2 De Março


Escreve o Rui Ramos de forma azeda, em nome de outros, blasfemos e insurgentes apenas de nome.

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(c) António Carvalhal

Por razões de higiene mental não fui ouver os comentários sobre as manifestações de ontem, pois chegaram-me os disparates ouvidos mal liguei o rádio no carro, a caminho de casa. Antes o futebol e olhem que o Sporting até foi (naturalmente) roubado de novo, apesar de jogar com os miúdos.

Mas percebi, por alguns comentários aqui e em outros lados bloguísticos que a estratégia de spin do Governo passa por relativizar a questão da participação e dos participantes, alegando que foram poucos e quase todos “de Esquerda” e da radical.

Esta estratégia, que aposta numa sobranceria paternalista destinada a desdramatizar, contém uma ideia interessante (não entrar em confronto com os manifestantes, pelo menos ao nível das figuras de primeira linha do Governo e do actual aparelho do PSD) mas três erros de palmatória, a saber.

  • Foram “poucos” – esta ideia, apoiada em novos métodos de contabilidade de cabeças por metro quadrado, inaugurada em finais de Sócrates, é curiosa porque me lembra aquele colega de curso que achava bem fazer análises demográficas usando numeramentos, censos e recenseamentos como se tudo usasse a mesma unidade de medida. Antes era a “olhómetro” e agora é “científico”, mas vale tudo o mesmo e agora há menos gente nas ruas do que antes, baseando-se num estratagema “técnico” como aquele que limpa desempregados das listas do IEFP para fingir que afinal há menos desemprego do que há. Se vão fingir que não se passou nada de relevante, um destes dias nem brioches terão.
  • Ser uma “manifestação de Esquerda” e da chamada “esquerda radical” – ó meus amiguinhos, se, com todas as relativizações numéricas e demissões activas de participação na manif por parte do PS e do PCP, aquela malta é toda do Bloco e à sua esquerda (estavam lá os dissidentes do MAS, é bem certo), vocês estão com um enorme problema nas mãos… Porque se apenas o Bloco consegue meter esta gente toda na rua, sem qualquer aparato organizacional e de transportes comparável ao que os sindicatos ou os partidos conseguem mobilizar, isto é muita, muita gente. A verdade é que não estava lá apenas gente da “esquerda radical” e ainda para mais existiu desconcentração de iniciativas, com várias na zona que normalmente leva pessoas até à de Lisboa (Setúbal, Caldas, Leiria, Évora, etc), pelo que se fosse a vocês pensava duas vezes antes de atirarem a coisa para cima da “esquerda radical” como se isso fosse ofensa quando muitos de vocês por lá andarem quando não conseguiam colocar na rua nem uns milhares de gatos pingados, apesar do elevado rácio de futuros ministros, directores de jornais, embaixadores e juízes, entre outros cargos de muito relevo institucional.
  • Andavam por lá pessoas com um currículo profissional e político pouco recomendável – esta é a parte em que começam a apontar o dedo a este ou aquele que aparece nesta grandolada ou naquele palanque. Mas, meus caros, vocês já olharam bem para o vosso governo? Para o que fizeram, ao longo da vida, alguns dos ministros de maior responsabilidade política e nem falo apenas do equivalente Relvas? Querem mesmo que se vá transcrever tudo aquilo que escreveram quer o Paulo Portas já adulto (o mesmo que agora anda a pacificar os angolanos que há 2-4 anos criticava por serem parceiros do engenheiro), quer o ministro Álvaro sobre economia e finanças nos seus livros e desmitos, isto para não falar da completa ausência de currículo profissional autónomo do próprio PM?

Mas há sempre este caminho da relativização… da tentativa de colocação de rótulos para apoucar e desvalorizar, para assustar @s traumatizad@s do PREC com o papão “da esquerda radical” no que têm todo o apoio da troika  Seguro, Costa & Assis, os três balões de vento do PS, que só querem sossego a ver se a mama chega, segura, em 2015.

Quanto ao PCP, colocou-se na expectativa… não apareceu de caras, embora o camarada Arménio estivesse logo ali no início, estrategicamente na Fontes Pereira de Melo antes do início oficial da manif de Lisboa, a falar para as câmaras, sem que o tenha visto desfilar depois; mas como era muita gente, até pode ter passado perto de mim de bandeira na mão. O PCP quer a erosão do poder por via das massas, mas as suas massas e não querendo o insucesso da iniciativa da sociedade civil, também não gostaria de ver a “esquerda radical” tomar o controle das ruas… algo que desde 15 de Março de 2012 corre o risco de acontecer…

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Fotos do António Carvalhal

… onde ainda não descobriram o spin governamental. E reparem que não estou a usar órgãos de informação da “esquerda radical”.

  • Alemanha:

Portugal: Hunderttausende protestieren gegen Sparpolitik

Sie fordern den Rücktritt der Regierung und ein Ende des Sparkurses: Hunderttausende Portugiesen sind in rund 30 Städten des Landes auf die Straßen gegangen. Erst vor wenigen Tagen hatte die Regierung neue Steuererhöhungen angekündigt.

  • Espanha:

Un millón y medio de portugueses salen a la calle para pedir la dimisión del Gobierno

Los medios locales aseguran que la afluencia de manifestantes es la mayor que se ha visto en Portugal en los últimos dos años.

  • França:

Portugal: marée humaine contre l’austérité

  • Inglaterra:

Portuguese protestors take to the streets over austerity measures

More than 200,000 attended a rally in Lisbon over government policies, including the biggest tax increases in the country’s history. Rallies also took place in other cities. The austerity measures have been introduced in the wake of an international bailout that is being overseen by the European Commission, the European Central Bank and the IMF.

Não me parecem o principal. Seja os exageros da organização, seja agora o rigor milimétrico das medições que nunca foram feitas assim. Se esta só teve “x”, afinal quantos terão estado em outras manifs apresentadas como gigantescas? “X-1”?

Isso é perfeitamente lateral para o que mais interessa. Nem sequer as imagens com o Terreiro do Paço preenchido de diversas formas em diferentes momentos da tarde que já por aí circulam. E há quem tenha ido ao desfile e não até ao final do trajecto.

Basta reparar no que se passou no país, para qualquer pessoa (mesmo que apenas equivalente) entender que algo está radicalmente mal entre a governantes e governados.

Mandar opinadores para as televisões relativizar ou fugir à realidade com sorrisos amarelos nos lábios é apenas uma táctica como qualquer outra.

Vale o que vale. Pouco.

O país já quer que estes partam com tanta ou mais força como quiseram que partissem os outros.

Não entender isso, ou agir como se não entendesse, pode ser um erro demasiado caro. Para todos. Incluindo para aqueles que, mesmo esperando ter um refúgio tropical á espera, terão de partir mesmo para bem mais longe do que Paris.

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Fotos do Buli.

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Fotos do António Duarte

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Até mesmo insurgente… 🙂 quase aposto que estava por lá um qualquer putativo secretário de estado em bicos de pés, mas mesmo assim sem conseguir aparecer no retrato.

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É daqueles casos em que o imperativo se sobrepõe ao resto e desnecessita de muita elaboração e demonstração.

2Mar

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Os teste intermédios tiveram resultados muito negativos…