Segunda-feira, 2 de Fevereiro, 2015


Miguel Araújo, Recantiga

Continuemos com a maravilhosa entrevista de Hélder de Sousa a Marlene Carriço do Observador e apreciemos este espantoso naco de sabedoria, resultante de 25 anos de reflexão:

Com os anos de reflexão que tenho tido nestas funções e nesta vida de quase 25 anos ligado à avaliação leva-me a dizer que é preciso mudarmos o paradigma da forma como olhamos para a avaliação. A vantagem da avaliação não é a de apontar o dedo nem criticar as pessoas. Se há elemento que nos une enquanto seres humanos é a capacidade de errar. Não conheço nenhum ser humano que não erre. Portanto se nós aprendermos com o erro, dissermos porque é que errei e o que é que vou fazer a seguir para não errar a sociedade tem condições para melhorar, e isso do ponto de vista da educação é talvez a mudança que precisamos de fazer.

Vamos deixar de lado a vacuidade do “é preciso mudarmos de paradigma”, porque não há quem para se armar aos cucos, não diga isso sobre tudo e nada, querendo dizer nada sobre tudo.

Concentremo-nos naquela parte do “a vantagem da avaliação não é a de apontar o dedo nem criticar as pessoas”.

A sério?

A sério?

Então o que fez o senhor excelentíssimo doutro ministro com as bocas sobre os 20 erros, acolitado por uma turba desgovernada de sabichões de sofá como o novo guru do DN e a conivência do próprio senhor Iavé?

Não foi, mais do que apontar o dedo, generalizar as críticas aos “professores”, assim todos por igual?

Ou o argumento só serve para o alunos e os professores, ou candidatos a, nem se podem considerar “pessoas”?

e já agora, não me querendo meter no trabalho da jornalista, como é que Hélder de Sousa se escapa de uma entrevista tão longa sem concretizar absolutamente nada sobre provas deste tipo lá fora?

Nem indicou um caso específico de um país em que a prova seja feita, o momento em que é feita, o tipo de avaliação que implica a exclusão de um candidato a professor, o número de examinados, a taxa de “retenções”, os efeitos sobre a “qualidade” dos professores, etc, etc.

Foi uma entrevista “política”, cheia de ideias gerais, umas interessantes (aquelas em que vira o bico ao prego que tem espetado), outras nem tanto, umas vezes diferentes, outras vezes iguais, com perguntas raramente exigentes, quase sempre menos.

E assim se (sobre)vive.

Como se fosse num episódio vagal.

Vagamente.

em que momentos da sua carreira, foi Hélder de Sousa avaliado com uma qualquer prova que permitisse conhecer as suas capacidades e competências?

(…) a classe docente quer considerar-se à parte destas exigências, que são comuns às profissões mais qualificadas? É que se quer, de certa forma pode ser até uma forma de desqualificação.

Porque isto é tudo muito interessante, mas quem certificou o senhor Iavé como avaliador-mor do reino? Ou como sabemos nós que quem elabora e classifica estas provas têm competência para tal?

Porque a mim quer parecer que quem mais clama pelo rigor, pela cultura da perfeição é exactamente quem fez carreiras sem que seja perceptível a que avaliação foi sujeito. Porque uma coisa é ter cargos, outra ter sido avaliado por mais do que a fidelidade aos senhores que passam.

Vamos lá a tentar saber… que provas fez Hélder de Sousa, quem o avaliou, quem foram os júris das suas provas?

Porque isto de mandar fazer, quase todos sabem mandar. Fazer é que é o caraças…

O senhor até pode ser o mais competente entre os competentes no reino de Iavé, mas a verdade é que o seu trajecto académico e profissional é… aquilo que é e não mais do que isso.

E percebemos o quanto a coisa é curta quando lemos tiradas como estas, cheias de ausências de detalhes específicos ou conhecimentos concretos.

As provas são semelhantes, não há aqui nenhuma invenção. Agora os modelos são todos diferentes. As provas normalmente têm uma componente comum e outra específica, mas desconheço em pormenor se são classificadas separadamente. Sei, por exemplo, que as linhas de corte entre o ser aprovado e não aprovado são variadas. Nuns casos são mais exigentes, noutros menos.

Provas “semelhantes”, modelos “diferentes”… linhas de corte “variadas”… nuns casos “mais exigentes, noutros menos”.

Phosga-se, pá… isso até eu seria capaz de dizer e não percebo nada do assunto.

 

Há 25 anos ligado à avaliação, e formado em geografia, o presidente do IAVE lamenta que o sistema educativo esteja feito para “premiar a mediania” e apela a uma mudança da forma como a sociedade encara a avaliação. E admite que faria sentido ter uma componente de avaliação dos docentes na sala de aula, assim como fazer a prova logo que os candidatos saíssem do ensino superior.

Quanto a premiar a mediana, concordo em absoluto, pois só assim seria possível a certas pessoas chegarem onde chegam, ascendendo assim sempre ao passinho curto, meio na sombra, discretamente, sem um rasgo e só com acutilância quando é de cima para baixo e nunca ousando contestar de baixo para cima.

Em entrevista ao jornalista da Antena 1 Nuno Rodrigues, Rodrigo Queiroz e Melo reconhece que ao ser necessário um visto prévio do Tribunal de Contas, por causa do volume das verbas em causa, era de prever algum atraso, mas não o que acabou por acontecer.

Rodrigo Queiroz e Melo admite vir a pedir juros de mora ao Estado pelo atraso na resolução deste problema. Em causa estão, pelas contas do responsável, cerca de 3,8 milhões de euros.

… que um dos problemas económicos da I República tenha sido a inflamação dos preços.

Porque o assunto não é específico desta escola.

Contra o normal – a situação nas escolas de música

Ohio Charters and Phantom Students

Sugestão do Luís Braga.

… eu estava a falar do Joaquim e nunca falei da Felismina, nem nunca seria capaz de o fazer.

O racismo está à espreita!

Mais um caso a acrescer a dois tão recentes, ao do vice presidente do Senado italiano que comparou a um orangotango a ministra, preta, da Integração, e nos EUA um vigilante branco que matou um adolescente preto e foi ilibado por um júri constituído unicamente por brancos, agora um deputado de centro direita e presidente da Camara Cholet (oeste de França), incomodado com um protesto, talvez desadequado, de algumas dezenas de ciganos, disse e foi gravado por um jornalista: “Parece que Hitler não matou os suficientes”.

Supõe-se que o senhor vai ser alvo de um processo judicial, afastado do partido centrista e talvez proibido de exercer cargos políticos.

Ao que se sabe tem havido problemas em França – que não são de hoje, já vêm de Sarkozy, que só mudou de nome para Hollande, não de políticas consistentes – com acampamentos ciganos, e a extrema-direita francesa, activa uma campanha anti-cigano em força.

Como por certo a memória vai ficando propositadamente apagada, com esta espuma de não acontecimentos e não noticias com que nos bombardeiam, a todo o tempo, a História deixa de ter significado, e só é grave dado que mesmo em épocas diferentes os comportamentos humanos repetem-se. E só para lembrar quem se possa querer ter esquecido, Hitler matou entre 1938 e 1945, 6 milhões de judeus, matou, queimando-os e em simultâneo perto de 500 mil ciganos. Tudo a esquecer? Tudo a poder repetir-se?

Se de facto por vezes alguns grupos de ciganos tentam viver em guetos, o que por si pode criar graves problemas, tudo com e por todos, deve ser feito á a favor de integrar, integrar, juntar, e nunca o inverso. E muito menos excluir, insultando e até recordando tempos tão recentes que se pensava ninguém querer ver repetidos. Parecia não ser querer outro Hitler, na Europa a queimar milhões de Pessoas iguais ao próprio mandante da queima! Uma diferença para ele de raças!!!

E se em Itália a ministra da Integração é preta, é um bom sinal, mas se lá o vice presidente do Senado a compara a um orangotango – por ser preta – é dramático. Mas é Itália, dirão muitos, mas também é Franca, mas também nos EUA, e na Alemanha, há bastantes grupos neonazis.

Talvez esteja chegado o momento enquanto é tempo de se reaprender a História não apagando a Memória, de se ir criando com princípios, uma nova classe política, democrática, mas bem melhor do que a destas ultimas duas décadas, por todo o lado. E em simultâneo os jornalistas, deixarem-se do imediatismo, do que está a dar, da espuma dos acontecimentos e começarem a tratar destes “problemas” que podem ser tão sérios que para além de muitas vidas a assinar e muitas liberdades a acabar, desfaz-se a liberdade de imprensa! E aí já nada a fazer!

Augusto Küttner de Magalhães

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