2007


Não são já isolados os casos que vou sabendo de escolas e agrupamentos em que se recomenda que o conteúdo da ficha de auto-avaliação reporte ao cumprimento dos objectivos individuais definidos em Janeiro, Fevereiro, Março, Abril ou quando calhar de 2009.

O que significa que, em muitos casos que vou sabendo, o período em causa seja, na melhor das hipóteses, o presente ano lectivo, ignorando-se tudo sobre 2007/08.

Isto faz sentido de acordo com a lógica do tubérculo emanada de forma envergonhada do Ministério, via DGRHE, DRE e Conselho de Escolas, segundo a qual o preenchimento da ficha de auto-avaliação deve resultar da análise do cumprimento ou não dos objectivos definidos.

O que me interrogo é se, desse modo, o único período de trabalho que interessa é, digamos, de Fevereiro a Junho de 2009, embora a avaliação seja oficialmente feita para ciclos de dois anos?

Nesse caso todo o trabalho de Setembro de 2007 a Janeiro de 2009 foi para deitar fora?

É esta uma avaliação rigorosa que permite aferir o mérito dos profissionais?

Pelos visto, para o ME, basta analisar 25% do tempo do ciclo de avaliação. O resto é todo um enorme buraco negro de não-existência.

Mas se assim é, que justificação existe para penalizar em 2 anos quem não entregar uma ficha de auto-avaliação que reporta a 5 meses de trabalho, ou 4 meses, ou mesmo menos, pois há quem a aceite já umas horas antes da dita ficha? Ou minutos, desde que a data oficial seja anterior?

É esta situação que – entre outras que vão surgir – urge denunciar com clareza:

Não é legítimo, e julgo que juridicamente também não, considerar que seja feita a classificação de dois anos do trabalho dos docentes com base em documentos e evidências que incidem apenas sobre um quarto ou um quinto desse tempo.

E tudo isto porquê? Por causa dos famigerados OI definidos a acabar o ciclo de avaliação, sem uma base jurídica consistente para serem exigidos em tal momento, mas que funcionaram como mero teste táctico do ME no seu confronto com os professores.

Agora temos uma avaliação feita sobre alguns meses de trabalho, com efeitos sobre dois anos de carreira.

Isto é o equivalente a avaliar o trabalho de um aluno ao longo de um ciclo de escolaridade, apenas com base no 3º período do último ano.

O grupo dos 13 e o colega Almeida Santos que preside ao Conselho de Escolas, mais o cortejo adesivado deste modelo de avaliação concorda?

Ah… já me ia esquecendo, a maior parte deles agiu à margem da lei que afirmam ser para cumprir (batendo palmas a Jorge Pedreira) e nem sequer aceitou a mudança de regras do simplex2, portanto… se calhar até reportam a 8 meses de trabalho.

A ficção, infelizmente, foi menos ridícula que a realidade.

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Cartoons de Chuck Asay, Steve Nease, Bill Day e Henry Payne

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Mesmo se esta ainda é do EP Lon Gisland do início do ano.
Ganhou por um pouco aos Arcade Fire e Interpol

António Barreto e Pacheco Pereira em entrevista conjunta ao Expresso. A partir deste vídeo pode aceder-se aos seguintes ou a partir daqui.

A versão oficial para consumo geral encontra-se aqui (ou aqui com ligeiros retoques, mas equivalente ausência de tratamento jornalístico), reproduzida de uma nota da Lusa que por sua vez não deve passar da reprodução de um comunicado à imprensa do Ministério.