… o que as últimas semanas “europeias” demonstraram não foi o “triunfo da política”, no seu sentido mais nobre de debate público sobre diferentes vias de encarar a governança europeia, mas sim o triunfo da real politik em que os governos europeus alinhados com o centralismo burocrático formaram uma espécie de cartel e fizeram com que as “alternativas” gregas ficassem isoladas e sem capacidade para se impor.

A visão mais negra diz-nos que isto foi um apertão de calos destinado a demonstrar aos eleitores de vários outros países que não serão toleradas “alternativas” ao que mandam os junckers e jeorens, mandatados pela ângela para meter todos no espartilho, pelo que devem votar onde lhes mandam os centrões confluentes. Incluindo o socialismo à hollande&assis.

A visão mais benigna dirá que este confronto foi o início de uma inversão de tendência e que apesar dos resultados muito escassos para o actual governo grego as sementes foram lançadas para um futuro diferente a nível europeu.

Seja como for, isto tem para mim tanto de democrático, pela forma de funcionamento, como o bom e velho centralismo democrático de inspiração soviética. Ambos os modelos baseiam-se no princípio hegeliano da síntese a partir da oposição tese/antítese, mas neste caso ela acaba sempre por esmagar e abafar as minorias.

Claro que podemos esperar (recostados) por um grande levantamento dos povos, mas por cá a revolução costuma avançar, mais tarde ou mais cedo, em direcção ao centro e quem desalinha é porque é radical-cripto-fascista-estalinista.