A Gripe


Sempre me preocupou a referência íntima das coisas, ser estudante da escola tal , ser estudante da universidade coiso. Pensava que deveria ser do assunto, a não ser que o assunto seja a referência.

oiçam, o vento mudou

A Mentira Não É Problema. Problema É Quem Acredita Nela.

FENPROF reuniu com ME a quem propôs medidas que defendem a Escola Pública e garantem respeito por direitos dos docentes

Foi lá ouvir. Resultados? Não há.

Em tempo, a vida desta gente nunca foi na escola nem por ela.

É aquele que consegue que a fase mais aguda da sua gripe calhe exactamente no feriado que é para não prejudicar o desenvolvimento normal das actividades lectivas.

Entretanto, vou tentar que esta tosse seca cá dos confins dos meu peito, não me faça sair as entranhas pela boca, de modo a amanhã já estar quase fresco e repolhudo para retomar a laboração.

Gripe
O Gripenet, projecto desenvolvido desde 2005 pelo Instituto Gulbenkian de Ciência (www.gripenet.pt), lançou um concurso de vídeos escolares sobre a problemática da gripe, intitulado “Gripe, câmara, accção!”.
O  “Gripe, câmara, acção!”, está aberto até 22 de Dezembro. Destina-se a estudantes do 7º ao 12º anos (inclusive) e o objectivo é produzir um vídeo que informe e motive os cidadãos sobre a gripe e a sua prevenção. Pode ser divertido, mas tem que ser inteligente. Poderá ser uma animação, ter a forma de mini-documentário, spot informativo, vídeo-clip, etc. O vídeo vencedor será exibido na RTP, uma das instituições que colaboram nesta iniciativa. Será ainda distinguida a “escola mais participativa”, isto é, aquela que originar mais vídeos concorrentes.
O regulamento e zona de inscrições estão disponíveis em http://www.gripenet.pt/videos/ .
Pedimos a sua colaboração para a difusão, no “Educação do meu umbigo”, desta iniciativa junto da comunidade educativa. É que a “rede” é a melhor amiga das entidades não-governamentais para projectos de cidadania.
Os melhores cumprimentos,
Vítor Faustino (Gripenet/IGC)

Foi a expressão usada por Emília Nunes, em representação da Direcção Geral de Saúde no noticiário da TVI, para justificar o não encerramento de escolas onde já surgiram focos de H1N1 (Amadora, Maia em S. Miguel onde já há 44 casos em 602 alunos).

A lógica é que fechando as escolas, as crianças irão para casa obrigando os pais a faltar aos empregos. E isso causará poderá causar disrupção social.

Ouvi e fiquei sem perceber se subitamente tinha mudado para os gatos ou para os contemporâneos.

E eu também queria uma ilha privativa na Polinésia, mas faltam-me 67 cêntimos.

Pais exigem médicos na escola

O presidente da Federação de Associações de Pais do Porto defendeu ontem que as medidas adoptadas para conter a gripe A nas escolas são insuficientes. Monteiro Valente considera que a situação de emergência justificaria uma maior proximidade dos técnicos de Saúde com as escolas. “Estou muito céptico, acho que devíamos ter ido mais longe no terreno, especialmente em termos médicos. Basta comparar com Espanha, Bélgica ou França, que criaram equipas médicas de suporte especial para esta situação”, afirmou ao CM.
(…)
Monteiro Valente critica a falta de controlo da qualidade do ar nas escolas. “Há muito tempo que não é medida a qualidade do ar que se respira nas salas de aulas. Nesta situação de pandemia de gripe A deveria haver equipas a fazê-lo, porque esse pode ser um factor que facilita o contágio”, disse. Refira-se que a Organização Mundial de Saúde recomenda às escolas que possuam ventilação adequada como forma de prevenção da propagação do vírus H1N1. Apesar de crítico, o dirigente considera que as medidas adoptadas para prevenir a gripe A no âmbito dos planos de contingência adoptados servem para fazer face ao arranque do ano lectivo.

E atenção que eu também sou encarregado de educação e já passei pela sacramental reunião na escola da minha miúda sobre o tema e sobre a completa insuficiência de meios e apoios.

Os planos até podem estar prontos – o que duvido em muitos casos para além de uns protocolos que a maioria vai desrespeitar alegremente – o problema é que é mesmo como diz a peça. É David contra Golias, mas um David míope, sem óculos e com a fisga toda partida:

Escolas reabrem com planos de contingência contra a gripe A prontos

É uma espécie de David contra Golias: as escolas municiaram-se com planos de contingência para enfrentar o vírus da gripe A, porém, as medidas de contenção podem pouco contra um vírus que, como lembrou ao PÚBLICO Gregória von Amann, especialista em Saúde Escolar da Direcção- Geral da Saúde, adora o frio e a humidade, sobretudo em espaços sobrelotados como as salas de aula.

“O regresso às aulas vai exponenciar os casos de infecção, tanto entre as crianças como entre a população em geral, mas é verdade que as crianças estão mais vulneráveis. Aliás, 80 por cento dos casos ocorreram em pessoas com menos de 30 anos”, lembrou a especialista. Até à passada quarta-feira, 13 por cento dos casos ocorreram em crianças dos zero aos nove anos de idade, 27 por cento em jovens entre os 10 e os 19 anos e 38 por cento em jovens dos 20 aos 29 anos.

Vale a pena tomar todas as prevenções, mas vai ser impossível evitar contágios múltiplos nas escolas a ser verdade o que se vai conhecendo sobre as formas de propagação.

Espero estar enganado, mas os dispensadores de gel vão ficar inoperacionais ou sem recargas ao fim de muito pouco tempo.

Quanto às recomendações de Mário Durval, delegado de saúde do Barreiro, que surgem nesta peça da Visão da passada 5ª feira, são interessantes mas impraticáveis em muitos casos.

Como é que vai ser possível desinfectar o livro de ponto de aula para aula? É que as folhas são de… papel… e ainda não temos todos sistemas informatizados para os sumários. E se assim fosse, seria necessário desinfectar os teclados. Como tanto outros objectos e espaços da escola que quase todos tocam, em especial os alunos…

Não vale a pena ser alarmista ou hipocondríaco. Mas também não vale a pena pensar que vai ser possível conter a coisa, caso apareça em meia dúzia de miúdos numa escola.

Visao3Set09

Visão, 3 de Setembro de 2009