A Culpa É Da Trilateral


Plano de redução do Estado não teve o impacto anunciado pelo Governo

Tribunal de Contas critica aplicação do PREMAC, o plano de redução dos serviços do Estado lançado pelo Governo em Setembro de 2011. Diz que foi mal preparado, com resultados previstos empolados e terá um impacto muito reduzido.

A propaganda é muitas vezes assim.

Até porque a “redução do Estado” tem sido encarada do ponto de vista da varridela e não de uma reorganização dos serviços e alteração de procedimentos.

Nada como atirar a culpa para os grandalhões.

Troika impõe pensão aos 66 e revisão salarial no Estado

A missão troika chega hoje a Portugal para iniciar a oitava e a nona avaliação ao programa de ajustamento.

No fundo é a mesma táctica de muitos daqueles que se defenderam, justificando a sua essencial cobardia, dizendo que apenas cumpriram ordens.

A parte macaca disto tudo vai ser observar o corridinho em pontas de Paulo Portas nesse processo.

Carris ganhou 15 milhões cortando salários e aumentando bilhetes e perdeu 17 milhões com os swaps

Quem ganhou?

Exacto, os ulricos&salgados

Erro do Ministério da Educação leva à anulação de quase 200 concursos de professores

Se até eu que gosto de os ver enterrarem-se nas suas próprias asneiras acho que há quem já devia estar fora há muito tempo…

Não é a primeira vez que a DGAE/DGRHE entra em roda livre…

… não passam propriamente por gravíssimas despesas de funcionamento ou grandes encargos com os trabalhadores. Afinal serultam jogos financeiros em que os gestores se envolvem, arriscando o dinheiro dos outros e  fazendo um rombo de 3 mil milhões.

E depois a culpa do défice é dos médicos que ganham muito, dos professores que são uns privilegiados e dos aposentados que são uma praga.

Responsabilizar tais génios da gestão? Impensável.

Elaborado pelas Finanças, e com contributos de outros ministérios, tem a designação de ‘Agenda de Transformação Estrutural’ (ATE) e, ao que o SOL apurou, aponta para um programa de forte redução da despesa pública a ser concretizado nos próximos dois anos. Este incide, em particular, sobre cinco áreas: Segurança Social, Educação, Saúde, Defesa e Segurança.

Mas de acordo com o DN

Claro que é possível… empurram-se os mais caros para fora… e incorporam-se dos mais baratos…

Resta saber as condições do empurrão.

mas

Olivedesportos dá carros a Vítor Pereira e a Gomes

Já na 6ª feira o caderno Confidencial do Sol dava destaque ao assunto, hoje é o Diário Económico.

O que estranho (ou não!) é que se o erro já tina sido detectado, porque o cometeram?

Segurança Social corrige notificações erradas a “recibos verdes” isentos

Instituto notificou trabalhadores independentes isentos e vai agora corrigir a situação.

A Segurança Social vai notificar novamente, com informações corrigidas, todos os trabalhadores independentes que estão isentos de descontos mas que, ainda assim, foram chamados a pagar contribuições de acordo com o novo Código Contributivo. O erro já tinha sido detectado e o Instituto de Segurança Social (ISS) garante que a situação está a ser corrigida.

E agora, reclama-se ou espera-se pelo contacto e, depois, aplicam-nos uma multa porque não reclamámos?

Porque eu não concordo que o Estado não tenha rosto. Para além dos óbvios (Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Presidentes daqueles Tribunais importantes que nem sempre gostam uns dos outros) há ainda as pessoas que são responsáveis por actos concretos da administração.

Eu sou responsável pelas minhas aulas. Se algo correr mal, sou eu que estou lá, que assino os sumários e que terei de prestar as devidas contas. O mesmo quando assino uma acta com a avaliação. Não gosto de me esconder atrás da (legal) co-responsabilização de todo o Conselho de Turma.

O mesmo para um médico, enfermeiro, juiz, chefia militar, etc.

Sabemos que há limites e imperfeições na responsabilização, mas tem vindo a ser estreitada a malha destinada a individualizar a responsabilidade em diversas funções.

Excepto naquelas em que o Estado aparece como se fosse uma máquina ex machina a funcionar. Muito habitual no fisco e em serviços cuja função seja captar o dinheiro dos contribuintes ou exigir obrigações financeiras (desde que não seja a empresas com contratos blindados por advogados que, ocasional e casualmente, já fizeram parte do aparelho de Estado).

Porque há sempre uma cadeia alimentar em que o de baixo se escusa com a ordem de cima, tendo sido um primor de execução, e o de cima se escusa com a má execução da ordem dada, que era perfeitinha.

No caso das recentes cartas da Segurança Social vem lá o nome de uma pessoa que – a menos que assine de cruz as coisas e deixe imprimir milhares de cartas com o seu nome – tem uma de duas obrigações: assumir a responsabilidade pela asneira ou, em tempo útil e célere, detectar onde a porca retorceu o rabo e agir em conformidade. Ou então declarar que só fez o que lhe mandaram a partir de mais alto.

Fazendo isso e dando-o a conhecer aos interessados (todos os que foram importunados com a incompetência e/ou inépcia), ganha-se transparência e credibilidade num tempo em que estas são valores de extremo luxo.

A menos que se considere que este tipo de exigência é coisa de crianças porque o Estado não tem rosto quando convém e a responsabilidade é apenas para os idiotas e mexilhões, é o mínimo que se pode exigir a quem queira merecer o respeito alheio.

De todos os buracos. O resto não passa de gente inocente, no local errado, à hora errada, que embolsaram porque não podiam fazer outra coisa e deixarem tanta nota a voar por aí, que ainda se podiam perder.

O infante D. Henrique também não fica bem no retrato, pois mandou um zarolho fazer viagens no Atlântico e sabemos bem o raio do resultado.

eu hei-de dizer o que me vai na alma?

É assim uma espécie de divertimento sobre feitiços caídos no local certo.

Chamo-lhe felicidade por motivos externos.

Público, 19 de Setembro de 2011