2009


Norte e Centro continuam a ser as regiões com menos chumbos

A percentagem de alunos do ensino básico e secundário que chumbou no ano lectivo de 2009/2010 continua a ser menor no Norte e Centro e maior nas regiões autónomas e na zona de Lisboa. Os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística confirmam a existência de fortes disparidades regionais no que respeita ao sucesso escolar dos alunos.

A comunicação divulgada pelo Wikileaks há duas semanas não traz imensas novidades, mas demonstra que as observações feitas não são nada fantasiosas.

Cable sobre el panorama político portugués

“Los principales partidos están desgarrados por disensos internos”, observan los diplomáticos estadounidenses

Por alguma razão o Ministério da Educação apresenta os resultados dos exames de 2010, comparando-os apenas com os de 2009. Mas a net é uma coisa maravilhosa e acha-se quase sempre o que se procura e foi possível encontrar os dados para 2008 aqui.

Entretanto juntei eu os dados das duas chamadas de 2010 e fiz um quadrinho semelhante (o gráfico é já a seguir), para podermos comparar o que se passa, para além do horizonte curto, de forma a melhor percebermos o quanto o ano de 2008 foi de completa instrumentalização política dos resultados (foi o ano mais quente da contestação dos docentes às políticas do ME), tendo sido construído um sucesso a todo o custo que se tornou impossível sustentar nos anos seguintes.

Agora temos o evidente refluxo.


O que se verifica é que o insucesso desceu em 2007/08 (resultados divulgados em Julho de 2008) para uns memoráveis 16,7%. Só que no ano seguinte disparou para 30,1% e agora estabilizou em 29,8%. O que significa que ou aquele insucesso magnífico de 2008 (não apenas em LP, relembremos, foi o ano das parangonas com o sucesso a Matemática que fez primeiras páginas entre o encomiástico e o irónico) foi completamente fabricado ou que… estamos em novo ciclo político-eleitoral e estamos a caminho de nova fábrica de sucesso.

Mas, repito o argumento já usado nos posts anteriores, quem quiser fazer a avaliação objectiva, com base nos resultados estatísticos que tantos gostam de endeusar, do legado das políticas do anterior mandato (e não esqueçamos que o PNL é uma joint-venture de MLR-Isabel Alçada), tem aqui muito por onde pedir contas a quem delineou tudo isto.

Houvesse coragem para o fazer e não apenas em produzir livros que – estranho – foge imenso à analise diacrónica dos resultados e teve o bom senso de ser lançado antes de…

É com base nestes quadros dos Orçamentos de Estado para 2009 e 2010 que é possível analisar dois factos interessantes: por um lado as despesas com pessoal sobem, em termos absolutos, 8,1% mas, por outro, o peso dessa rubrica no total do orçamento para o ME desce de 72,6% (não está no quadro de 2009 mas a conta faz-se facilmente) para 72,3%.

O que significa que mesmo em ano de progressão na carreira para muitos milhares de professores congelados desde 2005 e de extensão da escolaridade obrigatória para doze anos, há uma redução das despesas com o pessoal.

O que não deixa de ser curioso, em especial se os analistas não-egoístas conseguissem atingir mais do que a superfície das coisas.

Nacional, a uma enorme distância do resto:

Pontos Negros, Conto de Fadas de Sintra a Lisboa

Internacional, num ano muito bom em que qualquer selecção é algo arbitrário. Por isso, digam que sim.

Snow Patrol, Just Say Yes

Outros balanços se farão, assim o tempo seja caridoso.

Gostava de saber como está a arrancar – se está a arrancar – o processo de ADD na sua versão simplex3 nas vossas escolas e agrupamentos.

Deixem os vossos testemunhos, ou se preferirem algum recato, usem o guinote2@gmail.com.

Agradecia ainda que – mesmo se mi casa es su casa– que libertassem esta caixa de comentários de ruído, por muito divertido que seja. É que eu gostava que isto fizesse sentido a quem cá viesse espreitar, if you know what I mean…

Continuo a achar que são uma ferramenta importante, tanto mais importante quanto se contextualizarem as realidades escolares, em especial no topo e base da lista.

Privados continuam a dominar o ranking do secundário, mas é uma pública que está à frente

O Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, volta aos lugares cimeiros do ranking do ensino secundário feito com base nos resultados dos exames nacionais de 11.º e 12.º ano.

Com 14 provas feitas e uma média de 15,81 valores, lidera a lista, sendo a única escola pública entre as 21 melhor classificadas. Mas nesta escola artística não só foram muitos poucos os alunos sujeitos a exame, como também, das oito provas cujos resultados são contabilizados para o ranking elaborado pelo PÚBLICO, só realizaram um, o de Matemática. Ou seja, os colégios privados continuam a dominar o ranking do secundário.

Para encontrar outra pública é preciso chegar à 22.ª posição, o lugar que ocupa a básica e secundária Pe. António Morais da Fonseca, em Murtosa, onde apenas foram realizadas 18 provas e a média foi de 13,39 valores, na escala de 0 a 20. Uma ascensão fulgurante, já que em 2008 a escola estava mais perto do fim da lista do que do seu topo. Em 604 escolas, era a 540 do ranking.

Segue-se, na listagem deste ano, a secundária Aurélia de Sousa, no Porto, com 499 provas efectuadas e uma média de 13,32. No ano passado, com uma média de 12,7, ficou em 46º lugar.

Em segundo lugar está a Escola Básica da Comunidade Islâmica de Palmela, com 15,03 de média a 15 provas – todas de Economia A/Introdução à Economia. Mas escola privada com mais de 50 exames realizados é o Colégio Luso-Francês, no Porto, com 14,87 de média e 319 provas realizadas, um repetente nestes lugares. (Bárbara Wong e Clara Viana)

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