Amarguras


Charlie Hebdo : les kiosques pris d’assaut

REPORTAGE – Les Français se sont rués vers les kiosques pour espérer obtenir un exemplaire du nouveau numéro de Charlie Hebdo. Certains vendeurs sont déjà en rupture de stock.

Pelos vistos, foi descoberta a fórmula para salvar a comunicação social impressa.

e até me recusei.

Além de permanecer carenciado, continua impedido da visita de estudo à António Arroio.

Às quatro e dez, vá…

Ainda o Tâmega

Tâmega – Nós Por Cá

Crime Ambiental em Amarante

O caso de Santo Onofre, e sabê-lo-emos por certo quando o terceiro período se instalar e os prazos do 75/2008 começarem a escoar-se, não será único a nível do país.

Muito pelo contrário.

Aliás, só questões de reserva impedem que se conheçam desde já outros casos de assalto a escolas e agrupamentos onde os órgãos legalmente eleitos estão aser brutalmente pressionados para aceitarem o final do seu mandato ou para despoletarem o processo de escolha do Director.

Ficando a cargo das DRE, este assalto consiste na monitorização apertada do processo, seja com telefonemas, visitas ou mais raramente (quando se torna impossível evitá-las) com respostas escritas a ameaçar com a demissão os refractários às ordens da tutela.

Não interessa se essas ordens estão feridas de manifesta ilegalidade. O que interessa é mandar avançar a todo o custo para, chegando ao final do ano lectivo, se estender uma alcatifa propagandística com não sei quantos novos Directores escolhidos e/ou nomeados. Caso contrário, repescam-se uns colaboradores a jeito e nomeiam-se umas Comissões Provisórias que, nesse caso, já poderão estar em funções para além dos prazos considerados invioláveis.

  • Perante isto já houve a demissão de órgãos de gestão que preferiram não colaborar com o processo mas, ao mesmo tempo, optaram por não publicitar o seu acto fora de muros.
  • Em outros casos têm existido pedidos formais para que se fundamente a cessação dos mandatos em decurso, de modo a que os do 75/2008 se sobreponham a tudo o mais. O que motivou respostas claramente ameaçadoras.
  • Ainda outra situação é, como em Santo Onofre, a inexistência de candidatos ao cargo. Nesse caso promovem-se soluções alternativas, seduzindo aquele(a)s que se prestam a ser seduzido(a)s.

Mas talvez mais grave do que isso, em termos práticos, podem vir a ser situações em que, com a justificação de estarem por dentro do processo e assim o tentarem controlar, alguns colegas bem intencionados se vêem ultrapassados pelos acontecimentos e por coligações oportunistas para tomar o poder nas escolas a partir de fora ou de dentro.

O erro foi, em minha opinião e que me desculpem muito(a)s amigo(a)s que escolheram essa via, ter-se viabilizado a constituição de muitos Conselhos Gerais Transitórios. A verdade é que teria sido mais fácil conseguir isso do que a não existência de candidatos a directores.

Ninguém era obrigado a passar da Assembleia de Escola para o Conselho Geral Transitório.

Essa forma de adesão implícita ao novo modelo correspondeu, e lamento desagradar a muito, repito, à entrega dos OI no caso do processo de avaliação. Pode não parecer mas, em qualquer dos casos, corresponde a uma aceitação tácita do modelo proposto. A menos que exista alguma(s) carta(s) na manga. E que até as pode haver. Não sei é se haverá muita gente com a coragem para a(s) jogar em tempo útil.

Que cada vez é menos…

Jornal de Notícias, 3 de Junho de 2008 (não sei do link, pois a nova edição online do JN deixou-me momentaneamente baralhado)

Ou como hoje me contava uma colega sobre as declarações de uma E.E. a alguém de um Comissão de Protecção e etc, «Eu não consigo que a minha filha se levante para ir às aulas, mas a escola o que faz?».

Retrato da infância em Portugal

160 minutos é o tempo que um rapaz português, na faixa etária dos 10 aos 14 anos, despende a ver televisão que é, aliás, a principal fonte de entretenimento das crianças portuguesas.

12245 menores viviam, em 2006, em instituições de acolhimento. Nesse mesmo ano, o número de crianças acompanhadas pelas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens era de 25209. Portugal regista o triste recorde de ser o país europeu com mais mortes de crianças vítimas de violência familiar ou por morte violenta indeterminada (3.7 em cada cem mil).

23% de pobreza registada entre as crianças portuguesas, o que representa uma taxa mais elevada do que a da população adulta (21%).

1,6 milhões de crianças entre os zero e os 14 anos, em Portugal, no ano de 2005, o que significa uma diminuição de 39% em 24 anos.

Já agora, cruzem estes dados com algumas ideias deste estudo e depois sempre podem inquirir o que o SE Almeida tem a dizer sobre tudo isto. Se também espera «decisões políticas» acerca disto.

Pois, é capaz de não conhecer o estudo. Não é do CNE onde ele tem assento, não deve ter recebido nenhuma cópia.

Colegas,

Segue em anexo (PDF 151 KB) comunicado de imprensa para o qual peço a vossa atenção.Professoras portuguesas em terras de Sua Majestade
Jovens licenciadas seguem carreira de ensino no sistema educativo inglês

Desde 2006, já quatro jovens licenciadas em Ensino de Ciências da Natureza pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCTUNL) se mudaram para Inglaterra, seguindo o sonho de serem professoras de ciências. Uma está actualmente colocada numa escola pública e as restantes estão a preparar-se
para isso.

Inglaterra, 1 de Maio de 2008

Grato pela atenção, subscrevo-me
João Fernandes

Movimento acusa sindicatos de ‘manipulações estatísticas’

O Movimento de professores PROmova desafia os sindicatos a revelarem o número exacto de professores que aprovaram o memorando de entendimento com o Ministério da Educação. Fenprof garante que 90% dos docentes aprovam o documento.
Para este movimento cívico, o entendimento «precipitado» com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues empurrou os professores «para a desmobilização e para o desejo de não participarem num DIA D esvaziado de sentido».

É por isso que o PROmova põe em causa as declarações da plataforma sindical, que garante uma aprovação de 90% relativamente ao acordo. Números que os professores deste movimento consideram ser fruto de «manipulações estatísticas».

Em comunicado enviado às redacções, o movimento desafia os sindicatos «em nome do rigor e da transparência de procedimentos, a publicar nos próximos dias o número exacto e realde professores que, em cada escola, votou favoravelmente o entendimento».

«Quer-nos parecer que a forma que muitos docentes encontraram para manifestarem o seu desânimo,e desacordo,foi a falta de comparência. Provem-nos o contrário» , dizem os responsáveis pelo PROmova, que se dispõem a pelos seus próprios meios fazer um «levantamento escola a escola».

«A plataforma sindical não veio garantir a tranquilidade dos alunos, veio, como é público e notório, assegurar a tranquilidade ao Governo e ao Ministério da Educação, administrando-lhes o ‘calmante’ que há muito lhes faltava» , criticam os membros do movimento cívico, que reclamam a suspensão do processo de avaliação do desempenho e o fim da figura do professor titular. (Margarida Davim).

Se querem saber os números exactos, que tal pedirem-nos directamente à fonte (espero que o tenham feito) e não em comunicado às redacções dos órgãos de comunicação social?

É que este tipo de atitude parece revelar que o principal adversário não é o ME e sim os sindicatos. Não me parece correcta tacticamente nesta altura este tipo de atitude.

Da mesma forma, e logo escreverei sobre isso, também discordo da análise feita hoje por Santana Castilho no Público.

Realmente parece que há quem queira dividir os professores e há os que se prestam a isso.

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A fuga em massa para a aposentação de muitos dos docentes colocados no topo da carreira é uma óptima notícia para o ME, assim como para o Ministério das Finanças.

Mesmo perdendo entre 25 e 40% dos seus salários são muitos os colegas acima dos 55 anos e com mais de 30 anos, 35 mesmo, de serviço que decidiram desistir de permanecer como cobaias no laboratório particular dos frequentadores da 5 de Outubro (e da 24 de Julho, não esquecer…).

Para os maldizentes que dizem que os professores se movem apenas por dinheiro, esta situação deve ser anómala, mas certamente descobrirão que afinal é porque todo(a)s não tinham nenhuma vocação, que progrediram sem mérito, que eram maus profissionais e «impreparados».

Certamente um qualquer secretário fará circular mails com recortes sobre este assunto, congratulando-se com as partidas.

Mas se são boas notícias para o ME, para as Finanças e para outros corpúsculos menores, são péssimas para a Educação em Portugal. Muitos desde(as) docentes são do melhor que existe no nosso sistema educativo e decidiram desistir, enquanto sentem que estão a tempo de salvaguardar a sua sanidade mental e o respeito por si mesmos.

Os testemunhos são bem elucidativos sobre as razões da partida.

E todos conhecemos muitos outros que gostariam de partir, mas não podem por esta ou aquela razão. Em jeito de brincadeira costumo fazer a minha vénia perante um colega meu que se aposentou há coisa de um ano, em plena posse das suas faculdades profissionais e pessoais, sacrificando a sua remuneração, porque isto não é forma de tratar quem deu a sua vida a uma função e a desempenhou o melhor que soube e o(a) deixaram, de acordo com as regras dadas.

O ME e as Finanças estarão rejubilantes, claro. Decapitam boa parte da classe docente e logo dos professores mais caros e com maiores conhecimentos e capacidade crítica. Mesmo se muitos dos professores titulares agora providos vão desaparecer e com eles muita da gente que se queria para domesticar o resto da classe.
Vão poder substituí-los por gente nova, barata e cordata perante o nosso sistema de funcionamento que se quer implementar, de semi-servidão da gleba e lei da rolha.

Sim, é possível que Valter Lemos, Teixeira dos Santos, José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e outros, por ordem decrescente de relevo nesta matéria, estejam hoje felizes com a edição do Público. Há formas de abandono escolar que eles aplaudem com gosto.

Logo pela manhã abro o Umbigo e nos comentários deparo com várias referências para filmagens ocorridas em salas de aula, com situações absolutamente pavorosas, embora não inéditas.

Por razões que adiante exporei, acho que não devo aqui amplificar as imagens. Mas já lá vamos.
Sobre a substância dos factos só poderei dizer que não sendo novidade – para além o fácil registo audiovisual que agora é possível – muito está por fazer para verdadeiramente inculcar uma cultura de civismo nas Escolas e essa responsabilidade atribuo-a, sem qualquer hsitação, à ideologia dominante na 5 de Outubro na maior parte dos últimos 20 anos, com destaque para a década de 90, a mais catastrófica nesse aspecto.

Eu fiz os meus estudos equivalentes ao preparatório e secundário no imediato pós-25 de Abril, em plena zona revolucionária e em explosão de liberdades. Sei o que é clima de turbulência na sala de aula e em todo o redor. Sei o que foi passar boas horas em Conselhos Disciplinares, enquanto delegado de turma empurrado quase sempre para a defesa do indefensável, ouvindo abismado muitos professores a compreender condutas atrozes que os visavam. Vejam lá que «a família dele isto e aquilo», o «coitadinho até que…», «ela não estava a medir as consequências».

Nesse aspecto 30 anos depois estamos quase no mesmo ponto. Os Conselhos Disciplinares continuam um pouco nesse registo. Quase todos queremos «compreender» os comportamentos disruptivos, evitando querer ficar com o ónuc da «repressão» ou «punição». Parece que todos leram Foucault e ficaram muito sensibilizados pelos aparatos usados para constrangir os comportamentos e liberdades individuais. Não sei como o Vigiar e Punir não está nas listas de best-sellers acima dos MST’s e JRS’s da ordem.

Entretanto o que mudou foi que quase tudo evoluiu no sentido errado quando podia ter e deveria ter sido no sentido certo. Falo, obviamente da década de 90, em que se destruiu toda a parte boa da reforma idealizada por Roberto Carneiro e se deixaram quase só as partes mais equívocas ou claramente erradas, cedendo à aliança ideológica entre o nacional-porreirismo e as boas intenções do que aprendemos a designar como eduquês.

  • Depois das erupções da tal época mítica, as coisas foram caminhando para alguma normalização das condutas nas salas de aula – na minha velha Secundária a relva até começou a conseguir crescer quando lá voltei como professor – e ali por alturas da viragem para os anos 90 as coisas pareciam poder entrar nos eixos. Mas tudo correu mal. Havia dinheiro (europeu), já havia recursos humanos qualificados (foram-se definindo as regras da profissionalização dos docentes), a explosão da frequência abrandou e tudo se proporcionava para que a Educação arrancasse de forma qualitativa e não apenas quantitativa. Para que a Democratização da Educação no sentido da consolidação de uma Escola de Massas se traduzisse numa Democratização da Qualidade.
  • A via a seguir, pouco populista e vulnerável às críticas dos herdeiros das ideologia igualitaristas dos anos 60-70 que se encaixaram na perfeição no nicho das Ciências da Educação evocando Paulo Freire, Bourdieu e Foucault, entre outros a cada parágrafo, teria sido a do rigor e do centramento do trabalho pedagógico no desenvolvimento das aprendizagens (e não apenas na detecção de competências potenciais).
  • Em vez disso, surgiu a ideologia do Sucesso para todos. A ambição de garantir o Sucesso, da forma mais rápida e indolor para todos os indivíduos envolvidos. A avaliação foi re-re-reavaliada e considerada um mecanismo de exclusão (confundiram-na com classificação, mas esse é um erro recorrente ainda hoje); a disciplina foi considerada como um mecanismo de repressão (confundiram autoridade com autoritarismo, mas também é coisa comum); o esforço foi considerado inibidor da criatividade (não sei se sabem, mas alguns dos meus pintores favoritos levaram muito tempo a fazer quadros de pequenas dimensões, olhem-me o Vermeer, por exemplo) e tudo ficou às avessas. Alunos e professores tornaram-se pares na aprendizagem e perdeu-se um centro nuclear na relação pedagógica: a transmissão de conhecimentos, tanto na forma do «saber fazer» como no do «fazer» mesmo. Os professores até compreenderam – mas quando discordavam – a solução; infelizmente, os alunos e muitas famílias não estavam preparados para essa evolução ou «novo paradigma» (que «novos paradigmas» há muitos) da avaliação e da disciplina.

Apesar de considerarem que o produto se deveria subordinar ao processo, os ideólogos oficiais e oficiosos na nossa Educação queriam resultados.

Para isso criaram aparatos legislativos tendentes a controlar o trabalho de avaliação e classificação dos docentes e foram-lhes retirando progressivamente instrumentos para (se) aplicarem de forma eficaz os melhores e mais eficazes métodos de trabalho.

E assim se perdeu uma década crucial para o desenvolvimento da nossa Educação, com sucessivos remendos que só iam agravando o imenso equívoco em que tínhamos caído. Diga-se em abono da verdade que o mesmo aconteceu com a qualificação, com os fundos do FSE a escorrerem abundantemente, mas sendo agora visível que sem evidentes vantagens práticas.
Esta década também está a caminho de ser perdida. A primeira metade parecia ir estancar os erros cometidos, mas a instabilidade existente na definição de uma «nova» política bloqueou tudo. A segunda metade está a ser perdida com o regresso ao fascínio pela imposição de aparatos legislativos preocupados com a produção artificial e estatística do Sucesso. Quanto á qualificação, daqui por uma década perceberemos que as Novas Oportunidades também terão sido globalmente um logro equivalente ao dos famosos cursos do FSE, panaceia com efeitos a curto prazo.

Pior, regressou-se – e de forma mais vocal – a uma ideologia culpabilizadora dos docentes pelo fracasso do sistema.

Onde antes se desautorizavam os docentes através de um discurso mavioso e legislação armadilhada, agora desautorizam-se os professores expondo-os à sociedade como os causadores primeiros da falência da Educação nacional, como maus profissionais, absentistas, avessos à avaliação, carreiristas bem pagos mas sem mérito. A estratégia é a da intimidação para qu, desta vez, nem que seja a força, o Sucesso apareça em, forma de núemros e gráficos exibíveis para as câmaras, instâncias internacionais e eleitorado anestesiado.

Agora coloquem-se no lugar de jovens adolescentes, com todo o vigor dentro de si e o desejo natural de terem sucesso, e vejam lá se não vos apetece bater nessas Professoras e professores incompetentes, faltistas, repressores e culpados por não vos garantirem o Sucesso garantido a que têm direito de acordo com o próprio Governo da maioria?

Claro que apetece.

E gravar para a posteridade para exibirem a todos os colegas e ao mundo como colocam essa corja no lugar.

Mas é por isso mesmo que não devo, e por reservas de pudor pela privacidade alheia (já bastante destruída) e ética, amplificar as imagens que existem. Para isso temos sempre as televisões e os órgãos de comunicação social.

Recebi hoje o mail que passo a transcrever, com dois anexos que incluo, resultantes de uma troca de cartas entre uma colega e a sua Coordenadora de Departamento. Situações como esta e outras bem mais complicadas irão passar-se em virtude da implementação apressada, mal planeada e por vezes sem qualquer fundamentação, do novo modelo de avaliação.A divulgação das missivas é feita com reserva da respectiva identidade e escola, a pedido da própria remetente.

Reencaminho dois textos, um feito por mim e dirigido à minha coordenadora de Departamento e outro feito por um grupo, estranhamente de professores não titulares, indigitados para definir as grelhas de avaliação da sua escola, e no qual se inclui a minha irmã, professora de Biologia na referida escola.

Envio também a resposta da minha coordenadora, à qual não respondi por a considerar de tal forma grave que decidi que ignorar seria a melhor resposta. Mas está registada…

Poderão fazer dos documentos que vos envio o destino que melhor vos aprouver. Por razões que compreenderão, caso publiquem a resposta da minha coordenadora, agradeço que retirem os nomes dos dois textos (o meu e o dela) e a indicação da respectivos escola…

São tempos sombrios, este em que vivemos…

Aquilo que me parece é que somos cada vez mais a pôr em causa a nulidade de todo este processo e tenho esperança que esta bola de neve vá engrossando cada vez mais.

Dia 23 lá estarei nas Caldas da Rainha, cidade aliás onde fiz os meus estudos entre o 7º e o 12º ano…

E OBRIGADA POR IREM AGLUTINANDO TODAS ESTAS VOZES DE INDIGNAÇÃO E REVOLTA!

(assinatura) , PQND, não titular e congelada que já devia estar no 8º escalão há 2 anos, do departamento de Língua Portuguesa da Escola Secundária ***********

E aqui ficam os dois documentos em causa (questoes.doc,respostas.doc).

Dificilmente estaremos esquecidos das críticas ferozes do Governo quanto ao incumprimento de muitas autarquias em relação ao seu péssimo desempenho financeiro e ao seu galopante endividamento bancário para pagar, no curto prazo, as imensas dívidas acumuladas.

No entanto lê-se hoje no Público (sem link permanente) que:

Governo abre caminho à gestão de pessoal docente pelas câmaras municipais

(…)
A proposta de diploma do Governo relativa à transferência de competências para os municípios em matéria de Educação abre a possibilidade de as autarquias virem a assumir a gestão de pessoal docente do ensino básico e da educação pré-escolar. Um cenário colocado sob a designação de “projectos-piloto” e que ficará dependente da celebração de contratos específicos entre o Ministério da Educação e os municípios.
No diploma, ainda em fase de negociação com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), não está especificado o que se entende por “gestão” do pessoal docente. E o Ministério da Educação, ontem contactado pelo PÚBLICO, também não esclareceu, em tempo útil, que tipo de competências poderão vir a ser transferidas para as câmaras municipais que aceitem participar nos tais projectos-piloto.

Sabendo nós o estado em que se encontram algumas das maiores autarquias do país, este tipo de medida só tem justificação no desejo do ME fazer uma cosmética no seu Orçamento e transferir os encargos com pessoal para o Ministério das Finanças, ao mesmo tempo que se desresponsabiliza quase por completo pela gestão do sistema público de ensino.

A um acordo deste tipo também não são estranhos os fumos de um potencial acordo – do género totonegógio guterrista – entre autarquias e Poder Central para colocar o contador das dívidas do Poder Local a zeros ou quase.

E também é difícil resistirmos à sensação que todas as fátimas e valentins deste país se vão escapar sem qualquer tipo de punição formal (as gravações incriminatórias desaparecem, os prazos prescrevem, as testemunhas falecem de tédio, os procuradores deixam de procurar, as provas parece que afinal não o são), enquanto os bexigas são espancados e os seus casos arquivados.

Perante tudo isto quem se preocupa com um projecto coerente para a Educação Nacional (ou Pública) fica de cabelos em pé, mas sem alternativas para que se virar, pois da Esquerda à Direita não há quem, de forma articulada, apresente um projecto alternativo.

O Bloco não sabe bem o que quer nesta matéria, o CDS só quer «liberdade de escolha», o PCP só agora parece reagir sob pressão dos sindicatos e o PSD presta-se a espectáculos deprimentes como aquele a que assisti há coisa de um hora num telejornal qualquer: Luís Filipe Menezes, autarca de uma das Câmaras mais endividadas do país, apresenta como solução para a crise do Sistema Nacional de Saúde a municipalização dos cuidados primários de saúde.

Um tipo ouve, não quer acreditar, mas é obrigado a admitir que tudo isto caminha para um completo surrealismo que desafia a nossa compreensão e encoraja de forma quase irresistível o consumo de substâncias o mais psicotrópicas possível, para não nos sentirmos fora da trip colectiva que parecemos estar a atravessar.

Subitamente entrámos num mundo alternativo, em que tudo mudou de lugar e em que os vilões de há uns meses, aqueles que ameaçavam a estabilidade financeira do Estado e se provava serem relapsos incumpridores das suas obrigações, se tornaram subitamente virtuosos gestores da coisa pública a quem se pode entregar a tutela sobre sectores estratégicos e estruturantes da vida nacional.

Entretanto, já não sei se nos consola saber que a Presidência da República «acompanha» as questões da Educação.

Com jeitinho, se acompanhar muito de perto, cai no abismo juntamente com todos nós.

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Adenda final: E ainda acham que a evocação da reforma do Rodrigues Sampaio não foi apropriada?

Boa tarde

Envio-lhe uma notícia de um jornal local sobre o “peditório” dos alunos / escola para computadores usados. Descanse que não é propriamente para o Paulo contribuir com alguma coisa . Apenas porque acho isto de uma enorme falta de senso, quando se abrem estes cursos e depois se colocam os alunos num jornal a actuar como “coitadinhos, somos pobres e não temos meios para aprender”.
Deveria ser a Escola a garantir estes e outros meios antes de abrir estes cursos, negociando nos bastidores com as empresas para garantir os meios necessários (que são apenas computadores usados!!)
Estas mostras de miserabilismo considero serem enormes tiros nos pés para as escolas e para os professores. Um meio-caminho andado para aquilo que aos poucos se avizinha.

Não está em causa esta escola mas tão só a forma como muitas das escolas se deixam levar por este caminho da pedinchice.

Cumprimentos.
PD

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É uma estratégia como qualquer outra. Se já conheci cursos de hotelaria e restauração aprovados pelo ME em que os alunos não não dispõem de qualquer equipamento específico da actividade, nem sequer existe verba para os adquirir, qual é a dúvida de se aprovarem CEF’s de Informática sem que a Escola tenha qualquer computador disponível?

Mas não esqueçamos algo essencial: estes projectos não podem avançar sem o aval do ME, sendo que a tutela até é muito atenta a todas as questões formais dos processos enviados para aprovação de funcionamento dos cursos (os dados biográficos dos alunos devem estar todos alinhadinhos, as manchas horárias devem estar todas definidas, os docentes devem enviar currículos e planificações, é necessária uma ladaínha para-eduquesa justificativa, etc, etc). Agora se existem os meios para implementar os cursos, népias.

Não me lembro de nos projectos que conheci de forma directa ou indirecta ser indispensável indicar os meios técnicos necesários para a concretização dos cursos. Pelo menos nos velhos 9ºs+1 essa exigência ainda existia e o PRODEP pagava (tarde…) alguns equipamentos.

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A generalidade dos professores está familiarizada com o conceito de baú pedagógico, que se difundiu bastante desde finais dos anos 80, não em exclusivo na área da História.

Agora, apesar de em alguns pontos do país já ser conhecido por muitos profissionais que trabalham em EB2/3 ou Secundárias ditas «provisórias» há décadas, generaliza-se o conceito de «contentor pedagógico», com a agravante da aplicação já não a jovens e adolescentes mas às crianças ainda da dita «tenra idade«.

A imprensa deste fim de semana aborda o tema de forma complementar: o Expresso referindo como a deslocalização de crianças de escolas encerradas ocorre sem o devido planeamento ou existência de alternativas razoáveis, enquanto o Sol revela como está em decadência o parque escolar à conta da Câmara Municipal de Lisboa que, endividada até à ponta das extensões capilares, se preocupa mais em promover um inexistente Rally Dakar (a designação Lisboa-Dakar é mais para consumo interno, que lá fora aquela é que é a designação corrente) do que em recuperar estabelecimentos de ensino.

Este tipo de notícias é tão importante como a denúncia dos atrasos do INEM, do encerramento dos SAP e das Urgências nocturnas em muitas localidades.

As consequências não são a doença ou a morte física mas andam num patamar não muito distante.

A realidade é que o fecho à bruta de escolas para exibir números tem piorado as condições de vida de muitas crianças (deslocações longas, condições precárias das novas “escolas” como se vê no caso de Torres Vedras e não só). Não vê isso só quem não quer ou fanático da mudança porque sim.

Mas mais importante, a transferência de competências para as autarquias sobre a manutenção do parque escolar tem, nas zonas mais densamente povoadas, resultados muitas vezes aquém do desejável, para não usar designação pior. Se no interior ainda se estima a velha Escola primária pelo símbolo que ela é (enquanto não a fecham) nas zonas (sub)urbanas com maior pressão demográfica e um poder local mais dado às fantochada de encher o olho, muitos equipamentos vão-se degradando progressivamente, com os responsáveis a alijarem a sua culpa para cima de outros.

Tal como Correia de Campos, saído pela porta baixa da governação, quem no ME decide e implementa esta política (julgo ser justo ao considerar que MLR apenas apõe a assinatura) só se preocupa em exibir um corte radical na rede pública de ensino básico do 1º ciclo, quantas vezes desrespeitando as Cartas Educativas já existentes. É gente que vive liofilizada, certamente com a descendência já adulta com curso em boa Universidade ou ainda em escola privada ou pública «de elite», daquelas que só não surgem nos «estudos» do ISCTE sobre práticas discriminatórias nas matrículas, porque sabem como evitar os olhares indiscretos.

É gente já sem alma, apenas preocupada com um pseudo-Sucesso estatístico e com o sucesso seu carneirismo carreirístico pessoal.

E não me venham com o argumento dos ganhos a «médio-longo prazo». É que então providenciem para que no curto não nos pareçamos tanto com o Terceiro Mundo que repugna ao Novo Homem Tecnológico.

Pertenço ao grupo híbrido de HGP/LP, ex-1º do 2º CEB, agora grupo de recrutamento 200. Formação de base em História, profissionalização em HGP/LP.

De acordo com o novo modelo que querem impor de 4 departamentos, seguindo-se a lógica enxertada do decreto-lei 200/2007 devo pertencer ao Departamento de Ciências Sociais e Humanas.

Mas lecciono Língua Portuguesa, com a respectiva habilitação para a docência certificada e diplomada.

Quem tem interesse num novo equilíbrio de forças, acha que apesar disso os docentes como eu não têm cabimento no Departamento de Línguas.

Por extensão (apesar de termos habilitação para leccionar LP), insinuam que devemos deixar de leccionar Língua Portuguesa.

As guerrinhas em torno do crédito horário não são estranhas a estas estratégias, embora confesse que me desgostam quando partem de quem se afirma contra este modelo, mas logo aproveitam para cavalgar a onda.

Não estando alteradas as habilitações para a docência, os grupos de recrutamento e até atendendo ao desejo de criarem professores generalistas e agruparem disciplinas mesmo no 3º CEB, custa-me compreender o desejo de alguns em cercar aqueles que parecem estar em situação de maior vulnerabilidade.

Não sei o que se passa em todo o lado, mas estas situações começo a ouvir que se repetem, ali, aqui, acolá. O que é lamentável, pois corresponde a um dos desígnios do ME: prometer algo a uns, para ver se conseguem ser instrumentalizados contra os outros.

Foi assim primeiro com os titulares; foi depois com os Coordenadores dos Departamentos Curriculares legais; é agora com os Super-Coordenadores dos novos Mega-Departamentos impostos sem fundamento legal.

Lançada a discussão pública do projecto de decreto-lei a 26 de Dezembro apostava-se, obviamente, na falta de impacto mediático da coisa.

E claro que se pretende que a discussão voe o mais rasteira possível.

Infelizmente a estratégia está a resultar: de todos os colegas com quem falei (fora da blogosfera) do assunto desde ontem, ninguém, mas mesmo ninguém, leu mais do que um destaque de jornal ou então limitou-se a ouvir uns soundbytes do discurso de Sócrates no Parlamento. Mesmo pessoas com posições de relevo e cargos que serão tocados por esta nova legislação.

Ninguém sabe que existe um período para consulta/discussão, muito menos qual o prazo, apenas um pouco sobre as alterações que irá trazer.

A estratégia da anomia generalizada está a começar a funcionar.

Para muitos docentes, tudo isto já parece ter deixado de ser do seu reino.

O que não pode ser.

Tenho neste momento pessoa amiga a trabalhar na Alemanha e com os filhos a frequentarem a Escola Pública lá do sítio, curiosamente aquela que dá mais condições a famílias que trabalham. Uma em idade pré-escolar, outra no equivalente ao 1º CEB.

Os miúdos são bilingues, com convém na descendência de um casal luso-alemão. No entanto, mal foi detectado um vago problema na expressão oral na mais petiza, imediatamente chamaram a família e à escola e comunicaram (note-se que não consultaram ou inquiriram se a família estava de acordo) que iria ser acompanhada semanalmente por uma terapeuta da fala, até que se considerasse o problema resolvido.

Por ocasião de deslocações a Portugal, quando as mesmas não coincidem com interrupções lectivas do calendário local (as quais são mais frequentes do que as nossas, note-se), a família é obrigada a cumprir um plano de estudos durante a ausência da escola. Em nenhum momento se considera a hipótese das faltas serem discricionárias (para “apanhar sol” numa das muitas expressões a que MLR nos habituou para legitimar o impensável) e depois logo de faz uma prova de recuperação.

Voltei a lembrar-me hoje disto numa reunião que acabou com 10 planos de recuperação numa turma de 20 alunos onde se acumula todo o género de dificuldades, desde as “simples” de aprendizagem, às mais complicadas do foro emocional ou social.

Neste último caso, são especialmente notórios os casos de dois alunos que apresentam uma completa incapacidade para concentrar-se nas aulas, para organizar um caderno diário, para desenvolver uma tarefa de forma consequente e que revelam ainda, em cada um dos casos, comportamentos complicados de gerir do ponto de vista psicológico.

  • Num caso a preocupação completa da aluna é em concentrar as atenções, se necessário à custa dos comportamentos mais disparatados (deitar o material para o chão, perturbar voluntariamente os colegas, interrompendo seja quem for que esteja a falar com observações despropositadas), assim como em castigar quem seja que se lhe oponha ou não aceda às suas exigências (de puxar o cabelo a tentar virar a mesa de trabalho, passando por perseguições de colegas até casa). O Conselho de Turma achou aconselhável que houvesse uma observação pelo SPO e um encaminhamento para a área da pedopsiquiatria, com vista a um diagnóstico da situação (suponho que é isto que o outro investigador chamará a «psicologização do insucesso»). Mas todos sabemos qual é a via sacra de tudo isto (claro que a família não tem meios para recorrer a consultas particulares, pagas em bom dinheiro vivo): relatório do CT, do SPO, ida de um professor dos apoios ao Centro de Saúde para contactar o sector da Saúde Escolar – o que pode levar a uma espera de horas -, consulta com o médico de família, credencial para a criança aceder a uma consulta de especialidade no Hospital mais próximo com essa valência, espera de semanas ou meses pela consulta, etc, etc. Com sorte, teremos o diagnóstico para lá da Páscoa; com azar não o conseguiremos em tempo útil deste ano lectivo.
  • No outro caso, a situação mais preocupante é a extrema insegurança, nervosismo e ansiedade que o aluno revela em relação ao seu desempenho. Chega a fantasiar acidentes para não fazer testes (é a mão que está magoada e não pode escrever, é a perna que dói) e numa aula minha mordia o lábio de forma compulsiva até quase sangrar. Aprofunda-se um pouco esta insegurança – ou “imaturidade” como foi diagnosticado – e descobre-se que o miúdo, cujos pais se separaram recentemente, vive com os avós e tem como missão, antes e depois das suas aulas, levar e ir buscar uma irmã mais nova ao infantário, entre outros deveres familiares. Fez 10 anos há muito pouco e, à luz de tudo isto, percebe-se que leve o dia na escola sobre brasas. Entende-se a ansiedade e a incapacidade de concentração. Não se sabe é como resolver a situação envolvente que provoca tudo isto. Se for contactada a Protecção de Menores, vai para o fim da lista, que existem centenas de casos semelhantes ou piores para ser analisados e resolvidos.

E, perante isto, temos um Conselho de Turma e uma Escola que se esforça por perceber os caminhos para garantir o sucesso a alunos como estes, em evidente situação de risco educacional. Claro que para a tutela estes são casos dramáticos individuais e aposto que haverá quem ache que os recursos da Escola chegam para resolver a situação.

Eu acho que não. Que a Escola não resolve tudo. Que não pode resolver tudo. Porque não tem os meios para isso e porque a nossa missão como professores não é escrever um par de “3” na pauta e deitar o resto para trás das costas como se, obtido o Sucesso para as estatísticas, tudo ficasse bem. Porque não fica.

Primeiro-ministro escolhe educação para tema do debate mensal

José Sócrates escolheu o tema da Educação para o debate mensal de Dezembro – a decorrer amanhã – na Assembleia da República de acordo com a estratégia de que o ataque e a antecipação são a melhor forma de defesa.

Sendo a Saúde e a Educação as áreas da governação onde se tem concentrado grande parte da pressão sobre o executivo – em parte na sequência do discurso do PR em 5 de Outubro, mas não só – Sócrates escolhe uma delas para demonstrar como está à vontade no tema e como o governo tem obra para apresentar.

A verdade é que nos últimos tempos houve uma clara azáfama a ultimar relatórios, que têm sido apresentados em catadupa, algumas vezes quase atropelando a sua conclusão em condições, com recurso mesmo a dados preliminares, só para bloquear críticas. Neste caso a escolha é claramente para tentar abafar a ligeira patuleia resultante dos resultados no PISA 2006.

Há muitos números para citar, muito “sucesso” para propagandear, mesmo se as metodologias deixam a desejar na forma de obter e trabalhar esses números. Assim como, em outras circunstâncias e com uma oposição não comatosa, José Sócrates deveria ter um pouco de precaução pessoal em entrar por áreas onde manifestamente só saberá citar números, fazer declarações políticas tonitruantes, mas sobre as quais dificilmente conseguiria suportar um debate a sério com especialistas a sério sobre o assunto. Porque não é manifestamente uma paixão que o seu passado, mais ou menos remoto, revele.

Só que este debate é tentador por duas razões essenciais:

  • Existe uma aparência de resultados a apresentar: os relatórios sobre a frequência do Ensino Secundário, da redução do insucesso nesse nível de ensino ou mesmo da violência (filtrada e depurada) no espaço escolar, a par da enorme mistificação do programa Novas Oportunidades e da distribuição de portátéles, são de molde a permitir a José Sócrates exibir aquilo que de melhor se lhe reconhece, ou seja, uma retórica agressiva suportada numa barreira de estatísticas e “indicadores”. Claro que ainda demonstrando que tem gasto menos com pessoal.
  • Por outro lado, temos uma oposição definhada nesta área da governação:
  1. O CDS é fácil de neutralizar quando se limita a questões da “liberdade de escolha” ou dos “cheques-ensino”; Sócrates acusa-os de elitistas, de inimigos da escola pública, saca do passado (já não muito recente) recente do governo PSD/CDS e Diogo Feio fica sozinho, sem grande capacidade de suportar a investida estatística, sobre a qual não costuma apresentar dúvidas.
  2. Quanto ao PSD, e a acreditar nas declarações recentes do seu novo líder, em matéria de Educação é apenas uma versão mais suavizada das posições do CDS, não se distinguindo em muitas outras matérias do PS se não em questões pontuais ou de forma e não de substância. Agarrando-se também ao tema da “liberdade de escolha” das famílias e não apresentando nada para além de um liberalismo de bolso que o distinga do CDS ou do próprio PS, fará ruído mas pouco mais, pois nas suas fileiras parlamentares estão notoriamente ausentes verdadeiros conhecedores na matéria, capazes de desmontar o discurso governamental, em especial as estatísticas do “sucesso”. O “jovem” Pedro Duarte é, nesta matéria, apenas um junior pouco rodado pouco capaz de ir além de um ou outro duelo verbal sem grande consistência
  3. O PCP, se nos abstrairmos do sempiterno slogan da «defesa da escola pública», tem-se caracterizado por um estranho vazio nesta área, em especial ao nível de medidas alternativas concretas para a organização do sistema de ensino. Luísa Mesquita, a sua primeira linha na área da Educação, foi lançada fora e não se percebe quem, de entre as jovens esperanças, conseguirá dizer mais do que o mesmo do costume. Relembremos que por alturas da discussão do Estatuto da Carreira Docente, o PCP não parece ter sido capaz de congregar o necessário apoio para pedir a análise da sua constitucionalidade, tendo preferido a aposta nas acções sindicais.
  4. Já o Bloco é a completa nulidade nesta matéria ou, pior, entra por territórios perfeitamente panfletários e facilmente ridicularizáveis como a iniciativa recente que teve em matéria de Educação e que deu origem a discursos e posições a roçar a caricatura.

Perante este cenário de uma oposição débil em matéria de Educação, o Primeiro-Ministro vai tentar fazer uma (des)carga que deseja decisiva no sentido de eliminar focos parlamentares de oposição nesta área crítica da governação, apresentando as suas políticas como as únicas possíveis e eficazes.

E esse é o perigo: um debate nesta matéria que revele uma oposição sem projectos alternativos credíveis ou capacidade de desmontar «os números do sucesso» corre o risco de acabar em vitória clara do PM por ausência de adversário à altura, sendo que a altura necessária nem é muita. E em matéria de Parlamento, a menos que grossa asneira seja feita na 5 de Outubro – o que é sempre possível – a questão da Educação ficará infelizmente encerrada por bons e longos meses.

E depois resta a oposição da chamada «sociedade civil» que até ao momento tem dado poucos resultados em termos práticos. Os professores, salvo algum movimento recente mais favorável da opinião publicada, têm sido deixados sozinhos na arena, cerceados nos seus direitos, responsabilizados por todos os males e disfuncionalidades do sistema e apresentados como um conjunto corporativo de profissionais acomodados, sem mérito e que parecem estar só a atrapalhar as políticas educativas de sucesso da 5 de Outubro.

E isso é pouco, muito pouco, para os professores. Assim como olham para os partidos com representação no Parlamento e percebem que ninguém está incondicionalmente do seu lado, ou se está tem dificuldade em demonstrá-lo. E o que parece é que todos se acomodaram em deixar o odioso para o Governo, quando no fundo muitos teriam feito exactamente o mesmo ou muito parecido, apenas com diferenças de estilo.

E isso é desanimador porque o «sucesso» que nos é apresentado é falso e parce que há quem só virá a perceber isso demasiado tarde.

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