Continuamos com os eternos compadrios e não só. Na mesma.

Por muito que nos digam, que nos prometam, que vão ser “sempre” diferentes dos anteriores, são “sempre” iguais.

Claro que havendo menos dinheiro, menos lugares, menos benesses a distribuir, aparecem algumas dificuldades, que nunca obstam, mesmo assim, a mais “do mesmo”.

Para além de a nível político, quer Governação, quer todas as Oposições, serem sempre os mesmos que rodam entre lugares ou pelos mesmos lugares, no que toca a cargos dependentes de quem tem o “poder” no momento, tiram-se os que estavam antes e colocam-se os que agora interessa que lá estejam. Seja por cor partidária, seja para cumprir promessas feitas, seja para antever/prevenir algum possível “pedido” futuro. Não por mérito.

Diz-se que foi “antes” mal feito e “agora” faz-se mais do mesmo. Tudo funciona de igual forma, todos fazem e reagem analogamente.

E se tudo o que vem sendo feito fosse melhor feito, com resultados positivos, seria interessante insistir na mesma tecla, mas é exactamente o contrário. Já deu para entender, mas unicamente pelos que estamos sempre de fora. Se estivéssemos “dentro” deviríamos pensar como lá pensam, e fazer o mesmo.

Não se pede espírito de missão a quem ocupa cargos públicos e políticos, antes e unicamente que defenda a função inerente ao cargo, em vez de defender o lugar como seu e dos seus.

E as aparições públicas permanentes da maioria destas personagens da política central e local, sejam poder ou oposição, apesar de ainda serem atractivo noticioso dos nossos media, deixaram totalmente de ter contudo, são unicamente fachada. Por certo, a poucos interessa, o que dizem e como dizem, a não ser aos próprios e aos seus próximos.

Evidentemente que há, ainda, apesar de muito longínqua, uma esperança de a que a mudança da oposição para a governação e no sentido inverso, bem como dentro da oposição sempre oposição, crie uma diferente e mais transparente forma de “ser e estar”, mas unicamente quando não continuarem a ser sempre os mesmos, ou iguais aos mesmos, a fazer mais do mesmo. Mudar, mudar, mudar, terá que ser a palavra de ordem.

Cenas de apupos a figuras publicas, mais não são do que uma demonstração pura de que se deixou de “neles acreditar”. E, hoje, numa situação tão difícil e complicada, não acreditarmos nos outros, especialmente se estes ainda têm algum poder, mesmo que muito filtrado e controlado pelos que “lá de fora” nos vão emprestando dinheiro, é muito negativo.

Por certo nenhum, nem um, dos políticos que nos vai aparecendo nestas últimas quatro décadas será quem possa fazer diferente, evidentemente, melhor. E nenhum sai pelo seu pé! Nenhum!

Claro que a política e os políticos são essenciais, mas como está, não resulta. Será indispensável, sempre em democracia, criarem-se novos partidos, ou renovar de alto a baixo os existentes. E não necessitamos de extremismos, de direita ou de esquerda! Novos movimentos, novas ideias, novos ideais, que mudem, tudo, mas enquanto é tempo de democrática e humanamente mudar.

Augusto Küttner de Magalhães

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