Ainda bem que não fixei o nome do homem. Estava ontem no Expresso da Meia Noite, naquele estilo dos negociadores que dizem 50 palavras quando chegam 20, a contar como tinham sido as negociações entre o governo e a Gilead.

E, se bem percebi, porque foi mesmo quando lá chegava em manobra de zapping, falou no famoso algoritmo que se aplica aos doentes para decidir a que tratamento têm direito.

Como faz qualquer seguradora, daquelas a que querem que compremos seguros de saúde e que nos EUA enviam para a morte quem não cabe nos critérios do “algoritmo”.

Só que há aqui duas ordens de considerações a afazer:

  • O Estado (mesmo que representado por governantes e burocratas de terceira ordem) não pode agir como uma seguradora.
  • Muitas pessoas com hepatite C podem, graças aos tratamentos, salvar-se aos 40 ou 50 anos de uma morte certa. Não se está a falar de alguém a quem um tratamento caríssimo prolonga a vida um par de meses, para fazer os 87 ou 92 (e mesmo assim temos muitas questões éticas envolvidas num país que não legalizou a eutanásia ou morte medicamente assistida).

Portanto, calma lá quando se fala disto como se estivéssemos a falar de mercadorias estragadas em stock para abater…

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