2011


O desalento que levou os médicos a sair do país e a não acreditar no regresso

Aposentaram-se 11 professores por dia em 2011

Mais de 3900, com mais de 1300 no último trimestre.

The One I Once Was – Mortemia

E o ano de 2011 acaba com o confronto, em termos político-económicos, com o confronto entre duas vias dominantes para o futuro do país que indiciam que atingimos um novo patamar de indigência, agora completamente generalizada à classe política que resta e aos cérebros e interesses que a alimentam.

  • A da Situação, representada pelo PSD, de forma menos impetuosa pelo CDS e implicitamente pelo magrinho PS de António José Seguro, defende a teoria do Emigre quem Puder, que a Malta não sabe como Governar Isto!. Nela se incluem todos aqueles que acham que o buraco é horroroso e não há maneira de o resolver sem ser pela redução das despesas a toda a velocidade e no rebuscar de todos os tostões ainda passíveis de ser encontrados em todos os que não têm contos de réis para contratar segurança e alarme para defesa desses mesmos tostões. São aqueles que, para combater o défice das contas públicas e a falta de receitas, convidam a emigrar os profissionais qualificados em idade útil para constituir família e, quando empregados, com condições para estimular o consumo e gerar receitas fiscais. Mas como os governantes que estão são incapazes de um projecto de desenvolvimento, mas apenas de empobrecimento e emagrecimento, a única coisa que conseguem ver é que, emigrando muita gente desempregada, há menos subsídios e apoios sociais a pagar. Em termos económicos são pela democratização e liberalização da economia, embora isso se traduza na aquisição de posições estratégicas em empresas nacionais por empresas detidas a 100%  por outros Estados. Não percebem a contradição ideológica, apenas estão interessados no encaixe ocasional. São pelo menor peso do Estado na sociedade e economia, mas sobrecarregam-nas com impostos; são pela liberdade das famílias escolherem muita coisa, mas retiram à maioria os meios para escolherem seja o que for. Instituem a lei da selva, em que o mais forte pode e compra e o mais fraco emigra ou submete-se. Carecem de imaginação e estão presos de uma meia dúzia de teóricos que leram três livros na vida, citam Hayek abertamente, von Mises só no caso dos mais eruditos, mas receiam o libertarismo de Ron Paul, porque esse correria com todos os grupos de trabalho e think tanks pagos pelo Estado.

É uma geração que já foi nova, antes de ficar precocemente envelhecida nas ideias e confundir hiperactividade com actividade consequente. É a geração relvas, com o empático Pedro como testa-de-ferro, já incapaz de dominar a criatura que o dominou.

  • A da Oposição, representada pelos órfãos de Sócrates no PS, por um Bloco desorientado e por um PCP discreto e à espera dos votos que nunca chegarão dos desencantados da restante Esquerda, encontrou um tema comum de resistência em torno do lema Marimbemo-nos para a Dívida! Encontram-se aqui vultos secundários do PS, equivalentes à geração relvas do PSD e todos aqueles no PCP e Bloco que, na falta de outra alternativa, acreditam que não pagando a dívida criada em larga escala pelos projectos que apoiaram, quase sempre em conjunto, nos últimos anos, conseguem solucionar a dita dívida e os constrangimentos por ela criados. Esquecem-se que, não pagando, poupam no pagamento, mas deixam de receber o que ainda alimenta grande parte do funcionamento do país. Esquecem-se que durante 25 anos se trocou a produção nacional por subsídios aplicados quase à grega. Sim, alguns contestaram isso, mas agora parecem desacreditar que o país que temos é um país que não produz riqueza capaz de auto-alimentar-se sem a engenharia financeira externa. Demonizam os mercados, mas não apresentam alternativa. Acusam de salazarismo os que defendem o cumprimento das obrigações externas, mas aprenderam História (Económica e Política) em sedes de jotas partidárias e de forma acrítica. Não percebem que o salazarismo não manteve o país na pobreza por causa do projecto económico de equilíbrio orçamental, mas sim porque defendia um isolamento político do exterior para melhor manter o controle interno. Não percebem que a economia obedecia à política e não o inverso. Mas a ortodoxia marxista (ou reminiscências suas mal digeridas) explica tudo com base nas relações de produção e desentende que, em regimes ditatoriais fechados a economia submete-se ao poder político. Consultem a China, a esse propósito, o único regime político ditatorial com economia de mercado florescente, mas à custa do quê.

Temos, portanto, uma oposição que à Esquerda quase recupera Sócrates para as suas fileiras e coloca os seus representantes no PS actual lado a lado com os seus escassos mas firmes opositores internos desde 2005. Uma oposição cuja alternativa não se percebe se é a saída do euro, se é o reforço de opções centralistas como as eurobonds. Se é um projecto de independência nacional, se de reforço do federalismo. É uma posição baralhada, sem liderança, porque só lhe restam dois líderes: Carvalho da Silva cá dentro e José Sócrates lá fora. Que até há um ano eram grandes inimigos e defendiam posições absolutamente contrárias.

 *

Há quem diga que em política o vazio não pode durar muito tempo e que qualquer solução surgirá para o ocupar.

Discordo.

Acho que, neste momento, o vazio é um espaço cada vez maior, onde se refugia cada vez mais gente na apatia e anomia. O vazio passou a ser uma opção. Aliás, o país vazio começa a ser uma realidade, se exceptuarmos um punhado de cidades e umas dezenas de grandes centros comerciais.

A maior parte do país esvazia-se e a classe política ou encoraja isso ou faz o seu melhor para que ninguém sinta orgulho em ficar, sem ser o que nasce da própria dignidade e da percepção de que há um país que, apesar dos seus solavancos seculares, não merece ser deixado apenas aos oportunistas, aos chineses, aos opinadores da SICN e do Expresso e à geração relvas-seguro.

Ainda há quem tenha respeito pelo país onde nasceu e cresceu. Mas o ano de 2011 foi dos piores a esse nível. Resta saber se esses portugueses e Portugal sobrevivem a 2012 sem danos irreparáveis.

Mas há quem não desista e prefira ficar e resistir do que exilar-se em Londres ou Paris. Nem todos somos ferros, cravinhos, carrilhos ou consultores no Dubai. Muitos teriam de se limitar a servir-lhes cafés. Ou  àqueles que lhes irão suceder nessas formas de emigração dourada, para a qual não há dívida que aflija.

North Korea state media: Birds mourn Kim Jong-Il

SEOUL: North Korea on Tuesday reported that Mother Nature continued to grieve the death of Kim Jong-Il, with a dove-like bird reportedly brushing the snow off a statue of the late leader.

The latest avian intervention was reported by Radio Pyongyang, which said that the bird’s behavior last week was “breaking the hearts of many people” who heard the story.

“As I was unable to calm my heart from a guilty conscience, a white bird, larger than a dove, suddenly brushed off the snow from the shoulders of the leader’s statue,” the radio quoted a witness as saying, according to South Korea’s Yonhap news agency.

Em matéria de Educação foi um tempo de continuidade. Ao mandato de falsa e negociada pacificação das escolas de Isabel Alçada seguiram-se os meses de adaptação de Nuno Crato ao lugar, com meias medidas, a maior parte delas na sequência do passado mais ou menos recente.

No estatuto de carreira, no modelo de avaliação, na reorganização da rede escolar, nos concursos, mesmo na reforma curricular procuraram-se soluções não muito agressivas mas que pouco se distinguiriam de um qualquer governo cujo projecto para a Educação fosse conter custos. Apenas a revogação do documento sobre as Competências do Ensino Básico e uma investida sobre as Novas Oportunidades, tudo já em final de ano são medidas com uma marca mais específica e coerente com o discurso anterior de Nuno Crato.

Mas ficam muitas dúvidas sobre o futuro e a perturbação é incontornável num sector fustigado por um conflito permanente desde 2005. Não há reformas de sucesso na Educação sem a colaboração de todos os actores em presença. Enquanto tivermos um CNE a atribuir sempre o ónus do insucesso aos professores e quase nunca às famílias e alunos, enquanto tivermos grupos de opinião ligados ao Governo a fustigar os professores ao mais pequeno pretexto e enquanto o MEC se limitar a declarações de circunstância, sem uma clara solidarização pública, as escolas e os professores são têm forma de recuperar a confiança arrasada ao longo de anos na tutela. Quanto muito tentam agarrar-se a fios de esperança que quase todos sabemos serem ilusórios.

Apesar disso resta uma capacidade estranha de trabalho e resistência numa classe profissional que os meninos de gabinete e task -force ou think-tank insistem em apresentam como acomodada e conservadora.

Ficam aqui apenas dois exemplos, entre muitos possíveis, acumulados ao longo do ano.

Num caso é um relatório de autoavaliação que ousa ir além do figurino e no outro o caso de uma escola que insiste em apresentar resultados muito acima da média na poreparação dos seus alunos.

Anexo: Ficha de auto-avaliação 1-2-3 ciclos

Newsweek/Daily Beast Writers’ Favorite Books 2011

From Tina Brown to Simon Schama to Michelle Goldberg, Newsweek and Daily Beast contributors and writers pick their favorite books of the year.

Science review of 2011: the year’s 10 biggest stories

Neutrino particles appeared to prove Einstein wrong by travelling faster than light, while the discovery of an Earth-like planet raised hopes of finding life on another world

Triumphs, disasters and climaxes – 2011 science in pictures

Felícia Cabrita à Lux desta semana:

Não nos podemos esquecer de uma escuta do processo Face Oculta, entre um arguido e um suspeito – num altura em que já se percebia que o governo de Sócrates podia não aguentar os 4 anos -, na qual se dizia “Temos de roubar, roubar, roubar, porque já só temos 2 anos”. Isto define a atual classe política.

Só espero, ao fazer o balanço de 2013 ou 2014, não estar a fazer uma citação semelhante. E não disparem sobre a mensageira, lá por não gostarem do estilo ou outra coisa (eu não gosto que ela se tenha prestado a fazer um panegírico biográfico), concentrem-se nos factos.

E sim, também compro revistas de sociedade.

Ou ainda compro. São baratinhas e são um manancial de boa disposição.

The Protester

Once upon a time, when major news events were chronicled strictly by professionals and printed on paper or transmitted through the air by the few for the masses, protesters were prime makers of history. Back then, when citizen multitudes took to the streets without weapons to declare themselves opposed, it was the very definition of news — vivid, important, often consequential. In the 1960s in America they marched for civil rights and against the Vietnam War; in the ’70s, they rose up in Iran and Portugal; in the ’80s, they spoke out against nuclear weapons in the U.S. and Europe, against Israeli occupation of the West Bank and Gaza, against communist tyranny in Tiananmen Square and Eastern Europe. Protest was the natural continuation of politics by other means.

Os encargos com o pessoal desceram brutalmente desde 2005 e estão aos níveis mais baixos de sempre. As alterações orgânicas do ME(C) complicam um pouco as comparações, mas ainda são possíveis.

Neste contexto, os 102 milhões de euros de que se fala não são uma gota tão pequena como seria há uns anos, mas também não são um lago. Anda por 2,5% dos encargos com o pessoal. Numas contas apressadas de merceeiro, a existirem cerca de 110.000 professores em exercício nos 2ºCEB, 3ºCEB e Secundário e nuns cálculos directos e nada sofisticados isso dá o equivalente a 2750 docentes a valores médios.

Mas apresento isto como mera pista… sei que as contas não se fazem apenas assim.

Relatório aqui (graças ao Livresco): TI_CPI_2011_report_view(1)

Reparam nos países do topo? Pois… nós vamos a par do Botswana.

Directo: Rajoy alcanza una mayoría absoluta superior a la de Aznar

PSD e CDS pedem ao Governo auditoria a colocação professores

Os partidos da coligação governamental (PSD e CDS) apresentaram hoje na Comissão de Educação um projeto de resolução para que o Governo solicite uma auditoria ao processo de colocação de professores através da segunda bolsa de recrutamento.

A discussão sobre alegadas irregularidades neste processo havia já suscitado a intervenção do PCP e do Bloco de Esquerda no sentido de serem apuradas responsabilidades, existindo também um projeto de resolução do PS a solicitar ao Governo que acione a Inspeção-Geral da Educação.

Porque é aquele que nos dá melhor a dimensão da inflação interna do sucesso. Repare-se como o sector privado está em destaque no bom,mas também no menos bom. Mais do que intervir nas escolas na base do ranking absoluto, eu recomendaria a intervenção daquelas onde este diferencial é maior.

DN, 15 de Outubro de 2011

Algumas são aceitáveis, outras não.

A mais óbvia – só a cegueira o pode negar – é que a herança de seis anos de governos do PS na Educação é o descalabro completo no desempenho relativo das escolas públicas, devido ao ataque sistemático em várias frentes ao seu funcionamento, desde a imposição de um modelo de gestão único e napoleónico, a uma reorganização da rede escolar que deita fora quaisquer preocupações pedagógicas, passando por uma investida brutal contra o estatuto profissional, social e laboral dos professores de que a ficção da avaliação do desempenho foi a cereja podre em cima de um bolo seco.

As consequências passaram pelo abandono de muitos dos professores mais qualificados que, ao sentirem-se desrespeitados e não querendo pactuar com o simulacro de culto de mérito em que os medíocres se destacam, ou se aposentaram ou se transferiram para o ensino privado, até à adopção, pelos que ficaram, de estratégias ultra-defensivas, no sentido de tentarem preservar alguma sanidade no meio de uma perturbação e disrupção que só trouxe elementos destrutivos e nenhuns contrutivos. Pelo meio disto, as escolas públicas tornaram-se depósito para um novo conjunto de experiências de produção de sucesso (a começar pela sua imposição quase formal nos cursos profissionais, CEF, EFA e afins) que não suportam um exame mais exigente do que a pele fina. O que levou a uma debandada de muitos dos melhores alunos para o ensino privado, sempre que o podem pagar ou a empresa promotora consegue os devidos apoios do Estado.

Mas há desculpabilizações que não devem ser ensaiadas, desde aquelas que, lançando apenas as culpas sobre o sistema e os alunos, escondam que, por um lado, muita gente se deixou obcecar pela ADD e pela aparência das boas práticas, enquanto, por outro, outro grupo importante de professores passou a desculpar-se com tudo e nada para se escapar a fazer o mínimo dos mínimos, embora mantendo as aparências para as cúpulas engolirem.

E escrevo isto com o pesar de saber que o estou a fazer a partir do conhecimento directo (mais ou menos imediato) do que descrevo.

E sim, não levei alunos a exame, mas apenas a provas de aferição. Mas tenho a certeza de não ficar embaraçado se fizerem os rankings da coisa.

Correio da Manhã

Diário de Notícias

Expresso

I

Jornal de Notícias

Público

Sol

Recolha do Livresco.

Mas estou cansado para, a esta hora, produzir análise mais detalhada. Mas digamos assim: o trabalho de desgovernança do sector nos últimos anos tem dado os seus resultados:

Exames difíceis afastaram escolas públicas do topo dos rankings

As escolas públicas não resistiram a exames mais difíceis. No ensino básico e secundário nenhuma figura entre os 20 primeiros lugares das tabelas feitas com base nos resultados dos exames nacionais, os chamados rankings. No ano passado ainda existiam quatro neste primeiro pelotão, duas por cada nível de ensino.

Não estou feliz com o desempenho da minha escola, mesmo se não sou professor do 3º CEB. Embora mantendo o primeiro lugar concelhio, a queda foi brutal. Seria motivo para reflexão, mas…

A partir do comunicado oficial de ontem.

Entretanto, uma farpa adicional: parece que as mudanças na DREC já tiveram implicações na mobilidade de muita gente, com trocas e baldrocas à última hora. Será que foi necessário alterar listas por causa disso?

Pequeno texto (1400 caracteres) pedido para acompanhar a peça do Diário Económico de hoje sobre o resultado do concurso de colocação dos professores. Confesso, não consegui encaixar mais nada em tão curto espaço. Ainda não verifiquei se está mesmo em letra impressa.

O panorama apresentava sinais contraditórios: por um lado o imperativo de alargar a escolaridade obrigatória para doze anos e de aumentar as horas em disciplinas consideradas nucleares no currículo, o que indiciaria maior necessidade de docentes; por outro, as exigências de contenção orçamental e os recorrentes avisos públicos para reduzir efectivos entre os funcionários do Estado. Pelo meio, um concurso envolto em alguma confusão a jusante, devido às sucessivas e nem sempre muito congruentes indicações da tutela para organizar os horários para o ano lectivo de 2011/12. A pairar, a ameaça de desemprego generalizado para os professores contratados e um número indeterminado dos chamados horários-zero.

Clamor sindical quanto ao esperado desemprego docente; relativo silêncio de uma nova equipa do MEC ainda a tentar perceber como estas coisas funcionam na prática, sucedendo-se em declarações entre o apaziguante e o desanimador.

No final, ao fim da espera, deparamos com uma redução superior a 25% entre renovações e novos contratos (correspondendo a cerca de 10% dos professores em exercício), abaixo das piores expectativas, mas mesmo assim lançando alguns milhares de docentes, com vários anos de serviço, para o desemprego.

Continuam a ser eles o elo mais fraco de um sistema de colocação de professores que nunca mais encontra um ponto de estabilidade.

Página seguinte »