Acção


Este governo está prestes a acabar.  Todos sabemos isso, o governo sabe isso, incluindo o desespero, que também sabe isso.

Mas não é bem assim, nenhum governo acaba completamente, um novo encontra sempre tudo minado de coisas chamadas leis, despachos e, especialmente, quadros  a que chamo de esotéricos.

Para não maçar, que de maçadas estamos fartos, reduzo ao seguinte:

Como é que é possível ser-se quadro numa empresa e achar-se imediatamente com imensos anos de serviço e, em contraponto, por exemplo um professor, com extremos anos de serviço e nunca no quadro?

A Minuta

Publicidade Institucional

Eu acho que está tudo muito esquecido destas coisas e verdade seja dita parece que os esforços de divulgação andam tímidos, não vá alguém desentender-se.

Não tenham demasiada pressa. Não se precipitem. A manifestação de sábado demorou algumas semanas a embalar.

As coisas não se fazem de um dia para o outro. Uma andorinha não faz a Primavera, mas elas também não chegam todas no mesmo dia.

A bola está do «outro lado». É esperar e dar a hipótese de irem reagindo sem perder a face. Não adianta nada partir para um «tudo ou nada».

(estou a ficar com os clichés quase gastos)

Não estraguem a jarra composta aos bocadinhos depois de ter ficado quase toda quebrada no início do Verão de 2005.

Agora que ela está tão bonita, não andem sempre a abanar a mesa.

Se for mesmo necessário, ponham daqueles cd’s de pan-pipes andinas ou de sons da Natureza muito new age. Relaxem um pouco.

E lembrem-se, a jarra e a mesa são de todos.

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Se há coisas que me deixam indeciso entre a irritação e o tédio mais absoluto são as declarações públicas de «notáveis», em forma individual ou colectiva, a diagnosticar sintomas de mal-estar quando a doença já vai avançada. Sejam eles generais que até dirigem organismos dependentes do Estado que criticam (Garcia Leandro), sejam organizações que há 35 anos fazem parte da tessitura do regime e são formadas por quem fez o que há (SEDES).

Normalmente são considerações vagas, vagamente alarmistas e ainda mais vagamente oportunas, pois por via de regra apenas verbalizam evidências que qualquer observador atento percebe sem o recurso a análises muito profundas. Mais aborrecida é ainda a forma como, quando se lhes pede para concretizarem o diagnóstico, apontarem a culpa do mal-estar e soluções para o resolver, se ficam novamente por considerações vagas, fugindo a atribuir responsabilidades e ensarilhando-se no seu próprio discurso. Foi o que se passou nas entrevistas televisivas do general Garcia Leandro após o artigo no Expresso e com as declarações do presidente da SEDES, Vítor Bento, quando a TSF foi falar com ele.

Porque no fundo não querem desagradar. Apenas querem tempo de antena. Uma atençãozinha mediática. Um maior espaço na mesa dos «conselheiros» do regime.

Afinal o que era, não era bem assim. O mal-estar há, mas não há. Não é de agora, é de sempre. Não se percebe se dará alguma coisa ou não. Se a crise social está aí ou não está. Enfim, uma absoluta perda de tempo, espaço de jornal e e ondas hertzianas ou outras.

A verdade é que a insatisfação anda por aí e começa a sair à rua sem pré-enquadramentos organizacionais. E não são só «militantes de outros partidos» (eu gostaria que pessoas sem partido que estiveram no Rato exigissem a José Sócrates o que o ME anda a tentar extrair a Manuel António Pina). É muito boa gente cansada e farta, sem mais paciência para um estilo simultaneamente hard (a arrogância da atitude, a infalibilidade proclamada) mas muito light (a escassa fundamentação e a superficialidade do discurso)

O que se passou ontem em três pontos do país com grupos de professores a demonstrarem o seu desagrado com isto (e é bom que não se usem fórmulas simplistas para definir aquilo que pretendem) é algo que não se enquadra em vulgatas de má sociologia e/ou de ciência política de bar de Universidade ou de restaurante lisboeta ou portuense de 5 estrelas com direito a fumo de charuto. Muito menos em reflexões apressadas, entre a caça e o remanso do monte alentejano.

É a vida tal como ela é, sem ser vista e vivida pelas lentes das pseudo-elites políticas e culturais do portugalinho que se estende por uns quilómetros quadrados de Lisboa, Cascais, Porto ou Coimbra.

E é uma vida que se movimenta de acordo com lógicas imprevistas para os leitores e produtores dessa má sociologia (da inacção) e dessa míope ciência política rendida aos valores light do marketing.

Não é um mal-estar difuso.

São já os gritos da dor de uma doença a sério.

(e agora vou ali ver se perdoo a mim mesmo esta última tirada algo melodramática)

Gestão Escolar: deputada Luísa Mesquita diz que Governo receou confronto com a oposição no Parlamento

A deputada Luísa Mesquita acusou hoje o Governo de “recear” o confronto e as críticas da oposição sobre o novo regime de gestão escolar, ao apresentar um projecto de decreto-lei sobre a matéria, impedindo assim a sua discussão na Assembleia da República.
“O Governo, por alguma razão, não apresentou uma proposta de lei, mas sim um decreto-lei, porque naturalmente receia o confronto e as críticas que possam surgir de todas as bancadas, de todas as áreas políticas e de todos os investigadores”, criticou Luísa Mesquita.
(…)
Deputada pede audição pública

Salientando que esta é a mais profunda alteração na gestão escolar desde o 25 de Abril, Luísa Mesquita requereu ao presidente da Comissão de Educação e Ciência do Parlamento a realização de uma audição pública, com a presença de estudiosos e investigadores. A proposta de Luísa Mesquita é hoje apreciada e votada na referida comissão.
“A questão que se coloca neste momento é a ausência de discussão. Estamos a falar da mais profunda alteração ao que está em vigor desde o 25 de Abril. Considero fundamental que perante uma proposta tão profunda a Comissão de Educação não se afaste dessa discussão”, justificou a deputada.
Luísa Mesquita sublinha que o modelo dos presidentes dos conselhos executivos “nunca foi avaliado” e que a Inspecção-Geral de Educação, no âmbito das avaliações externas às escolas, tem feito “rasgados elogios” ao actual modelo.
A deputada afirma ainda que o modelo proposto pelo Governo traduz a desconfiança em relação aos professores, tal como afirmaram os sindicatos. “Todo o modelo parte instalado na desconfiança sobre quem está nas escolas, ou seja, quem está nas escolas não merece a nossa confiança: os professores, os funcionários e os alunos. Logo, há que introduzir na escola o máximo de elementos estranhos à comunidade educativa”.
Sobre o requerimento a ser discutido hoje, a deputada revelou grandes expectativas na sua aprovação, revelando que o PS afirmou, numa recente audição parlamentar, já ter dado “luz verde” ao seu pedido.

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