Sabermo-nos programar

Temos um bocado de dificuldade em nos sabermos programar, delineando o que vamos fazer com início, meio e fim. Não poucas vezes “navegamos à vista, num tempo em que as zonas costeiras, já estão por tantos exploradas”, não havendo assim a passibilidade de nos orientar, como aconteceu nos tempos dos nossos descobrimentos. Em que tínhamos que descobrir, inventar, aí, difícil de programar!

O tal nosso “desenrascanço” que em situações totalmente imprevisíveis “pode” ter muita utilidade, dado ser uma solução ao momento, nunca pode virar norma! Como acontece, não poucas vezes!

Por outro lado, temos medo às “regras”, ou por acharmos que pode ser um acto quase ditatorial, ou, por “regra” criarmos um tal emaranhado de regras e contrarregras, que evidentemente nunca resultam, bem pelo contrário.

Para além de que, tendo resultado em casos pontuais – o desenrascanço – fica mais fácil o “deixar andar”, e hoje, não poucas vezes ouvimos “viver um dia de cada vez”, como se fosse possível o contrário, tendo por base o deixar andar, dado podermos não ter/saber como chegar ao amanhã.

Como é evidente, não podemos, não sabemos, não conseguimos tudo programar ao milímetro, tendo a certeza de que vai tudo correr sem falhas. Claro que estas sempre irão ter que acontecer, uma vez que muitas variáveis humanas e não só, modificam-se com o andar dos tempos.

Sendo que, o hábito de termos que passar a assumir “a programação”, fazendo planos e cumprindo-os, faciltará o percurso que pretendermos fazer, sem ter que ir inventando em cada “percalço” com que vamos deparando.

E, não necessitamos de excessivas regras – bem pelo contrário -, mas algumas são imprescindíveis, se criadas para nos ajudar a resolver problemas e a viver em comunidade organizada, sem serem um problema.

A programação que voluntariamente deveria ser por todos e cada um feita, implica, também, evidentemente, algo em que “tanto” facilitamos, que é a “não pontualidade”, não cumprir horários, não estar a horas.

Talvez com mais planeamento, programação e entreajuda, nos possamos dar melhor e vencer as não poucas crises, que tanto nos apoquentam, e que não estão a ser aprontadas por quem responsabilidades tem, para o fazer.

Augusto Küttner de Magalhães

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