Quando baixa o nível à nossa volta

Por certo a muitos já aconteceu quer num local público, quer por vezes em locais privados, haver uma altura em que o nível educacional, o respeito, baixam e muito. Por vezes é por total falta de educação básica, outras vezes é para supostamente haver integração, logo todos alinham no mesmo, sendo mal feito, o que interessa é “estar na onda”!

E mais curioso, é quando pessoas já não jovens que até têm educação – ou tinham até ao momento – alinham na falta da mesma, para parecer bem, para estarem integrados, para não parecerem “quotas” – um problema de tantos quando não assumem, a idade e o tempo – , para não ficarem de fora.

O que acontece é que se o nível baixar e todos forem baixando, dificilmente voltará a haver elevação, pelo menos naquele momento e talvez até, no futuro, com aquelas pessoas.

De tudo se vê, desde novos passarem à frente de velhos, homens passarem à frente de mulheres, falar-se ao telemóvel aos berros, ficando todos que estão por perto a ter que ouvir algo que nem respeito lhes diz. E comer de boca aberta, bocejar sem tapar a boca, tudo o que por uma questão de sermos “ainda” diferentes dos animais irracionais ou para não termos os nossos instintos animalescos à flor da pele, se deve não fazer.

Não se trata de ser bem comportadinho, respeitador de regras e normas, polido. Trata-se de saber viver em sociedade que é a nossa e se deve positivamente diferenciar das outras, e essencialmente deve-se tentar subir o nível, e não o inverso. Quanto mais selvagens nos tornarmos, mais difícil será viver num tempo em que tudo se foi abandalhando, em que se foram perdendo valores e referências, que não foram por outros substituídos.

Longe, mas mesmo muito longe de pensar que “antes/antigamente” era tudo bom, pura mentira. Não era. E “antes/antigamente” faziam-se tantas coisas às escondidas, que era tudo falso, era tudo preparado pela frente, fazendo-se por trás o inverso. O único problema hoje, é que ao fazer-se tudo pela frente, perdeu-se um pouco do decoro, do respeito, do espaço. E se a liberdade conseguida, conquistada e atingida nos mais variados campos é extraordinária, e é um valor a preservar, por certo em simultâneo alguma contenção, que não censura, algum respeito por nós próprios e pelos outros é essencial.

Falar alto para só se ouvirem torna-se indelicado, mas pior é se nós alinhamos e passamos todos a estar aos berros. Este exemplo serve para todas as outras possíveis situações em que não sendo de modo algum necessário proibir, é necessário criar regras ao tempo de hoje, ao momento de hoje, respeitá-las e segui-las. Em vez de fazer tábua rasa de tudo e ficar bem posicionando e alinhado no disparate, para ser fixe, para ser moderno.

Por certo lentamente irão sendo criadas mais regras, assumidas e consentidas, e veremos mais respeito, mais cuidado com os outros, menos atropelos nas situações mais insignificantes às maiores. Claro que a educação – e aqui não instrução  – aprende-se, apreende-se, pratica-se e ensina-se e por certo vamos todos levantar no nível e não baixar , aprendendo dia a dia!

Augusto Küttner de Magalhães