Há uma situação, dentro ou fora de portas da aula, que infringe claramente as regras básicas da convivência em espaço escolar? Participa-se a ocorrência o mais depressa possível em documento apropriado e dá-se a conhecer ao DT ou órgão de gestão de forma concisa e objectiva.
Sendo-se DT e sendo a ocorrência grave, encaminha-se para o órgão de gestão, sugerindo a abertura de procedimento disciplinar. Se é por acumulação de “amarelos”/participações, o procedimento automático está previsto na lei e não carece de se andar a bater a nenhuma porta, pedindo autorização ou sugestões.
O órgão de gestão, defendendo a sã convivência em espaço escolar, dará naturalmente encaminhamento ao que lhe chega, tudo se desenvolverá a contento e sem necessidade de muita conversa em redor. As penas de carácter disciplinar devem ser usadas de acordo com o bom senso, mas igualmente seguindo a necessidade de manter o respeito por todos.
No caso de EE malcriados e que servem de exemplo (mau) aos seus educandos, pode sempre apontar-se o caminho da esquadra mais próxima, pois a parte das comissões de tal e coiso é para esperar deitado de tanta freguesia.
Claro que há excepções a estas regras muito básicas, mas são isso mesmo, excepções.
O latim gasto em redor disto tudo pode ser radicalmente reduzido e a energia gasta em queixumes encaminhada para coisas mais úteis.
Muita coisa também depende apenas de nós.
E isto é escrito por um tipo que só manda um@ alun@ sair da sala quando está mesmo a chatear os colegas para além do razoável.
Fevereiro 5, 2015 at 7:47 pm
Descreveste de forma muito eficaz os procedimentos. Que queres que comente? É que ainda hoje um foi para a rua e eu nem perdi o bom humor.
A indisciplina é poder. Poder que os alunos têm sobre nós. Poder de te estragar o dia.
Magoou-me mais um aluno que adoro quando lhe fui dar uma pancada na cabeça para o chamar a atenção. Ele voltou-se para mim com ar sério e pediu que eu não voltasse a fazer isso. De repente percebi que tinha de ter com ele o mesmo procedimento que tinha com os outros: rua de forma perfeitamente fria e distante. Assim será.
Fevereiro 5, 2015 at 7:49 pm
Disciplina? Mas isto não é um país de brandos costumes?
Como dizia a minha avó, deixai mijar o anho que um dia há-de parar.
Fevereiro 5, 2015 at 8:29 pm
Ainda hoje pus uma turma inteira na rua. Ah pois! Já chega de paninhos quentes. Se nós não procurarmos atalhar o mal pela raiz, não serão os outros que nos virão tirar as castanhas do lume.
A participação disciplinar, claro, já seguiu para as vias competentes.
Fevereiro 5, 2015 at 8:58 pm
Em algumas escolas, são os alunos que fazem queixa dos professores à`Direcção sem falar com os professores em causa ou DT, munidos de mentiras como factos e nada lhes acontece.
Fevereiro 5, 2015 at 9:45 pm
#4 Já me aconteceu. Os alunos contaram mentiras aos pais que puseram por escrito e assinaram, com a cumplicidade da sua DT que também não podia comigo. Completamente ridículas, como por exemplo, que eu dizia palavrões na sala, fumava da “erva que ri” e outros piropos assim. Abriram-me um processo de averiguações. Ainda hoje não posso com a Diretora por causa disso. Os alunos amoxaram e lá continuaram felizes e contentes. (É preciso dizer que eu tinha sido sua DT o ano anterior e os papás me tinham feito inúmeras queixas de colegas a que eu não dei seguimento por achar que eram idiotas). Foi vendetta. Um mimo para a dignidade de um professor.
Fevereiro 5, 2015 at 10:56 pm
Nem mais
Fevereiro 5, 2015 at 10:58 pm
Isto não se pode ouvir (ler). Infelizmente, tanto quanto sei, os depoimentos ilustram o clima que se vive na generalidade das escolas portuguesas, sem que os responsáveis ministeriais esbocem o mais leve gesto. Para quem está fora do sistema, é insuportável tomar conhecimento do desrespeito por uma classe profissional como é a classe docente. Com a complacência do ME, e não só.
O quê ?! Um insurreto pratica na sala um ato indecoroso e é necessário instaurar um processo disciplinar (interminável, ainda por cima! ). A palavra do professor tem igual ou menos valor do que a palavra do corrécio?Bandidos os que deixaram chegar “isto” ao ponto a que chegou.É necessário que os professores abram uma frente para pôr cobro a esta lastimável e aberrante situação – pela sua dignidade, pela sua saúde , pelos direitos dos alunos que querem estudar.
Fevereiro 5, 2015 at 11:45 pm
#3 Concordo. #4 Tem o meu apoio absoluto, mas temos as Direções e alguns DTS que são os primeiros a chamar atenção (na minha escola) que o professor que manda alunos para a rua não tem mão na turma. Fui chamada à atenção pelo coordenador do meu departamento para ter cuidado porque não posso mandar tantos alunos para a rua.
Está tudo dito.
Fevereiro 5, 2015 at 11:46 pm
No comments.
Ou, pensando melhor, faz-me lembrar aquele estudo da Filomena Mónica; o tal que não tinha “evidência empírica”, ou que não era “estatisticamente significativo”. Qualquer coisa assim…
Fevereiro 5, 2015 at 11:48 pm
“Ainda hoje pus uma turma inteira na rua”
Outra versão será: hoje o professor ficou a falar sozinho na aula.
Fevereiro 6, 2015 at 12:03 am
Escrever sobre a cultura da sua escola em local publico ainda é tabu para muita gente. Depois há sempre aquele complexozinho de culpa…será que eu sou culpada por não ter mão na turma?
Fevereiro 6, 2015 at 1:06 am
Qualquer dia faço como o Farpas – todos na rua! Aliás, para algumas turmas é mesmo isso, estão nas aulas como no recreio.
#7 É assim mesmo, Eva. Há anos que (me) pergunto como é que ninguém tenta resolver isto a sério. Nem vale a pena falar nos sindicatos. Quando enlouquecermos, talvez esses senhores que não dão aulas há 30 anos, acordem para o problema. E nós, enquanto classe profissional? Vê as respostas 8 e 11. Ontem, na minha reunião de grupo, lá veio a justificação de uma colega: as nossas estratégias estão ultrapassadas, temos de os pôr a criar, a produzir, a pesquisar, TIC’s, etc… Cá está o ónus em cima de nós! Tretas!
Fevereiro 6, 2015 at 12:28 pm
#!2 Deve ter uma particular embirração com o que escrevo….
Sentimento de culpa não tenho, mas de impotência porque o coordenador está feito com a Direção.
#0 Paulo adoro vir aqui e gosto muito do seu blog, mas vou deixar de escrever aqui.Estou farta das insinuações da maria.c #!!.
Fevereiro 6, 2015 at 6:41 pm
http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/435860-indisciplina-sufoca-escola-publica
Um artigo que me parece pertinente.
Fevereiro 6, 2015 at 6:42 pm
13, LOL
Setembro 29, 2016 at 2:41 pm
[…] ler aqui o que o meu colega Paulo Guinote escreveu no seu blog “A Educação do meu Umbigo” […]