A Presidência infelizmente esvaziou-se

Muitos dos portugueses, neste tempo tão difícil e desesperançoso que estamos a viver, não tendo votado no actual Presidente, como é o caso de quem escreve estas linhas, contávamos com ele “mais” como nosso Presidente.

Isto, uma vez que demasiados, essencialmente neste segundo mandado, já não devemos conseguir contar, até pelas evidências, e faltas de necessárias comparências, com este Presidente, que o será “assim” até ao fim.

Não que se quisesse um Presidente contestatário e desestabilizador, a criar mais confusões que aquelas que já estamos a viver nas mais diversas áreas, neste nosso País.

Porém, também não se “contaria” com alguém que unicamente acha que pode dissolver – o que nunca fará – o Parlamento, convocar eleições e depois juntar as peças de um resultado eleitoral, para formar novo Governo, o que só fará na data prevista a não ser que houvesse um cataclismo indescritível com este ainda em vigor, Governo.

É pouco. E nem sequer, era preciso dissolver o Executivo actual nem o Parlamento.

Precisávamos que o único membro eleito directamente e em Pessoa pelos portugueses, periodicamente com alguns poderes que tem, pelo menos falasse a todos, como algo que nós, a maioria do anónimos, nunca o consegue, nem conseguirá fazer, em local e hora determinada, dando-nos um panorama do que “efectivamente” pensa do País, como Presidente, não necessariamente como o Governo pensa, nem como nós “cá em baixo” pensamos. Para isso é Presidente!

Não deveria fazê-lo, como faz, depois de longos períodos de mudez, e em datas oficias – que se tornaram tão mais maçadoras, com muitas individualidades importantes a aparecer e pouco mais – ou em entradas e saídas de eventos. Soa sempre a “tem que ser, mesmo que não quisesse ser”!

E, muitas das vezes reage e não age, mesmo que só e até pela “palavra”.

Claro que nesta fase final do 2º e último mandato não vai mudar e já ninguém espera que o queira fazer.

Com distanciamento a História falará dele, e muitos de nós já não a leremos, por já cá não estar, o que for com tempo, escrito. E talvez não seja a imagem do Presidente que o País precisou neste tempo tão difícil.

E, o próximo Presidente, o que se lhe seguir, terá que recuperar “um” espaço na Presidência, que agora foi sendo esvaziado, e mesmo num regime semi-presidencialista, deve ter mais presença e força do a que está a acontecer. Mas, nada a mudar, simplesmente com educação, ainda podemos opinar!

Augusto Küttner de Magalhães