Eu sei que, outrora, li os Esteiros, os Gaibéus, o Constantino, etc, etc, percebendo boa parte do vocabulário rural ou fluvial de umas décadas antes… mas… eu vivia numa vilória de subúrbio ainda com muita ruralidade à volta e o rio depois de dois canaviais,

Agora, mesmo leccionando a menos de um punhado de quilómetros, cada vez mais constato que a relação dos putos com a Natureza se tornou escassa, asséptica ou mediada por não sei quantos filtros tecnológicos que os impedem de perceber grande parte de escritos como A Vida Mágica da Sementinha sem visitas permanentes ao Google Imagens.

Sim, é verdade, essa relação está ameaçada e devemos contraria essa tendência, mas… têm mesmo a certeza que é no 5º ano, em Português, nas leituras em sala de aula que a coisa se combate de forma eficaz?

Ultrapassar os primeiros parágrafos, por exemplo, de O Rapaz de Bronze, perante a indiferença ou alheamento total dos leitores em piloto automático, sem capacidade de compreender o que aquelas palavras significam em termos concretos, é tarefa ciclópica, homérica, digna de meia dúzia dos trabalhos de um Hércules moderno de comando em punho.

Não podemos dar-lhes apenas o que eles conhecem, concordo em absoluto.

Mas…