A Reacção


O problema foi mesmo quando deixámos deslocar a discussão para o terreno da equiparação entre as regras de funcionamento do sector público, que faculta serviços de tipo universal a todos os cidadãos, e do sector privado, em que só tem acesso a algo que o pode pagar.

A partir desse momento, quando se prescindiu da regra fundamental que era o imperativo de não misturar tudo, a porta ficou aberta para que se utilizasse a lógica da pseudo-racionalidade económica e financeira, que se tornou o centro do discurso de economistas de pacotilha e de toda o séquito de gente incapaz de fazer mais do que replicar o que leu numa má tradução de um livro qualquer estrangeiro.

Que agora queiram mudar tudo, mais uma vez, numa nova revolução que se destina, no essencial, a subalternizar progressivamente a independência de quem presta uma serviço essencial à comunidade e ao país, colocando o interesse público ao serviço das lógicas e ganâncias privadas, já nem me aquece muita.

A narrativa recolocada em movimento é a do costume e há uma década (ou mais) que é a mesma.Já a ouvi em primeira e segunda mão, sei quais são os objectivos e resumem-se a aceitar de forma acrítica a agenda dos queirozes&muñozes para os seus colégios, que eles acham bem geridos, pois sobra folga para os stakeholders viverem bem e viajarem melhor.

Por isso, o “caso” GPS nunca os assustou verdadeiramente, mera onda ocasional num mar calmo que apenas atrapalhou as coisas por uns meses. Mais… a lógica vai ser estendida ao sector público de um modo radical, com base na mentira da ineficiências e mais resultados do sistema educativo, tudo com a anuência de um ministro Crato que parece ter levado uma lavagem cerebral quase completa.

Tudo beneficiando ainda da incapacidade dos “lutadores profissionais” entenderem que não se tira o tapete aos representados quando alguma coisa parece estar a funcionar e que sem um reforço de uma identidade de corpo profissional (em vez da opção pelo apelo a esvaziadas “lutas comuns”) não se conseguem “lutas” eficazes. E beneficiando da incapacidade de certos “actores” conseguirem redefinir o seu papel, de maneira a recuperarem (ou ganharem pela primeira vez) o respeito das audiências”.

Nem falo na UGT/FNE que se baldeou por completo – desta vez nem disfarça – para o lado da “responsabilidade”.

Já esteve mais longe o dia em que o copo acaba por transbordar.

A mim não caem quaisquer parentes na lama se acabar a servir bicas…

 

greve destas é não haver palavras d’ordem, já que os sindicatos se esqueceram delas e do seu lugar.

 

 

Juiz de Viana proíbe utilização da nova grafia

 

Chamar-lhe grafia…

Estou a ficar cansado da desonestidade intelectual de certas criaturas. O IP está parcialmente apagado mas é o mesmo, usado pela mesma pessoa, numa prática recorrente, para parecer ser mais do que é.

Apresentar todas as actas aos professores que afirmam representar no mesmo prazo concedido aos representados.

A avaliação não acabou, apenas foi suspenso este modelo. Antes tinha sido simplificado e enxertado. Era bom que Isabel Alçada não se prestasse a esta perform,ance final no seu mandato para esquecer.

Fim da avaliação é “lamentável”, “irresponsável” e só tem razões políticas, diz Isabel Alçada

Embora esteja no seu direito fazer aquilo que tantas vezes criticaram a outros. Será que antes de tal decisão, o TC dirá algo sobre os cortes salariais?

Porque se a Assembleia pode revogar um decreto-lei (como no caso da reforma curricular), por maioria de razão pode revogar um decreto-regulamentar.

PS quer Tribunal Constitucional a fiscalizar revogação da avaliação dos professores

O PS vai suscitar a fiscalização da constitucionalidade da revogação da avaliação de desempenho dos professores, aprovada hoje, defendendo que o Parlamento não tem competência para esse acto, anunciou à Lusa a deputada Ana Catarina Mendes.

Quanto à deputada Ana Catarina Mendes, normalmente candidata do PS por Setúbal, terei especial gosto em não votar nela.

Há que ser perfeitamente claro: a suspensão desta ADD é um bem em si mesmo e não estou muito preocupado com o contexto, com os aproveitamentos, com isto ou aquilo.

Apesar de estar bastante protegido em relação aos seus efeitos (não era relator e não concorri a nenhuma classificação de mérito, pelo que me limitei a ir esperando que fenecesse…), não sou cego, surdo ou insensível aos danos que ela agravava no ambiente das escolas.

Quem ignorar isso, deve repensar a sua posição.

Sei que surgirão disparos, tanto de abrantinos e jugulares, como de sectores do PSD que idolatravam MLR como uma nova Leonor Beleza. Existirão mesmo remoques por parte daqueles que queriam a ADD suspensa ou eliminada mas às suas mãos e não de outros.

Ora… para mim isso não interessa nada.

A ADD tem minado o clima de trabalho das escolas, tem quebrado laços de camaradagem, pulverizou solidariedades. Sem quaisquer ganhos para o trabalho com os alunos.

Para além disso, estava a ser feita para nada, pois como afirmei e repito, os alunos em nada estavam a beneficiar com isto. Não há progressões no horizonte e houve cortes salariais. Apenas deveres, sacrifícios.

Era necessário que se desse um sinal de esperança a toda a classe docente. Que eles merecem mais do que ataques, ofensas, desconfianças. Esse passo pode estar prestes a ser dado, fechando um ciclo demasiado mau para ter durado tanto tempo.

Amanhã pode ser o início de uma nova fase neste processo que, contudo, deve ter um período de nojo durante a campanha eleitoral. Mesmo que apareçam princípios muito belos e propostas muito atraentes, é bom que se perceba que isto só deve ser tratado a sério com um novo Governo, num ambiente negocial apropriado, sem ceder a extremismos histriónicos e aplicando-se de forma gradual: definição do modelo, formação dos avaliadores, implementação progressiva.

Não é coisa para anos sem fim, mas não se faz em seis meses. Dois anos (2011-13) será o tempo certo para as fases acima indicadas. A partir daí generalização do modelo, depois de corrigido e aperfeiçoado.

E, de uma vez, é bom que os parceiros que venham a estar envolvidos optem pela transparência de processos. Em todos os sentidos.

Todos os líderes dos partidos da oposição fizeram bons discursos. Um pouco melhor Portas, que conseguiu manter aquela pose firme e hirta de estadista sério do princípio ao fim. Um pouco pior Louçã, com aquele ar sempre meio enervado. Jerónimo de Sousa e Passos Coelho ponderados e estruturados.

Agora Assis, a precisar de alguma coisa que o acalme e que o faça deixar de repetir o mesmo.

A manifestação da geração à rasca nos 3 canais de televisão, são mais de 30 minutos

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Os Homens da Luta e os participantes na manifestação – A luta é alegria.
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A resposta do partido socialista, os políticos e a manifestação: José Sócrates, Augusto Santos Silva, José Manuel Coelho, Carvalho da Silva e Jerónimo de Sousa.
Compilação do Calimero Sousa