Os adultos brincam pouco e mal. Diante de um monte de legos, muitos pais sentam-se no chão da sala e constroem uma torre. Uau. Uma torre?! Genial. E ficam-se por aqui, saltando de novo para o sofá, pois Roma e Pavia não se fizeram num dia.

Mas segue-se um ligeiro peso na consciência parental e logo propõem: «Vá, campeão! Vamos lá inaugurar essa torre com uma canção!» Uma ideia que até poderia ser airosa, caso a música não fosse, pela milésima vez, o Atirei o pau ao gato, que com tanta paulada já devia estar mais que morto.

Assisto-me a brincar com a minha filha e morro de vergonha. No mínimo, deveria ser capaz de construir uma casinha, cantar mais do que os refrões de músicas infantis da minha infância, desenhar dedos sem parecerem traços iguais a palitos. Não é sequer preguiça ou mera falta de jeito. É que nós, pais, esquecemo-nos de como é que se brinca.

(…)

Honestamente, a maioria dos pais que conheço não tem paciência para mais de dez minutos de brincadeira com os filhos. “Vai brincar para o teu quarto, vai brincar lá fora, vai ver televisão, toma lá o ipad, come uma bolacha”. São os recursos para afastar as crianças que adoram mas de quem já estão cansados; falta-lhes disposição e ideias para entretê-las.