, não sei a formação académica dele (deve ser em económico-vassoureiras ou gestão aprofundada em coisas), mas isto parece-me estúpido (não há outra maneira de colocar a coisa).

Não falo, sequer, da questão de apenas estar a querer vingar-se dos sindicatos que não assinaram ou não vão assinar a coisa.

Falo do facto de, de acordo com a lógica asinina do senhor secretário, ser obrigatório pertencer-se a um sindicato para se ter garantias laborais na TAP.

Ou seja, Sérgio Monteiro é pela inscrição sindical obrigatória.

O que é… enfim… um bocadinho poucochinho

Quando o doutorando Aníbal Cavaco Silva esteve em Inglaterra, que habilitações eram as dos professores ingleses? Faziam prova de ingresso na profissão?

É o que diz a tia Raquel da mão coisa.

raquel

Daqueles que confundem candidatos desempregados a professores contratados, sem dar aulas, na lista de espera dos centros de emprego com os professores em exercício nas escolas, a tempo inteiro e generalizam a partir daí.

E que fazem essa confusão de forma voluntária.

O Alexandre Homem Cristo, assessor partidário quando não se afirma investigador, é um deles e não tenho problemas em dizer-lho sem rodeios.

Esta crónica é uma lástima.

Mas é uma lástima com intenções claras, talvez as mesmas que o façam dizer coisas a visitas estrangeiras que não correspondem minimamente aos factos sobre a “liberdade de escolha” em Portugal.

(sim, eu ainda me lembro do que ouvi dizer a uma investigadora americana sobre o que lhe terão dito durante uma certa viagem do Algarve para Lisboa)

Como ando cansado de véus, cortesias e etiquetas, em especial com malta que não usa de meios limpos parta argumentar, gostaria de deixar aqui bem claro que o Alexandre Homem Cristo, se acredita no que escreveu, é tudo menos “investigador”.

Porque ele sabe que estes professores só muito residualmente estão a dar aulas. Não relativizo os erros, mas também não os hiperbolizo. São, talvez, o resultado de uma formação bolonhesa, pouco rigorosa, é certo, mas da responsabilidade dos desgovernantes sucessivos, quantos deles da área política e da afeição política de AHC.

Ele é apenas mais um “coiso” a falar de Educação em nome de uma agenda que passa por estabelecer laços entre o poder político-partidário com capacidade para legislar em interesse próprio, grupos privados com capacidade financeira para financiar “investigações” truncadas e interesses empresariais no sector que só ganham com o amesquinhamento da escola pública e dos seus profissionais.

E digo isto de forma clara e aberta, porque conhecer alguém pessoalmente não me impede – nunca impediu – de lhe dizer o que penso, quando mete as duas patorras na poça de lama.

Perante a declaração que ele faz que “Portugal tem maus professores. E não é por acaso: é fácil tornar-se professor” eu diria que Portugal tem péssimos investigadores armados em articulistas. E não é por acaso, basta terem as conexões e cunhas certas para conseguirem “investigar”, assessorar e depois opinar.

E AHC sabe que eu sei que ele sabe que eu sei.

 

Até o bigodes da UGT que lá tem lugar como se trabalhasse.

Tamanha ingenuidade comove-me. Faz-me lembrar a entrega dos Óscares.

É de génio afirmar-se que com a retirada de competências aumenta a “autonomia” das escolas e agrupamentos.

O actual senhor da DGEstE afirmou há umas semanas qualquer coisa assim e há senhores locais a papaguear esse discurso muito divertido.

Já agora… qual o interesse em ter assinado ou assinar um “contrato de autonomia” se depois se leva com os humores de um senhor vereador ou plesidente da cãmala em cima?

Estou a lembrar-me, por exemplo, de vereadores e plesidentes que também são ou foram professores e mesmo directores…

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