O reencontrar geracional, é necessário!

As mães/pais com filhas/filhos hoje ,entre os 30 e os 40 anos, na melhor das intenções, com empenho e bastantes sacrifícios tentaram – terão conseguido? – educar/criar os seus descendentes “dando-lhes tudo”. Este “dar tudo” incluiu comida, roupa, educação, estudos – se conseguível de nível superior – férias, automóvel. Muito do que tantos nunca tiveram nas mesmas idades, e tantos, nem mais tarde.

Foi com vontade, com o esforço devido e que deve ser feito, quando se decide ter filhos. Não tenhamos quaisquer dúvidas. Logo, foi bem feito! Terá sido totalmente conseguido, apreendido agora, nesta ocasião de tantas Crises, que não só a financeira?

A todo e cada um, sejam filhos entre os 30 e os 40 anos, sejam seus pais, cabe, com algum possível distanciamento pensar – algo que nos deixam pouco, hoje, fazer – no assunto.

Sendo que, muito do que foi feito por essas mães e pais há 30/40 anos, não vai ser possível ser (re)feito, pelas mães e pais de hoje. Aqui, mais acentuadamente a vertente da crise financeira boicotou essas amplas possibilidades, logo, havendo vontade de filhos ter, tudo será mais longínquo de alcançar. Mas nem tudo é indispensável!

Porém, esta dificuldade em atingir algo que foi dado com amor de mãe/pai, mas talvez demasiado “materializado” vai ter que ser, hoje, e nos anos próximos, substituído pelos valores que se esvaziaram na aflição do “ter”. Do imediatismo com “ter”!

Talvez, seja agora chegado o tempo de refazer “esses” valores que se perderam e que estão na génese das várias crises em que estamos atolados, que não se resolvem – todas – com dinheiro. É necessário muito mais que dinheiro, e também algum, dinheiro! Há mais vida para além da dívida, do deficit e do todo ter que “ter” dá!

Nunca – mas nunca – por obrigação, mas com vontade, pensamento, bom senso e com uma diferente postura – ao momento e não há 50 anos, antes – e ao futuro que se nos vai sendo apontado, será de reconstruir valores – que não existem ou estão mancos – de família – sem qualquer necessária implicação religiosa – por forma a ser feita a ligação intergeracional com “ser e saber”, que está extraviada.

Nunca por obrigação, nem com tempos marcados, mas com possíveis – necessários – tempos presenciais, todas as gerações se devem querer primeiro, e ter de seguida, respeitando-se e apreendendo/aprendendo “isso” umas com as outras, com abertura a uma modernidade constante mas com outra forma de encarar os relacionamentos humanos, que faz a ponte ao passado, passa pelo presente e vai para o futuro. Com mais equilíbrios e muito mais humanismo.

A. Küttner de Magalhães