Sim e eu nem gosto muito disso, mas resulta daquela irritação que nos fica instalada debaixo da pele quando em poucos dias temos um PR a condecorar um autarca com contas ilegais anos a fio, um PM a mentir publicamente sobre assuntos internacionais e a tratar governantes com tanta legitimidade como a dele como se fossem salteadores (quando no seu governo há muito pior) e um líder da oposição, enquanto autarca, a limpar as dívidas fiscais de um clube de futebol com milhões de sócios, simpatizantes, adeptos e eleitores à moda do terceiro mundo (se fosse do benfica diria o mesmo, assim como se fosse o sporting a ter um perdão público deste tamanho em período pré-eleitoral).

Quando se sente que as saídas começam a ficar bloqueadas pela lama que escorre de todos os lados e vai submergindo um país que tem muitos defeitos, é verdade, mas que nem sempre merece esta corja que o domina e consegue reproduzir-se, mesmo se com outras cores e formatos. E com a qual as “alternativas” possíveis entram em consenso estratégico, mal se lhes prometa um tgv a passar no quintal com mais-valias no imbiliário ou uns lugares de destaque em conferências de imprensa para avançarem.

E quando se vê com toda a clareza que uma das medidas mais destruidoras da unidade nacional em termos de governação na área social é aprovada a seis meses de eleições, com uma discussão opaca, feita em circuito fechado e beneficiando do colaboracionismo voraz de uns quantos autarcas que nada apresentaram que demonstre serem capazes de gerir a rede escolar, de centros de saúde e ainda a segurança social. E nem vale a pena falarem em legitimidade democrática porque quando foram eleitos não se sabia de nada disto e ninguém votou para isto lá nos seus concelhos.

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