Um País de mortos/vivos. Será o nosso?

Será que estamos a viver num País de mortos/vivos? Será que perdemos, totalmente, a hipótese de pensar livremente? Que deixamos que os outros, nos façam o pensamento?

Por certo aos que vivemos, antes, em não democracia, não seria um tempo muito diferente do que estamos a viver. E esta nossa democracia, abeira-se, por muito que não parece a uma “espécie de ditaduras”.

Na, de facto ditadura, o voto não é democrático, é controlado pelo poder, e este poder manda como quer. Mas esta democracia em que todos e cada Partido, se fecha em si mesmo, em que todos circulam em torno do seu chefe- de momento, deixou de o ser. Não estamos de facto democráticos. Não!

Estamos num País, em que todos sabemos, antes de eles falarem – Partidos e não só! – o que vão dizer, como vão dizer e quando vão dizer, antes de dizerem – tudo formatado, tudo uniforme, tudo previsível – não é, de facto democracia.

Estamos num País de mortos/vivos, quando não nos deixam ter opinião. Melhor, quando nos fazem a opinião, nos modelam os pensamentos.

Quando, uma qualquer notícia, de mais ou menos ou nenhuma importância, fica a pairar uma semana, depois vem outra na semana seguinte, e o País, os políticos, todos ficam – ficamos, ficamos! – vidrados nessa noticia, e fazem – fazemos –  da notícia o caso da semana, em vez de tratar abertamente dos problemas que farão o País, deixar de ser, de mortos/vivos.

Quando os políticos se preocupam em estar, única e exclusivamente, a tratar em todo o lado, e com todo o respeito por casos que o devam ter, de Eusébio, dos Estaleiros de Viana do Castelo, da medalha do Cristiano Ronaldo, do Inverno no Inverno, dos Miró, dos temporais em cima de um campo de futebol, – tudo que vem parar à actualidade, por sensacionalismo e não por importância! – é muito pouco, é nada, é não andar, é ficar amarrados ao chão, a ver passar os acontecimentos e não lhes dar seguimento.

Enquanto tudo ficar pela espuma dos acontecimentos, e enquanto estes acontecimentos não contribuírem – minimamente – para “resolvermos” os problemas que de facto “o são, e são “ e de interesse e gravíssimos que nos afectam, somos um país de mortos/ vivos.

Enquanto não houver, entre todas as gerações entre-ajuda, progresso de pensamento, mais do que viver um dia de cada vez, estamos perdidos.

Um País de mortos/ vivos não funciona, fica sem futuro e é de, mortos /vivos. Se quisermos ter vontade, coragem e aptidão de “olhar o nosso País” com olhos de ver, somos um País de mortos/vivos, e “isto” é triste, é infeliz, é dramático. Mudemos ou pioremos! A cada dia que vivemos da cada vez, sem democracia, em quase, abertamente ditadura!

Augusto Küttner de Magalhães