Acasos


 

caneco!

 

já estou cansado de pensar no modo de fazer aquilo.

Espero que apreciem o “copiar/colar”.

Sáficos ou heróicos?

Eu a pensar que nada guardara do passado que passou. De facto, não guardei – mas alguém o fez, o que me surpreendeu. Fiquei sem palavras e confuso. Vou publicar uma parte, tem apenas o valor de o tempo nos pregar partidas e a pilhéria de se viver mais do que uma vez.

Quatro crianças e um adulto ficaram feridos esta manhã num acidente com um autocarro que transportava alunos para o Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Paiva.

Eu cá gostava de ser blasfemo, não ter nada a ver com isto e, ainda assim, debitar.

Janasiu, the best of.

… naturalmente que fala.

 A realidade é sempre outra, a conveniente, a perdida ou a não obtida.

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O Congresso Fugir Para a Escola vai acontecer no próximo dia 24 de Novembro, em Lisboa. Por entre todos os notabilíssimos participantes destaca-se a prelecção inaugural, reservada ao sempre excelente Presidente da Confap e a absoluta ausência de qualquer professor do ensino básico ou secundário.

Há psicólogos, magistrados, pediatras, professores universitários, apresentadores de televisão, até mesmo o proprietário da Delta Cafés (!?!).

Antevê-se cobertura televisiva pela SIC e RTP (no mínimo) e um razoável serviço de cafés.

Só não se encontra um único professor. São opções da organização Bebés & Crescidos.

Há inscrições para estudantes e profissionais. Sinceramente, não sei se esta última designação contempla os professores. Também não sei em que categoria me incluir se lá quiser ir como pai e encarregado de educação.

À organização as suas opções. Legítimas como quaisquer outras. Mas reveladoras, de igual modo.

Agradeço à Amélia Pais a chamada de atenção para esta iniciativa, certamente notável e, pelos detalhes e omissões, curiosa.

A Visão, sereno baluarte e espaço de apoio – com o Jornal de Letras, com o qual partilha muitas afinidades editoriais e uma vaga posição de esquerda pseudo-intelectual sem sal – a Maria de Lurdes Rodrigues ao longo destes anos (salvo episódicas excepções) , brinda-nos na edição de hoje com uma monumental gaffe,  que eu levaria à conta de coincidência não fosse eu ser cada vez mais desconfiado.

Na nota dedicada às iniciativas da Fenprof para (re)valorizar a imagem dos docentes junto da opinião pública, afirma-se que os professores estão indignados com a Ministra da Saúde.

Que a senhora nos trata – e de que maneira – da saúde já sabíamos, agora que era ministra dessa pasta é que ainda não me tinha ocorrido.

Horários feitos para professores impõem carga excessiva a alunos

Entrar na escola às 8,25 horas e sair às 18,30 horas é, para milhares de alunos dos 2.º e 3º.º ciclos do Ensino Básico, uma realidade violenta, quando não anti-pedagógica. Apesar das orientações dadas pelo Ministério da Educação às escolas no sentido da elaboração de horários com uma carga semanal distribuída de forma equilibrada, a inspecção-geral da Educação identificou, no seu último relatório, centenas de casos irregulares. Desde turmas com excesso de carga horária, às que nem o intervalo para almoço é respeitado.

O Jornal de Notícias faz hoje primeira página com esta cacha parentemente bombástica, usando para isso os dados de um relatório da IGE e a visita a algumas escolas do Grande Porto. Não vou fazer aquilo que o ME costuma fazer quando aparecem notícias incómodas, tentando descredibilizar os dados apresentados. Nem sequer tenho procuração para defender o que é feito em matéria de horários nas escolas que existem por este país.

Por isso apenas apontaria alguns detalhes sobre o assunto:

  1. É inegável que em alguns estabelecimentos de ensino existem horários de turmas perfeitamente indescritíveis e em certos casos injustificáveis sob que argumento seja. Seria interessante que a IGE identificasse com clareza os responsáveis por uma causalidade entre o interesse de horário dos docentes e o mau horário dos alunos. E até que isso implicasse alguma consequência, que mais não fosse a correcção dos horários. Porque quer-me a mim parecer que até sei o perfil dos beneficiários de certas atrocidades nesta matéria, que prejudicam não só alunos como outros colegas. Já assisti a isso em primeira mão, sei que acontece, não vale a pena negar, mas também é verdade que nos casos que conheço bem, as inspecções parece nunca terem dado com nada. Foi há uns anos, mas lembro-me bem da inabilidade inspectiva.
  2. Dito isto, gostaria de ressalvar que conseguir, em escolas sobrelotadas e com falta de espaço, fazer horários equilibrados é quase um milagre do engenho. Em especial este ano com os requisitos que implicam os horários dos nóveis professores-titulares. Mas mais importante do que isso, por vezes esquece-se que existem maus horários – de alunos e docentes – por impossibilidade física de os fazer melhores, tamanha é a impossibilidade de ter certos espaços físicos disponíveis para se leccionarem algumas disciplinas.
  3. Por outro lado, existem casos de alunos com horários equilibrados que, em nome da sua segurança, os próprios encarregados de educação obrigam a permanecer na escola até elas fecharem os portões, por não terem em casa quem os acolha, fruto de horários de trabalho extenuantes. O senhor Albino Almeida da Confap esqueceu-se de acrescentar essa realidade ao quadro que traçou na suas opiniões fornecidas ao JN. Vá lá que admitiu a existência de fraudes no fornecimento de moradas por muitas famílias, por forma a conseguirem lugar em escolas mais interessantes.
  4. Existem ainda situações inversas, em que os docentes têm horários perfeitamente horrorosos, com a justificação de não sobrecarregar os alunos, justificação essa que por vezes é real, em outros casos é resultado de mera incompetência (ou cedência a factores estranhos) de quem faz as grelhas de horários. Recordo o meu ano de profissionalização em serviço durante o qual, com apenas 16 horas lectivas (as outras 6 por lei eram para me deslocar ao local das aulas da profissionalização) conseguia ter horário misto em todos os dias da semana. Como acima já referi, lembro-me bem do perfil dos beneficiários de situações perfeitamente inversas, com o beneplácito do Conselho Pedagógico.

Por fim, não deixa de ser curioso que o relatório da IGE que é citado – apresentado como o “último” – seja este que tem data de 21 de Maio de 2007. O facto de só agora ter despertado o interesse e atenção de alguma comunicação social deve ter sido um acaso fortuito, sendo certamente uma mera coincidência com o facto do ME estar de novo em negociação com os docentes relativamente ao modelo da sua avaliação.