Segunda-feira, 23 de Fevereiro, 2015


Lady Gaga, The Sound of Music

Tive sempre muita dificuldade em aguentar o original.

Não arranjam melhores justificações?

Eu vou ler o raio do relatório e depois logo vejo se lá há alguma coisa que vá além destas variações em torno da “eficácia” e “chá com bolinhos”..

Conselho Nacional de Educação defende fim dos chumbos

Órgão consultivo do Ministério da Educação diz que retenção dos alunos sai demasiado cara ao Estado, pode provocar “problemas emocionais” nos alunos e não é eficaz.

De uma coisa eu tenho a certeza… os nexos de causalidade apresentados podem ser perfeitamente revertidos com ganhos de lógica, nomeadamente os que associam a retenção à indisciplina e ao abandono. Não serão a falta de regras de disciplina e o abandono a motivarem, em primeiro lugar, a retenção e não o contrário?

Fizeram o estudo das causas das retenções? Terá sido apenas culpa dos insensíveis professores?

A investigação demonstra que alunos retidos, nomeadamente nos anos iniciais da escolaridade, não melhoram os seus resultados e são mais propensos a uma nova retenção, além da evidente associação entre a retenção e o aumento dos níveis de desmotivação, indisciplina e abandono escolar. Verifica-se igualmente que existe uma maior probabilidade de retenção de alunos com piores condições socioeconómicas, bem como de alunos provenientes de países estrangeiros.

A recomendação é fraquinha, fraquinha e não passa de muita conversa com pouca demonstração, mas eu não esperaria muito mais, confesso, porque sou muito preconceituoso e arcaico na minha mundivisão.

Eu gostava era de apresentar a certos “relatores” o aluno que hoje me comunicou que quer mesmo chumbar no 7º ano para fazer a terceira retenção e assim ter a possibilidade de fazer um vocacional de 2 anos e não ter de passar por exames para concluir o 3º ciclo.

Enquanto o sistema permitir estes truques, deixemo-nos de conversas fiadas sobre “problemas emocionais” e discursos tremendistas deste tipo:

Chumbos são “a situação mais grave do sistema de ensino em Portugal”

O que eu queria era vê-los a dar a volta a este texto em vez de relatarem tretas que já caem de tão velhas. A começar pelo “novo” pai dos pais que cada vez parece tão instrumental quanto o anterior.

Custa muito ver o CNE a render-se aos argumentos mais primários da “eficácia financeira” e dos referidos “problemas emocionais”.

 

Iavé publicitado, fiquei crente!

 

 

 

… vou aqui referir dois tipos de pessoas que me divertem particularmente quando estão a pensar que me conseguem aborrecer.

Um dos tipos, que reencontrei há dias, é o de quem acha que me aquece ou arrefece muito dizerem que não conhecem este blogue ou a mim e que só conheceram porque não sei quem lhes disse que eu tinha escrito algo que as atingia. Mas depois têm os posts todos impressos e lembram-se de datas e pormenores de que nem eu já me lembro. É pá, o lado para que adormeço melhor é o daquelas pessoas que eu nem tenho qualquer interesse que me conheçam, nem eu em conhecê-las, só lamentando que tenhamos chegado a encontrar-nos.

O outro tipo é de maior proximidade e a rabujice caracteriza-se por mostrar a sua atitude de pretenso desprendimento do género “eu raramente vou ao teu blogue, pois tenho mais que fazer, tenho muito trabalho na escola e só no outro dia é que vi que, se calhar, estavas a escrever sobre mim porque a Beltrana me avisou”. Este tipo de criatura diverte-me muito em particular porque se caracteriza por daquelas que se for preciso até sabem melhor as vírgulas que errei do que euzinho mesmo e são capazes de ir buscar coisas ao arco da velha que nunca me lembraria a mim. Na maior parte dos casos nem estava a falar del@s, excepto neste post em particular.

Que hei-se eu fazer, é 2ª feira, um tipo não pode encher o saco logo para a semana toda… e se sou o plesidente desta junta posso escrever o que me apetece no boletim da junta.

cat-in-the-hat

 

… é a arrogância e prepotência em relação aos que estão em situação mais vulnerável.

Porque acho ser uma forma muito infeliz de tentar resolver complexos de inferioridade.

👿

É verdade que, mesmo dando como desconto o sportinguismo (ninguém é totalmente imperfeito), ele me entedia há duas décadas. E a cada semana, sabendo nós como ele foi complacente com os tempos da MLR e do engenheiro, as suas prosas me merecem maior repúdio, não por retratar mal ou bem as coisas, mas pela forma como vai adjectivando.

Uma coisa é ter um gabinete e uma hora para analisar casda caso, outra ter em cada hora 25-30 casos numa sala de aula.

E, já agora, com que autoridade acrescida sobre os colegas de profissão? Antiguidade? É amig@ de um@ amig@? Fez uma formação acelerada no assunto?

Governo faz uma prova diferente por cada 40 professores

Serão necessários 30 enunciados diferentes para avaliar os vários níveis de ensino e disciplinas na componente específica da prova. E potenciais candidatos são apenas 1218.

Acho que me vou divertir imenso com a de História… Será com cruzinhas?

 

Say no more, say no more.

Haverá um gap comportamental entre os 20 e os 30 anos?

Não havendo nada de saudosismo nestas palavras e muito menos vontade de viver tempos passados, os actuais, por certo dão-nos que pensar. Aparentemente algo aconteceu, que faz parecer que há um gap comportamental nos jovens, hoje, entre os 20 e os 30 anos.

Como é evidente, se alguém há a responsabilizar – termo, hoje, quase sem conteúdo – será quem, aos mais diversos níveis criou estes jovens.

Quando ao nós, velhadas, parecia que a abertura ao futuro estaria nesta faixa etária, dado que parece não estar nas, hoje, entre os 30 e os 40 anos, tal poderá não vir a acontecer. E os próprios assumem “isto”! E não será unicamente por “de fora” não haver prespectivas alicantes materiais, mas talvez “de dentro” não haja consistência de comportamentos, que ajudem à mudança num tempo tão difícil, como o que estamos a viver.

Parece terem sido, estes jovens, preparados e mentalizados para muito “ter” e pouco “ser”, e tudo no imediato.

Parece que o automóvel, o ipad, o telemóvel, o iphone, o portátil, são a representação do que vale tentar lutar pela vida, e conquistando sempre um melhor.

Parece que a aprendizagem do passado e suas vivências sedimentadas no quotidiano hoje, a ser vivido, com bases planeadas para o futuro, deixou de ter o mínimo de significado.

Parece que o imediato, o material, o viver um dia de cada vez – como se de outra forma possível fosse viver- se sobrepõe a algum imaterialismo, a alguma sustentável construção de “futuros”.

Assim, não havendo que encontrar culpados, por esta situação, que nunca aparecerão – este País e de não-culpados – talvez haja necessidade de fazer com que todos, e aqui já não só estes entre os 20 e os 30, deixem de viver este tempo imediato e materializados do, só “ter”, do uso e prazer imediato, sem princípios!

Talvez um tempo mais elaborado, mais dedicado, com mais respeito pelos próprios e claro por todos os outros, com espaço consentido para a coexistência “pacífica” entre todas as gerações, cada uma com a sua especificidade.

Deixar de normalizar tudo e todos ao mesmo pensamento, às mesmas reacções, quando cada situação gera exactamente o mesmo impulso seja nas igrejas, nos sindicatos, nos políticos, nas governações, na legislação, em tudo e todos, demasiado previsíveis e “inactivos” que não só muitos desempregados.

Ou, não nos vai ser conseguível pensar e viver com mais conteúdo imaterial e até filosófico, com mais leituras, evidentemente sem de forma alguma descartarmos os bens materiais que nos proporcionam um merecido bem-estar e qualidade de vida, mas nunca e só estatuto ou ostentação.

E será de todos tentarmos fazer, um pouco pela mudança positiva – claro mais os jovens, para isso e por isso, também, o são – sem estar sempre à espera que tudo nos apareça feito, como parecendo ser infinitamente possível.

Augusto Küttner de Magalhães

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