Abstenção


 

Bué, meu.

Há quem culpe a ADD por ter catalisado alguns dos piores aspectos dos microcosmos escolares. E antes disso o próprio ECD que criou a divisão da carreira entre titulares e outros.

Não vou regressar aí.

Vou, apenas como desabafo de final de Julho, analisar rapidamente qual o melhor processo de arruinar um bom ambiente de escola.

  • Será mais eficaz o método rápido, em que tudo desaba em poucos meses, perante o processo de adesivagem aos novos tempos, assumindo a cristalização de uma elite clientelar em torno do poder que redistribui as (em muitos casos bem pobres e por vezes meramente simbólicas) os seus favores?
  • Ou será mais profundo o método lento de, mesmo com boas intenções, tentar adiar certas decisões e de falso compromisso em falso compromisso, acabar por alienar muita gente e ficar em seu redor apenas com os oportunistas e aqueles que, sem o encosto ao poder, não sobreviveriam?

O primeiro método é mais brutal mas, mesmo quando executado com má fé e injustiça, de certa forma mais corajoso, porque se assumem as opções.

O segundo método, por seu lado, entranha-se mais e cria raízes fundas, deteriorando de forma mais perene as relações de (des)confiança entre as pessoas.

Os últimos anos fizeram-nos assistir ao avanço mais rápido ou mais lento deste processo de apodrecimento interno da vida das escolas, um com o claro entrincheiramento das partes, o outro com uma promiscuidade menos clara dos interesses em conflito encoberto.

Neste momento já não há solução simples – será que existe mesmo uma difícil? – para remediar o mal feito.

A manutenção do actual modelo de ADD até final do ciclo vai agravar os problemas existentes. A sua suspensão criaria outros. Mas teria o condão de criar uma ruptura e uma desvinculação clara com as práticas do passado, que só como excepção são boas.

O novo modelo de ADD que aí virá até pode ser melhor (acho que sim, sinceramente) do que o anterior. Mas, ao não ter sido assumida uma ruptura clara com o passado, tudo nascerá em terreno envenenado e dificilmente crescerá de forma sadia.

Perante isso vou tomar a única opção lógica e coerente: tal como com a ADD que termina (já sei a minha classificação e tudo!), vou alhear-me da próxima.

Irei limitar-me a analisar as propostas e contrapropostas em presença de um ponto de vista do observador não participante. E, quando for implementada, espero conseguir o espaço de liberdade que consegui com esta e que me permitiu trabalhar com os meus alunos de uma forma normal e com interferências externas mínimas.

O peditório já dura há muito tempo e está em demasiadas esquinas e semáforos.

Oliveira e Costa da Eurosondagem atribuía há minutos, na SICN, a elevada abstenção (acima dos 60%, certamente) ao facto de estar tempo chuvoso e muitas pessoas terem preferidoir à praia.

Ou seja, não quero este bife porque está mal passado de tão cozinhado.

Ainda isto mal começou e já começámos no reino do disparate analítico.