Terça-feira, 24 de Fevereiro, 2015


Travis, Why Does It Always Rain On Me

Eu cá por mim dava já os diplomas à nascença, conforme os pergaminhos, apelidos e conta bancária.

Aos pobrezinhos (retomando aqui o jovem investigador Homem Cristo), porém, só dava diplomas para serem professores, mas tendo de fazer prova escrita complementar para exercer. Mais uma oral de ingresso em lambe-botismo.

Politécnicos propõem ao Governo eliminar exames de acesso aos institutos

Mas por acaso fazem-se novas turmas por causa de mais uns repetentes? Com turmas a 30 cabe de lá tudo um pouco, nem sequer as lâmpadas consomem mais.

A unidade de custo, como nos contratos com os privados, é a turma e essa tem o mesmo valor com 27 ou 29 alunos. Aquilo de multiplicar os 4.000 euros é aritmética preguiçosa para espantar os tios patinhas.

Engana-se quem quer ser enganado.

 

Agora – o alemão todo kü do esboroado bloco:

 

Eine Regierung die Deutscher als die Deutsche ist

 

Mais uma Carta de Guia de Casados, versão anti-chumbo, uma versão da especificidade da pilhérica prova.

 

O problema: reportagem no Jornal da Uma da TVI, desta vez uma escola algarvia com muito menos de um milhar de pinheiros, parece que três unidades, uma complicação sobre a Processionária, pais ignorantes em pânico, jornalistas ávidos da desgraça sem solução, criançada pós-curiosa coçada, a culpa é do governo.

 

A solução: cinco míseros aéreos de investimento num pozinho bacillus thuringiensis – não refiro marcas comerciais só para aborrecer – e já está! Desde 1911 que qualquer não ignorante sabe.

Esta e outras soluções mais mecânicas. Só que as soluções não agradam aos küs deste mundo.

Ide pentear macacos nabos!

 

 

 

cortou relações c’o Bruno durante trinta dias.

 

… e não fica com a menor parte do trabalho…

Será que “no âmbito dos alunos e das famílias” só se pode fazer isto para combater o insucesso e abandono escolar?

– Corresponsabilizar-se pelos programas e medidas de melhoria e reforço das aprendizagens estabelecidas para cada aluno;
– Promover o desenvolvimento de atitudes que facilitem os processos de aprendizagem, responsabilizando-se pelo acompanhamento das eventuais situações de indisciplina detetadas em sede escolar e pelo cumprimento das medidas constantes dos programas de recuperação;
– Valorizar e envolver-se nos processos de representação parental nos diferentes órgãos e estruturas escolares.

Sendo que, em boa verdade, a terceira recomendação é para a fotografia.

Responsabilização directa, assim à primeira vista, é pouco mais do que zero.

 

… eu defenderia que ela deveria passar por criar equipas para tratar os problemas do insucesso e abandono que não estivessem dependentes de quem tem reduções ao abrigo do artigo 79º como se passa agora, em que os horários vão sendo medidos ao minuto e não há liberdade – diferente, por definição, de poder arbitrário – quase nenhuma para colocar as pessoas adequadas nas funções necessárias.

David Justino aproxima-se disso quando se afirma:

O presidente do CNE frisou que, com esta recomendação, “não se está a apelar a passagens administrativas ou a facilitismos”, mas sim  a que os alunos com dificuldades “tenham respostas efectivas da escola, o que só se consegue com mais apoio e trabalho”.  Por isso, o CNE recomenda que seja dada mais autonomia às escolas para que estas possam dar “respostas contextualizadas” (constituição de turmas, gestão do currículo, construção de diferentes percursos escolares) à sua situação concreta.

O problema é que a recomendação do CNE – aprovada por unanimidade, não me canso de sublinhar – tem várias lacunas graves e diversos alçapões dissimulados que é necessário identificar.

Não vou deter-me sobre as considerações gerais acerca do que se pode fazer, porque é habitual que nestas recomendações se especifiquem muitas coisas que pouco têm de verdadeiramente concreto.

Apenas assinalo que numa recomendação co-assinada pelo presidente da Confap seja aos alunos e “famílias” que menos se pede (apenas 3 em 26 das recomendações lhes são dirigidas, como se tudo assentasse no “outro lado”), enquanto se regressa a um discurso típico do cruzamento entre o eduquês “de esquerda” no seu pior (por um lado diz-se que os alunos se sentem menorizados emocionalmente pela retenção, mas logo a seguir que eles desenvolvem “lideranças divergentes”) e o discurso “da eficácia financeira” característico da “direita” economicista (reter é mau porque, em especial, custa milhões de euros, o que é uma distorção grosseira da realidade porque a proporção dos encargos de um aluno não é proporcional e directa, pois ele vai integrar-se numa turma já existente).

Tudo misturado com uma retórica que se conhece há décadas e que escapa sempre a exigir responsabilidade à sociedade envolvente na promoção do sucesso, deixando para as escolas todo o ónus, em particular para os professores:

A cultura de avaliação das aprendizagens, mais orientada para a classificação e seriação, praticadas no seio das escolas, aprofundam o carácter sancionatório e penalizador da avaliação, ao invés de centrar o seu foco na deteção de dificuldades, com vista à determinação da intervenção adequada para colmatar as mesmas, reforçando as áreas menos fortes.

(…)

Os professores, como principais atores do sistema educativo, assumem um papel fundamental no quadro de uma desejável alteração da cultura escolar, pelo que será através da sua mobilização e capacitação que se poderá, de uma forma gradual e assertiva, modificar a conceção de sucesso que gravita em torno da “nota” e faz apelo a uma avaliação punitiva e centrada na “classificação”, para uma conceção de avaliação assente na deteção de dificuldades e na exigência do trabalho de recuperação de áreas com insucesso, com vista à promoção de aprendizagens em todos os alunos e ao seu sucesso escolar.

Mas será que os professores não reclamam, há muitos anos, mecanismos e meios específicos para a detecção precoce e enquadramento dos factores de insucesso dos alunos, enquanto a tutela, ministr@ após ministr@ se limitou a mandá-los calar-se e tratar de tudo na sala de aula? É que os quadros interactivos não resolvem este tipo de problemas…

E depois gostaria de destacar aqui um dos “alçapões” desta recomendação e que é a legitimação da retirada de competências às escolas, alegando que se devem focar apenas nas questões pedagógicas e que o resto deve ficar fora delas, leia-se… nos municípios?

No interior das escolas, as lideranças têm, atualmente, um cariz eminentemente burocrático-administrativo, sendo fundamental que se desenvolvam verdadeiras lideranças pedagógicas, orientadas para a potenciação das aprendizagens dos alunos e para a promoção do sucesso educativo. Nesse sentido, deverão, ainda, ser minimizadas as inúmeras tarefas de cariz burocrático que são solicitadas pela administração central às escolas e aos seus órgãos de gestão, permitindo a concentração nas questões de gestão pedagógica das escolas e agrupamentos.

Que eu saiba, a retirada de poderes ao Conselho Pedagógico (que muito tempo representou o espaço colegial de debate e liderança nessas matérias) é consequência do actual modelo único de administração escolar. As “lideranças pedagógicas” foram desprezadas na última década… ou mesmo mais, por serem consideradas de menor interesse para as poupanças.

Em seguida, não deixa de ser curioso que seja o ex-ministro que tanto incentivou os anteriores presidentes dos conselhos executivos a fazer cursos de administração e gestão escolar que agora apareça a recomendar que essas funções lhes sejam retiradas.

Acaso já pensaram os conselheiros que no CNE aprovaram estas recomendações por unanimidade que “minimizar as solicitações de cariz burocrático-administrativo acometidas às escolas” é diverso de modificar os processos que, isso sim, significa uma reforma sempre adiada ou feita para pior.

Uma coisa é mudar os procedimentos burocráticos, aligeirando-os, outra retirar essa competência às escolas e, por tabela, transferir os recursos para outra sede.

Por fim… recomendo agora eu… para quando uma reformulação do modelo de administração escolar que permita lideranças colegiais com diferenciação funcional em vez de retirar competências e autonomia às escolas?

Porque de pouco vale uma excelente liderança pedagógica se tudo emperrar no mau humor d@ senhor@ vereador@ ou presidente da Câmara que bloqueie todo o tipo de medidas, estrangulando-as do ponto de vista financeiro.

E é isso que se anuncia.

 

Fale antes de dizer coisas como aquelas que hoje estão aser divulgadas pela TSF.

Recomendar que se estenda ao Ensino Básico a prática de retenção por disciplinas é anedótico, a menos que saiba como pretende implementar isso.

Por exemplo, um aluno do 7º ano que chumbe a 5 disciplinas e passe a 5 no ano seguinte faz apernas metade do horário? E nos 2º e 1º ciclos, explique lá como a coisa se operacionaliza?

Suponho que, como um dos autores da recomendalção do CNE sobre o fim dos “chumbos” terá estudado e reflectido de forma abundante sobre o assunto.

Mais especificamente ao número muito razoável de professores que lá estão e que aprovaram a recomendação hoje em debate na comunicação social.

Para quando deixam de ter medo de ser “corporativos” e ousam, por uma vez que seja, sugerir que o CNE se debruce sobre os “problemas emocionais” dos professores (eu sei que são os que menos interessam, mas mesmo assim…) perante o que se tem passado nos últinmos anos “nas escolas”?

Ou será pedir muito e fica mal?

Já que aprovaram por unanimidade uma recomendação a favor do fim das retenções “nas escolas” por serem “caros e provocarem problemas emocionais aos alunos, para quando a recomendação para que acabem os exames em todos os níveis de ensino visto que são caros e evidente causa de problemas emocionais aos alunos reprovados?

Não chega ficar por isto:

O presidente do CNE recusou ainda estabelecer qualquer «relação direta» entre os exames de final de ciclo e as taxas de retenção, até porque, se no 6.º ano de escolaridade os exames recentemente instituídos podem ajudar a explicar as elevadas taxas de retenção, o mesmo já não se aplica para o 8.º ano, um daqueles em que os ‘chumbos’ aumentaram «de forma significativa».

Se quiser, caro David Justino, eu explico-lhe o aumento de “chumbos” no 8º ano, tal como no 3º… e a relação “directa” com o sistema de avaliação das escolas…

Um País de mortos/vivos. Será o nosso?

Será que estamos a viver num País de mortos/vivos? Será que perdemos, totalmente, a hipótese de pensar livremente? Que deixamos que os outros, nos façam o pensamento?

Por certo aos que vivemos, antes, em não democracia, não seria um tempo muito diferente do que estamos a viver. E esta nossa democracia, abeira-se, por muito que não parece a uma “espécie de ditaduras”.

Na, de facto ditadura, o voto não é democrático, é controlado pelo poder, e este poder manda como quer. Mas esta democracia em que todos e cada Partido, se fecha em si mesmo, em que todos circulam em torno do seu chefe- de momento, deixou de o ser. Não estamos de facto democráticos. Não!

Estamos num País, em que todos sabemos, antes de eles falarem – Partidos e não só! – o que vão dizer, como vão dizer e quando vão dizer, antes de dizerem – tudo formatado, tudo uniforme, tudo previsível – não é, de facto democracia.

Estamos num País de mortos/vivos, quando não nos deixam ter opinião. Melhor, quando nos fazem a opinião, nos modelam os pensamentos.

Quando, uma qualquer notícia, de mais ou menos ou nenhuma importância, fica a pairar uma semana, depois vem outra na semana seguinte, e o País, os políticos, todos ficam – ficamos, ficamos! – vidrados nessa noticia, e fazem – fazemos –  da notícia o caso da semana, em vez de tratar abertamente dos problemas que farão o País, deixar de ser, de mortos/vivos.

Quando os políticos se preocupam em estar, única e exclusivamente, a tratar em todo o lado, e com todo o respeito por casos que o devam ter, de Eusébio, dos Estaleiros de Viana do Castelo, da medalha do Cristiano Ronaldo, do Inverno no Inverno, dos Miró, dos temporais em cima de um campo de futebol, – tudo que vem parar à actualidade, por sensacionalismo e não por importância! – é muito pouco, é nada, é não andar, é ficar amarrados ao chão, a ver passar os acontecimentos e não lhes dar seguimento.

Enquanto tudo ficar pela espuma dos acontecimentos, e enquanto estes acontecimentos não contribuírem – minimamente – para “resolvermos” os problemas que de facto “o são, e são “ e de interesse e gravíssimos que nos afectam, somos um país de mortos/ vivos.

Enquanto não houver, entre todas as gerações entre-ajuda, progresso de pensamento, mais do que viver um dia de cada vez, estamos perdidos.

Um País de mortos/ vivos não funciona, fica sem futuro e é de, mortos /vivos. Se quisermos ter vontade, coragem e aptidão de “olhar o nosso País” com olhos de ver, somos um País de mortos/vivos, e “isto” é triste, é infeliz, é dramático. Mudemos ou pioremos! A cada dia que vivemos da cada vez, sem democracia, em quase, abertamente ditadura!

Augusto Küttner de Magalhães

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